Aos pés do Santa Cruz

Aos pés do Santa Cruz

Cansado de ver os diretores de futebol batendo cabeça, o técnico indicar péssimas contratações e escalar o time errado e também de ver jogador andar em campo, o Torcedor Coral, que já apelou para vídeo motivacional, abriu mão do palpite da rodada e apela agora para a mística. Por isso, antes do jogo mais importante do ano, publicamos esta oração enviada por uma torcedora, que prefere não se identificar, que fez uma adaptação da prece Que Deus não permita, de Chico Xavier. Se não dá para ir com a técnica e a raça, que seja na fé, nosso último recurso. Que Deus não permita que eu perca a fé no nosso Santa Cruz, ainda que saiba que este pode ser mais um ano de decepção… Que eu não perca o otimismo, mesmo sabendo que o futuro que nos espera pode não ser tão alegre… Que eu não perca a vontade de ir ao Arruda, ainda que saiba que a tentação de pular no canal, em caso de nova decepção, será incontrolável… Que eu não perca a vontade de ver grandes jogadas, mesmo sabendo que as furadas, os chutões e os passes errados farão brotar lágrimas dos meus olhos e escorrerão por minha alma… Que eu não perca a vontade de empurrar o time, ainda que saiba que muitos jogadores são incapazes de retribuir esta ajuda dentro do campo… Que eu não perca o equilíbrio, mesmo sabendo que, ao fim do jogo, terei vontade de dizer palavras sem nenhuma gentileza e de tacar laranja na cabeça de muita gente… Que eu não perca a garra, mesmo sabendo que a derrota e a perda são dois adversários extremamente perigosos… Que eu não perca a esperança na vitória, ainda que eu reconheça o futebol de peladeiro que meu time vem jogando… Que eu não perca a razão, ainda que não haja razão nenhuma para manter o controle emocional… Que eu não perca o orgulho de ser tricolor, mesmo sabendo que um dia meu coração estará fraco demais para suportar tanto sofrimento… Que eu não perca o amor pelo Santinha, mesmo sabendo que me será exigido esforços incríveis para manter essa paixão… Que eu não perca a vontade de voltar à Série A, mesmo sabendo que a CBF, o clube dos 13, os cartolas do futebol, os empresários e os esquemas querem que eu continue na série D… E acima de tudo… Que...

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Uma semana de paz

Uma semana de paz

Depois da vitória contra o Porto, algum leitor, na seção de comentários, cantou a pedra: finalmente uma semana tranquila. O motivo é a retomada da liderança escorada, ouso dizer, na esperança do futebol mostrado no segundo tempo. Não fui ao campo, embora estivesse com o ingresso na mão. Minha filha teve febre e a babá também adoeceu. Nestas circunstâncias, não havia como ver o Santa jogar. Por isso, ouvi pelo rádio e mantive contato direto com os amigos presentes no Arruda. A conversa foi uma só: no primeiro tempo jogamos um futebol mequetrefe, mas, no segundo, o time teve outra cara. Queria ter ido ao jogo para ver o futebol do segundo tempo com meus próprios olhos. Sei que não foi assim uma Brastemp, mas nunca esperei um futebol vistoso do time coral na Série D. Espero – e continuarei a esperar – um futebol competitivo. Isso me basta. Soube que a vitória entrou na conta de Bismark e também de Jefferson Maranhão. Talvez com o retorno de Renatinho e Natan a gente finalmente tenha um time mais qualificado para a fase de mata-mata, porém, ainda é preciso garantir a classificação no próximo domingo contra o Guarani-CE. Talvez o treino de ontem à tarde tenha sido reflexo desta semana tranquila. Tiago Cunha, quem diria, marcou três vezes na vitória dos titulares sobre os reservas. Tomara que ele – e os outros atacantes – desencantem nesta competição. Para não dizer que navegamos num mar de tranquilidade, o bicho pegou mesmo no processo eleitoral da Federação Pernambucana de Futebol. O Torcedor Coral e o Blog do Santinha combinaram uma convocação conjunta para o jantar de adesão em apoio à candidatura de Mirinda a vice na FPF, mas o evento não saiu do papel por questões operacionais. Ao invés disso, uma carta pública seria divulgada nos meios de comunicação, mas a FPF sinalizou por soluções caseiras, deixando de lado a eleição. Não fiz ainda uma leitura dos acontecimentos, nem tenho informações de bastidores a respeito, mas sou capaz de apostar nalguma rusga entre o atual presidente e a família Oliveira, pois esse negócio de má leitura no estatuto é conversa pra boi dormir. É sempre bom lembrar que o sobrinho de Carlos Alberto passaria a ser uma sombra a essa gestão e talvez a pressão do clã Oliveira tenha sido demais da conta. Mas isto é só um exercício de pensamento e...

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O estudo da idiotia e as tartarugas de Intermares

O estudo da idiotia e as tartarugas de Intermares

Recebi um telefonema de Artur Perrusi, nosso dileto e desaparecido Editor-Minor, para assistir ao jogo do Santa Cruz em sua casa. O convite soou estranho, dada a sua longa ausência de nosso convívio. Durante muito tempo, tentei, sem sucesso, localizar o seu paradeiro. Procurei-o inutilmente em hospitais, simpósios de psiquiatria sobre o medo do homem pelas baratas e, por fim, em necrotérios. Nenhum sinal. Perrusi, ao que parecia, não estava vivo nem morto, mas no limbo. Aceitei o convite, não apenas porque na minha casa não pega satisfatoriamente o Canal 22, mas também porque fui movido pela curiosidade em saber o que nosso Editor-Minor havia feito durante todo esse tempo. Bati a porta de sua casa três vezes, de acordo com as suas orientações, mas ninguém atendeu. Depois, bati mais três vezes e continuei inutilmente na espera. Cansado de aguardar e na expectativa do início da partida, decidi abandonar a passividade e enfiei o pé na a porta, até que ela se abrisse. Porta escancarada, encontrei Perrusi em pé, no meio da sala de estar, pintado de verde, usando uma sunga de praia, com uma bacia de lavar roupa amarrada nas costas e um lenço vermelho preso na testa. Quis perguntar que porra era aquela, mas ponderei que sempre é preciso agir com cautela diante de um doido em potencial. ― Por que você não abriu a porta quando eu bati?! ― Porque você bateu seis vezes e nós combinamos apenas três. ― Mas eu bati três vezes, você que não abriu, aí eu bati mais três! ― As três primeiras batidas poderiam ter sido casuais. Precisava ter certeza. Achei o início de nosso reencontro parecido com os episódios da série de TV Além da Imaginação. Paciente, cobrei esclarecimentos. Artur me explicou que andava cansado do futebol de quarta divisão jogado pelo Santa, por isso, aceitou o desafio de realizar uma pesquisa solitária sobre os hábitos das lendárias tartarugas de Intermares. Como psiquiatra e sociólogo, sua missão era descobrir por qual motivo as fêmeas se identificam mais sexualmente com as tartarugas do eixo Rio-São Paulo do que os machos nascidos e criados na Paraíba. Segundo Artur, os hábitos das tartarugas marinhas têm profundas semelhanças com os torcedores paraibanos, que preferem os times cariocas e paulistas aos de João Pessoa e Campina Grande. Se descobrisse o mistério de um, provavelmente, descobriria a razão do outro. Era preciso, portanto, diagnosticar a...

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Mão no vespeiro

Mão no vespeiro

Acompanhei, durante a semana, algumas matérias que tratam do projeto de lei do Deputado Federal Mendonça Filho (DEM-PE), que tramita na Câmara dos Deputados, sobre a regulamentação dos direitos de transmissão dos jogos do campeonato das séries A, B, C e D. Embora sua vigência, em caso de aprovação, ocorra a partir de 2016 (a Rede Globo assinou recentemente contratos com alguns clubes brasileiros que vigorarão até 2015), esse é um tema que interessa ao Santa Cruz e a sua torcida. O projeto prevê a divisão do bolo nos mesmos moldes que ocorre na Premiere League, o campeonato inglês, cujo montante seria distribuído da seguinte forma: – 50% em partes iguais para todos os clubes da mesma divisão; – 25% de acordo com a colocação da equipe no campeonato do ano anterior; – 25% de acordo com a audiência de TV da última temporada. Além disso, há um limite de 20% da transmissão em cadeia nacional das partidas de um clube de futebol. O objetivo é dar oportunidade e visibilidade às demais equipes. Hoje, no Brasil, a maior concentração de transmissão de jogos recai sobre Flamengo e Corinthians, em detrimento dos demais clubes brasileiros. O interesse por trás da audiência é tornar os dois clubes continentais e forças mundiais. O atual modelo brasileiro privilegia as instituições que participam do Clube dos 13, notadamente aos que pertencem aos eixos Rio-São Paulo e Rio Grande do Sul-Minas. Essa fórmula contribuiu para o estrangulamento de clubes tradicionais, como Santa Cruz, Náutico, Paysandu, Remo, Fortaleza e Ceará, só para citar alguns, e o surgimento de torcedores de parabólicas, aqueles que pertencem a uma determinada praça, mas torcem por times do Rio ou São Paulo. O Clube dos 13, já cansamos de repetir, criou uma nova ordem no futebol brasileiro. Uma ordem egoísta, interesseira e predatória. O projeto de Mendonça Filho, tricolor assumido, na visão de quem se encontra a milhares de quilômetros do planalto central, embora trate com um pouco mais de justiça as demais regiões do país, terá dificuldades em ser aprovado. A primeira resistência se dará na chamada bancada da bola; a segunda, na mudança de paradigma do seguimento esportivo mais viciado e promissor – do ponto de visto econômico – do país. Mendonça Filho aposta na composição do Congresso Nacional para aprovação do seu projeto. A maioria dos Deputados e Senadores está fora dos eixos beneficiados pela composição do Clube...

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Banzo

Banzo

Passei parte do dia remoendo sobre o que escrever. Li alguns jornais, folheei páginas virtuais, vasculhei todos os releases enviados pela Assessoria de Imprensa do clube, mas não me senti motivado a escrever nadica de nada. Acho – acho não, tenho certeza – que esta Série D é a causa. É que esse troço de passar uma semana sem jogar, para mim, relembra tempos de entressafra, de pouca ação e muita especulação. É, definitivamente, um período enfadonho. Não bastasse a CBF criar um campeonato absolutamente deficitário, onde um clube liso como o nosso Santinha é o primo rico da competição, agora surgiu esse negócio de folgar na rodada. Que troço desinteressante! Vai ser burro assim – ou sádico – lá na casa de Ricardo Teixeira. Um dos meus vinte e tantos irmãos me ligou no dia do amistoso contra o Campinense para combinar a nossa ida ao Arruda, mas não me animei a ir. É bem verdade que tinha coisa pra dedéu para fazer em pleno domingo, mas, confesso aqui, que mesmo que não tivesse, dificilmente iria. Minha lógica é simples: o time não está jogando piroca nenhuma em partida oficial, quem dirá em amistoso. E corto logo esse papo furado que é preciso ajudar o clube e tudo mais, pois todos nós, tricolores, já fazemos esforços demais pelo clube – mensalidade, ingresso caro e até doação a CELPE. É preciso deixar alguma grana no bolso para pagar as contas do dia-a-dia, senão a gente quebra também. Mas, como ia dizendo – ou não dizendo – não tenho nada a dizer. Não tenho nada a falar nem mesmo sobre uma informação absolutamente não fidedigna de fonte não confiável que afirmou sem muita segurança que há uma enorme preocupação da diretoria coral com o rendimento do time na Série D. Afinal, se o Santa perder o jogo para o nosso tocaio no próximo domingo – com o futebol que estamos ou não estamos jogando, uma derrota não é impossível, nem improvável – ficamos a quatro pontos do líder. Aí a luz amarela ficará vermelha. Certamente, pouco tenho a acrescentar também sobre a procura incansável por um atacante, nem mesmo um nome a indicar. — O que você sabe sobre Dodô? — Sei que é uma ave não voadora com cerca de um metro de altura que vivia nas ilhas Maurícias, se alimentava de frutas e foi extinta durante o processo...

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Tricolores em chama

Tricolores em chama

O Santa Cruz não jogou neste fim de semana. Sensação estranha que nos leva ao hiato entre o fim do campeonato pernambucano e o início da Série D. Não consigo ver lógica nessa tabela, onde os grupos são formados por cinco clubes, não por quatro. O resultado é que um time, de cada chave, em cada rodada, forçosamente folga na tabela. Soube do empate sem gols entre Porto e Guarani/CE e me animei a ouvir o finalzinho do jogo entre Alecrim e Santa Cruz/RN. Segundo os comentários da transmissão de uma rádio potiguar, o Alecrim jogava melhor e só faltava o gol. Torci muito, mas, infelizmente, o empate não veio. Paciência, poderia ser pior. A rodada em que o Santa esteve ausente não foi o melhor dos mundos, mas há muito chão pela frente e a expectativa é que o time encontre seu futebol mais competitivo. Sei bem que nenhum tricolor, depois da conquista do pernambucano, esperava por esse início irregular. Todos esperávamos que o time entrasse na Série D com gosto de gás e comendo a grama. O que se viu nesse início de competição foi uma enorme oscilação e a falta de sabedoria – ou futebol (embora alguns digam que não há espaço para futebol na Série D) – em furar a retranca dos adversários. Também é preciso recuperar a forte marcação aplicada no campeonato estadual. Apesar da campanha irregular, minha decepção teve menos a ver com o empate contra o Porto, pois lá não havia condições de jogo, e mais com os pontos perdidos contra o Guarani/CE, em pleno Arruda, diante de mais de 42 mil tricolores. Este foi o resultado que nos tirou a liderança. Entretanto, a perda da liderança, embora não desejada, tem lá o seu valor. Quem sabe não era disso que o nosso Santa precisava para crescer na competição. A necessidade às vezes faz a hora e a esperança agora é que o Santa comece a se firmar dentro do campo com um time preparado, armado e treinado para vencer. Todavia, não era exatamente sobre a nossa posição na tabela ou a nossa irregularidade nos gramados que eu gostaria de tratar, apesar dessa longa introdução. Com alguma tristeza, prefiro refletir sobre o comportamento humano, especificamente de nós, tricolores, diante do aperto, do apuro. A ansiedade de não ver o time entrar em campo para defender a liderança deixou as coisas estranhas por...

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