Déjà Vu!

Déjà Vu!

Cheguei em casa atrasado por causa das crianças e perdi os primeiros vinte e cinco minutos do jogo. Considerando que ainda fui botar um na cama e organizar o outro para que não atrapalhasse a minha atrasada programação, o restante do primeiro tempo praticamente passou batido. O gol, ouvi ainda no rádio a caminho de casa. Elogios dos comentaristas, vitória bem encaminhada. Tudo corria bem, mas só me larguei no sofá pra valer no segundo tempo. Quando prestei atenção no jogo, percebi de imediato que havia algum problema técnico na transmissão. — Mulher, liga aí pra TV Brasil, que eles estão passando o jogo do Santa de 2011! Ela tinha mais o que fazer, então, liguei eu mesmo para a TV e reclamei do gato por lebre. Convicto do equívoco, jurava que cheguei a ver, meio de banda, a sombra de Zé Teodoro no banco de reservas. Um engraçadinho do outro lado da linha deu uma gaitada e bateu o telefone na minha cara. “Tem um cara passando trote pra cá!”, disse ele para alguém antes de desligar. Emputecido, liguei para a Anatel. — Sabia que trote dá cadeia? — respondeu uma voz enfezada. Sabia, mas e eu com isso?! Cinco minutos depois ligou um agente da Polícia Federal, do Departamento de Combate ao Trote. Expliquei tudo tintim por tintim, para evitar um inquérito policial. Em meio a crise de riso do agente, caí na real. — Que merda é essa?! — disse de mim para mim, depois de desligar o telefone com uma péssima sensação de Déjà Vu. O time jogava acuado, feito animal caçado, pregado na barra, como se houvesse onze goleiros e nenhum jogador de linha. Em pouco tempo, vi o CRB virar o jogo e surgir, não sei bem de onde, uma dor forte no estômago. Suei frio com medo de o passado mal-assombrado bater à minha porta. Não sou supersticioso, mas tratei de pregar uns ramalhetes de alho na porta e passei a noite dando pulinhos na sala e gritando desconjuros, além de beijar incessantemente o meu pé de coelho e fazer figa com os dedos das mãos. Por via das dúvidas, ainda rezei doze Ave, Maria! antes de dormir, mas passei mesmo a noite olhando para o nada, com cara de abobado. Já de manhã, li e reli que Sandro jurava de pés juntos que não mandou o time recuar e não sabe...

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Ode aos ratos

Ode aos ratos

— Papai, quero ser um rato! Desde menino tinha medo de rato. Bicho do lixo e da noite, dentes e olhos assustadores, pêlos de uma repugnância invencível. Meu bairro infestado de ratos, assim como a minha casa. Eu mesmo, um roedor: “você é um homem ou o quê?”. Era um rato. Bem poderiam me chamar Coragem, o rato covarde. Dava um boi para não entrar numa briga e uma boiada para sair dela. Sim, era um rato. O Arruda está infestado de ratos. Os de lá, é forçoso reconhecer, não são da minha laia. Têm a vantagem de lutar diariamente pelo pão nosso de cada dia. Isso dá força, determinação e tutano e explica o sucesso do Santa Cruz. É preciso conhecer os atalhos da vida e do campo para prosperar. O único rato que eu dava algum cartaz, até pouco tempo, era o Mickey Mouse, agora há outros, de nomes menos pomposos, de gente como a gente, como Flávio, Sandro Manoel, Renatinho, Jefferson Maranhão, Natan, Everton Sena, Thiago Costa, Anderson Pedra e tantos mais. O Santa Cruz é a nova Disneylandia. Mas se há os ratos, também há as ratazanas. Não faz muito tempo as ratazanas dos Aflitos, cujo mascote nunca fora tão bem apropriado, reclamavam das ratazanas da ilha da fantasia, que assediavam seus atletas ostensivamente, inclusive, em semana de clássico. O tempo, ah!, o tempo! Ele muda trajetos, caráter e procedimentos. Bastou ter mais um dinheirinho e as práticas duramente criticadas pelas ratazanas vermelhas e brancas tornaram-se também comuns entre elas. As ratazanas vermelhas e pretas, essas todos já conhecemos. São soberbas, deusas de um Olimpo que existe apenas na mitologia, na fantasia e no folclore. De lá, nunca se espera boa coisa. Mas de cá, eu esperava. Marcelo Martelotte deixou a condição de rato para se transformar em ratazana. Saiu pela porta dos fundos do Arruda e mudou de clube e endereço. Acertou com o maior rival tricolor com a desculpa esfarrapada de que saíra mais cedo do treino para correr no calçadão de Boa Viagem. As notícias da madrugada dessa sexta-feira confirmaram que Martelotte, de fato, deu um carreirão, mas para se bandear. Criticado pela torcida coral pela eliminação da Copa do Nordeste, Martelotte deu a volta por cima e, se não virou unanimidade, chegou muito perto. Sua saída repentina pode prejudicar o principal projeto do clube para ano, que é o de avançar...

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Histórico: Santa Cruz é tri!

Histórico: Santa Cruz é tri!

Histórico. Campeão em 2011, quando disputava uma série D, no pior momento da história do Clube. Bi-Campeão em 2012, desta vez na Ilha do Retiro. TRICAMPEÃO em 2013, novamente na Ilha do Retiro. Mais de 40 anos depois, O time de Preto, Puta e Pobre, O time de Branco, Moça e Rico, O time do Povo, é TRICAMPEÃO em Pernambuco. Um título que deixa qualquer tricolor de alma lavada. O Tricolor, que sofreu inúmeros anos de sucessivas quedas, hoje vê seu time renascer. “Se um dia eu não consegui te segurar é porque eu preferi estar ao teu lado.Porque, enquanto muitos duvidam da tua volta, esquecem que, contigo, estão as minhas mãos, os meus pés e os meus olhos que te ajudarão a levantar, a manter-te firme e a guiar-te, para que continues sendo o mais popular, O Mais Querido de Pernambuco. Estamos nos reencontrando, porque a história não muda, mas se reescreve a cada dia”. E, hoje, estamos escrevemos mais uma página da ressurreição Coral. Uma página...

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#RumoAoTRI

#RumoAoTRI

Uma classificação difícil. Jogo contra o Náutico sempre é difícil, ainda mais jogando nos Aflitos. Some-se isso a um regulamento esdrúxulo, assinado pelo próprio Santa Cruz. Fico imaginando quem ganharia o bicho do jogo caso a decisão fosse feita no sorteio e o Santa se tornasse vencedor? Infelizmente, temos que falar desse absurdo regulamento. Desses diretores incompetentes que dirigem o Futebol Pernambucano. Posto isso, finalmente, o campeonato começou agora no final. Dois jogos, duas grandes torcidas e a maior tradição futebolística de Pernambuco em campo. Hoje, conseguimos a classificação sofrida. A vitória no Arruda por 1 x 0 foi fundamental. Nos dois jogos, o time do Santa não mostrou aquele futebol que pudesse empolgar, mas mostrou a frieza necessária para passar confiança a torcida. Mesmo com a desvantagem na maior parte do tempo, o Santa não se desesperou e foi atrás do resultado que lhe garantiria na final. E ele veio. A dupla Renatinho e DM9 garantiu o Santa em mais uma decisão. Fomos para a final com base no regulamento e graças ao preparo físico, como bem falou o treinador. Vamos para a final. A terceira final consecutiva contra o mesmo adversário. Isso, por si só, já demonstra que o Santa Cruz renasceu nos últimos anos. Se fomos bicampeões desacreditados, agora temos a oportunidade de disputarmos um tricampeonato com esperanças maiores. Como muito bem disse Santana Moura no seu texto anterior, Atitude é tudo! Que seja lido por Marcelo Martelotte e repassado aos jogadores do Mais Querido de Pernambuco! Com a força de torcida, com a atitude em campo de jogadores como Anderson Pedra, Renatinho e Dênis Marques, o Santa Cruz pode conquistar um título que poucos torcedores que acessam o nosso blog presenciaram: o de TRI-CAMPEÃO! #RumoAoTRI, Santa...

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Justiça, ora, a justiça!

Justiça, ora, a justiça!

Não existe justiça no futebol. Talvez o esporte imite a arte, como a arte imita a vida. Na vida nem sempre prevalece o justo e muitos são os atalhos para se tomar o certo por errado. Tem-se a impressão, aqui e acolá, que mais vale a destreza do advogado do que a verdade dos fatos ou a interpretação do juiz que o texto da lei. A lei, me ressinto em dizer, não serve à justiça. Serve, quando muito, à própria lei. Não. Não existe justiça no futebol. Se houvesse, algum tribunal desportivo daria, por unanimidade, a vitória ao Santa Cruz no Clássico das Multidões. O resultado final não valeria, porque não seria justo, nem verdadeiro. Ontem, o Santa Cruz pôs o rival sob seu jugo. Foi soberano. Saiu de um primeiro tempo equilibrado para um segundo absoluto. Sobrou em campo. Foi tamanha a superioridade que o empate serviu à torcida adversária como um título de copa do mundo. O Santa, apesar da empáfia do lado de lá, mandou no jogo. Tanto que abusou. No final da partida, eu gritava em vão para o time segurar a bola no ataque. Minha voz foi abafada pelos gritos de olé! Grita-se olé!, quando muito, numa goleada, onde não mais é possível dar chances ao azar. Em um clássico, tudo pode acontecer até o apito final. Cada jogo do passado está aí para provar. Dizia a Paulinho, segundos antes do lance capital, que só um milagre tiraria a vitória. O milagre nasceu de um tolo desejo de vingança dos que, em campo, engoliram calados, durante toda a semana, o outro lado cantar de galo. Deixaram, então, de fazer justiça para serem justiçados. Da vingança fez-se a soberba, que tombou castigada nos minutos finais. Eis a justiça no futebol. O pênalti não foi cometido por um só jogador, mas por todo o grupo. Começou no ataque com uma tentativa de drible desnecessária, passou por um vácuo na lateral direita até terminar na área, desmantelado no chão. O correto seria prender a bola e gastar o tempo. O tempo, ah!, o tempo, compositor de destinos e regente de movimentos precisos. Faltava uma réstia de momento, um triz de minuto. Que os segundos passassem com a bola em nossos pés. Na arquibancada, explodi impaciente e demorei a me acalmar. Não se pode contar com a vitória antes do fim. A soberba nos tirou a liderança e...

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Desconstrutivismo

Desconstrutivismo

  Ando lento para escrever ultimamente, por isso, tenho preferido ver, ler e ouvir. O último artigo que publiquei aqui completou aniversário de um mês no dia 04. Não lembro, sinceramente, de passar tanto tempo ausente. Dá nisso, quando a obrigação se impõe ao prazer. Além do mais, o nosso site tem atravessado problemas de estabilidade, gerado trabalhos adicionais, redobrado os esforços, que, apesar de bem-sucedidos, ainda vão longe de uma solução definitiva. No Santa Cruz, os primeiros frutos do trabalho de Martelotte começam a aparecer e a criar boas perspectivas para a Série C, apesar de alguns defeitos reparáveis. Incorrigíveis, apenas os privilégios de Dênis Marques, sua falta de profissionalismo e mesmo de educação, que o levam a se ausentar de treinos sem avisar diretamente ao seu chefe imediato e a criticar publicamente a atitude sensata do único homem no clube com coragem suficiente para botar o jogador em seu devido lugar. Esforço em vão, é verdade, dada a complacência irresponsável de diretores com atos de indisciplina, especialmente de Antônio Luiz Neto, que, ao passar a mão sobre a cabeça do jogador, desconstrói o trabalho do treinador. Fosse ou não a atitude do atacante justificável, o correto seria o seu contato diretamente com Martelotte. Ainda mais apropriado, depois da entrevista desastrada do jogador, seria que o técnico, mesmo com riscos de perder os jogos e o cargo, deixasse o atacante fora da partida de ontem e do clássico de domingo. Quem sabe assim, o presidente aprendesse, ainda que do modo mais duro, que é preciso ficar do lado de quem tenta moralizar o futebol no clube. Ontem estive no Arruda e gostei do que vi. O último time coral que saía da defesa para o ataque sem dar chutões, recordou bem Artur Perrusi, nosso dileto e letrado cronista, foi armado por Dado Cavalcanti. O rapaz, infelizmente, carecia de mais experiência para treinar um time de massa, além de esbarrar em Raimundo Queiroz, um dos piores diretores de futebol da história do clube. Mas o Santa de Martelotte aprende, dia-a-dia, a tocar a bola, a construir jogadas e a sair em velocidade. O meio, nosso ponto mais fraco na era Zé Teodoro, torna-se, enfim, nossa fortaleza. São evoluções apreciáveis que devem ser creditadas ao trabalho persistente do treinador. Claro, tenho minhas restrições e preferências, como Nininho na lateral, e não compreendo a injustificável ausência de Tavera dos gramados por...

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