Resenha de jogo

Resenha de jogo

Primeiro, é claro, as amenidades, até para deixar mais leve a narrativa. Fui ao jogo com Geo, o poeta do apocalipse tricolor, e Felipe Camarão, aquele que expulsou os holandeses e, depois, arrependeu-se e chorou na tumba de Maurício de Nassau. Achei tudo estranho, pois Geo chegou na hora, pontualmente, e bebeu, no bar, suco de laranja. Não sou cabueta, mas é o jeito: Geo não bebeu… quer dizer, bebeu sim, só suco natural. Não precisava nem beber. Ficava bebo só de ver Geo tomando suco de laranja. E tudo ficou ainda mais esquisito quando encontrei meu primo Chiló. Os tricolores, no Tepan, estremeceram com a presença do grande  sanfoneiro. Ele ia ao jogo. Olhei o tempo. Não chovia. Mas Chiló não vai ao jogo? Perguntei aos deuses. Como não chove?! E não é que não chovia?! Falo de todas essas estranhezas, até porque já estava quequéu e fica muito difícil ser objetivo; inclusive, para analisar o jogo. Jogo?! Que jogo?! Ah, sim, o jogo! O primeiro tempo foi uma desgraça. Tricolores, fiquei sóbrio. Sim, foi tão ruim que destilei todo o álcool. Não gosto de cair na real na série D. A lucidez pode ser fatal. Posso ter um enfarte. Sem álcool, meu coração se arreta, e passo a ser um torcedor da social, completamente sectário e sem paciência. Olhei nosso professor pardal, Zé Teodoro, e perguntei: por que, criatura dos infernos, mudasse tudo? Não tinha Maranhão na lateral? Pra que deslocar Memo? Nosso 4-3-3 foi horrível. Não foi por causa do número. Não existe, aqui, numerologia mística. Foi horrível, principalmente, porque nosso ataque jogou de costa para o gol adversário. Nessa tática, os três atacantes precisam jogar partindo com a bola. Nossos atacantes recebiam a bola com a marcação nas suas fuças. É preciso saber a arte do pivô; a arte de virar e driblar, imediatamente, para abrir espaços. É pedir demais, convenhamos. Até o Manzuá, lá da Paraíba, sabe que Ricardinho perdeu-se na vida. Tudo bem, isso não vem ao caso. Não discutirei, nesse momento, as contratações malucas de nosso departamento, a começar pelo inominável Leandrinho. Mas Ricardinho pode jogar mais, ser menos inoperante. É o típico atacante que joga rápido e de frente ao adversário. Ao jogar de costas, ao receber osso em vez de bola, anula-se e torna-se insignificante. Enfim, não tínhamos toque de bola no meio, só ligação direta e nosso ataque… No...

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Jogo

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Fui ao jogo. Revi o Arruda, aquele colosso maltrapilho. Fui com Geo, por isso supus que o Santa perderia a partida. Estava conosco Ducaldo, um antídoto contra o azar. Rezamos antes da partida para garantir. Foi pela padroeira da Sagrada Tentação do Deserto. Reza difícil e cheia de mantra, a única forma de combater a alma de gato de Geo. Enchi a cara antes do jogo. Até hoje, lamento essa estupenda idiotice de proibir a bebida dentro do estádio. Bebe-se, de todo modo, nos arredores; bebe-se rápido, sem apreciação, de forma compulsiva. É uma baita hipocrisia beber antes e depois do jogo, mas nunca durante. A violência não está no álcool, está nas pessoas, nas torcidas organizadas. Enfim… Além disso, preciso beber, pois, quanto pior o time, maior a necessidade etílica. E, como o time é muito ruim, beber é preciso. E, convenhamos, entrar no estádio já meio tocado é uma vantagem, pois não se nota tanto a verdadeira bagunça que significa entrar no Arruda. Sempre tenho a impressão de que está lotado quando vejo a movimentação – ledo engano. Entra-se no sufoco para notar, lá dentro, que há ainda uma imensidão a ser preenchida. Mas, para não cometer injustiça, entramos facilmente na arquibancada. O negócio pegou feio foi nas sociais – sócio é uma categoria estranha no Arruda. Há uma relação de sadomasoquismo entre cartolas e sócios do clube. Caberia uma distribuição, na forma de brinde, de cilícios aos sócios, esses verdadeiros penitentes. Assistimos ao jogo de uma posição agradável. De quando em quando, alguns pingos de mijo, mas tudo numa boa. _Mijo, no fundo, é água – disse a Geo que reclamava horrores. _E estádio de futebol não é cinema, carai. Completava, defendendo esse colosso imundo, que é o Arruda. Sou sentimental e corporativo, nessas horas. Tentei ver o jogo. Era ruim pra danar, sem dúvida. Mesmo meio biritado, não adiantava negar que era uma pelada. O time está em formação, pensei. Ofereci a mim mesmo uma série de desculpas apaziguadoras. Por causa do Santinha, aprendi a ser Pollyanna, aquela menina debiloide capaz de ficar feliz até nos piores momentos da vida. Pois é… É preciso muita desgraça para, enfim, reconhecer que a desgraça existe. Pensei até em Laika, a cadela soviética, coitadinha, rodando lá em cima no espaço — que situação, muito pior do que a nossa, rodando aqui em baixo. Senti-me menos ansioso e, assim,...

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Faça-me rir

Faça-me rir

O time é engraçado, sem dúvida. É ridículo. Conseguiram montar um time grotesco. Ri muito, confesso. Das cenas divertidas, elejo a furada de Brasão como a melhor. Dei gargalhadas. No estádio, notava-se a meninada rindo e se divertindo. Parecia que estávamos no circo. É preciso ser competente para montar um time cômico na série D. É preciso esmero. Treinar idotices, fazer experiências malucas, escalar jogadores sem preparo físico, como o comediante Jadílson, contratar ex-jogadores em atividade. O objetivo é tornar o time num bando, num amontoado de jogadores correndo atrás da bola. E fazer, claro, da bola uma inimiga mortal. Pegou na bola, entregue ao adversário logo no primeiro passe. E não faça gol — nunca. E perca de um time mais ridículo do que o seu — sempre. Mesmo assim, montar uma porcaria para jogar a série D não é pra qualquer um. Todas as equipes são ridículas, por definição. Logo, conseguir superá-las é preciso algo mais, um planejamento do caos, sei lá. Antigamente, pensava que nossa desgraça era um misterium tremendum. Não entendia por que tudo dava errado. Pensei que fosse tragédia, logo, destino. Não, não é tragédia, e sim comédia. O santa Cruz é intrinsecamente cômico. Há algo ridículo nas suas entranhas. Se o clube tivesse uma mãe, invocaria Freud, e diria que o problema era justamente sua genitora. Seria um baita Complexo de Édipo — mas aí seria tragédia, e estamos falando de comédia, não é?! Nosso clube tem a arte de procurar problemas, encontrá-los, diagnosticá-los equivocadamente e, então, aplicar os remédios errados (paródia de uma frase de Groucho Marx) . O Santinha é uma charada embrulhada num mistério dentro de um enigma (paródia de uma frase de Churchill sobre a URSS). Mas é engraçado… Nos idos, o tricolor original, com uma pedra, fez um desenho na areia ou no tronco de uma árvore (há controvérsias a respeito). O diabo olhou por cima dos seus ombros e comentou: “É bonito, mas… será arte?”. Não era arte, era comédia. Nosso time é fubeca. Estamos diante da fubequização de nosso futebol. Temos ainda chance?! Não tenho a mínima ideia. Sei apenas que o pessimista é aquele para o qual tudo está perdido, enquanto que o otimista tem fé que as coisas ainda podem piorar. Pois acho que vamos piorar. A comédia só começou. (imagino Dado à beira de um rio. Vê um peixe dentro d’água e diz:...

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Resenha do jogo

O time bocejou… Bem, a impressão que deu foi que fomos engolidos pelo time de Goiás. Espantou a nossa desorganização, já que, até então, éramos organizados. O que aconteceu? A organização tática do outro time desorganizou a nossa? Pode ser. Outro espanto foi a nossa indolência. O time jogando diante de quarenta mil pessoas e… mole. Não entendi. O que aconteceu? A dominação tática do adversário abalou e abateu nossos jogadores? Pode ser. A dominação tática implica, para os dominados, a sensação de estar cercado de adversários por todos os lados. Isso desanima, realmente. Vá lá tudo isso, vai ver que explica um pouco o que aconteceu, mas não precisava tanta moleza, beirando a covardia, e tanta desorganização tática. Certo, o time é limitado tecnicamente, mas estava, até então, bem posicionado. Não tínhamos tanto conteúdo, em relação ao nosso adversário, mas tínhamos forma, isto é, tática e superação. A forma volatizou, e a superação desmanchou-se no ar. Logo no primeiro tempo, a desorganização era visível: a zaga marcava lá atrás e o ataque, quando marcava, era lá na frente. Ficou, assim, um buraco no meio-campo. Um espaço imenso, uma espécie de pradaria, uma imensa tundra, onde os jogadores do outro time deitaram e rolaram. Ruminavam naquele pasto, sem nenhum predador à vista. Ofereça campo ao adversário, insinue que, hoje, dormiu mal e dê aquele bocejo, aí, meu chapa, não tem jeito, é derrota na certa. E o pior: a derrota não foi valorizada. Inclusive, foi meio estranha, meio patética. Algumas vezes, confesso, assim meio com sono, dando aquele bocejo, deu pena. Goiano (perdido), Jackson (nulo), Joelson (delirante), Brasão (sem marketing), Elvis (confusional) e quejandos bocejaram coletivamente em campo. E, se um boceja, ocorre uma reação em cadeia. Foi uma coisa (desculpem o palavrão)  de nunca mais se ver, mesmo com o tanto de coisas (foi mal, aí) passíveis de nunca mais serem vistas que têm lugar no Clube do Santo Nome. Convenhamos, foi de lascar. E a sensação foi de que, talvez, muito pior seria se pior fosse. O outro time jogou tranquilo, exceto quando levou o gol. Passou um momento meio conturbado, mas voltou a equilibrar as ações, para dominá-las, novamente. Fiquei abasbacado com a facilidade pela qual entravam na nossa defesa. Não era uma questão de pedir licença, a entrada da área era oferecida de forma ostensiva. Chegava a ser vulgar. Era perigo de gol o tempo...

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Dado não tem culpa de o time ter uma zaga ridícula. A culpa não é, inclusive, nem dos jogadores, mas sim de quem os contratou. Com Leandro Cardoso, a zaga já é ruim, imagine sem o cabra. O que poderia fazer Dado, com essa zaga e sem Jackson? Sem Natan, qual seria o jogador para entrar no meio-campo? Dado não teve confiança em Serginho, nem em Marcelinho. Tem suas razões. E, assim, achou por bem escalar Marcos Mendes. Com isso, jogou com três volantes, sem armação no meio-campo. Pior, talvez, pois tentou um dueto entre Miolo e Marcos Mendes que, infelizmente, além de não ter dado (desculpe o trocadilho) certo, eliminou alguns milhares de neurônios do meu cérebro. Foi o preço para entender o objetivo do dueto. Deu uma  dor de cabeça do carai. Miolo no meio? É mais fácil o Cão da Menália  (TC é cultura!) parar de perseguir a Lebre do que essa dobradinha dar certo. Provavelmente, o objetivo de nosso técnico, o que é humanamente compreensível, era proteger a zaga. Imagino Dado, coitado, tendo pesadelos com Alysson e Luiz Eduardo. É uma zaga de lascar o coração. Dado envelhecerá rápido, podem ter certeza. Contudo, com Marcos Mendes, o preço foi alto, excessivo até: perdemos o meio-campo. Fico pensando se não valia pena ter arriscado, desde o início, em escalar o time com Serginho ou Marcelinho; mas, futurologia não decide partida. Em suma, no primeiro tempo, a Coisa deitou e rolou. Claro, teve aquele lance do “impedimento”, sem dúvida um erro da arbitragem. Porém, a Coisa jogava melhor. Na minha opinião, o domínio do adversário foi nítido e, confesso, tive pouca esperança durante o primeiro tempo. No segundo tempo, esperava a saída de Marcos Mendes. Sinceramente, acho a minha expectativa perfeitamente prosaica e um tanto óbvia. Marcos Mendes tem esse fabuloso poder de criar, no torcedor, a fantasia de sua ausência. Paradoxalmente, a sua ausência preenche uma lacuna. Num mundo ideal, não existiriam Marcos Mendes; no Santinha, é legião. Só que Dado não tirou o cabra. Tem suas razões. Mas reconheço que o time voltou mais organizado, e a Coisa deu mais espaço ao Santa – todo time de Givanildo faz isso, depois de fazer um gol. Comecei a ter esperança. Foi aí que Brasão foi expulso. Sua expulsão foi decisiva. Dois clássicos, duas expulsões. Brasão precisa se controlar. Pra que tanto espalhafato, tanto exagero? Toma continência,...

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A luta continua… para não ser rebaixado.

Artur Perrusi Nos comentários, coloquei meu medo: os desfalques eram sérios, seríssimos. E não temos banco, já que a composição de elenco realizou-se de forma caótica e sem planejamento. Afora o azar das suspensões e das contusões, tudo acontecendo ao mesmo tempo. Em suma, praticamente jogamos sem meio-campo e sem ataque. Sinceramente, isso tudo seria uma bela desculpa — ficaria até conformado –, caso tivéssemos diante de nós um time que estivesse na liderança, etc e tal; enfim, se estivéssemos diante de um bom time, minha alma ficaria relativamente apaziguada. Eu não estaria com esse mau humor espetacular, essa nódoa no espírito, essa sensação de que perdemos uma grande oportunidade. Com time desfalcado ou não, perder da baba do Santo André foi de lascar! E ainda mais no Arruda! Não creio que Mauro tenha inventado. Ele, simplesmente, não tinha muitas opções. Marco Antonio, na meia ou no ataque, é uma nulidade técnica e produtiva. Pelo menos, tem raça e sua a camisa. Mas me causa desespero sua correria. Parece comigo, quando corro na praia aqui de Intermares. Estou sempre pronto para desabar de cansaço. As pessoas, mesmo os velhinhos, olham-me com pena. _Pobre rapaz, tá se vendo que correr não é com ele, coitado! Pensam, certamente, as velhinhas mais cínicas. E Marco Antônio desaba, desaba e desaba… Dá agonia. Os jogadores do time adversário, tendo pena feito as velhinhas de Intermares, nem mais o tocam, nem mais o derrubam, pois sabem que o cabra está tão exausto, que cairá de podre.  Além do mais, ele fica tão cansado que desperdiça as chances — todas as chances. Eu fico constrangido com Marco Antônio. Como sou médico e fiz todos aqueles juramentos de Hipócrita (ops! foi mal, quero dizer, Hipócrates), diante de seu sofrimento, tenho vontade de entrar em campo com um balão de oxigênio para socorrê-lo e, quem sabe, salvá-lo. Um dia, faço isso. Espero que não seja tarde demais. Mas o que podia fazer Mauro? Escalar Thiago Almeida? Não seria arriscar demais?!  Não vejo o menino, pelo menos até agora, como esses balaios todo, não. Além do mais, Thiago jogaria ao lado de Saci, essa assombração, e ficaria assustado com a medonhice. Inclusive, o que assusta em Saci não é sua extrema ruindade e sim sua cara de menino. Demônios com cara de criança são assustadores, desde o "Exorcista", e isso é um fato. Marco Antônio corre, quando menos; já Saci não faz...

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