Foi assim que vi o jogo

Foi assim que vi o jogo

Na análise do jogo, ficarei um tanto a contracorrente. Pelo visto, discordo de muitos. E muitos discordam de mim. Pois achei o jogo do Santinha razoável, com algumas surpresas agradáveis. Claro, como verão, continuo crítico, principalmente em relação a MM. Mas não perdi a ternura.

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Burrice da moléstia

Burrice da moléstia

Conversava com um morcego cagão do Arruda, depois do embate contra o esquadrão de Juazeiro. Os morcegos, além de cagarem solenemente nas cabeças dos tricolores, sabem de tudo que acontece nos bastidores de nosso clube.

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Raiva desgraçada

Raiva desgraçada

Era briluz. As lesmolivas touvas roldavam e relviam nos gramilvos. Estavam mimsicais as pintalouvas, e os momirratos davam grilvos. Foge do Jaguadarte, o que não morre! Garra que agarra, bocarra que urra! Foge da ave Felfel, meu filho, e corre do frumioso Babassurra!

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Desesperar, jamais.

Desesperar, jamais.

Mereceu perder. O time foi anulado pelo adversário. Ponto. Sempre será difícil assumir isso. Eu mesmo só o fiz agora, pois, logo depois do jogo, estava tão puto que… bem, deixa pra lá. Quando o adversário domina a partida, gera a sensação de desorganização e de passividade. Parece que o time está entregue e sem raça. E, inconformados, começamos a produzir justificação. Os zerumanos somos máquinas de justificações. E produzimos as piores possíveis; geralmente, culpando o Outro, esse Grande Culpado. Mas acho que a explicação mais prosaica, para a nossa derrota, foi que recebemos um nó tático. Lisca engabelou Martelotte, simples assim. E, com isso, o adversário foi melhor — acontece, como cantava Cartola. “Esquece o Santinha, vê se esquece. Porque tudo no mundo acontece”. E acontece de jogar mal, caros leitores, e acontece de o adversário jogar melhor, mesmo sendo um time nivelado ao nosso. Difícil de engolir? Sem dúvida. Porque dá vontade danada de xingar e culpar jogador, técnico, dirigente, o escambau. (Tá difícil? Ofereço um minuto de xingamento… Podem ficar à vontade. Vamos lá, pessoal. Aqui está o Muro das Lamentações do TC. Isso, isso, a mãe do cara, não se esqueçam da mãe do cara. As mães são bons bodes expiatórios. Freud utilizava tal recurso: xingava a mãe e ficava leve, leve. Ele mesmo desejou a mãe, sentiu-se rejeitado, quis matar o pai, enfim — cabra doido da moléstia, Freud, convenhamos. Pronto, podemos voltar ao assunto, depois dessa ablução — não funcionou? Mande Malafaia procurar o pio-pio dos ímpios) Não creio, assim, que tenha sido algo mais ou menos proposital, do tipo uma reação contra o atraso de salários. No jogo anterior, os salários estavam atrasados, logo, o argumento não é bom. Inicialmente, achei estranho, realmente; depois, achei perfeitamente prosaico o fato de termos perdido um clássico. Jogando mal? Sim, jogando mal, porque o adversário jogou melhor. Achei até que João Paulo tinha forçado o cartão amarelo e construí, na minha titica cerebral, uma série de teorias conspirativas (uma forma de protesto pelo atraso de salários, por exemplo). Culpei a Coisa, inclusive. Em qualquer teoria conspiratória, a Coisa deve aparecer como protagonista, cá entre nós. Agora, suponho que tenha sido apenas burrice. Sim, acho ela, a burrice, argumento fundamental para explicar a vida, o mundo, Dilma e o cartão amarelo de João Paulo. Discordando de Freud, acho até que influencia mais o comportamento humano do que a depravação...

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Conversa no zapzap

Conversa no zapzap

Era uma vez uma conversa. Tudo começou assim… _Assiste ao jogo aonde? _Estou em casa. Artur pensava que Dimas estivesse por aí, nalgum desvario, mas não, estava em casa. _É melancólico. Dois velhos em casa. De fato, era triste. Cada um na sua casa, e o mundo pegando fogo lá fora. _Tá com medo do fascismo? _Quero sair de vermelho. _Tu num tá doido não, rapaz! _Ou de Satanás. _Aí lascou geral. Artur pensou num mundo melhor, cheio de transexuais, com coxinhas podendo sair do armário, sem culpa e sem timidez. _Tá louco?! Cunha te mata. Mas Artur não tinha falado nada; só pensado. Pensar é pecado? Claro, Deus sabe de tudo. Mesmo no banheiro, Ele te vê. Silêncio. Como narrador, forço minha criação, justamente esta narrativa, caros leitores, ao silêncio. Pois tenho medo de pronunciar seu Nome em vão. O medo terrível de que, uma vez pronunciado, as contingências sem limites do jogo linguístico (metáforas, retóricas, etc. e tal) destruam niilisticamente o mistério da transcendência. _Será que Deus dá a opção de não acreditar Nele? Quem disse isso? Eu sou o narrador. Quem disse isso? Silêncio. Tudo bem, esqueçamos a querela agnóstica; mas, como Dimas tinha adivinhado o pensamento de Artur? O cabra pensa em transexuais, coxinhas, Felicianos, Malafaias (vai procurar!), e Dimas sabe de tudo. Como? Um mutante? Um X-Men? Como telepata, será que o Editor-Mor teria um caso com Jean Grey, a espetacular Fênix? Deve ser incrível! Uma paixão que incinera literalmente o coração. Mas… e Wolverine, e Ciclope? Dimas era páreo para esses dois? Sei não, pensou Artur. _Você acha que a cura gay melhoraria o Santa? Impossível, disse o narrador dessa crônica. _Oxe, se sou o narrador, quem narrou agora? Havia, de fato, confusão na autoria da narrativa. Tempos sombrios, pensou o teclado. Retomemos a conversa. _Botei umas cervejas pra gelar, mas ainda não tive coragem de abrir. _Isso é grave. Pior, sou eu, pois nem cerveja comprei. _Só abro uma, se o time me animar. Gastar cerveja à toa não dá… Assistir a time ruim, só bêbado ou drogado, suspirou Dimas. Artur imaginou-se logo no Uruguai, terra do bom e do melhor. Ou em Amsterdam! Sim, na Holanda! No Quartier Rouge! _Ao invés de uma dona da Tailândia, onze pernas de pau! Como Dimas adivinhava o pensamento de Artur? Talvez, porque Artur fosse sumamente previsível. E Dimas tem esse defeito: só diz a verdade....

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O peru e o jogo

O peru e o jogo

Estava sóbrio. O mundo fica muito estranho. Para vivê-lo com alguma lucidez, precisamos estar chapados. Apareci, uma vez, no Carnaval, completamente de cara. Vi a Matrix, estava tudo preto e branco, uma morgação total, e até o maracatu era uma série incompreensível de equações matemáticas. Tomei umas, as cores voltaram, a matemática virou partitura, a partitura, som, e o som, música. Por isso, minha angústia: estava sóbrio num jogo do Santinha. Jogo do Santa é pior do que Carnaval, pois sua matrix é perigosa, revira o estômago e pode endoidar. Uma vez, na série D, fui a um jogo de cara… er… bem… deixa pra lá. Com Frevo-Cola, um toque de Rivotril, tudo muda, e até o gramado fica verde. Mas cometi o erro, é fato. Cheguei atrasado ao Caldinho do Bonitão (nome cheio de encanto sensual, e que, inclusive, atrai todas as gatinhas tricolores à procura de novos mundos, novos objetos, etc e tal), lugar onde Ducaldo realiza sua compulsão aditiva por caldinhos e onde fica, habitualmente, a família Lins. O pessoal já ia embora. Não dava tempo nem de tomar um copo de cerveja. Sim, a família Lins estava lá. Bebericara cerveja  e sorvera infindáveis caldinhos. Sorver?! Justo, pois Ducaldo defende que “sorver” é o verbo correto para beber-aspirando-com-ruído. E não discuto com o Senhor dos Caldos. Já o vi fulminando com um raio o poeta-doutor De Paula por causa de uma querela sobre violão. Pois bem, o contato sóbrio com a família Lins, ainda mais chapada de cerveja, seria mais estranho do que o Carnaval e o Santinha sem bebida. Não é de ficar otimista com o gênero humano, posso garantir. Vê-los, assim, assado, sem álcool no sangue, sei não. Caros tricolores, a emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo da família Lins tomada pelo etilismo. Olhava sobriamente meus amigos e morria de terror. Até a morte pode morrer, diante desses cabras, pensei. Felipe parece um Odin. Olha do alto, sempre calado. Existe algo irônico no seu silêncio. Constrangido, sem saber o que dizer, tenho a necessidade injustificável de me justificar. E falo qualquer besteira. E sinto que Felipe deseja apenas o silêncio e que eu fique num estado de quem se cala ou se abstenha de falar. Como eu insistia, pois, nervoso, viro uma matraca atômica, Felipe...

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