É a paciência, estúpidos!

Calma, que chegaremos lá! _Paciência é uma virtude. Disse-me um velhinho, justamente  no momento que eu dava chutes numa máquina automática de refrigerantes. Colocara duas moedas na sacana, e nada, necas de pitibiriba do refrigerante. _Paciência, uma ova! E meu dinheiro?… Quando dizia “dinheiro”, o refrigerante caiu da máquina. Olhei o velhinho e ofereci meu melhor sorriso. E o velhinho me recitou: “Aprendi a respeitar as idéias alheias, a deter-me diante do segredo de cada consciência, a compreender antes de discutir, a discutir antes de condenar. E já que estou em veia de confidências, faço uma ainda, talvez supérflua: detesto os fanáticos com toda a alma” (frase de Bobbio – TC é mais do que Cultura. É en-tre-te-ni-men-to!). _Beleza… _E digo mais – disse o velhinho perigosamente empolgado, pois empolgação de velhinho acaba com os ouvidos – sabe qual é o defeito dos fanáticos?! _Não… (porra, será que pensa que sou um fanático?!) _A pressa! Depois dessa invectiva, o velhinho olhou-me de cima a baixo, com algum desprezo, devo dizer, e se mandou. Ainda bem, pois não aguentaria muito tempo escutando sabedoria. Diante da ponderação e do bom senso, geralmente me deprimo. Além do mais… não era que o velhinho tinha razão!? Sou sim um fanático. Pelo Santinha, claro, o único fanatismo pacífico que encontrei até agora. Mas… e a paciência?! Será que tenho paciência no futebol? Com os cartolas, por exemplo? Há alguns lugares onde a baixeza própria à sociedade brasileira se acumula e se condensa. O futebol, certamente, é um desses locais de alta condensação de sacanagem. São lugares que nos levam a experimentar o caráter absurdo da enrascada na qual nos metemos. Quando olho o futebol pernambucano, tenho o sentimento de impotência e perplexidade. Bem, até acho isso tudo uma experiência crucial, que poderia inclusive ser didática, se existisse alguma oposição que fosse digna desse nome ou pessoas menos acomodadas com o poder. O mundinho de nosso futebol é tão pesado e intolerável que, dificilmente, alguém se anima a investigar o alcance de seus desmandos ou a especificar as bandalheiras reinantes com a paciência e a determinação necessárias. Não custa nada repetir que esse mundinho patrocina uma tolerância e uma simpatia no jornalismo esportivo, a ponto de desanimar qualquer espírito minimamente crítico. Acho que o velhinho iria gostar do parágrafo acima; afinal, ele não parecia de forma alguma um fanático, embora fosse contundente. Mas, e a...

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Fábrica de peruas

(Escrevi o texto abaixo, inspirado pelo grande texto do tricolor Fred Dias – aqui. Leiam como um texto complementar. O assunto é importante. Aborda um fato curioso: a missão da nossa imprensa esportiva é espalhar “notícias” e, ao mesmo tempo, destruir a nossa capacidade de criticá-las) O bom jornalista é um infeliz (vejam a cara de Inácio e de Samarone – são dois desafortunados da comédia humana). Vive, nos dias de hoje, uma crise de identidade de lascar. Afinal, como manter a independência, por exemplo? Sim, a independência — inclusive, um valor tão importante para sua vocação quanto a isenção. Pois é, como mantê-la, se a mídia, atualmente, é um poder que leva o jornalista a ser, muitas vezes, uma mera caixa de ressonância de interesses, principalmente econômicos? O jornalismo possui, na sua deontologia, um compromisso com a verdade – nesse sentido, é uma maneira de conhecer a realidade; mas, quando a procura da verdade confunde-se com interesses políticos e econômicos, tal pretensão reduz-se a uma mera busca pelo poder. Dinheiro e poder, eis a fórmula prosaica que hegemoniza a mídia brasileira. Há exceções?! Claro, mas as exceções não movem moinhos, principalmente na incipiente democracia brasileira. Sendo a liberdade a liberdade de ser minoria, é preciso evitar que se impeça a livre expressão  daquelas opiniões que, no nosso fórum íntimo, julgamos detestáveis. Quer um bom teste de tolerância?! Escute idéias contrárias! É difícil, dói na alma, mas a democracia exige sacrifícios. De todo modo,  vá ao banheiro, aproveite e vomite, mas volte tolerante e, depois, tome uma Coca-Cola para amenizar a náusea. Um ouvido democrático sabe escutar vozes discordantes e plurais – sabe agüentar opiniões absolutamente discordantes. Por isso, por uma questão de princípio, entre um governo sem jornais ou jornais sem um governo, ficaria com a segunda opção. Mas… (um adversativo será sempre o cúmulo do argumento de autoridade) será que os jornais, atualmente, garantem essa pluralidade de vozes num espaço público democrático? Não sei… sinceramente, tô mais ligado na blogosfera e nos sites independentes da internet – acho que essa nova mídia é a possibilidade de contraposição ao dito quarto poder. Por que essa minha desconfiança? Ora, a mídia brasileira é um tipo de poder que possui a autoridade de editar suas próprias leis, ao mesmo tempo em que não se submete a nenhuma outra. Critique o jornalismo brasileiro e será acusado de ser contra a liberdade de imprensa, justamente a liberdade que,...

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A política externa tricolor

Nossos dirigentes precisam jogar War… Como estamos, enfim, num momento bom, nada como utilizar analogias grandiloqüentes… Somos uma nação que amargou uma série de governos desastrosos. Por pouco, não fomos uma nação errante, um povo eleito sem clube, vivendo quiçá num campo de refugiados. Quase viramos resistentes cercados de coisas por todos os lados. O desastre foi tão grande que éramos uma nação sem Estado. Éramos um caos institucional. Não éramos uma república, nem mesmo independentes. Somos, agora, uma nação em reconstrução, com um governo que tem como meta essencial a re-institucionalização do clube – enfim, seremos uma nação com governo e Estado. E, sendo Estado, não precisaremos temer tantos os nossos governos, pois as eleições servirão para mudá-los. Democracia é um processo eterno de autocrítica e de retificações. É a possibilidade de corrigir caminhos – vide Obama. Continuando a analogia, somos uma nação com um governo que reconstrói um Estado. E todo Estado tem sua política interna (que vai bem, por sinal) e uma política externa. Quero discutir a política externa do Santinha. Sim, como seria uma política externa do Mais Querido? Neste momento, temos que reconhecer o terreno no qual a política tricolor será aplicada e desdobrada. Ora, o futebol brasileiro, em particular o pernambucano, é um campo hobbesiano, isto é, o lugar do pega-pra-capar, onde os cartolas são lobos devoradores de poder e dinheiro, um lugar nada agradável para se fazer política democrática. Nesse tipo de espaço, a política é a mais básica possível, aquela que faz a diferença prosaica entre amigos e inimigos. Assim, o problema inicial é justamente este: “quem são nossos amigos e nossos inimigos no futebol?”. Agora, dou uma paradinha. Preciso explicar que dividir a política em amigos e inimigos tem algumas conseqüências. Ora, fazer tal divisão implica em conhecer a correlação de forças entre os diversos atores no campo futebolístico. As perguntas norteadoras seriam: quem tem o poder? Inimigo ou amigo? A meta ou a estratégia, aqui, seria mudar a correlação de forças a nosso favor. Botar pra foder, em suma. Contudo, sairei dessa solução convencional e direi que a meta é outra, pois não desejo que nosso clube vire uma Coisa, e faça de sua política uma terra-arrasada do futebol, uma espécie de homero-lacerdismo tricolor (lacerdismo = a aplicação dos métodos de eurico miranda na terra dos altos coqueiros). Não quero que a nossa política externa tenha apenas como estratégia...

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Entre o cristal e a fumaça

Onde ficar?  Esperei a formação da chapa para escrever uma análise mais detida sobre todo o processo. Tentarei ser realista – nem otimista, fazendo apologia da ação, nem pessimista, assassinando a ação. Antes de tudo, digo minha posição: apóio e faço parte da chapa. Mas esclareço: é um apoio e uma participação independente, o que significa, do meu ponto de vista, aprovação quando a proposta for boa e reprovação, quando não for conveniente. Aliás, por enquanto, defendo todas as propostas lançadas até o momento, mas gato escaldado tem medo de água fria – nesse sentido, lembro-me, e não quero esquecer, do meu apoio incondicional à chapa do diminutivo. Acho que aprendi com a desgraça. Sinceramente, acredito que não havia opções. Sem o aparecimento de FBC, estávamos lascados. Ressaltar tal necessidade não significa oba-oba, e sim entender a nossa conjuntura. O diminutivo, de fato, destruiu o clube a tal ponto que só restou escombros. Diante de uma catástrofe dessa magnitude, a única saída era e é a captação de recursos urgentes para a Reconstrução do Santinha. Recurso era e é a palavra-chave e significava e significa simplesmente: “não adiantam discurso, projeto, articulação política, boa vontade, o escambau, sem recurso”. Ora, nenhuma candidatura tinha recursos, nem as oposições, nem o LEF (Lado Escuro da Força — um eufemismo para designar os inimigos do mundo coral). Desse ponto de vista, o surgimento da candidatura de FBC foi quase um milagre, pois os recursos, desde então, começaram a aparecer como cogumelos em dias de chuva. E, vale dizer, não apareceram somente bens financeiros imediatos, mas também articulação e força política (a chegada da luz elétrica é um exemplo bem evidente), que são recursos, convenhamos, tão valiosos quanto os materiais. Sem dúvida, ainda me espanto com o surgimento dessa candidatura. Quem sabe, um dia, aparecerá alguém para contar as estórias desses bastidores misteriosos que levaram FBC a assumir o Clube do Santo Nome. Afinal, ele apareceu subitamente, sem motivo aparente, justamente quando as oposições davam algumas patinadas nas negociações. Nesse sentido, reconheço que tivemos sorte, pois o clube acabaria no compasso de nosso desespero. Mesmo se as oposições ganhassem as eleições, um projeto de gestão, mas sem recurso, isto é, um projeto irrealizável, apenas dignificaria o tombamento do Mais Querido. Pessoalmente, acho que o Santinha precisaria, nesse momento trágico de sua história, da combinação de três fundamentos: democracia, gestão e dinheiro. Cada elemento desse,...

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Um passo pra trás, dois pra frente?!

Que candidatura é essa? Inicialmente, quando soube da candidatura de Fernando Bezerra Coelho (FBC), tive uma péssima reação. Pensei que era uma reedição de Mendonção, isto é, um acordão vindo de “cima”, pregando o surradíssimo discurso da união – a velha cantilena de mudar tudo para deixar tudo como está, como sempre esteve. Sim, minha reação não foi boa. Achava que a candidatura de FBC estava sendo puxada pelo Lado Escuro da Força (LEF), sendo um golpe habilidoso para isolar a oposição. Ao mesmo tempo, desanimado, via a oposição entrando num confuso processo de negociação, no qual tudo podia dar com os burros n’água. Sim, estava desanimado. Pensava que nosso carma era a confusão, sempre dando a sensação de que tudo não daria certo… Nós parecíamos um bando de Sísifos. Sim, parecíamos uma das figuras mais patéticas da mitologia grega: Sísifo era todo metido a astuto, inclusive enganou várias vezes Zeus, o rei dos deuses gregos. Dizem até que ensinava Hera, mulher de Zeus e torcedora da Coisa, a brincar de amarelinha. Como castigo, quando morreu, condenaram o coitado a rolar uma pedra bem pesada até o pico da montanha mais alta do Inferno. O problema era que a pedra tinha um peso diabólico que ia aumentando, assim que se subia a montanha. Toda vez, a poucos metros do cume, a pedra pesava tanto, e Sísifo ficava tão cansado, que largava a maldita, deixando-a rolar até embaixo, e aí tudo recomeçava outra vez, e mais outra vez, e outra vez, ad eternum e ad nauseam (porque isso, convenhamos, dá um enjôo danado). Sísifo simboliza o eterno recomeço de alguma coisa. Parecia a oposição. Parecia que estávamos sempre recomeçando. Tínhamos a pedra, a montanha, a gana de chegar até lá, e pumba!, algum fato acontecia, algo absolutamente irrelevante explodia, alguma desavença besta encruava, e largávamos a pedra, e a pedra caia, caia, até lá embaixo. Além disso, o que mais me metia medo era a falta de recursos. Sabia que a oposição tinha projeto e que era muito bom. Mas alguém tinha algum patrocinador? A falta de recurso dava-me medo, e medo do futuro. O que faremos com um clube falido e sem recurso? Onde achá-lo? Existe algum plano de emergência? Sem plano mirabolante e extravagante, como acreditarmos, como evitar o medo? O que adiantava projeto, intenção e iniciativa sem uma mínima base material? Sem recurso, a gestão seria sobre...

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Na hora do jogo: rumo à quarta divisão?

Bajé e o time do Santa Imagino o hipotético departamento de futebol do Santinha reunindo-se para escolher um técnico de ludopédio. Faço um devaneio e fantasio que sejam alguns tolinhos e alguns canalhas discutindo calorosamente. Segundo boatos, os canalhas defendem sempre técnicos malas, daqueles que gostam de “convênios” com empresários — _os malas são experientes, afirmam. Mas, apesar da pressão da canalhice, quem domina, atualmente, as reuniões são os tolinhos. Algumas informações anônimas, que correm publicamente sem confirmação, apóiam a seguinte discussão: _Prefiro o mentecapto! Diz Fulano _Não, muito melhor o estúpido! Afirma Beltrano _Que nada! Técnico mesmo é o imbecil! Finaliza Sicrano. Os tolinhos são místicos. Rezam muito e têm uma padroeira: a Santa Burrice. Tenho que ser justo: é inegável a devoção! Conseguiram contratar grandes jogadores do Treze de Campina Grande. Foi uma proeza. Não é uma simples burrice, mas sim uma bem profissional, estudada, planejada e concretizada. Com isso, recuperaram a auto-estima dos nossos vizinhos, transformando o Santinha numa piada paraibana. São gênios, nossos tolinhos. E, num momento de genialidade, decidiram acatar a opinião de Beltrano, contratando um técnico estúpido. Beltrano, por isso, está inchado de orgulho. Produziu uma bela de uma estupidez. Vejam o que fez o estúpido de nosso técnico. – Treinou o time a semana inteira com uma formação, testando Bruno na meia. Bem, aqui, já temos uma parvoíce, mas ainda moderada. Bruno deveria jogar na lateral no lugar do inefável Rafael Mineiro. Quem deveria estar na meia seria Miller. E, como toda estupidez vem acompanhada de uma burrice, temos ainda a manutenção da titularidade de Gedeil, que pode até ser um grande arremessador de cuspe, mas nunca jogador de futebol. – Na hora do jogo, a estrondosa asneira: o time aparece com Rafael Oliveira, que até os escombros do Arruda sabem que não é jogador. Cadê Bruno?! Cadê Miller (nem no banco?!)?! Cadê a puta que pariu, porra?! (desculpe… foi um pequeno desabafo, inclusive liberado pelo Editor-Mor; afinal, o blog não é de mocinhas) – E as substituições? Coloca Cleo, um micro-atacante, deixando Juninho sobrecarregado na armação; em suma, coloca um jogador liliputiano num campo superpesado. Bela imbecilidade. Cadê Miller? Coloca, enfim, Bruno, mas aonde? Primeiro, como meia, depois o vi como volante, também como lateral, enfim, como deus-dará. Além do mais, tirou Patrick, que estava jogando bem — claro, dentro dos seus limites. E o jogo pedia um jogador com as...

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