Esperança, otimismo e fatos — embalou?

Esperança, otimismo e fatos — embalou?

Torcer pelo Santinha não é para amadores. Na partida contra o Bragantino, por exemplo, teve a repetição do modelo de nossa epopeia: jogo fácil, jogo difícil, jogo dramático e, no final, redenção. Típico. Faz parte de nosso caráter.

Leia Mais

Pá de cal

Pá de cal

Confesso que reagi bem diante da suprema vergonha. Fiquei, na verdade, irritado e, ao mesmo tempo, profundamente surpreendido. Futebol é uma caixa-preta que se perdeu no oceano, pensei. Embora estivesse diante da maior catástrofe do futebol brasileiro, não a senti como trauma. Estou ficando velho, falei ao espelho. Ou é sabedoria? — ainda perguntei. Não, é outro papo. Trauma com seleção só tive um, e basta: a copa de 82. Como era amada aquela seleção; a última amada pelo povo. Ali, sim, fiquei traumatizado. Estava bebo de vodka e fiquei absolutamente sóbrio. Recife era velório, com gente esbugalhada e fantasmas andando na rua. Ninguém entendia; ninguém queria entender. Sim, sou um saudosista. Prefiro a saudade à viralatice. A partir de 82, a canarinha perdeu seu estilo. Não deixou de ser vitoriosa, evidentemente, mas nunca mais voltou a jogar bonito. 94 foi o símbolo da mudança, com um futebol absolutamente pragmático — mas tínhamos Romário. A copa de 2002 foi um pouco melhor, embora juntasse pragmatismo e força — mas tínhamos Rivaldo e Ronaldo. Em 98, fiquei meio ressabiado porque estava lá na França; mas, cá entre nós, sem trauma. A seleção de Zagallo era chata como seu técnico, com o grupo dividido em facções. Achei até surpreendente que tenha chegado à final. E hoje? Hoje, o futebol brasileiro enfim acabou. Não sobrou mais nada de seu estilo. Somos uma seleção que se desconectou do seu passado. O serviço está feito. Não há mais jogo, só ligação direta. Temos apenas um craque, ainda imberbe — parece mais Cristiano Ronaldo no meio da solidão portuguesa. A pá de cal foi quando um filhote da ditadura, alcoviteiro da tortura, inventou a parceria entre Parreira e Felipão, os dois coveiros do estilo brasileiro. Foi um gesto simbólico e sádico. Se existiam ruínas de nosso estilo, ali e acolá, como belos monumentos históricos, agora só há asfalto, num calor danado, sem nenhuma árvore. Nosso futebol, que parecia o bairro de São José, virou uma enorme Dantas Barreto. Como as estorinhas infantis, as derrotas sempre trazem lições. Qual é, dessa vez, a lição dessa derrota? Nenhuma. Não jogamos mais como no passado? Isso não é lição. O passado não move moinhos, ainda mais porque não temos moleiros. Não há possibilidade alguma de mudança no futebol brasileiro, enquanto existirem os nossos cartolas. E já ocorreu a sucessão no futebol brasileiro. São iguais, os herdeiros, apenas mais jovens e sofisticados...

Leia Mais

De canalhice em canalhice, a gente vai tomando na jaca

De canalhice em canalhice, a gente vai tomando na jaca

Começaria a crônica anunciando maldições, o escambau. É muito azar, diria e levantaria as mãos aos céus — Eloi Eloi lama sabachthani? Mas estou com o medo terrível de que, uma vez pronunciado nomes em vão, as contingências sem limites do Destino destruam o mistério da transcendência tricolor. Portanto, nesse momento, prefiro alguns caminhos seculares para entender essa confusão na qual os sacanas do futebol colocaram o Clube do Santo Nome. Porque só pode ser sacanagem, vamos combinar. Uma dívida de 2008 tira seis pontos do Betim no meio de uma competição em 2013. É a FIFA, caros amigos, a gerontocracia mais safada do planeta. E imaginaríamos, aqui, um efeito dominó infernal no futebol brasileiro, tirando pontos de todos os clubes endividados e colocando o Flamengo na série Z. Não, isso não aconteceu, imaginem, era apenas uma pegadinha. Como o Betim perdeu pontos na fase de classificação do mata-mata, cujo adversário é o Santinha, pensaríamos que nosso clube estivesse automaticamente classificado — e na série B. Que nada, a CBF impôs o time de Rivaldo, o Mogi-Mirim. Qual foi a lógica dessa decisão? Aparentemente, nenhuma, segundo o Coronel Peçonha (leia aqui). Se a lógica jurídica não embasou a justiça, qual foi aquela que pôs o Mogi-Mirim na disputa? Desconfio que tenha sido a política, uma lógica que pode, segundo a modalidade, engabelar a justiça. Ora, alguém põe a mão no fogo pela CBF? Digamos que estamos diante de um consenso absoluto da cidadania brasileira: ninguém torrará a mão, porque a CBF não presta. Vejam que escrevi “cidadania brasileira”, pois queria decência no argumento. Evidentemente, existem pessoas com as mãos em chamas pela CBF, a começar pelo presidente de uma federação muito bem conhecida dos habitantes da terra dos altos coqueiros. Nesse caso, qual seria o interesse em impor o Mogi-Mirim? Confesso que não saberia responder. Interesse do vice paulista em proteger um clube conterrâneo? É uma possibilidade, pois a dita federação nacional de futebol sempre agiu segundo seus interesses, alguns bem explícitos, outros nem tanto — “agir segundo seus interesses” é uma maneira diferente de dizer “agir segundo suas relações de poder”. A CBF não está nem aí com os clubes brasileiros. Só agora, vejam só, discutirá um calendário decente. E tudo por causa de um movimento de jogadores. Pois seu foco é a seleção. Por meio dela, ganha milhões, explorando jogadores de clubes. A canarinha é uma mercadoria...

Leia Mais

Tarde demais?

Tarde demais?

Diria que é tarde demais, infelizmente. Dependemos de uma mudança radical no time. Como fazê-la? Qual é a probabilidade disso acontecer? Um milagre? Sei, sei, o Santinha gosta de feitos extraordinários, mas não acredito — se quiserem acreditar nas ocorrências sobrenaturais, caros tricolores, longe de mim criticá-los; afinal, existem duendes, gnomos e, principalmente, fadas gostosas, tipo Sininho. (Sininho era uma fadinha inocente que fez um filminho meio… bem…er… deixa pra lá) Imagino, nesse momento, a diretoria dizendo que somos “emocionais”. Claro, nossos dirigentes são os “racionais”. Seria uma racionalidade curiosa, bem misteriosa nos seus desígnios. Diante das ações de nossos cartolas, o adivinho de Zeus, Tirésias, ficaria estupefato: “carai, diria ele, numa linguagem erudita, não consigo adivinhar porra nenhuma!” E, de fato, o Santinha é uma caixa-preta randômica absoluta (C-PRA). Os processos decisórios são estranhos e nebulosos. Os adivinhos de todas as mitologias guardam distância do Arruda. Alegam que é impossível, por exemplo, adivinhar as razões das contratações de jogadores. É estranho demais, disse um pajé dos ianomâmis, falando baixinho para Tininho, nosso futuro presidente, não escutar. Mas confesso que esperava uma vitória. Achava que o time jogaria como naquela partida contra o Treze. Era o suficiente para alcançar um resultado positivo. Essa vitória era decisiva. Ganhando, mesmo jogando de forma atabalhoada, Vica teria mais tranquilidade para treinar a equipe. Confiança é importante. Não se compra, conquista-se. Empatar com o CRB dentro do Arruda só gera frustrações. Saí apático do jogo. Bebi dois copos de cerveja. Parecia Obelix comendo apenas dois javalis. Estava doente. Dimas estava pior: só queria frituras! Quando o Editor-Mor empanturra-se de batatas fritas, algo se quebrou, algo está se quebrando. Provavelmente, estamos antecipando o luto por mais um ano na C. Um “C”entenário (um sarcasmo de Paulinho Aguiar)… Rapaz, que vergonha! Comemorar o quê? O passado? Como garantir as glórias passadas com um presente calamitoso e um futuro cheio de premonições trágicas? Nessa pegada, no centenário, haverá uma epidemia de tricolores deprimidos. Penso num canto hassídico, buscando uma consolação: “seria preciso chegar muito fundo no poço para ter forças e subir novamente” (algo do gênero). Mas não chegamos já no fundo desse maldito poço?! Nosso martírio é uma condenação bíblica. Qual foi nosso pecado? Desconsolado, acuso a família Lins. É bode, cordeiro, linguíça, frango a passarinho, costelinha de porco, coração de boi, é o escambau — pecado alimentar, portanto. E Ducaldo, com aquela compulsão por caldinhos? Qual foi o teu...

Leia Mais

Papo rápido

Papo rápido

Proponho um papo rápido. Temos tempo para singelas discussões até a partida contra o esquadrão do Marabá. Bora lá… Não digo que gostei do time no jogo contra o Fortaleza, mas sim que tive uma impressão razoável. Esperava pior, sinceramente. Arrisco-me a dizer que o time evoluiu, mas principalmente, assumo novamente o risco, que Sandro melhorou sua percepção do jogo. Não foi nada grandiosa a melhora, porém, o suficiente para ter alguma esperança de que o time possa render mais nessa série C. Render o óbvio, o feijão-com-arroz, com raça, com vontade de ganhar, isto é, com o mínimo necessário para subir de divisão. A série C é fraca, por isso não precisamos de muito para “render o óbvio”. Enfrentamos o líder do campeonato; talvez, com o Sampaio, seja o time a ser batido. Dominamos amplamente o jogo. Tudo bem, foi de forma um tanto atabalhoada, mas o Fortaleza não fez nada; aliás, não jogou bem. Fez um gol de bambo e alguma pressão depois do segundo gol — convenhamos, não seria surpreendente, para um time brasileiro, recuar após um gol, principalmente no final do segundo tempo. Parece uma reação automática, já inscrita nos reflexos ludopédicos tupiniquins: fez gol, recua. Não foi, propriamente, culpa de Sandro. Até agora, tecnicamente, não poso afirmar que Sandro é adepto do teodorismo, embora seu discurso tenha lá suas semelhanças. Joga com dois volantes que, em tese, sabem tocar a bola — aviso aos incautos que digo que ” sabem tocar a bola” numa… série C. Escala dois meias, um deles bastante ofensivo, que é o Xuxa. E Sandro ousou! Inovação não existe no dicionário do teodorismo (há invencionices, isto sim). Sandro colocou três meias atrás de DM e, ainda, colocou Renatinho como ala — queria ganhar o jogo, nitidamente. No teodorismo, o primado, quase exclusivo, é primeiro não perder, depois… é o culto do bumba meu boi, bola pro alto que a partida é de… de que mesmo?! Não nego que Sandro tenha um pouco esse lado, mas quem sabe, com o tempo, saia desse karma. E Sandro tem uma virtude, aparentemente fundamental para a série C. Seria um animador de vestiários. Dizem que, no intervalo da partida contra o Fortaleza, insuflou seus atletas, como o Duque de Wellington, antes de enfrentar Napoleão em Waterloo (vale frisar, uma pena essa derrota. Hoje, seríamos dominados por uma língua decente e não esse troço que...

Leia Mais

A Martelotte o que é de Martelotte

A Martelotte o que é de Martelotte

Rapaz, pensei que iríamos perder. Já tinha preparado meu espírito. Li os estoicos. Não desejei o que não dependia de mim. Escondi a esperança no fundo de minha alma. Um sábio não espera, ainda mais tricolor — não se espera nada do Santinha, porque tudo é possível. Um paradoxo? A vida é paradoxal, meus caros. Cá entre nós, faço críticas, já desci o cacete no técnico, mas dessa vez… Martelotte acertou. Vou me beliscar e  repetir: Martelotte acertou. Achou a escalação. Foi na mosca. Com os três meias, o meio-campo do Santinha engoliu a Barbie. O técnico viu o óbvio – não temos um segundo atacante de qualidade; porém, foi mais além. Poderia jogar com três volantes, mais fechado e, consequentemente, com o bumbum na parede. E preferiu colocar três meias, atrás de DM. Houve revezamento na linha de armação e de marcação. Além da organização tática, o que gostei mesmo foi essa postura. Não teve medo da Barbie, o melhor time, em tese, do campeonato. E discordo completamente, absolutamente, totalmente: não jogamos aberto, pois os três meias voltavam e fechavam o meio. E, com a bola, saíamos no toque e na rapidez. Sem dúvida, foi surpreendente. Ainda estou surpreso. Incrível, o time tocou a bola. Não recuou. Jogou na consciência. Martelotte, inegavelmente, foi corajoso. E houve postura tática, algo inexistente até então. Enfim, posicionamento! Olhava a partida e não acreditava – não reconheci o time. Vi várias vezes Martelotte acabar com o jogo, por causa de suas mediocridades. Ainda acho uma “invenção” colocar Sena na lateral, mas o garoto está jogando tanto que não compromete – colocaria o rapaz ou na zaga ou como volante. Porém, na zaga, William jogou muito; Tozo, também (será muito útil). E Sorriso, apenas razoável na marcação, embora bom no passe e na saída de bola. E vejam vocês: no time, durante a partida, jogaram seis pratas da casa: Éverton Sena, Nininho, Natan, Leo, Renatinho e Jefferson Maranhão. Sinal dos tempos? Espero que sim. E, desta vez, Martelotte utilizou bem o banco. Espero que, agora, a razão tome posse do nosso técnico. Que essa postura não tenha sido excepcional. Que seja a regra. A vitória dará tranquilidade, diminuindo a pressão. A torcida voltará a apoiar, como sempre. Que fique a lição. Hoje, Martelotte merece uma boa dormida, numa boa. Está de parabéns. Bons sonhos. (jogando mal, a crítica continuará vigilante, pois aqui não tem...

Leia Mais
1 de 14123...10...