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	<title>Torcedor Coral &#187; Artigo</title>
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		<title>Um dia de espionagem</title>
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		<comments>http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/um-dia-de-espionagem/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 24 Jul 2010 19:38:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[abnegado]]></category>
		<category><![CDATA[Arruda]]></category>
		<category><![CDATA[clube]]></category>
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		<category><![CDATA[vitalício]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-7181" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/um-dia-de-espionagem/attachment/espiao-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-7181" title="espião" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/07/espião1.gif" alt="" width="244" height="350" /></a></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong>Relatório n</strong><strong>°</strong><strong> 1</strong><br />
<strong>Missão: Avenida Beberibe</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Código: 666</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Agente: TC</strong></span></p>
<p>Na verdade, a ideia toda foi de Dimas. No início, eu não tinha nada com o bolero. Mas o patrão queria&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-7181" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/um-dia-de-espionagem/attachment/espiao-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-7181" title="espião" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/07/espião1.gif" alt="" width="244" height="350" /></a></p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong>Relatório n</strong><strong>°</strong><strong> 1</strong><br />
<strong>Missão: Avenida Beberibe</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Código: 666</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Agente: TC</strong></span></p>
<p>Na verdade, a ideia toda foi de Dimas. No início, eu não tinha nada com o bolero. Mas o patrão queria porque queria, achando o plano perfeito. Bem, não era tão perfeito assim, porém sua simplicidade reluzia bastante: entrar no Arruda disfarçado de tolinho e descobrir seus segredos! O grande argumento para a minha escolha era que eu vivia na Paraíba. Não era um bom argumento, mas topei por causa da curiosidade e, também, porque tinha uma hipótese a ser averiguada.</p>
<p>Queria saber que tipo de crise vivia o Santinha. Crise?! O que seria uma crise? Bem, após três cervas, concluí que é uma situação na qual um conjunto de circunstâncias, antes tolerável, torna-se subitamente, com o surgimento de um novo fator, insuportável. Em suma, sabia que nossa situação estava tornando-se intolerável, mas não sabia se tal sensação era apenas um sentimento pessoal ou, se a percepção da crise, poderia ser detectada no interior do próprio clube.</p>
<p>No fundo, toda crise é igual, seja no futebol, na economia ou na política. Todavia, toda crise é única, feita de indivíduos e personalidades singulares. Como disse Ducaldo, a enciclopédia do futebol, após a quinta cerveja:</p>
<blockquote><p>uma crise é o somatório de intuição e pontos cegos, uma mistura de fatos notados e fatos ignorados (irk!, soluçou Ducaldo, bebendo a sexta e continuando) &#8230; mas, subjacente à unicidade de cada crise, há uma semelhança perturbadora. Uma característica de todas as crises é sua previsibilidade, em retrospecto. Elas parecem ter uma certa inevitabilidade, parecem predestinadas. Isso não é verdade para todas as crises, mas é verdade em um número suficiente delas para tornar cínico e misantropo o historiador mais empedernido</p></blockquote>
<p>Sempre me surpreenderei com Ducaldo após a quinta cerva, mas o fato era que eu não era historiador, querendo testar minha hipótese antes de o fato acontecer. Achava que o Santinha estava se extinguindo, como os dinossauros, depois da queda do meteoro. Queria comprovar tal hipótese no olho do furacão: dentro do Arruda. Não sabia ainda que não iria comprovar hipótese alguma, embora fosse descobrir coisas insólitas e inacreditáveis. Se soubesse o que iria acontecer, provavelmente recuaria; mas, era tarde demais! O que me resta agora é contar os fatos para a posteridade.</p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong>Relatório n</strong><strong>°</strong><strong> 2</strong><br />
<strong>Missão: Avenida Beberibe</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Código: 666</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Agente: TC</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Diretriz: 8/14</strong></span></p>
<p>Cheguei no famoso Centro de Disfarces do <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a> (CDTC), onde um profissional se encarregou de me disfarçar de tolinho. O trabalho foi profissional: fiquei oleoso, cabelos pregados, meio gorducho, mauricinho, cândido e olhos rútilos de abnegação. Fui colocado numa limusine preta, recebi as últimas instruções e peguei a Beberibe. Durante o caminho, li um relatório calculando quais as reações que a minha ação iria produzir. Sabia que o número de reações é infinito, mas o número <em>provável</em> de reações é pequeno o bastante para ser calculado. Contudo, pensava que o Santinha era uma categoria que não podia ser analisada por contingências, envolvendo eventos e situações <em>absolutamente </em>imprevisíveis e que, portanto, não podiam ser previstos por cálculos matemáticos. O Clube do Santo Nome fugia a qualquer padrão lógico. Tinha que me guiar pela intuição e pela temeridade.</p>
<p>Entrei no Arruda facilmente. O disfarce era perfeito. Todos os funcionários eram solícitos comigo. Paparicavam-me, até. Livrei-me do último bajulador, entrei num corredor bem comprido e encontrei uma porta com um letreiro: &#8220;PROPRIEDADE DO L.E.F — MANTENHA DISTÂNCIA&#8221;.</p>
<p>Deixei toda a esperança de lado e entrei. Estava agora numa salinha. Tinha um grande organograma pregado na parede. Não entendi bem o que estava escrito, mas parecia que existiam três níveis no subsolo do Arruda — cada nível tinha uma cor:  preto, branco e encarnado. Havia um aviso ao lado que dizia &#8220;MUDE DE ROUPA E, DEPOIS, APERTE O BOTÃO VERMELHO&#8221;. De fato, tinha uma pilha de uniformes brancos. Tirei a roupa e vesti um deles. Então, apertei o botão. Para meu espanto, a salinha começou a descer. Suei frio e tentei controlar-me. A salinha parou na frente de uma porta onde havia pregado um letreiro: VOCÊ ESTÁ ENTRANDO AGORA NO NÍVEL I — SIGA DIRETAMENTE PARA A SALA DE IDENTIFICAÇÃO.</p>
<p>Era o grande teste. Ia ver se o disfarce era bom mesmo. Entrei numa outra sala, e o uma voz mecânica disse: SENTE-SE! SENTE-SE! Sentei e escutei: DIGA O NOME DE CÓDIGO! Era agora que as espionagens de Bosquímano iam ser testadas. Rezei e falei: boiaindanovo!</p>
<p>Então, escutei: ANALISADOR CONFIRMA IDENTIDADE!</p>
<p>A voz fez outra pergunta: TEM ALGUMA VERRUGA? Meu Deus!, essa pergunta&#8230; eu não estava preparado para essa pergunta! Bosquímano, my broda, por que não me avisou?! Decidi responder qualquer coisa: não!</p>
<p>Uma pausa, e a voz continuou: TEM ALGUMA ALERGIA CONHECIDA?</p>
<p>E agora? Decidi responder de forma sincera: pólen de erva-de-rato!</p>
<p>De repente, uma sirene de alarme e a voz histérica: RESPOSTA NÃO-CODIFICADA! Então gritei desesperado: não, não, pólen de erva-de-sapo-vermelha! Silêncio total.</p>
<p>Subitamente, a parede na minha frente abriu-se, e a voz ordenou: LIBERADO! Ia agora conhecer os níveis&#8230;</p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong>Relatório n</strong><strong>°</strong><strong> 3</strong><br />
<strong>Missão: Avenida Beberibe</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Código: 666</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Agente: TC</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Diretriz: 9/14</strong></span></p>
<p>Peguei um corredor ocre e fui parar na frente de uma porta com um letreiro: CAOS. Abri. Estava meio escuro. No teto, rodava bem lentamente um enorme ventilador. A sala era empoeirada e, lá no fundo, tinha uma pequena mesa de trabalho. Atrás da mesa, estava um gordinho mexendo num ábaco. Parecia fazer cálculos imensos. Cheguei perto e perguntei:</p>
<p>- Por favor, que sala é esta e o que o senhor está fazendo?</p>
<p>Ele me olhou meio vazio e disse com uma voz sonolenta:</p>
<p>- Sou o responsável pelo planejamento do clube&#8230;<br />
- Só esta salinha? Não tem nem computador&#8230;<br />
- Pois é&#8230;<br />
- Aqui não se deve fazer nada!<br />
- Pois é&#8230;</p>
<p>Saí da sala arretado da vida. Como organizar a vida do clube com aquela estrutura ridícula? Respirei fundo, fiquei mais calmo e concluí que não tinha descoberto novidade alguma. Convenhamos, sempre tinha sido assim. Qual era a surpresa?</p>
<p>Vi um elevador. Entrei e fui para o nível II. Abri uma porta com um letreiro &#8220;DPTO &#8211; FUTEBOL&#8221;. A sala era um pouco maior do que a anterior, menos empoeirada, mas não tinha ar-condicionado, apenas outro ventilador enorme, rodando um pouco mais rápido. Na sala tinha duas mesas, em cada uma, um computador XT, com DOS 4.04. Dois caras idênticos — a única diferença eram suas camisas: numa tinha escrito TOLICE, noutra, ABNEGAÇÃO; como sempre desconfiei, a diferença entre um tolinho e um abnegado eram suas camisas — estavam ao lado das mesas, mas não trabalhavam; na verdade, gritavam um com o outro. Brigavam feio. Só faltavam ir às tapas! Tentei chamar a atenção, e nada. Gritei, esperneei e nada. Então, exclamei: Santinha! Os dois, subitamente, pararam de brigar, olharam-me um tanto estupefactos, ficaram um tempinho em silêncio e, como se nada tivesse acontecido, recomeçaram a brigar.</p>
<p>De repente, pararam de brigar, apontaram para uma pedra no chão e começaram a gritar:</p>
<p>- A pedra voa! A pedra voa!</p>
<p>Claro que não voava. Por isso, eu disse:</p>
<p>-A pedra não voa.</p>
<p>Um dos caras joga a pedra pra cima e grita:</p>
<p>- Voa, sim! Voa, sim!</p>
<p>Fiquei olhando perplexo a pedra &#8220;voando&#8221; e até sorri, meio bestificado. De repente, a pedra chega no seu ponto máximo e inicia sua queda. Olhando a pedra cair, os caras se afastam, temerosos. Ainda estava pasmo, por isso minhas reações estavam lentas. Fiquei distraído; então, lentamente, lembrei-me da existência da pedra e olhei para cima&#8230; A pedra, que &#8220;voava&#8221;, espatifou-se na minha testa. Completamente estupefacto, gritei de dor e passei a mão na fronte. Estava com um galo.</p>
<p>Aquela situação maluca encheu meu saco. Departamento de futebol, um carai!</p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong>Relatório n</strong><strong>°</strong><strong> 4</strong><br />
<strong>Missão: Avenida Beberibe</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Código: 666</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Agente: TC</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Diretriz: 10/14</strong></span></p>
<p>Procurei em vão um elevador para, assim, poder descer ao nível III. O que encontrei foi um pequeno poço e um cartaz: MERGULHE E NADE ATÉ O NÍVEL III — MANTENHA OS OLHOS BEM ABERTOS. Como não tinha escolha, mergulhei. No fundo do poço, tinha uma abertura. Entrei e vi um corredor. Nadei quase sem fôlego e, por fim, encontrei uma saída. Emergi, respirei fundo, engasgando um pouco. Olhei ao redor e fiquei espantado. Estava numa colina verdejante. Como era possível? Que lugar bonito! Estava tudo calmo, não tinha vivalma e, ao longe, passarinhos cantavam. Notei, então, que a uns 50 metros havia alguns bustos. Andei até lá e vi as imagens de alguns presidentes do Tricolor. Fiquei pensativo, tentando interpretar o fato. Olhei mais adiante e percebi que, lá no horizonte, tinha uma imensa estátua. Imensa não, na verdade gigantesca. Fui correndo ver o que era. Era tão alta que não dava pra ver a cabeça da estátua. No pedestal, estava escrito em letras garrafais: O VITALÍCIO.</p>
<p>Repentinamente, escutei uma trovoada e percebi que a enorme estátua estava se mexendo. Corri feito um louco e escapei, por pouco, de ser pisoteado. Quando olhei para trás, reparei espantado que a estátua tinha diminuído até o tamanho normal de um homem. Ouvi, mais espantado ainda, a estátua me chamando: _ venha cá! Parei e vacilei. Ia ou não ia? Fui.</p>
<p><span style="color: #0000ff;"><strong>Relatório n</strong><strong>°</strong><strong> 5</strong><br />
<strong>Missão: Avenida Beberibe</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Código: 666</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Agente: TC</strong></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<strong>Diretriz: 11/14</strong></span></p>
<p>O tal vitalício estava sentado calmamente num tronco de árvore. Olhou-me e disse:</p>
<p>- Você pensava que passaria desapercebido? Sou onisciente e onipresente. Sei de tudo. Mando aqui. Nada me escapa!<br />
_Mas você é da Coisa!<br />
_E daí? Até por isso mesmo&#8230;</p>
<p>Fiquei calado. Sentia-me um hamster diante de uma cascavel. Estava paralisado. Então, ele disse:</p>
<p>- Artur?<br />
- Que é?<br />
- Nada!</p>
<p>Olhei-o assustado. Conhecia o vitalício, mas, agora, parecia mais demoníaco do que nunca, com um cheiro de enxofre desgraçado. Seus olhos ferviam de maldade, e não estava aqui para discutir prosopopeias &#8211;  estava aqui para sacanear.</p>
<p>- Artur?<br />
- Sim?<br />
- Nada!</p>
<p>Uma brincadeira infantil e, portanto, profundamente má. Decidi não entrar no jogo.</p>
<p>- Artur?<br />
- &#8230;<br />
- Artur?</p>
<p>Silêncio.</p>
<p>Eu estava ganhando!</p>
<p>- Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur? Artur?</p>
<p>- O que é, porra!?<br />
- Nada!</p>
<p>Fiquei nervoso. Não estava ganhando, e sim perdendo. Ele era incansável na brincadeira enervante, e eu não tinha como competir com essa criatura. Não fitava os seus olhos, que brilhavam de uma maldade pura e desinteressada. Olhava pra frente, pra uns arbustos, pois tinha aprendido com a minha avó que, diante de um demônio, olhe sempre para uma árvore. Decidi, então, perguntar ao invés de ser indagado.</p>
<p>- Por que tudo isso?<br />
- Por quê? Ora, por causa do poder! O objetivo do Homem é o Poder. Suprema ambrosia, o poder.<br />
- Mas&#8230; por que um poder que beneficia alguns e prejudica o resto?<br />
- O único poder que conta é o poder da águia sobre os carneiros — só existem para ser comidos pela águia. Eu sou a águia do futebol pernambucano!<br />
- Você é monstruoso! Não tem culpa alguma?<br />
- A culpa é um lobo que come o presente depois de ter devorado o passado.<br />
- Meu Deus! — disse desesperado.<br />
- Deus não é a questão, nem a resposta, pequeno verme. A verdadeira questão é saber por que Eva foi tirada exatamente da costela de Adão, já que Deus podia usar um pedaço de madeira, uma pedra ou qualquer outra matéria? Aquela costela estava sobrando? Se não estava, então Adão estaria sendo privado, por Deus, de parte essencial de seu corpo, dado não ser concebível que, desde o início, estivesse presente no corpo humano algo supérfluo. Ou Adão tinha treze costelas de um lado e doze do outro? Era uma espécie de monstro, como os homens que têm três mãos e três pés?</p>
<p>Cruzes, ele é louco, pensei. Comecei realmente a temer pela minha vida.</p>
<p>- Vou morrer? Perguntei cabisbaixo, quase oferecendo meu pescoço.<br />
- Você? Não vale a pena. Você é insignificante — você e o <a href="http://www.torcedorcoral.com/">TC</a>.<br />
- Você conhece o <a href="http://www.torcedorcoral.com/">TC</a>&#8230;<br />
- Conheço tudo. O <a href="http://www.torcedorcoral.com/">TC</a> não é nada. Não tem poder. Tomou no servidor. Só será conhecido <em>pós</em>-<em>mortem</em>!<br />
- Onde é a saída? Não agüento mais! A saída, por favor&#8230; — disse quase soluçando.<br />
- A saída é ali — apontou para uma pequena construção que parecia um banheiro.</p>
<p>Ele me acompanhou até lá e mostrou a latrina.</p>
<p>- A saída é aqui. Mergulhe e sairá daqui!</p>
<p>Olhei-o sem entender. Fitei a latrina fétida e pensei: não é possível, não é possível! Ele olhou-me de forma feroz. Caiu a ficha e compreendi imediatamente que, se não mergulhasse, seria morto. Mas, antes de me decidir, perguntou-me:</p>
<p>- Artur?<br />
- Sim?<br />
-<span style="color: #ff0000;"> <strong>NADA!!!</strong></span></p>
<p>Mergulhei, tinha que mergulhar — estava apavorado. Não sei como entrei no buraco da latrina, mas entrei. A gargalhada infernal ainda me acompanhava, enquanto nadava e nadava. Não queria ser a Barbie e morrer na praia. E, quando estava já quase inconsciente, saí num esgoto do Recife, na beira do rio Capibaribe.</p>
<p>Estava imundo. Tinha, de fato, saído de uma latrina. Sentia-me vomitado. Não tinha comprovado minha hipótese. Nem me lembrava qual era. Só estava muito cansado e com medo do futuro. Muito medo.</p>
<p>Medo do futuro do Santinha&#8230;</p>
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		<title>Acabou o Mandato. Que venha a sorte.</title>
		<link>http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/acabou-o-mandato-que-venha-a-sorte/</link>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 11:27:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Aguiar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[<div id="attachment_7141" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-7141" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/acabou-o-mandato-que-venha-a-sorte/attachment/givanildo-oliveira/"><img class="size-full wp-image-7141  " title="Givanildo Oliveira" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/07/Givanildo-Oliveira.jpg" alt="" width="300" height="360" /></a><p class="wp-caption-text">Givalnildo Oliveira, nos bons tempos de Santa Cruz</p></div>
<p style="text-align: center;">
</p><p style="text-align: justify;">No começo, veio a exigência de disputar o cargo de presidente sem nenhum outro concorrente. Depois, sem promessas, vieram as obras de&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7141" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-7141" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/acabou-o-mandato-que-venha-a-sorte/attachment/givanildo-oliveira/"><img class="size-full wp-image-7141  " title="Givanildo Oliveira" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/07/Givanildo-Oliveira.jpg" alt="" width="300" height="360" /></a><p class="wp-caption-text">Givalnildo Oliveira, nos bons tempos de Santa Cruz</p></div>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">No começo, veio a exigência de disputar o cargo de presidente sem nenhum outro concorrente. Depois, sem promessas, vieram as obras de recuperação do estádio que deram novo ânimo à torcida coral. Pronto, neste momento chegava ao fim à gestão do Secretário e início da administração de Fernando Bezerra Coelho.</p>
<p style="text-align: justify;">Com Fernando Bezerra Coelho, vieram muitas promessas, quase todas não cumpridas (muitas das quais ainda imortalizadas em seu microblog), e as constantes demonstrações de incompetência administrativa na gerência de um clube de futebol. Após 10 meses de mandato, o resultado de sua administração foi a gestação do pior time já visto na história do Santa Cruz, capaz de terminar em último lugar de uma chave composta por Central, Sergipe e CSA, e amargar a 28ª posição dentre 39 participantes da série D do Campeonato Brasileiro. Como se não bastasse, com mais de 15 meses de mandato foi capaz de mudar pela segunda vez todo um planejamento, não abdicando, todavia, de continuar sendo goleado pelo Porto, perdendo para o Central e humilhado em plena na Série D, após 20 meses no cargo de presidente.</p>
<p style="text-align: justify;">Com Fernando Bezerra Coelho, o clube aceitou calado o Presidente da Federação Pernambucana de Futebol dizer que já fez de tudo para ajudar o Santa Cruz, mas que o time, mesmo assim, não conseguia, e não consegue, ganhar de jeito algum. Com Fernando Bezerra Coelho, o clube assistiu de forma submissa o seu principal jogador demonstrar sua insatisfação à desorganização administrativa do clube com os quase três meses de salários atrasados fixando um papel de venda do seu carro nas paredes da própria Instituição.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a administração de Fernando Bezerra Coelho, o Santa Cruz passou a assumir, por direito, o título de terceira força do Estado de Pernambuco e ter de volta o seu Estádio. Algo meritoso para o Presidente e sua Diretoria que traçaram este objetivo no final do ano passado. E, se servir de consolo, conseguiu alcançar uma posição bem superior à ocupada na gestão do presidente anterior.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, como nem tudo é tempestade, eis que aparece uma luz no túnel. E a luz no final do túnel veio, incrivelmente, com a própria declaração do quase-ausente presidente Fernando Bezerra Coelho. Para bom entendedor, o presidente deixou claro que, na prática, sua gestão encerrou-se, que suas práticas gerenciais fracassaram, que não sabe mais o que fazer e que vai esperar os resultados para definir seu futuro no Clube. O seu diretor de futebol, em depoimento, seguiu o patrão ao afirmar que não sabia “se a saída do Dado Cavalcante será um benefício para o Santa Cruz”. Pronto, depois de amargarem meses de fracassos, os dirigentes atuais concluíram que, agora, é melhor deixar que a sorte decida o futuro do Santa Cruz.</p>
<p style="text-align: justify;">Melhor assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Não tenho dúvidas que é melhor contar com a sorte, mesmo que incerta, do que com a competência, já comprovada, da atual direção no futebol do clube.</p>
<p style="text-align: justify;">É nessa hora que o clube se encontra à deriva que temos, mais uma vez, que demonstrar nossa força enquanto torcedor. É claro que dependemos mais do que nunca da sorte, visto que o planejamento foi feito de forma competentemente amadora, no entanto, aliado à sorte, prefiro agregar nesta corrente outros três fatores:</p>
<blockquote>
<p style="padding-left: 30px;">1. Givanildo Oliveira. Acredito que esta história de fracasso pode mudar de lado com a chegada de Givanildo Oliveira. Considerado ultrapassado por alguns, Givanildo não deixou de ganhar títulos e fazer belas campanhas nos dois últimos anos (Vila Nova, Mogi-Mirim e Sport), além de já ter passado por situações parecidas como treinador e técnico. Não gosto de Givanildo para montar um time do zero, mas acho um bom treinador para ajustar um time que já tenha um esboço.<br />
2. A torcida. Reforço apenas a necessidade de continuar apoiando o time. E que, ao invés de vaiar os jogadores, deixem para vaiar os dirigentes, que passem a exigir jogadores de qualidade e uma disputa eleitoral no final do ano, independentemente de quem seja(m) o(s) candidato(s).<br />
3. Os jogadores. Não posso pedir mais do que eles podem oferecer, por isso, peço apenas respeito à camisa que estão vestindo. Caso contrário, recebam nossas vaias.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Alguns podem argumentar que já tivemos estes três fatores juntos e que nem sempre os resultados foram bons. Mas, no momento em que o dirigente esteve ausente (digo, sem atrapalhar), a combinação destes fatores deu o último suspiro de alegria para a torcida coral.</p>
<p style="text-align: justify;">Pronto, vamos em frente. Vamos por etapa. Vamos lutar, primeiramente, para passar desta fase. Apesar de termos perdido mais uma batalha, acho que, por tudo que ocorreu recentemente, estamos mais fortalecidos para as batalhas e fases que virão.</p>
<p style="text-align: justify;">E que Givanildo levante mais uma taça!</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Note: There is a poll embedded within this post, please visit the site to participate in this post's poll.</p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Tudo novo de novo!</title>
		<link>http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/tudo-novo-de-novo/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2010 23:47:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dimas Lins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6796" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/tudo-novo-de-novo/attachment/novo-layout/"><img class="aligncenter size-full wp-image-6796" title="Novo layout" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/07/Novo-layout.png" alt="" width="500" height="420" /></a></p>
<blockquote><p><strong><span style="text-decoration: underline;">Nota da redação:</span></strong></p>
<p>O <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a> migrou com sucesso para o novo servidor. Aliás, foi tão rápido que não deu tempo sequer de fazer as adaptações necessárias para mudar o layout. Assim, faremos a mudança neste</p></blockquote><p>&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6796" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/tudo-novo-de-novo/attachment/novo-layout/"><img class="aligncenter size-full wp-image-6796" title="Novo layout" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/07/Novo-layout.png" alt="" width="500" height="420" /></a></p>
<blockquote><p><strong><span style="text-decoration: underline;">Nota da redação:</span></strong></p>
<p>O <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a> migrou com sucesso para o novo servidor. Aliás, foi tão rápido que não deu tempo sequer de fazer as adaptações necessárias para mudar o layout. Assim, faremos a mudança neste fim de semana para que, na estréia do Santa na Série D, já estejamos de cara nova.</p></blockquote>
<p>Há alguns dias, o <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a> passou um sufoco danado com o nosso servidor. Saímos do ar por tanto tempo, que quase esquecemos que o Santa Cruz, o ponto central das rodas de debate do nosso blog, estava em plena atividade na Copa do Nordeste. A verdadeira verdade é que nem mesmo a Copa do Mundo nos tirou a atenção do Mais Querido, pois enquanto o Brasil voltava para casa mais cedo, a gente varava a madrugada para trazer novidades para os nossos leitores.</p>
<p>O <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a> aproveitará a pausa para a mudança do servidor, anunciada no artigo <a href="http://www.torcedorcoral.com/editorial/fora-do-ar/">Fora do ar</a>, para se renovar. Para comemorar o início da Série D, voltaremos com um novo layout, pois como diria o poeta, beleza é fundamental.</p>
<p>O <a href="http://www.torcedorcoral.com/">TC</a> adotará cores mais escuras, com preponderância do preto sobre as demais. O <em>background</em> (a cor de fundo do site) será em um discreto azul cinzento e pretende remeter o leitor ao título de fita azul. Três grandes engrenagens na parte superior esquerda e outras três menores do lado inferior direito, nas cores do Santa Cruz, mostrarão que, apesar dos percalços, nosso clube poderá voltar a ser a velha e boa máquina de vitórias do passado. Basta querer.</p>
<p>O novo layout do <a href="http://www.torcedorcoral.com/">TC</a>, além de um <em>design</em> arrojado, também será marcado por um novo formato. Ao acessar a nossa página principal, por exemplo, o leitor dará de cara com uma área de destaque, cujo conteúdo será apresentado num slide animado. Com esse novo formato, pretendemos dar mais visibilidade a algumas seções que ficavam na barra lateral do blog, como Cobra Venenosa, TC News, Tricolor da Porra!, editoriais, comunicados e qualquer outra coisa que nos dê na telha. Para acessar os artigos, o leitor clicará em “Blog”, no menu principal acima do slide, e&#8230; <em>Voilá</em>!</p>
<p>Na parte do blog propriamente dita, também teremos novidades. Os artigos não mais estarão dispostos integralmente, mas parciais através de chamadas para o texto. Nas chamadas, os artigos serão identificados pela foto do autor, caso ele seja cronista do blog. Uma imagem genérica identificará outros autores, como convidados e tricolores, que nos enviarem textos. Para ler o artigo na íntegra, basta um clique no botão “Leia mais”.</p>
<p>A seção de comentários também estará renovada. Com o novo layout, o leitor poderá fazer um comentário geral sobre o texto, uma réplica ou mesmo tréplica sobre um comentário específico. Este formato permitirá que o leitor debata direta e especificamente com este ou aquele missivista. Assim, ele poderá comentar o texto, de maneira geral, ou, mais diretamente, concordar ou discordar do ponto de vista de outro leitor. Dinâmica é palavra da vez aqui.</p>
<p>Como disse anteriormente, as mudanças começaram com a migração do nosso site para o novo servidor. Na volta, caso não haja contratempo, estaremos de cara nova.</p>
<p>Tive um prazer especial no trabalho de transformação do layout do <a href="http://www.torcedorcoral.com/">TC</a>. Espere que, assim como eu, vocês também gostem.</p>
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		<title>Ufa! Acabou a dungaria</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Jul 2010 21:44:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6673" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/ufa-acabou-a-dungaria/attachment/brasil_canarinho800/"><img class="size-medium wp-image-6673 aligncenter" title="Brasil_canarinho800" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/07/Brasil_canarinho800-350x262.jpg" alt="" width="350" height="262" /></a><span style="font-size: x-small;"><br />
Transformaram você num urubu, hein?!</span></p>
<p>Tinha que parar, né?! Já estava demais, um tanto artificial &#8212; um saco. O fervor patriótico pela seleção de Dunga só poderia causar mal à alma brasileira &#8212; uma patriotada movida à&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6673" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/ufa-acabou-a-dungaria/attachment/brasil_canarinho800/"><img class="size-medium wp-image-6673 aligncenter" title="Brasil_canarinho800" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/07/Brasil_canarinho800-350x262.jpg" alt="" width="350" height="262" /></a><span style="font-size: x-small;"><br />
Transformaram você num urubu, hein?!</span></p>
<p>Tinha que parar, né?! Já estava demais, um tanto artificial &#8212; um saco. O fervor patriótico pela seleção de Dunga só poderia causar mal à alma brasileira &#8212; uma patriotada movida à mídia e dinheiro. Transformaram, ainda, um paranoico conservador, como Dunga, num revolucionário bolchevique. E por que, pelo amor de Lênin? Porque foi contra a Rede Globo! É dose&#8230; Queremos ser patriotas? Ora, que torçamos por uma seleção decente, que encarne a tradição futebolística brasileira. A seleção de 82, por exemplo&#8230; Essa, sim, merece fervor nacional. Como torcer por um time que mistura o pior do futebol italiano com o pior do alemão? Que tem a defesa como ponto forte (aliás&#8230;)? Não somos italianos. Temos um estilo, temos uma tradição &#8212; se acabou, que morramos por ela!</p>
<p>Dunga&#8230; por favor, caros tricolores, é demais, é excessivo &#8212; cansa. Escalou o pior meio-campo de toda a gloriosa história da canarinha nas copas. Escalou um ex-jogador em atividade, como Gilberto Silva; um doido, como Felipe Melo, e a esperança ficou nos pés de Elano&#8230; É muita vulgaridade! Cadê Ganso, Hernane, Ronaldinho e outros? Cometeu o erro desastroso e absolutamente estúpido de não levar um substituto para um Kaká meia-boca (o menino carola não combina com Copa). Seleção é a seleção dos melhores. Essa seleção não tinha os melhores jogadores brasileiros do momento.</p>
<p>Os “guerreiros” perderam de uma Holanda mediana. Após o primeiro gol, numa falha de nossa defesa, tão decantada como a melhor do planeta (levou dois gols grotescos), o time desmoronou, parecendo gatinhas de madame. A seleção de Dunga não resistiu ao primeiro cachorro grande da Copa.</p>
<p>Em 2006, a maior máfia do Brasil apostou na inanição moral do inventor do gol-detalhe: Parreira. O futebol da seleção virou uma zona. Em 2010, apostou na militarização da canarinha. O futebol virou uma volantomania. 2006 e 2010 são extremos que se tocam. O discurso patriótico de Dunga serviu apenas para enganar, dizendo que não repetiríamos a pantomima de Parreira, mas, no fundo, teve a função de justificar o espírito punitivo do técnico e de seu profundo ressentimento contra o futebol. Não se quis futebol, e sim guerra e soldados da Pátria. Pelo menos, ganhamos um novo Judas, um novo dunguinha: Felipe Melo, o jogador esforçado,  aguerrido, humilde, sem &#8220;estrelismos&#8221;, mas sobretudo violento e destemperado &#8212; aquele que, no jogo contra os laranjas, começou como Gérson e terminou como&#8230; Felipe Melo.</p>
<p>Eis o resultado do futebol de resultados: a mediocridade. A tapa de luva, nos fundamentalistas do resultado, tem um significado irônico: a busca compulsiva pelo resultado traz de forma obsessiva o fracasso. Meu Deus, por que são tão incompetentes? Dunga não percebia nem o passado (a gloriosa tradição brasileira), nem o futuro (não nos deixou nenhum legado. Nada) &#8212; só importava o presente, essa ninharia do Tempo. Pois lascou-se, cara pálida, você fracassou, o presente morreu. Só mesmo um fundamentalista do resultado não aceita a derrota, não entende que faz parte da beleza do futebol. Louvo a dignidade das derrotas de 50 e de 82. São derrotas trágicas, que têm sua beleza e formam o caráter &#8212; a tragédia tem esse sentido, como compreenderam os gregos antigos. Derrotas como as de 74, 90, 2006 e 2010 são ridículas, pois produtos da pobreza de espírito, da violência e do ressentimento. O ridículo não ensina nada &#8212; no máximo, a dar um riso maroto.</p>
<p>O fim de Dunga melhorará imediatamente o futebol brasileiro, principalmente o Santinha. Estava na cara a relação entre a proximidade da Copa e o descalabro na qualidade do futebol tricolor. E Dado, nosso técnico, é um jovem muito influenciável, saibam vocês. Tomou o técnico da seleção como referência. Tinha pôsteres de Dunga no quarto. Idolatrava Dunga. Por isso, o Santinha começou a jogar desse jeito covarde, sem agressividade, adorando o “resultado”. Sob essa influência nefasta, nosso jovem técnico promissor estava-se tornando num jovem imbecil, ainda mais do tipo &#8220;professor&#8221;. Há indícios de que Dado jogou fora o pôster e está queimando os retratos de Dunga. Boa notícia.</p>
<p>Página virada. A terceira Era Dunga acabou (90, 94, 2010), que seja para sempre.</p>
<p>Podemos voltar, enfim, ao mais fundamental, ao mais importante: o Clube do Santo Nome.</p>
<p>PS: aliás, como está mesmo o Santinha?!</p>
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		<title>A McDonaldização do futebol</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jun 2010 03:10:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6562" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/a-mcdonaldizacao-do-futebol/attachment/bigmac/"><img class="size-medium wp-image-6562 aligncenter" title="bigmac" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/06/bigmac-350x262.jpg" alt="" width="350" height="262" /></a><span style="font-size: x-small;"><br />
Parece gostoso, mas tem gosto de plástico.</span></p>
<p>Gostava de Copa do Mundo. Venho desgostando. É apenas uma opinião pessoal. Como estamos num blog, posso fazer essa confissão sem oferecer muitas explicações. E falo de futebol: é difícil&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6562" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/a-mcdonaldizacao-do-futebol/attachment/bigmac/"><img class="size-medium wp-image-6562 aligncenter" title="bigmac" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/06/bigmac-350x262.jpg" alt="" width="350" height="262" /></a><span style="font-size: x-small;"><br />
Parece gostoso, mas tem gosto de plástico.</span></p>
<p>Gostava de Copa do Mundo. Venho desgostando. É apenas uma opinião pessoal. Como estamos num blog, posso fazer essa confissão sem oferecer muitas explicações. E falo de futebol: é difícil apreciar os jogos. Penso que venceu o clichê “não há mais time bobo”. O que significa? O nivelamento por baixo do nível do jogo. Ninguém é mais bobo porque todo mundo joga muito igual. E a igualdade, nesse caso, significa a padronização da mediocridade – a dominação da <em>aurea mediocritas</em>. O resultado é a chatice e o bocejo – a perda da emoção. Olho um gol e vou tomar um copo d’água, pois a indiferença dá sede.</p>
<p>O que aconteceu?</p>
<p>Faz tempo que não temos novidades. Mas, no fundo, não me refiro a esse assunto, a novidade; na verdade, o que me incomoda mesmo é a padronização planetária do futebol. Mesmice é o deserto da inovação. Meu medo é que isso tudo seja uma tendência um tanto inevitável.</p>
<p>Olho a Copa e, sinceramente, só vejo futebol europeu. Sim, europeu. E pior: não é um domínio italiano, inglês ou alemão – é europeu: uma espécie de padronização, ditada pelo mercado de trabalho do futebol, monopolizado pela Europa. Antes, a Copa era divertida porque se via uma variedade imensa de estilos de jogar. Agora, é tudo o mesmo troço. Futebol é um negócio europeu. Parece uma imensa fábrica, que importa recursos naturais do planeta inteiro e que produz  de forma fordista o futebol: homogeneidade, padronização, nivelamento e&#8230; modas. Sim, modas, a única novidade no futebol. É um fenômeno banal que segue as tendências do consumo no mercado da bola. Como toda moda, a mudança mostra-se apenas passageira, superficial e sem consequência &#8212; era uma aparência que se desmanchou no ar.</p>
<p>Bem, olho o que escrevi e amenizo minha crítica. Não sou contra o mercado. Acho até que a globalização poderia ter criado uma diversidade nunca vista, mas não é isso o que vem acontecendo. Repito o que penso: o futebol é um negócio europeu. Lá, acontece uma padronização, inclusive tática, do futebol mundial. Não é uma surpresa: todos os jogadores, inclusive os de nível médio, estão no fut europeu. Existe uma concentração monopolística na Europa. O oligopólio padroniza inclusive as táticas, verdadeiros formulários que os técnicos preenchem antes de qualquer partida. Como todo mercado exigente, ordena-se a maximização de resultados. Não apenas isso: sendo um negócio, o futebol atual é o produto de uma rede imensa de interesses que não passam, necessariamente, pela qualidade esportiva.  O termo &#8220;espetáculo&#8221; é uma fachada para justificar os negócios e não o bom futebol. Há muito poder, há muito dinheiro, há muito interesse em jogo, em suma. O econômico domina amplamente o esportivo.</p>
<p>Nesse sentido, a Copa é prejudicada pelo mercado europeu. Os jogadores chegam esfalfados, no limite de sua capacidade física; os clubes não estão nem aí com as seleções nacionais; não há mais um estilo específico de cada seleção, até porque os jogadores estão enquadrados em planilhas táticas absolutamente padronizadas., e por aí vai. As seleções nunca conseguem um entrosamento decente (por isso, talvez, os jogos sejam tão ruins).</p>
<p>Antigamente, o futebol europeu se apropriava do produto já feito e montado nos países periféricos, principalmente no Brasil e na Argentina. Agora, a situação piorou: o mercado adquire uma mercadoria que vale pela sua possibilidade. Estamos diante da captura de atletas infantis e juvenis. Messi é o caso mais emblemático: nunca jogou num time profissional argentino. A Europa não compra mais mercadoria, e sim as fabrica, com seus centros de recrutamento na África e na América Latina. O futebol brasileiro e argentino parecem colônias do europeu. Perdemos no campo esportivo, na economia e na soberania – em suma, regredimos.</p>
<p>(o exemplo das seleções africanas é gritante: havia uma esperança de que a África produzisse algo novo, uma mistura de força e jogo bonito. Que nada! São seleções que marcam, são taticamente organizadas, fazem tudo direitinho, mas, quando pegam a bola&#8230; dá tudo errado. A planilha europeia enquadrou o fut africano)</p>
<p>(Dados do <a href="http://eurofootplayers.org/" target="_blank">Professional Football Players Observatory</a>: &#8220;o Brasil exporta, em média, cerca de 800 jogadores por ano. Quase 60% da exportação destina-se à Europa. Na Inglaterra, 59% dos jogadores são estrangeiros. Em Portugal, 54%. Na Alemanha, 52%. Itália, 40%. Espanha, 37%&#8221;)</p>
<p>A Copa do Mundo é a copa da globalização, logo, da mesmice, da otimização tática, da repetição de estilo e da perda da tradição: joga-se da mesma maneira no mundo inteiro. O futebol não se expressa mais por várias culturas. Não existe mais estilo nacional.</p>
<p>É o fast-food.<br />
É o Self-Service que mistura tudo e perde o sabor (o futebol por quilo).<br />
É a McDonaldização do futebol.</p>
<p>E, convenhamos, futebol Big Mac é de lascar.</p>
<p>PS: e o Santinha goleou, hein?! Olha aí uma novidade&#8230;</p>
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		<title>Espírito, Santa!</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 11:25:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Aguiar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.cv-resume.org/curriculumvitae/blog/wp-content/uploads/2009/04/poder.gif" alt="Confiança" width="413" height="379" /></p>
<p>Em plena Copa do Mundo, vários torcedores viajaram mais de 100 km para assistir o jogo do Santa Cruz contra o Botafogo-PB, depois das fortes chuvas que caíram no Recife. Será que todo este esforço foi por&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.cv-resume.org/curriculumvitae/blog/wp-content/uploads/2009/04/poder.gif" alt="Confiança" width="413" height="379" /></p>
<p>Em plena Copa do Mundo, vários torcedores viajaram mais de 100 km para assistir o jogo do Santa Cruz contra o Botafogo-PB, depois das fortes chuvas que caíram no Recife. Será que todo este esforço foi por um simples jogo, que não decidia nada, válido por um Campeonato que ainda não empolgou? – Com certeza não. Será que todo este esforço foi ‘apenas’ para ver o Santa Cruz jogar? – Com certeza não! Acredito que essa dedicação dos torcedores corais pode ser traduzido no sentimento de carência, da vontade de ter um time pra chamar de seu. Da necessidade de mostrar apoio e receber de volta a confiança de que tudo dará certo; de que o pesadelo terá fim.</p>
<p>Mas, após os últimos jogos do Campeonato Pernambucano e de três vergonhosos jogos da Copa do Nordeste, a confiança não chegou. Após 20 meses para se formar um time, a direção do Santa Cruz não foi capaz de montar um time que amenizasse a carência da torcida. É inadmissível não termos, depois de tanto tempo, um time confiável para disputar a série&#8230; D! Digo, confiável, não invencível. Pois, como o futebol é um jogo, sabemos que podemos perder ou ganhar. Mas, disputar uma série D, com a sensação que corremos sérios riscos de permanecer nela, é muito humilhante. Entretanto, apesar do pouco tempo, ainda podemos mudar o curso desta história.</p>
<p>Depois do frustrante jogo do último sábado, surpreendeu-me a declaração do nosso treinador: “o time rendeu nas duas primeiras partidas &#8230; essa era a vitória que o time precisava”. Francamente!. Frase típica de um “professor” que tenta evitar as críticas, não do Dado Cavalcante que me surpreendeu como treinador. Frase de quem não viu o jogo, de quem parece não ter detectado os problemas do time que tem em mãos.</p>
<p>Os três jogos da Copa do Nordeste foram dignos da nossa realidade, da situação onde nos encontramos, de uma série D. Foram uma vergonha! Todos os torcedores que viajaram para lá e os que assistiram a(s) partida(s) podem afirmar se estou faltando com a verdade. E olhe que eu não vi o último jogo, apenas escutei. Mas, pelo jeito, consegui enxergar com os ouvidos bem mais do que o treinador e os jogadores entrevistados após o jogo.</p>
<p>O que mais me preocupa é que o time é o mesmo que disputou o Campeonato Pernambucano deste ano. Ou seja, ninguém poderá reclamar de falta de entrosamento. As falhas vistas no Pernambucano não foram (pasmem!) observadas pela Comissão Técnica e Diretoria. Se já tínhamos uma base (de qualidade mediana) do Campeonato Pernambucano, deveríamos ter feito um grande esforço para contratar jogadores que qualificassem a equipe. Ainda é cedo para julgar a capacidade dos que foram contratados, mas depois de ver o Santa Cruz dispensar o jogador que foi eleito o melhor lateral direito do Campeonato Pernambucano e, em seu lugar, contratar um lateral direito que, depois de duas semanas treinando no Arruda, foi dispensado por não apresentar qualidade técnica, não tem como ficar na dúvida nas indicações feitas. Vamos confiar em quem? Em quem trouxe o jogador que já foi dispensado antes de estrear?.  Some-se, ainda, a zaga fraca que nós já tínhamos e que continuamos a ter. Desta zaga saíram dois zagueiros (que não fazem falta!), um dos quais titular, e contratamos apenas um (só 1!). Isso sem falar no tal 3-5-2 com os alas que temos e com o jovem jogador de criação do meio-de-campo Jackson.</p>
<p>Prefiro não me deter a esquemas e a qualidade dos jogadores, pois, sinceramente, para subirmos desta divisão não é preciso muito. Basta ver os times que conseguiram o feito no ano passado. É preciso um mínimo de organização e muita vontade! Com os jogadores que já temos, podemos conseguir. Todos já sabem a fórmula de disputa da Série D. Todos já sabem os times que iremos enfrentar. São similares aos times do Porto e Central, os mesmos que nos venceram nos últimos dois campeonatos pernambucanos se considerarmos apenas o confronto mata-mata. Por isso, é preciso mais!</p>
<p>Não é porque o time venceu o último jogo que não podemos reclamar. Afinal, vencer é uma palavra fora do dicionário do torcedor do Santa Cruz há anos. Quem acha que vencer se resume apenas a vencer uns jogos isolados é porque nunca viu um Santa Cruz vencedor.</p>
<p>Prefiro acreditar que se a Copa do Nordeste ainda não empolgou os torcedores, também não deve ter empolgado os jogadores e o treinador.</p>
<p>Vamos esperar que a Copa do Mundo chame menos atenção e que os jogadores se concentrem nos jogos da Copa do Nordeste e depois na Série D. É necessário que o time ganhe autoconfiança! É necessário que o time transmita confiança para a torcida! É preciso que o time incorpore o espírito de um time vencedor! Não tenho dúvidas de que apoio não faltará, mas precisamos de uma demonstração de força, de uma atitude positiva do time do Santa Cruz. Pois, 40 mil pessoas desconfiadas em um estádio é algo que não queremos e dificilmente os jogadores suportarão. Agora, se estas 40 mil pessoas virem um Santa Cruz com a alma de um time aguerrido em campo, Tuti se transformará em um Birigui, Luiz Eduardo incorporará o espírito de Amarildo, Leandro Cardoso terá a técnica de Alfredo Santos, Goiano será uma cópia de Zé do Carmo, Jackson lembrará Henágio e Brasão será o novo Ramón do Arruda.</p>
<p>Pois, até agora, de uma coisa ninguém pode reclamar: o time está à altura da divisão que irá disputar! O que pode ser uma alegria para alguns. Para mim, não.</p>
<p>Então, que venha o Espírito vencedor, Santa!</p>
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		<title>Não vire “professor”!</title>
		<link>http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/nao-vire-professor/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 03:10:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6474" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/nao-vire-professor/attachment/rito-de-passagem/"><img class="size-medium wp-image-6474 aligncenter" title="rito de passagem" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/06/rito-de-passagem-350x269.jpg" alt="" width="350" height="269" /></a><span style="font-size: x-small;"><br />
Esse é Dado, tentando virar &#8220;professor&#8221;.</span></p>
<p>Não nego a simpatia por Dado. É um gesto generoso de minha parte. Fiquei tão ranzinza no futebol, até por causa de nossas desgraças, que quase estranho meu sentimento caloroso. Tento&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6474" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/nao-vire-professor/attachment/rito-de-passagem/"><img class="size-medium wp-image-6474 aligncenter" title="rito de passagem" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/06/rito-de-passagem-350x269.jpg" alt="" width="350" height="269" /></a><span style="font-size: x-small;"><br />
Esse é Dado, tentando virar &#8220;professor&#8221;.</span></p>
<p>Não nego a simpatia por Dado. É um gesto generoso de minha parte. Fiquei tão ranzinza no futebol, até por causa de nossas desgraças, que quase estranho meu sentimento caloroso. Tento entendê-lo, inclusive porque é um bem raro nesse mundo velho e enfadado. Fico pensando se não foi por desespero meu apoio a Dado; afinal, qualquer centelha de esperança vira um fogaréu na minha alma. Não sei se foi por isso, enfim. Mas, pensando bem, tinha e tenho algumas razões:</p>
<p style="padding-left: 30px;">- Dado é jovem, não parecendo ainda contaminado pelo vírus do técnico &#8220;professor&#8221;, esse mal que assola o fut nacional;<br />
- Dado é coerente e faz o óbvio. Lembro que a obviedade, admitindo a atual pobreza cognitiva de nosso futebol, beira a genialidade.<br />
- Dado não inventa; assim, não tem aquela criatividade, aquela exuberância experimental que têm os técnicos tupiniquins.</p>
<p>Porém, depois da insistência com o &#8220;3-5-2&#8243;, minha empatia começou a se transmutar em antipatia. Vejam, no Brasil, a defesa do &#8220;3-5-2&#8243; pode ser vista como o rito de passagem do jovem técnico para o estágio do “professor”. Os técnicos brasileiros valorizam muito a docência. É o topo da carreira profissional. Pesquisas, inclusive, demonstram o quanto o rito é pesado, com perda de substância cerebral – em neurologia, o nome técnico dessa perda de miolo é “dunguização”. O jovem técnico passa a repetir, então,  como um mantra a numerologia sagrada, “3-5-2”, e pumba!, vira um “professor”. O efeito é imediato:</p>
<p style="padding-left: 30px;">- as justificações táticas ficam incompreensíveis. O jovem técnico torna-se “professor” e ninguém &#8212; muito menos os jogadores &#8212; entende mais o que diz;<br />
- a incoerência converte-se em virtude. Quanto mais incoerente, mais “professor” é o técnico;<br />
- a capacidade inventiva do “professor” é ilimitada. Cada “professor” procura ter sua invenção diferente. Sua invenção é sua grife. Curiosamente, todos armam seus times da mesma forma, mas todos têm palavras diferentes para falar sobre&#8230; retranca.<br />
- o gol passa a ser um mero detalhe. Na verdade, o “professor” detesta gol e tem uma neurose por volantes. Parreira, o fundador da docência no futebol, foi o inventor do gol-detalhe. Seu pupilo fundamentalista, Dunga, radicalizou a proposta e indagou, num momento de relfexão: _pra que gol, afinal de contas?!<br />
- todo “professor” é antipático por definição. É um chato de galocha. E confunde toda crítica com perseguição.</p>
<p>Dado virou um “professor”? Não sei. Só sei que, com o “3-5-2”, está em pleno rito de passagem.</p>
<p>Vejamos o “3-5-2”.</p>
<p>Essa sequência de números escatológicos foi uma invenção europeia. Foi uma invenção inteligente: ao contrário do futebol brasileiro, os europeus não têm uma escola de bons laterais. O “3-5-2” supria a falta de laterais decentes com a invenção do “ala”. No fundo, o “ala” é mais um meio-campista, que organiza as jogadas pelos flancos. A versão tupiniquim do “3-5-2” é sua deformação numa retranca – senão vejamos:</p>
<p style="padding-left: 30px;">- No Brasil, o ala é um “lateral que sobe ou apoia” ou um volante, deslocado para o lado do campo – Dado fez isso com Dedé. Numa versão mais ofensiva do “3-5-2”, o ala seria um armador ou um meia. Na versão brasileira, com laterais ou volantes pelos lados, o meio-campo perde criatividade. Inclusive, no meio, o esquema tem dois volantes e apenas um meia &#8212; é um espaço oco, sem criação. Sem armação no meio-campo, as jogadas pelos lados ficam prejudicadas. Por incrível que pareça, no esquema brasileiro, os laterais findam apoiando menos do que num tradicional 4-4-2.<br />
- temos três zagueiros, um na sobra. Um bom “3-5-2” tem um líbero e não apenas um zagueiro na sobra. É uma diferença. Como o fut brasileiro não tem uma tradição de líberos, o jeito é manter a &#8220;sobra&#8221;.<br />
-na frente dos três zagueiros, repito, temos mais dois volantes. Um “professor” teria a tentação de armar seu time com três zagueiros, dois volantes, centralizados no meio, dois laterais ou dois volantes, jogando pelos lados – o resultado mais comum é uma baita retranca, com sete jogadores na defesa. O time fica esperando o outro jogar. E, quando retoma a bola, está a anos-luz da meta adversária. E tome toquinho de lado.</p>
<p>Sinceramente, se temos laterais, pra que o “3-5-2”? Se não temos, pra que improvisar laterais como alas? Osmar, convenhamos, é um lateral que apoia e não um ala. Por que não, assim, um “3-5-2” mais ofensivo, com dois meias nas alas e um volante de contenção, centralizado no meio-campo? Os meias, jogando como alas, participariam da marcação e da armação de jogadas. Marcaríamos, sob pressão, a partir do meio-campo. Nesse esquema, ainda acho mais interessante escalar volantes armadores do que laterais apoiadores, pois garante marcação e, principalmente, mais armação no meio-campo.</p>
<p>O “3-5-2” de Dado deixa Jackson sozinho – o resultado: o meio-campo vira um deserto sem criação. E não temos alas, e sim laterais que sobem (uso um eufemismo; na verdade, nossos laterais não existem). E a pitada de horror: temos mais dois volantes na frente da zaga. Em suma, o time marca mal e não cria nada. E cria um paradoxo: temos uma retranca que não se defende de forma eficiente.</p>
<p>Pois é&#8230;</p>
<p>Nesse instante, bate o desespero, ajoelho-me e suplico:</p>
<p>Dado, rapaz, não envelheça. Não se torne um “professor”. Arme seu time com os jogadores disponíveis. Esqueça a numerologia. Por que não testa os meias como alas? Ou melhor: por que não volta ao feijão com arroz do 4-4-2? Essa tática é o melhor ponto de partida.</p>
<p>Tenho medo de que essas experiências sejam uma perda de tempo. E tempo é um bem precioso no Arruda para ser  assim desperdiçado.</p>
<p>Dado, rapaz, não encha nosso saco, por favor, pois já está abarrotado.</p>
<p>Faça o óbvio; faça o simples. O simples já é produto do complexo. Não torne o complexo uma complicação.</p>
<p>Vai, rapaz, deixa de frescura&#8230;</p>
<p>PS: talvez, a solução seja a contratação de Raymond Domenech, da França. É um entrega-camisas, sim, mas é místico e, nesse sentido, bate com o Clube do Santo Nome, mais ainda nessa fase amaldiçoada. Além do mais, ele jamais escalaria jogadores do signo de Virgem ou de Escorpião &#8212; há teses astrológicas de que jogadores desses signos dão&#8230; azar.</p>
<p>PS2: Ufa, enfim, nessa quinta, o futebol começou na Copa. Só tinha tido joguinho. Algumas vezes, penso que a evolução do futebol está matando o&#8230; futebol. Cadê a inteligência em campo? Só reflexos. Com 22 superatletas, não há mais espaço, pois todo o campo está ocupado pela correria.</p>
<p>PS3: defendi durante muito tempo o relativismo cultural, a autodeterminação cultural de todos os povos do planeta, etc e tal. Com a vuvuzela, esse costume insuportável, defendo a perseguição implacável de todo vuvuzeleiro. Aquele zumbido intolerável lembra-me o tempo todo da estupidez humana.</p>
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		<title>O mistério da obviedade</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jun 2010 03:10:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6436" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/o-misterio-da-banalidade-3/attachment/labirinto/"><img class="size-full wp-image-6436 aligncenter" title="labirinto" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/06/labirinto.jpg" alt="" width="400" height="306" /></a></p>
<p>Por que o fut brasileiro é tão bagunçado? Sei, sei, é a pergunta óbvia que todo torcedor se faz todo dia, mas é, reparem bem, a pergunta que possui todas as respostas possíveis, continuando assim mesmo, mais&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6436" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/o-misterio-da-banalidade-3/attachment/labirinto/"><img class="size-full wp-image-6436 aligncenter" title="labirinto" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/06/labirinto.jpg" alt="" width="400" height="306" /></a></p>
<p>Por que o fut brasileiro é tão bagunçado? Sei, sei, é a pergunta óbvia que todo torcedor se faz todo dia, mas é, reparem bem, a pergunta que possui todas as respostas possíveis, continuando assim mesmo, mais do que nunca, uma&#8230; pergunta. Desse jeito, embora a questão seja óbvia, não se consegue, apesar disso, esclarecer o que justamente salta à vista. E, quando o óbvio continua irrespondível, seria porque já não se está diante de uma coisa evidente por si mesma, e sim diante de um&#8230; mistério – o que é óbvio! Sim, a bagunça de nosso futebol é um mistério. Seria aquela esfinge sacana, nascida das entranhas de Macunaíma e não das de Zeus, que não propõe enigma algum, apenas devora imediatamente os incautos.</p>
<p>Um dos tipos de incauto mais devorado pela esfinge de nosso futebol é aquele que tenta reduzir o problema da bagunça a uma questão de competência. Os dirigentes teriam, assim, um problema de qualificação ou mesmo de&#8230; burrice. Sim, sim, muitas vezes é isso mesmo; de fato, fica-se pasmo diante da infinita burrice de nossos dirigentes, embora não se saiba, muitas vezes, se realmente estamos diante de &#8220;uma obtusidade córnea ou de uma má-fé cínica&#8221;, como dizia Eça de Queiroz. Certo, admito o argumento e ainda cito Nelson Rodrigues para corroborá-lo:</p>
<blockquote><p>&#8220;Já fizeram o elogio da loucura e ninguém se lembrou ainda de fazer o elogio, muito mais procedente, da burrice. Ninguém observou o óbvio: a burrice influi muito mais no comportamento humano do que o fator sexual, ou econômico ou outro qualquer&#8221;</p></blockquote>
<p>As excelentes entrevistas do <a href="http://www.blogdosantinha.com/" target="_blank">Blog do Santinha</a>, por exemplo, sobre o marketing do clube revelam, provavelmente, uma imensa, uma espetacular e exuberante&#8230; burrice. Ela escoa, feito uma baba bovina, nos cantos e recantos do clube. Convenhamos, a suprema parvoíce é a explicação mais prosaica e mais simples para entender o descaso com o nosso marketing.</p>
<p>Confesso que tive pesadelos com o fim do Santinha. Perguntava:</p>
<p>_Por que, meu Deus, por que abandonaste o Santinha?!</p>
<p>E uma voz tonitruante respondia:</p>
<p>_Por causa da burrice!</p>
<p>Mesmo assim, acho que a burrice não explica tudo. Concordo que muitos dirigentes poderiam ser mais competentes do ponto de vista administrativo. Mas, se o problema é de competência administrativa, por que se vê tanto dirigente competente na sua empresa, por exemplo, e completamente perdido nos clubes?</p>
<p>Não acho um Ricardo Teixeira e quejandos incompetentes. Sabem muito bem administrar, principalmente seus interesses. E não são burros, pelo contrário! Podem ser safados, mas sabem o que fazem. E aí é que tá: se sabem o que fazem, por que suas ações são tão nocivas ao fut nacional? Ora, mesmo um ditador gostaria que sua ditadura fosse um sucesso, e não um fracasso político que arriscasse seu poder. Não acho, sinceramente, que o caos interesse a ninguém, nem mesmo ao Clube dos 13.</p>
<p>Um outro incauto, geralmente devorado pela esfinge, é aquele, como o escrevinhador aqui, que reduz o problema da bagunça a uma questão de poder. Certo, tal posição possui alguma coerência, pois, de fato, quem domina o fut é uma matilha muito bem incrustada no comando de nosso futebol e, provavelmente, este mudará pra melhor assim que a corja escafeder-se.</p>
<p>(nos meus momentos mais bucólicos, imagino uma reunião na CBF com todos os dirigentes de clubes e um incêndio incidental e devastador: as labaredas atingindo as alturas e os torcedores dançando de alegria ao redor da gigantesca fogueira. O poder carbonizado, eis uma bela imagem. Depois, descobririam que foi Ducaldo o piromaníaco do incêndio, mas isso é outra estória)</p>
<p>Contudo, o poder não explica tudo; afinal, não há, em princípio, uma incompatibilidade entre uma canalha autoritária e um campeonato de futebol rico e exuberante. Os dirigentes da UEFA não são exatamente anjinhos, mas conseguem organizar e patrocinar grandes campeonatos; o mesmo raciocínio vale para a FIFA e também para os dirigentes ingleses, organizadores do maior campeonato nacional de clubes do mundo. O mundo do futebol é um mundo autoritário no planeta inteiro, sendo um galinheiro cheio de raposas, e nem por isso é um poleiro esculhambado como o fut brasileiro.</p>
<p>(Havelange é um excelente exemplo: tipicamente brasileiro, utilizou a mesma concepção de poder na CBF e na FIFA. Na primeira, desorganizou e deixou uma herança que ainda assombra como um pesadelo a organização do nosso futebol; na segunda, sucesso total, embora o cúmulo do autoritarismo)</p>
<p>Assim, o que tem de errado no (exercício do) poder de nossa matula que não consegue nem montar um calendário decente? Por que, podendo montar campeonatos razoavelmente organizados e, assim, ganhar uma tulha de dinheiro &#8212; muito mais do que ganham atualmente &#8211;, fazem justamente o contrário?</p>
<p>Não sei. Realmente, não sei.</p>
<p>Sei que é do interesse geral, inclusive dos dirigentes, um campeonato brasileiro organizado. Parece que, individualmente, os dirigentes brasileiros não conseguem superar seus interesses particulares e realizar o interesse geral; parece que há um conflito entre o interesse particular da maioria dos dirigentes e o interesse dos dirigentes em geral. Os dirigentes assemelham-se a &#8220;irmãos inimigos&#8221; ou &#8220;falsos irmãos&#8221;, sendo incapazes de uma ação coletiva em prol do bem-estar geral do futebol nacional.</p>
<p>Parece que a situação é tal que seria mais vantajoso, para um dirigente, realizar seus interesses particulares, mesmo que isso corresponda à piora do fut brasileiro, do que os interesses gerais do nosso futebol, inclusive dos próprios dirigentes. Nesse sentido, Eurico Miranda era uma figura emblemática: lutava com unhas e dentes pelos seus interesses particulares, geralmente confundidos com os interesses do clube da colina, mas pouco estava se lixando com a situação geral do futebol tupiniquim.</p>
<p>Acho que os dirigentes possuem uma estrutura de perdas e ganhos, isto é, vivem num bem-bom danado, incompatível com uma perspectiva de mudança de médio a longo prazo na organização do fut nacional. Em suma, parece que não há possibilidade de <em>cooperação</em> entre os dirigentes para uma ação coletiva visando o bem-comum de nosso futebol.</p>
<p>Talvez não haja cooperação por causa da forma como se estrutura a competição, desde a esportiva até a política, no Brasil. Na verdade, não temos, na nossa sociedade, uma competição socialmente institucionalizada, do tipo que garanta uma mínima mobilização social e uma mínima igualdade de oportunidades para todo cidadão. O que temos é uma competição selvagem, do tipo pega-pra-capar, sem regras e sem instituições que as mantenham, sem solidariedade alguma, na qual cada um se apega desesperadamente à sua posição, ao pouco que tem ou conquistou, porque senão outro passa por cima, porque senão se lasca!</p>
<p>Quem sabe o futebol simplesmente reproduza  esse tipo de competição… ora, eu pergunto: há de fato competição  esportiva no Brasil? Ora, recentemente, não existia rebaixamento e sim  virada de mesa. A situação melhorou? Não creio… Pois como competir com  um clube membro do Clube dos 13, mesmo rebaixado? Impossível, já que o  poderio econômico virou sinônimo de supremacia esportiva. Claro, os  fatores esportivos e econômicos sempre se misturaram, mas havia entre si  uma relativa distinção, uma relativa autonomia. Atualmente, o problema  tornou-se muito grave: o econômico é a determinação que define e  enquadra a competição esportiva. Dessa forma, os membros do Clube dos 13  têm uma garantia sensacional: mesmo rebaixados, terão uma vantagem  econômica considerável, levando-os rápida e inevitavelmente de volta à  primeira divisão. No fundo, o rebaixamento de um “grande clube” é uma  farsa. O futebol brasileiro parece mais uma gigantesca cadeia alimentar no qual  todos comem todos, sobrando apenas, no final, a bem alimentada CBF e  alguns clubes do eixo sul-maravilha.</p>
<p>Pois é…</p>
<p>Nesse exato instante, a inspiração se escafedeu. Releio o que escrevi e fico em silêncio.  Penso no meu clube e nos seus dirigentes. Erram aos berros e se retratam aos sussuros.</p>
<p>Diz o ditado que o pessimista é  aquele para o qual tudo está perdido, enquanto que o otimista tem fé que  as coisas ainda podem piorar. Eu sou otimista.</p>
<p>Bora curtir a Copa Nordeste.</p>
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		<title>Torcedor-TV, violência e organizadas…</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jun 2010 03:10:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-6399 aligncenter" title="violencia-jogo-morumbi" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/06/violencia-jogo-morumbi-350x315.jpg" alt="" width="350" height="315" /></p>
<p>Escrever sobre o Santinha sem futebol é de lascar. Cadê assunto? Vou escrevendo&#8230; Escrita automática, sei lá, procurando inspiração nalgum canto.</p>
<p>Violência?! Bem, pode ser. Começarei falando sobre esse tema.</p>
<p>Um dia, era inevitável acontecer. O que&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-6399 aligncenter" title="violencia-jogo-morumbi" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/06/violencia-jogo-morumbi-350x315.jpg" alt="" width="350" height="315" /></p>
<p>Escrever sobre o Santinha sem futebol é de lascar. Cadê assunto? Vou escrevendo&#8230; Escrita automática, sei lá, procurando inspiração nalgum canto.</p>
<p>Violência?! Bem, pode ser. Começarei falando sobre esse tema.</p>
<p>Um dia, era inevitável acontecer. O que acontecia em São Paulo agora acontece no Recife. Não temos mais encontros pacíficos entre torcidas organizadas. Ah, saudade de um tempo em que as brigas aconteciam, mas geralmente eram brigas de bêbados. A paz no fut parece um crepúsculo, definhando lá no horizonte. Ao fundo, toca-se um réquiem. Uma vez, vindo de um clássico, presenciei um encontro, digo, uma batalha, entre membros da Fanáutico e membros da Inferno Coral; talvez, menos violenta do que o <em>habitué</em><em> </em>paulistano, mas perfeitamente comparável. Em suma, o vírus da violência já chegou, estando pronto para virar uma epidemia. Só falta uma morte&#8230;</p>
<p>Falando de violência, pensei na televisão. Acho que, por causa de toda essa situação, o fut brasileiro está se transformando numa enorme televisão. Quem tem coragem de ir ao estádio? Não é preferível sentar defronte uma TV e assistir ao jogo na telinha? Não é muito mais seguro? Sem dúvida. Inclusive, podemos presenciar, atualmente, o surgimento do torcedor-tv e, até mesmo, a defesa da telinha como o melhor palco para assistir a uma partida de futebol. O torcedor-tv está para o fut, assim como o espectador-DVD está para o cinema&#8230;</p>
<p>(sinceramente, são chatos os espectadores-DVDs; são os que mais falam nas salas de cinema)</p>
<p>Nada contra; afinal, cada macaco no seu galho, embora ache, pessoalmente, muito melhor o cinema ou o estádio do que o DVD ou a televisão. Na verdade, o torcedor-tv é um produto atávico da violência. Seria um personagem pobre e sem alma. Causa uma certa pena. Naquela relação privada entre o torcedor e a telinha, há um deserto de sentido. Falta graça. Não há estética. Falta comunhão. Não há catarse.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6400" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/torcedor-tv-violencia-e-organizadas/attachment/200023558-001/"><img class="size-medium wp-image-6400 aligncenter" title="200023558-001" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/06/tv-jogo-futebol-350x233.jpg" alt="" width="350" height="233" /></a></p>
<p>(aliás, o torcedor-tv é aquele que aparece nas pesquisas sobre as torcidas).</p>
<p>Futebol é estádio de futebol. O estádio é a ágora das emoções esportivas (uau, blog é inspiração). Faz parte da natureza humana berrar um grito de gol num estádio lotado. A necessidade de ir ao estádio de futebol é a necessidade de beleza que todo torcedor tem na sua alma. Uma necessidade que liberta. Como já se perguntou Carlos Drummond de Andrade: <em></em></p>
<blockquote><p><em>como</em><em> pode ser bárbaro um povo que tem como maior abstração de triunfo o grito de gol</em>?</p></blockquote>
<p>Sou torcedor-tv apenas por necessidade. Uma necessidade que constrange. Quem pode <em>ainda</em> presenciar um Arruda, lotado num clássico,  sabe do que estou falando. E estádio lotado é estádio colorido, repleto de bandeiras e de torcedores uniformizados. Sim, torcedores uniformizados. Não consigo visualizar uma festa de futebol num estádio de futebol lotado sem torcida organizada. Mas, e a violência das organizadas? Bem, a violência&#8230;</p>
<p>Nesse momento, tentarei abordar a relação entre as organizadas e a violência por um ângulo um pouco diferente. Não discutirei especificamente a Inferno Coral, por exemplo, mas sim o problema geral das organizadas. Utilizá-la-ei apenas como modelo e ilustração. Digo logo que já assisti a várias partidas do Santinha junto da Inferno Coral&#8230; Sinceramente, não consigo ter o raciocínio da PM e ver naquela multidão de adolescentes pulando e cantando um ajuntamento de marginais. Não nego que, na torcida organizada, há vários rituais ou comportamentos que estimulam as relações de agressividade; não nego também que tais relações podem se transformar rapidamente em violência, dependendo do contexto. Contudo, não consigo perceber a torcida organizada como uma entidade <em>essencialmente</em> violenta, nem entender o raciocínio correlato de que, acabando com as organizadas, acabaremos a violência nos estádios.</p>
<p>De mil torcedores, se há 50 realmente violentos e arruaceiros, a confusão está formada e, caso haja violência, esta pode se tornar incontrolável. O pavio curto é formado por esse núcleo de torcedores, geralmente pequeno, que funciona invariavelmente como o estopim da violência. E, na maioria das vezes, a violência das organizadas nunca se concretiza, realizando-se num complexo aparato de <em>mise-en-scène</em>, no qual o teatro e a simulação de violência — a &#8220;exibição&#8221; da torcida — parecem ser mais importantes do que propriamente o confronto físico entre as torcidas. De todo modo, acontecendo a violência, o desafio seria tentar <em>individualizar</em> cada torcedor violento da organizada, e não, como é feito pela polícia brasileira, perceber <em>todo</em> torcedor organizado como <em>necessariamente</em> violento. A polícia inglesa produziu tal &#8220;individualização&#8221; com resultados interessantes; a polícia brasileira possui condições técnicas de fazer o mesmo.</p>
<p>Não percebendo a organizada como <em>essencialmente</em> violenta, pode-se não só resgatá-la como expressão legítima dos torcedores, como também pensar numa repressão inteligente, sem ser &#8220;marginalizadora&#8221; — do tipo: é negro, é pobre, logo delinqüente —, às suas manifestações violentas. Pode-se pensar, assim, numa repressão inteligente, mas principalmente propor uma ação pedagógica entre os torcedores organizados. Mas qual é a atual “pedagogia”? Ora, é a “pedagogia” da afronta. Acho horrível aquela fila indiana de adolescentes, cercada de cavalos e PMs, que a gente vê comumente no caminho para o estádio. É uma fila de refugos e o objetivo explícito da polícia é a humilhação. Repressão é confundida com rebaixamento moral. Não é política pública de segurança, pensada e planejada, é preconceito e burrice. Tal conduta só gera mais violência e muito, mas muito mesmo, ressentimento. E ressentimento é o alimento dos violentos.</p>
<p>Tal ação educadora necessitaria de uma ação conjunta do Estado e dos clubes, interpelando as organizadas e imputando-lhes uma função sócio-esportiva. Seria literalmente um resgate. Responsabilização dos clubes, cadastramento dos torcedores, assistência social, reorientação pedagógica dos &#8220;organizados&#8221;, e por aí vai —as organizadas <em>podem ser</em> uma boa mediação entre uma política social e os jovens pobres da periferia. Tudo isso é factível. Só falta vontade política.</p>
<p>O Brasil possui o toque de Midas do monstruoso. Transformou meninos e meninas de rua em perigosas criaturas; transformou boa parte da alegria de um estádio de futebol num pesadelo. Gostaria de ver as medonhas criaturas transformadas novamente em crianças; gostaria de apreciar o espetáculo estético das torcidas&#8230; em paz. Repito: tudo isso é factível, só depende de vontade política. Sei, sei, vamos esperar sentados&#8230;</p>
<p>Enfim&#8230;</p>
<p>&#8230; saindo de um clássico, perguntei uma vez a um membro da Inferno:</p>
<p>-Vocês sabem quem faz as arruaças?</p>
<p>-Sabemos, sim&#8230;</p>
<p>(aposto que todo mundo sabe&#8230;)</p>
<p>-Então, por que não denunciam os cabras pra polícia?</p>
<p>-Tá louco, meu chapa? Pra quê? Pra levar porrada da PM?</p>
<p>Eis a questão, tricolores.</p>
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		<title>Chorarei por ti, Argentina</title>
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		<pubDate>Fri, 28 May 2010 03:05:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6297" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/chorarei-por-ti-argentina/attachment/tango/"><img class="size-full wp-image-6297 aligncenter" title="tango" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/05/tango.jpg" alt="" width="394" height="339" /></a></p>
<blockquote><p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Nota da redação:</strong></span></p>
<p>Amanhã, o <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a> publica uma imperdível entrevista exclusiva com Rivaldo. O craque fala sobre seleção brasileira, Santa Cruz e muita mais. Rivaldo, provocado pelo <a href="http://www.torcedorcoral.com/">TC</a>, não descarta a possibilidade de fazer</p></blockquote><p>&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6297" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/artigo/chorarei-por-ti-argentina/attachment/tango/"><img class="size-full wp-image-6297 aligncenter" title="tango" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/05/tango.jpg" alt="" width="394" height="339" /></a></p>
<blockquote><p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Nota da redação:</strong></span></p>
<p>Amanhã, o <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a> publica uma imperdível entrevista exclusiva com Rivaldo. O craque fala sobre seleção brasileira, Santa Cruz e muita mais. Rivaldo, provocado pelo <a href="http://www.torcedorcoral.com/">TC</a>, não descarta a possibilidade de fazer um jogo de despedida no Arruda (acorda, diretoria!) e nem mesmo de se tornar futuro presidente do Santa Cruz.</p></blockquote>
<p>Faço parte de uma geração que viveu sob a hipnose de Maradona. Talvez, por isso, meu temor instintivo pela Argentina. Jogar contra os &#8220;lourinhos&#8221; sempre me causou calafrios de medo. Uma vitória contra nossos &#8220;hermanos&#8221; sempre foi uma espécie de redenção, algo para acalentar durante anos. Uma derrota, e meu paladar ficava com gosto de fel, a vida, um vazio, tendo a certeza de que Crom (o deus cruel e cínico dos cimérios) era o Deus do Futebol.</p>
<p>A geração de meu pai viveu sob os auspícios da Era Pelé. Uma geração orgulhosa e altaneira que olha com certo desdém o &#8220;fut moderno&#8221;. São brasileiros que viveram de 58 a 70 (12 anos) uma supremacia mundial inconteste (66 foi apenas um equívoco). Os &#8220;velhos&#8221; tinham um certo medo atávico do Uruguai, produto das conseqüências na alma futibeira da catástrofe de 50, mas nada que pudesse representar uma fobia. Nós herdamos dessa geração um certo ufanismo em relação ao nosso futebol: uma crença inabalável na superioridade do fut brasileiro. O futebol jogado era tão bom que se relevava os amadorismos de nossos dirigentes, tão ruins quanto os atuais, mas talvez menos gananciosos.</p>
<p>Minha consciência futebolística surgiu a partir da copa de 74, justamente quando perdemos nossa hegemonia e os europeus igualaram o jogo. Nessa copa, ganhamos da Argentina (2&#215;1), e recebi tal vitória como um fato perfeitamente natural. Na minha &#8220;memória&#8221; de criança, os argentinos não tinham &#8220;tradição&#8221; e eram supostos fregueses do Brasil (a história dos confrontos mostra que o negócio não era bem assim). A culpa do fracasso em 74, pra mim, não tinha como causa a superioridade de uma Holanda, uma Alemanha ou mesmo uma Polônia, e sim um nome: Zagallo. Não entendia por que o time era tão defensivo e apresentava um jogo tão obscuro. Só podia ser o técnico &#8211; aliás, raramente se admite a superioridade de um time em relação ao Brasil, a culpa cai invariavelmente no técnico.</p>
<p>Em 78, com a vitória argentina, comecei a revisar as minhas convicções, embora acalentasse a desculpa de que a Argentina, por meio de sua ditadura, tinha comprado a equipe do Peru, em particular o seu goleiro, naquele inverossímil 6&#215;0 contra os peruanos. Culpei, de novo, o técnico, dessa vez Cláudio Coutinho, e não acreditei de forma alguma na sua balela de &#8220;campeão moral&#8221;. No jogo contra a Argentina, estava na cara que eles estavam tremendo diante de nós, e não precisava tanta prudência, tanta cautela, tanto Chicão no meio do campo.</p>
<p>Em 82, senti um pouco o que meu pai sentira em 50: a sensação do completo absurdo; a impossibilidade se fazendo presente. Compreendi que o imponderável existia e que gostava de pregar peças de mau gosto. Voltei a considerar a Argentina como parte da nossa freguesia, depois do banho de bola que lhe demos (3&#215;1). E olhe que eles tinham um timão! Maradona me pareceu um jogador cheio de fricote e não o gênio alardado pela crônica argentina. Vivia a Era Zico e não acreditava que pudesse existir um jogador melhor do que o &#8220;Galinho&#8221;.</p>
<p>Mas, depois do &#8220;desastre de Sarriá&#8221;, algo veio se quebrando, algo tinha se quebrado dentro de mim. A crença inabalável na superioridade da canarinha tinha se escafedido. Passei a ficar inseguro e deixei de acreditar na geração de Zico, Sócrates &amp; Companhia. Sendo ateu, mas profundamente supersticioso em futebol, acreditei que essa geração de jogadores, a minha geração de jogadores, era amaldiçoada.</p>
<p>Em 86, assisti ao melhor jogo de futebol da minha vida: França x Brasil. Nos pênaltis, já sentia o imponderável novamente em ação; mas, não senti tanto a derrota, como em 82, pois estava conformado misticamente, bem como sabia que, diante da canarinha, estava um timaço. Por ironia, perdemos de uma geração também amaldiçoada: a geração Platini. Não exatamente uma maldição dos deuses, mas sim germânica (a França perdeu duas semifinais diante da Alemanha). Inclusive, os franceses, já complexados com tantas derrotas militares ante os alemães, passaram anos tendo pesadelos futebolísticos, caracterizados por forte  impregnação emocional teutônica.</p>
<p>Mas, foi na copa de 86 que presenciei, deslumbrado, a exibição do maior jogador que já vira na minha vida: Maradona! Tinha visto Pelé jogar umas duas vezes (contra o Santa Cruz e o Náutico, em 73 e 74, respectivamente), mas era muito pequeno pra me impressionar com o negão. Tinha visto Zico jogar várias vezes, sem dúvida um cracaço, mas Maradona ultrapassava o próprio conceito de craque, ia bem além disso. Passei a acreditar que Deus, decididamente, era&#8230; argentino.</p>
<p>Em 90, sabendo que íamos jogar contra os argentinos de Maradona, dei-me os pêsames de antemão e comecei a trabalhar emocionalmente a perda de mais um mundial. Tomei como um fato da Natureza o gol da Argentina: Maradona passar por Dunga e driblar todo o nosso sistema defensivo me pareceu uma coisa tão natural como o amanhecer ou o anoitecer. Maradona disse depois que foi um milagre ganhar, naquela ocasião, do Brasil. Foi uma profunda ironia do portenho: o milagre era ele mesmo&#8230;</p>
<p>Em 94, respirei aliviado &#8212; mas, meio envergonhado, já que, como brasileiro, amo odiar os argentinos (já os &#8220;lourinhos&#8221; odeiam amar os brasileiros) &#8212; pela eliminação do, até então, melhor time da copa: os argentinos de Maradona. Não tinha parreirismo que contivesse uma Argentina com Maradona; Dunga seria driblado novamente e inevitavelmente &#8212; é uma Lei Cósmica. E ganhamos a copa, nós brasileiros de Romário&#8230;</p>
<p>Hoje, a Argentina não tem mais Maradona &#8211; este vinha desaparecendo como pessoa, somente restando o mito. Confesso que não tenho tanto receio assim dos argentinos. Mas algum medo ainda subsiste, uma espécie de fatalismo que carcome meu estômago toda vez que jogamos contra a Argentina. Quase uma década de Maradona deixa qualquer um complexado. Contudo, com a idade e assistindo à padronização da mediocridade futebolística em escala planetária, tornei-me um futebófilo, <em>mutatis mutandis,</em> uma espécie de enófilo (apreciador do vinho), degustando o futebol bem jogado e que apresente algum espetáculo. Isso significa que o antigo medo foi sublimado em admiração por um estilo de futebol que tenta, ao contrário do nosso, respeitar uma tradição. Maradona não é genial como técnico, muito pelo contrário, mas tenta, dignamente, manter o estilo tradicional da Argentina. Não causa surpresa que tenha convocado 6 atacantes e, no meio-campo, volantes que são armadores e meias habilidosos, como Jonás Gutiérrez (Newcastle, da Inglaterra), Ángel Di María (Benfica, de  Portugal), Javier Pastore (Palermo, da Itália), Mario Bolatti  (Fiorentina, da Itália) e Maxi Rodríguez (Liverpool, da Inglaterra).</p>
<p>E tem Messi, é claro.</p>
<p>Enquanto isso, Dunga convocou 7 volantes e 4 atacantes &#8212; sem Ganso, evidentemente. Dá uma tristeza no coração&#8230;</p>
<p>O Clarín, jornal de Buenos Aires, anunciou ao mundo: &#8220;la Selección recuperó su estilo&#8221;!</p>
<p>E eu não estou mais morrendo de medo por isso&#8230;</p>
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