2 jul
O termo liderança é mais fácil de ser observado do que definido, talvez, por isso, suas constantes redefinições. Para alguns, o conceito de liderança é sobrevalorizado enquanto para outros é desprezado. Os que valorizam o termo identificam na figura do líder o verdadeiro responsável pelas transformações; os que ignoram preferem priorizar o conceito de coletividade, atribuindo ao papel social à apropriação da mudança de comportamento.
Não restam dúvidas que a participação coletiva, democrática, traz maiores benefícios, assim como se sabe que todo processo de mudança, seja ele positivo ou negativo, tem sempre a presença de um líder com maior ou menor poder de liderança.
No futebol, como em qualquer outro mercado, a figura de um líder é fundamental, haja vista a competitividade cada vez maior existente. Entretanto, é importante destacar que não apenas nas vitórias, mas também nas derrotas, existe a figura do líder, o que demonstra que o êxito da liderança depende da forma com que ela é exercida.
Há anos o Santa Cruz segue uma via-crúcis de involução. Dentre os vários fatores para a triste realidade a que chegou, a questão político-institucional merece destaque e, neste contexto, há falta de um líder que exerça uma liderança construtiva. As razões para a escassez de um líder em um Clube tão popular quanto o nosso, sem dúvida, pode estar relacionada à forma política de administração exercida no Clube.
Nos anos setenta, o colegiado, por muitos aplaudido, criou um grupo restrito que mandava e desmandava no Clube. As oportunidades de acesso e inserção de novos membros na organização eram restritas. Deste grupo, restam Rodolfo Aguiar, João Caixero e José Nivaldo de Castro. O primeiro, talvez o grande líder do colegiado, permanece com os mesmos conceitos da década de setenta, embora o mundo todo tenha se modificado e o clube expandido em todos os sentidos. O segundo, considerado o líder do planejamento e da execução das obras no período áureo do Santa Cruz, acabou “assumindo” o clube na perda do hexa e um cargo na diretoria à época do fatídico jogo contra o Bahia. Hoje, trinta anos depois, os dois ainda estão inseridos no Clube.
O colegiado reinou absoluto por vários anos. Enquanto esteve presente conseguiu ótimos resultados à custa de um futuro de decepções. Poucos opositores eram capazes de enfrentar o ¨poderio¨ do colegiado. Um dos primeiro foi justamente um ex-membro, o terceiro citado, José Nivaldo de Castro. Este assumiu juntamente com Sylvio Belém, Tácio Maciel e outros a liderança de ser oposição à Rodolfo Aguiar, Vanildo Ayres e Cia. Mas, foi apenas com a renúncia de Aristófanes de Andrade e a posse de José Neves (que trouxe Tácio Maciel e José Nivaldo de Castro para a sua gestão) que a Era Colegiado teve seu fim. Jovem à época, José Neves exerceu sua liderança durante três mandatos. Conquistou dois importantes títulos e a rejeição de parte significativa da torcida.
Nos anos noventa, novas caras pintaram. Nomes como os de Mirinda, Luiz Arnaldo, Edelson Barbosa e Jonas Alvarenga foram lançados à presidência do Clube. Nenhum deles, apesar de gozarem de relativo prestígio, foi capaz de realizar o “dízimo” da contribuição que deram em suas empresas particulares. Conseguiram, sim, o status pessoal de ter sido presidente do seu Clube de coração. Apenas isso. Hoje, seus nomes ainda são lembrados, embora nenhum seja capaz de aglutinar tricolores em busca de um objetivo comum, o que demonstra o perfil de liderança que exerceram. Como muitos destes gostam de afirmar: ¨já deram sua parcela de contribuição¨.
Na década atual, Romerito e Édson Nogueira foram dois novos nomes surgidos no Clube das Multidões. Ambos, porém, não compreenderam que a liderança deve ser exercida com respeito, de forma natural, e que, quando não ocorre desta forma, não se consegue inspirar, motivar e ter o mínimo de consideração daqueles que representam.
Enfim, durante todo este período, a ausência de um líder que exercesse a liderança, que o seu poder de presidente lhe imputa em benefício da instituição, foi constatada. Por outro lado, os grupos de oposição formados (poucos) também se ressentiram da falta de um líder. Na antepenúltima eleição do Mais Querido o candidato da oposição afirmou desconhecer o nome da entidade que organizava o campeonato que o Santa iria disputar (série B), demonstrando um profundo despreparo para o cargo. Em eleição anterior a esta, o candidato de um grupo de oposição retirou a sua candidatura sem nem sequer comunicar aos seus aliados da oposição. Por fim, na última eleição, quando finalmente um grupo de ¨oposição¨ conseguiu vencer uma disputa eleitoral, acabou ajudando a eleger o pior presidente da história do Santa Cruz…
Atualmente, a liderança de um grupo de oposição assume pelo nome de Fernando Veloso. O representante-mor do Grupo Ninho das Cobras, que apoiou fortemente a candidatura de Edson Nogueira, é o mesmo que, na segunda oportunidade que teve, se tornou o porta-voz da torcida na ânsia de retirar o pior presidente da história do Clube. Outra liderança surgida recentemente atende pelo nome de Fred Arruda que, sem dúvida, goza de maior prestígio junto à torcida (e até de ex-presidente). Fred, que muitos queriam para presidente do executivo, afirmou que gostaria de ser presidente do Conselho Deliberativo (o órgão máximo deliberativo do Clube). O resultado é que seu nome foi lançado para a Comissão Patrimonial. Lá, ele perde o direito de ser uma voz ativa nas mudanças que o Clube tanto precisa e que a torcida quer.
Em dezembro, ocorrerá mais uma eleição. Muitos, como eu, devem estar se perguntando se terão que votar novamente contra um presidente e não a favor de um candidato. Ou seja, se terão que votar para retirar Édson Nogueira e ¨seu colegiado¨ do poder ou para eleger um presidente que esteja voltado para o Santa Cruz. A resposta, sinceramente, eu ainda não tenho.
Legitimidade de se candidatar todos os sócios-tricolores têm, inclusive, o presidente atual. No entanto, é preciso que os grupos de oposição tenham ciência da necessidade de uma mudança radical na forma de liderança exercida até então. Mais do que nunca é preciso delegar e não centralizar. É preciso um rompimento total a forma política institucional vivenciada durante anos no Clube. É Preciso uma rescisão às oligarquias e aos colegiados.
É preciso que o novo presidente consiga se ver como parte do problema existente (e não como um salvador). É fundamental estar em constante sintonia com a torcida; é preciso falar menos e ter mais atitude; é preciso transmitir confiança e não ilusões; é preciso ter liderança, servir de espelho, e conquistar o respeito da maioria, caso contrário, terá apenas um bando de tolinhos olhando para si, sem saber qual a direção seguir.
Eu, mesmo, já fui tolinho uma vez, e não gostei. Desta vez, não votarei apenas em propostas. Espero, ao menos, votar em favor de um candidato da oposição. Embora, ainda não me sinta representado na chapa lançada.
30 jun
Numa semana que eu nunca pensei que viveria em termos de futebol, senti que o Santa Cruz é a cruz que carrego. Não é o fato da coisa ter ganho a Copa do Brasil, claro que isso me deixou puto, mas é o fato do porquê essas coisas não acontecem conosco. Passei dois dias refletindo sobre isso e, infelizmente, fiquei mais apavorado ainda.
Gente, não é inveja, mas, é impossível não comparar. O que a coisa tem que nós não temos? Nossa torcida é maior e mais apaixonada que a deles. Nosso estádio é maior e melhor que o penico deles. E, porque estamos assim e eles não? Simples de responder amigos. O futebol de hoje em dia só é feito se existir uma premissa básica: profissionalismo. Claro, estamos falando de futebol e fatores como torcida, sorte e juiz, por exemplo, interferem diretamente, mas, no fundo, nenhum desses fatores dura para sempre, e, apenas o profissionalismo pode conduzir um clube de futebol por bons e sólidos caminhos.
A coisa está na libertadores. Podemos usar isso como desculpa para nos curvarmos e desde já pensarmos e agirmos como se eles já fossem campeões pernambucanos nos próximos 10 anos? Claro que não! O que dizer de Santo André, Paulista, Payssandu, Paraná, Juventude e São Caetano. Todos ganharam fortunas na libertadores e hoje onde estão? Quantos deles foram campeões estaduais nos últimos 5 anos? Quantos estão na primeira divisão? Ou seja, meus amigos, ter dinheiro não é garantia de vencer, ser competente sim é ter grande chance de vencer, porém, ser competente e ter dinheiro, é a certeza de vencer.
Falando em dinheiro, por que nós não temos? Porque somos tidos como uma instituição falida? Gente, somos falidos financeiramente como conseqüência das nossas falências administrativas e de nossa falência de credibilidade. Alguém de nosso blog investiria novamente em uma nova empresa de criação de avestruzes, mesmo que a nova empresa fizesse forte campanha publicitária? Alguém investiria num clube que não honra compromissos nem contratos e desfaz uma ordem como se estivesse jogando um saco de lixo para fora?
Eu leio dia após dia em blogues idéias de como arrecadar dinheiro para nosso Santa. São idéias muito boas e boladas com amor, carinho e principalmente, com o espírito de ajudar nosso Santa. Porém, cada vez que vejo uma idéia dessas, eu fico lembrando das festinhas de adolescente que eu organizava em minha rua, onde cada um levava um pratinho e uma coca. Gente, nós somos um time de futebol profissional. Não podemos estar vivendo na base de almoço de adesão (cada um da R$ 100,00 para ajudar a contratar Zumbi), na base da ajuda de governo (Todos com a nota), na base de colocar urna nas entradas dos jogos para tricolores doarem o que podem, enfim, o futebol deve gerar receitas para se manter.
Imaginem que exista uma fábrica de camisas, por exemplo, onde a cada sexta feira, se fizesse uma cota entre os sócios e se passasse um chapéu entre os funcionários da produção para arrecadar dinheiro para comprar o tecido que produzirá as camisas da semana seguinte. Existe chance dessa empresa ir para a frente? Bom, futebol é o nossa camisa, jogadores são nosso tecido, os funcionários e sócios da empresa somos nós, que perdemos o sono e tiramos dinheiro de nosso bolso, mesmo sem tê-lo, muitas vezes, para ajudar.
Sendo o Governo do Estado e as doações (incluo em doações a CELPE, jantares de adesão, vendas de chaveiros, urnas em porta de estádio, saco de cimento para reforma da concentração de juniores, telão coral, quinta santa, etc) nossas principais fontes de renda, chega a hora de perguntar a vocês a mesma pergunta que me tira o sono nesses últimos dias: O que acontecerá se o Governo mudar e acabarem o Todos Com a Nota? O que acontecerá se cansarmos ou desistirmos de doar tanto? Todos nós conhecemos tricolores que não faltavam a um jogo sequer e desde o rebaixamento no ano passado não pisam mais no Arruda. Esses já pararam de doar. E quando vários outros também pararem?
Não estou com isso querendo dizer que coloquem o escorpião no bolso e deixem de pagar ao clube. Mas, como “apenas” torcedores (ou alguém daqui é diretor ou exerce algum cargo no clube?) podemos ajudar o clube, mas, nunca podemos ser o arrimo financeiro do clube. Gente, apenas jogando futebol, a coisa por causa de um campeonato bem disputado, vai para a libertadores e vai botar mais de 10 milhões no bolso até lá, apenas por isso. O que tem que manter o Santa Cruz é o futebol e as receitas por ele gerado ( tipo sócios, já que não temos sede nem vida social no clube, o cara que se associa é para assistir aos jogos mesmo), não a filantropia.
Estamos esperando outro James Thorp que injetará milhões aqui, salvará tudo e fará a Arena Coral? Isso não existe mais no futebol. E, mesmo que existisse, para que dinheiro sem o mínimo de profissionalismo, organização e métodos para geri-lo? Não se esqueçam que James Thorp colocou dinheiro, mas, a base do nosso time penta-campeão foram nossos juniores reforçados de grandes jogadores. Gestão, mesmo com dinheiro para derramar. Como perdemos a Parmalat? A Parmalat deu títulos ao Palmeiras depois de mais de 10 anos de jejum. Ao juventude? Deu inéditos títulos gaúchos e até Copa do Brasil. E, esses campeonatos renderam frutos ao ponto de manter um time sem torcida durante mais de 10 anos na primeira divisão. E para nós? A Parmalat não trouxe nada nem deu nada. Sabem por quê? Porque ninguém investe seu dinheiro para ser mal gerido. Gerar receita é fácil, para quem é bem administrado.
Para encerrar, estarei junto com alguns grandes amigos em Campina Grande, de onde trarei um relato completo sobre a excursão e sobre o jogo.
Já ia esquecendo, esse Patrick que foi contratado joga bola, desde que Bob Esponja venha junto!!
11 jun
Meditando sobre o diminutivo, foi impossível não pensar, de forma geral, no futebol brasileiro. Sim, penso sobre o diminutivo. Sei que é meio besta, mas o cabra virou um carma para qualquer tricolor, além de um baita pesadelo, é claro. Talvez, por isso, sinta-me ultimamente tão descerebrado. É difícil pensar. Dói a cabeça e dá azia. Tomo, inclusive, antiácido para aplacar a úlcera de raiva que acomete meu estômago. Aliás, tomei uma dose, agora, para escrever essa crônica.
Bem, do que falava mesmo? Ah, sim, do diminutivo… Vejam, generalizando o problema diminutívico, creio que o pano de fundo de todo essa confusão relaciona-se a essa pergunta: por que o futebol brasileiro é tão bagunçado? Sei, sei, é a pergunta óbvia que todo torcedor faz todo dia, mas é, reparem bem, a pergunta que possui todas as respostas possíveis, continuando por isso mesmo, mais do que nunca, uma… pergunta. Assim, embora a questão seja óbvia, não se consegue, apesar disso, esclarecer o que justamente salta à vista. E, quando o óbvio continua irrespondível, seria porque já não se está diante de um fato evidente por si mesmo, e sim diante de um… mistério – o que é óbvio! Sim, a bagunça de nosso futebol é um mistério. Seria aquela esfinge sacana, nascida das entranhas de Macunaíma e não das de Zeus, que não propõe enigma algum, apenas imediatamente devora os incautos.
Um dos tipos de incauto mais devorado pela esfinge de nosso futebol – por isso, de gosto vulgar e um tanto insosso – é aquele que tenta reduzir o problema da bagunça a uma questão de competência. Assim, os dirigentes teriam um problema de qualificação ou mesmo de… burrice. Sim, sim, muitas vezes é isso mesmo; de fato, fica-se pasmo diante da infinita burrice de nossos dirigentes, embora não se saiba, muitas vezes, se realmente estamos diante de “uma obtusidade córnea ou de uma má-fé cínica”, como dizia Eça de Queiroz. E burrice, convenhamos, é um fator importante que deve ser levado em conta; afinal, como dizia Nélson Rodrigues,
“Já fizeram o elogio da loucura e ninguém se lembrou ainda de fazer o elogio, muito mais procedente, da burrice. Ninguém observou o óbvio: a burrice influi muito mais no comportamento humano do que o fator sexual, ou econômico ou outro qualquer”.
E, sem dúvida, muitos dirigentes poderiam ser mais competentes do ponto de vista administrativo. Mas, se o problema é de competência administrativa, por que há tanto dirigente competente na sua empresa, por exemplo, completamente perdido nos clubes? Não acho incompetentes, por exemplo, um Ricardo Teixeira, um Eurico Miranda e quejandos. Sabem muito bem administrar, principalmente seus interesses. E não são burros, muito pelo contrário! Podem ser safados, mas sabem o que fazem. E aí é que tá: se sabem o que fazem, por que suas ações são tão nocivas ao futebol nacional? Ora, mesmo um ditador gostaria que sua ditadura fosse um sucesso, e não um fracasso político que arriscasse seu poder. Não acho, sinceramente, que o caos interesse a ninguém, nem mesmo ao Clube dos 13.
Um outro incauto, geralmente devorado pela esfinge, é aquele, como o escrevinhador que vos escreve, que reduz o problema da bagunça a uma questão de poder. Certo, tal posição possui alguma coerência, pois quem domina, de fato, o futebol é uma matilha muito bem incrustada no comando de nosso futebol e, provavelmente, este mudará pra melhor assim que a corja escafeder-se. Contudo, o poder não explica tudo; afinal, não há, em princípio, uma incompatibilidade entre uma canalha autoritária e um futebol rico e exuberante. Os dirigentes da UEFA não são exatamente anjinhos, mas conseguem organizar e patrocinar grandes campeonatos; o mesmo raciocínio vale para a FIFA e também para os dirigentes ingleses, organizadores do maior campeonato nacional de clubes do mundo. O mundo do futebol é um mundo autoritário no mundo inteiro, sendo um galinheiro cheio de raposas, e nem por isso é um poleiro esculhambado como o futebol brasileiro.
(Havelange é um excelente exemplo: tipicamente brasileiro, utilizou a mesma concepção de poder na CBF e na FIFA. Na primeira, desorganizou e deixou uma herança que ainda assombra como um pesadelo a organização do nosso futebol; na segunda, sucesso total, embora completamente autoritário)
Assim, o que tem de errado no (exercício do) poder de nossa matula que não consegue organizar um futebol pentacampeão do mundo? Por que, podendo montar um campeonato razoavelmente organizado e, assim, ganhar uma tulha de dinheiro - muito mais do que ganham atualmente -, fazem justamente ao contrário?
Não sei. Realmente, não sei.
Sei que é do interesse geral, inclusive dos dirigentes, um futebol brasileiro organizado. Parece que, individualmente, os dirigentes brasileiro não conseguem superar seus interesses particulares e realizar o interesse geral; parece que há um conflito entre o interesse particular da maioria dos dirigentes e o interesse dos dirigentes em geral. Os dirigentes assemelham-se a “irmãos inimigos” ou “falsos irmãos”, sendo incapazes de uma ação coletiva em prol do bem-estar geral do futebol nacional.
Parece que a situação é tal que seria mais vantajoso, para um dirigente, realizar seus interesses particulares, mesmo que isso corresponda à piora do futebol brasileiro, do que os interesses gerais do nosso futebol, inclusive dos próprios dirigentes. Nesse sentido, Eurico Miranda é uma figura emblemática: luta com unhas e dentes pelos seus interesses particulares, geralmente confundidos com os interesses do clube da Colina, mas pouco está se lixando com a situação geral do futebol tupiniquim.
Tal situação, se realmente existe, impediria uma ação coletiva eficiente, resultando nesse arremedo de Liga que é o Clube dos 13, que afunda aos poucos o futebol nacional, eliminando clubes tradicionais através da asfixia econômica. Parece que o dirigente brasileiro raciocina do seguinte modo: “já tenho meus benefícios aqui onde estou, será que não vou arriscar minha posição juntando-me a outras serpentes (ops! dirigentes) na tentativa de mudar de fato o futebol brasileiro?”
Acho que, apesar da crise geral, os dirigentes possuem uma estrutura de perdas e ganhos, isto é, vivem num bem-bom danado, incompatível com uma perspectiva de mudança de médio a longo prazo na organização do futebol nacional. Em suma, parece que não há possibilidade de cooperação entre os dirigentes para uma ação coletiva visando o bem-comum de nosso futebol. Além do mais, essa estrutura de perdas e ganhos começa dentro dos clubes; por isso, não causa surpresa que, apesar da falência geral, os dirigentes adoram perpetuar-se no poder. Nosso brasão, afinal, não é “clubes falidos, dirigentes ricos”?!
Outra hipótese seria a seguinte: talvez não ocorra cooperação por causa da forma como se estrutura a competição, desde a esportiva até a política, no Brasil. Na verdade, não temos, na nossa sociedade, uma competição social institucionalizada, do tipo que garanta uma mínima mobilização social e uma mínima igualdade de oportunidades para todo cidadão. O que temos é uma competição selvagem, do tipo pega-pra-capar, sem regras e sem instituições que as mantenham, sem solidariedade alguma, na qual cada um se apega desesperadamente à sua posição, ao pouco que tem ou conquistou, porque senão outro passa por cima, senão se lasca!
Talvez o futebol simplesmente reproduza esse tipo de competição… ora, eu pergunto: há de fato competição esportiva no Brasil? Ora, recentemente não existia rebaixamento e sim virada de mesa. A situação melhorou? Não creio… Pois como competir com um clube membro do Clube dos 13, mesmo rebaixado? Impossível, já que o poderio econômico virou sinônimo de supremacia esportiva. Claro, os fatores esportivos e econômicos sempre se misturaram, mas havia entre si uma relativa distinção, uma relativa autonomia. Atualmente, o problema tornou-se muito grave: o econômico é a determinação que define e enquadra a competição esportiva. Dessa forma, os membros do Clube dos 13 têm uma garantia sensacional: mesmo rebaixados, terão uma vantagem econômica considerável, levando-os rápida e inevitavelmente de volta à primeira divisão. No fundo, o rebaixamento de um “grande clube” é uma farsa.
Penso que toda essa questão seja também um problema de mentalidade. Contudo, uma mentalidade muito difícil de mudar, até mesmo porque os ares da época não permitem. O mundo não é o predomínio absoluto do dinheiro, do imediatismo e do grande mercado? As idéias portadoras de projetos coletivos não se escafederam – mesmo as mais banais, do tipo igualdade de oportunidades no futebol brasileiro? O realismo, esse amável cinismo cotidiano, não nos agrada tanto?
(…)
Pois é… Depois desse passeio, volto ao diminutivo. Releio o que escrevi e fico em silêncio. O diminutivo erra aos berros e se retrata aos sussuros. Diz o ditado que o pessimista é aquele para o qual tudo está perdido, enquanto que o otimista tem fé que as coisas ainda podem piorar. Eu sou otimista.
Em 2007,
meu medo foi ultrapassado pelo insuportável,
o insuportável, pelo inacreditável,
o inacreditável, pelo impensável…
Em 2008,
nada impede que o impensável venha a se tornar inevitável.
6 jun
Encontrei um amigo tricolor na saída do trabalho e ele veio feliz da vida comentar que o Torcedor Coral assumiu o primeiro lugar entre os blogues esportivos pernambucanos no ranking da Technorati, segundo o Acerto de Contas.
- Quer dizer que agora vocês têm mais acessos do que o Blog do Santinha?
- Er… Bem… Ainda não. Mas olha que os caras já estão ficando preocupados!
- Ah! E o que significa então esse ranking, hein?
Tive dificuldade em explicar de forma simples o seu significado. A melhor forma que encontrei foi essa.
- Camarada, o ranking da Technorati mede o cinismo! Somos agora o blog esportivo mais cínico de Pernambuco!
- Puxa!
É isso aí. Agora é só manter a liderança. E liderança se mantém trazendo mais cínicos para o blog.
Há tempos o Torcedor Coral tornou-se um blog nacional, pois espalhou correspondentes nas praças esportivas - e em outros locais - mais importantes do país, como a Praça de Casa Forte, a praia de Intermares, na Paraíba, e um sítio em Varginha, Minas Gerais. Aliás, a escolha de Varginha foi estratégica. Lá, pretendemos construir a nossa base para um contato imediato do terceiro grau com extraterrestres. A idéia é, no futuro, levar o nome do Santinha para todas as galáxias. Seremos os verdadeiros galácticos!
Mas, antes do universo, é preciso conquistar o mundo. Para entender melhor o processo de modernização que atravessa o Santa Cruz, era necessário fincar raízes no velho continente, pois lá certamente se encontram os clubes que tanto inspiram a diretoria coral.
E foi isso o que fizemos. O Torcedor Coral tornou-se um blog altamente internacional com a contratação do nosso correspondente Bosquímano, que passa a transmitir informações e opiniões controversas diretamente da Espanha.
O contrato de Bosquímano foi fechado semana passada e teve grande repercussão na imprensa espanhola, além de afetar a bolsa de valores de Intermares.
A negociação foi conturbada, pois o nosso correspondente exigia salário em Euro ao invés de Merreca, a moeda oficial do Torcedor Coral. Outro ponto polêmico foi a liberdade de imprensa. Bosquímano lutou pelo direito de defender o presidente do Santa Cruz, nem que fosse apenas de sacanagem. Democraticamente, concedemos a autorização, desde que o autor, em seus artigos, se referisse ao presidente do clube como cabeção. Finalmente, todos os impasses foram resolvidos com a chegada de seu procurador ao Brasil, que assinou o contrato sob o efeito de Rivotril com coca-cola.
Bosquímano, ou João Bosco Filho, é quase engenheiro mecânico, pois largou engenharia no quarto ano para fazer comunicação. Formado em jornalismo, partiu para Espanha no dia em que se confirmou a queda do Santa Cruz para a Série B, em 2006. Atualmente, Bosco faz um máster em sociologia, sobre democracia participativa. Pretende um dia criar um desenho institucional participativo no Santinha, já que seu tema de pesquisa sempre foi o futebol. Garante que futuramente escreverá sobre participação e futebol, tendo como exemplo o glorioso Santa Cruz, sob a cínica orientação de Artur Perrusi.
Com a chegada de mais um grande cara-de-pau, o Torcedor Coral se firma no mundo virtual como uma verdadeira usina de cinismo, para desespero dos tolinhos.
Ao amigo Bosquímano, bem-vindo e aquele abraço,
Dimas Lins
Bosquímano
Quando recebi o desinteressado e-mail de Dimas perguntando como ia a minha vida na Espanha, se estava tudo bem e tal, entendi de cara do que se tratava. Claro, Perrusi havia acabado de me avisar que um convite para colaborar com o Torcedor Coral estava no prelo. A verdade é que o troço foi mais rápido do que pensava. Nem 15 minutos depois do aviso, chegou o e-mail de Dimas.
O convite foi aceito, não sem antes negociarmos algumas questões. Tinha minhas exigências, entre as quais receber meu ordenado em euros, rotundamente negada; e a possibilidade de defender o diminutivo, prontamente aceita. Por amor a camisa e para que não me chamem de mercenário, aceitei as condições oferecidas e aqui estou sem saber muito bem o que escrever. Queria aprofundar o debate político do clube, mas tenho certo receio em fazê-lo sendo um observador distante e míope. Mas deixemos de enroladas e vamos ao que interessa.
Resolvi começar no Torcedor Coral aproveitando o eco do debate tolinhos/canalhas. Parafraseando Chico Buarque - que é tricolor, porém um tricolor muito mais feliz que a gente ultimamente - quero propor um texto “bem pra frente, dizendo realmente o que é que eu acho”.
Acho que a terceira divisão está aí e não podemos ficar nos separando mais em grupos políticos. Isso será o fim do Santa. O que precisamos é de união. A união faz mais que açúcar, companheiros. Essa união nos tornará capazes de dar o passo adiante. Estamos à beira do abismo! Necessitamos a união de tod@s, eu disse TOD@S, os tricolores, independente de posições políticas ou preferências clubísticas.
O Patinho outro dia perguntou, em tom de desafio: houve algum presidente melhor que zé neves e romerito nos últimos 20 anos (pelo menos em questão de resultados)? Acho que não. O primeiro ganhou três títulos, trouxe Jacozinho e fincou a bandeira no centro do campo da coisa, aliás, esse apelido também é obra dele. O segundo, foi campeão depois de nove anos e nos levou à primeira divisão. Só não foi bi no ano seguinte, graças a uma armação ilimitada que culminou com o pênalti perdido do Lecheva. Se, neste mesmo ano, nos devolveu à segunda, não foi por sua culpa, foram os ecos da tal armação ilimitada que ainda soavam pelo Arruda. Agora, na pior crise, mesmo tendo sido achincalhados por uma torcida desmemoriada, querem voltar pra ajudar. Não podemos, portanto, desprezar a experiência dessas pessoas que tanto fizeram pelo Santinha, mesmo que não concordemos com eles. Isso é fazer política também.
Acho que Edinho, que dizem não ser tricolor de verdade, também não é o único culpado de todo o descalabro. Fez algumas besteiras, é fato, mas recebeu uma herança maldita da armação ilimitada. Tentou sim jogar com a torcida, abrir o clube à participação dos torcedores. Quem não lembra o “marreta na mão e o Santa Cruz no coração”? Além do mais, chamou a torcida a participar da campanha da Celpe, nós é que não fomos, sobretudo depois de umas três derrotas seguidas. A maior prova de amor de um tricolor de verdade não é beber a maravilhosa cerveja frevo. Tem que pagar, fazer cotinhas, jantares, almoços, bingos, rifas, vender até a mãe, se ela for da coisa. A maior prova de amor é meter a mão no bolso independente de quem esteja no comando.
Acho que Ferrer, Tininho ou Jomar, também não são vilões, nem tolinhos. Estão dando a cara pra bater, independente de concordarem, ou não, com a gestão. Acho que Sylvio Belém poderia muito bem estar jogando dominó lá na Pracinha do Diário, mas está ajudando. Esses são verdadeiros tricolores. Não estão preocupados com questões metafísicas, como presente e passado, futuro do presente ou futuro do passado, apenas ajudam o clube. Por isso, irmãos tricolores, a palavra de ordem agora é ajudar.
Por fim, acho que deveremos acabar de uma vez por todas com esse negativismo reinante. Pensamentos e palavras têm poder, energia. Chega de derrotismos, séries D, E ou F. Pensemos positivo, somos fortes, podemos ganhar. “Juntos podemos” é o lema da seleção espanhola nesta eurocopa e, com a força dessa união, estou seguro que eles passarão das quartas-de-final. Para acabar de verdade, chega dessa historinha de Santinha. Santinha é diminutivo. Proponho a proposta de Artur: a partir de agora seremos Santão. Já imagino os adversários tremendo mais que vara verde. Já imaginaram se o Maguila fosse Maguilão até onde ele poderia ter chegado?
Por isso, irmãos tricolores, todos juntos vamos seguir a corrente bem pra frente, positiva. Devemos repetir em voz alta todos os dias diante do espelho:
Somos fortes, somos invencíveis!
É verdade que estamos à beira do abismo, companheiros, mas apenas seguindo essa receita, seremos capazes de dar o passo à frente…
28 mai
Continuando a série de artigos sobre a terceirona, falaremos agora sobre a participação dos times pernambucanos na primeira fase de 2007. Porém, antes disso, é impossível ficar calado diante de algumas coisas que vêm ocorrendo.
Eram 6:00h da manhã de um dia de sábado. Eu já estava acordado, tomado café e uniformizado com o padrão para a partida decisiva. Eu era oitava série e estudava no meu querido Colégio Marista, na Avenida Conde da Boa Vista, que, infelizmente, não existe mais. A decisão era 8ª D (minha sala) contra 8ª C. Como todo bom adolescente, odiávamos os meninos da 8ª C e só paquerávamos as meninas de lá para deixá-los com inveja. Pense numa sala para ter gente tabacuda! A rivalidade entre nossas salas era quase como entre Santa e a coisa. E, para piorar tudo, tínhamos os melhores times de futsal do colégio e desde a 5ª série, fazíamos todas as finais das olimpíadas internas, as saudosas “Olimpíadas Champagnat”. Eu era o goleiro de minha sala, e, estava ansioso pela nova final.
A grande partida estava marcada para às 07:30h. Cheguei ao colégio às 06:30h e de cara, me reuni com meus amigos e jogadores. Até as meninas saíram de casa num dia de sábado para animar nossa torcida. Tudo pronto. Juiz na quadra. Atletas aquecidos para jogar. A batucada comendo no centro. Só faltou um pequeno detalhe: o adversário não havia chegado. Só tinham 4 jogadores da 8ª C. Resultado: Ganhamos e fomos campeões por WxO. Amigos, em jogos importantes, esse foi o único WxO que já vi acontecer. Mais uma para o currículo de nosso presidentezinho. Outra vergonha, outra desculpa vergonhosa. Pesidentezinho, junte mais essa ao restante que você fez só esse ano:
Voltando para a série C, como sabemos, em sua primeira fase, é divida em 16 grupos de 4 times. E pegamos o seguinte grupo:
Tirando as médias, os times que se classificaram em segundo na primeira fase fizeram 9,43 pontos. Ou seja, ganhando 3 jogos em casa estamos praticamente classificados. Gente, estou falando de ganhar, nem que seja por 1×0 de Potiguar, Central e Campinense. Nenhum desses times disputou a série B nos últimos 9 anos (o último foi o Central). Nenhum desses times (tirando o Central contra o Vera Cruz, que não pode ser considerado em minha opinião), nenhum dos times de nosso grupo conseguiu uma vitória fora de casa em 2007, durante a série C. Empatar ou perder no Arruda para um desses times para mim é pior que o fundo do poço.
Passando para a segunda fase, a média dos times classificados em segundo do grupo foi de 10 pontos. E, vale salientar para vocês, que no grupo da segunda fase, um dos adversários é o outro classificado do grupo que já disputamos, ou seja, passando à segunda fase, pegamos de novo Central, Potiguar ou Campinense.
Porém, pessoal, infelizmente acho que o primeiro objetivo do Santa é ficar entre os vinte primeiros para evitar a catástrofe sem precedentes no futebol pernambucano, disputar a série D em 2009. Quem ficou em vigésimo em 2007, foi o Ananindeua-PA , com 19 pontos. Jogou 6 partidas em casa. 18 pontos o Ananindeua garantiu em casa. Basta ganharmos as 6 primeiras em casa, contra Central, Potiguar, Campinense e contra os dois melhores entre Icasa, Salgueiro, Treze e Santa Cruz-RN. São só seis partidas contra times que nunca disputaram nem uma série B, tirando Treze,Central e Campinense, que não o fazem há quase 10 anos.
Por isso, pessoal, apelo a vocês que amam nosso Santa Cruz. Vamos salvá-lo dessa situação. Esse diminutivo vai sair em Dezembro e ele pode piorar ainda a situação do nosso clube daqui para lá. Gente, vejam o Paissandu, time tradicional, grande, de torcida, que até libertadores já disputou e que esse ano, nem a série C conseguirá disputar. Acabou o futebol para o clube e para sua torcida no ano de 2008.
Gente, acho que todos já viram nossa torcida salvar o time em jogos que estávamos péssimos, mas, de um jeitinho ou de outro, na base da sorte, garra, incentivo, do roubo de um juíz, demos um ataque e fizemos um golzinho salvador. Tantas vezes fizemos isso. Tantas vezes nosso apoio contagiou os pernas-de-pau que estavam em campo e eles conseguiram vencer. Precisamos inicialmente fazer isso apenas 6 vezes amigos. Por apenas 6 vezes, vamos esquecer de tudo de ruim que o diminutivo está nos fazendo passar e empurrar nosso time para a vitória. Apenas 6 vezes, apenas mais 6 vezes podem mudar nossa situação num médio prazo.
E, dando apenas um toque para quem tem influência no Arruda, olhem bem de perto a parte de documentação de nossos jogadores. Lembram que no começo de meu artigo falei sobre a final ganha por WxO pela minha 8ª D? Pois bem, como mandava a tradição, no ano seguinte a final se repetiu. Dessa vez, não houve WxO e perdemos o jogo. Levamos um 3×1 e fomos vice. Porém, descobrimos que na final eles usaram um jogador que não poderia estar inscrito, pois, cada aluno só poderia se inscrever em 3 modalidades e essa cara tinha se inscrito em 5. Resultado: Fomos campeões com a desclassificação dos tabacudos da outra sala.
Cuidado e não duvidem que, por “esquecimento”, “interpretação errada”, “fax ilegível”, “caixa de e-mail cheia” ou “mudança no ciclo menstrual das baleias do ártico” apareça no Santa um jogador irregular que nos leve uma porrada de pontos e nos empurre para a série D. Todo cuidado com o presidentezinho é pouco, pois, se dentro do campo ele não conseguir acabar conosco, porque a torcida salvará o time, fora do campo estamos indefesos.
Um abraço a todos e até a próxima.
"A forma de compor os nomes antes do projeto e sem o amplo conhecimento de todos nós é, no mínimo, um começo com métodos não muito diferente dos atuais, e os quais não concordamos."
Adriano Lucena, sobre a chapa da oposição, na seção de comentários do artigo Política, fúria, amor e ódio.



