Nota da Redação:
Recebemos por e-mail, um texto do tricolor autônomo, na profissão e nas palavras, Marcos Siqueira. Você também pode enviar artigos para publicação em nosso blog, através do e-mail torcedorcoral@oi.com.br.
Participe!
Marcos Siqueira
Um dos grandes dilemas da administração refere-se à decisão de se delegar responsabilidades e autoridade.
Delegação é um conceito aparentemente claro, mas que, na prática, poucas pessoas aplicam. O desejo manifesto de delegar, normalmente não corresponde a uma efetiva ocorrência de delegação, especialmente em tempos de crise, quando a centralização decisória tende a predominar.
É exatamente aí onde mora a questão principal.
Uma das maneiras mais fáceis para fugir de uma série de problemas de responsabilidade na gestão é delegando o que não se tem idéia de como resolver – ou o que não se quer resolver.
Assim, uma das questões envolvidas com o ato de delegar, e que vem causando grandes problemas, é delegação de responsabilidade desacompanhada de autoridade.
Tudo pode ser feito pelo delegado, mas nada é decidido por ele. Quando isto ocorre, é comum aparecerem problemas como expectativas não realistas de parte a parte, interrupções freqüentes, conflitos interpessoais e, conseqüentemente, maior perda de tempo.
A recente saída do jovem técnico Dado Cavalcanti do comando da equipe tem a ver exatamente com uma delegação de responsabilidades desacompanhada da autoridade.
O Presidente FBC surgiu como uma luz ao caos a que fora transformado o Santa Cruz, após desastrosas e inescrupulosas gestões. O clube praticamente tinha sido extinguido.
Passados quase dois anos, é possível afirmar sem medo de errar que o FBC tornou-se para o “Clube das Multidões” um pesadelo muito maior que a esperança que o conduziu ao cargo.
Os reais objetivos de sua repentina paixão tricolor seria o que o Nelson Rodrigues chamaria de “óbvio ululante”. Mas, para a humilhada e fragilizada torcida do Santa Cruz, mais valia a disposição de uma grande liderança política que tinha todos os melhores acessos ao mundo corporativo de grandes empresas, através de uma secretaria estadual de indústria e comércio. Seria desprezível o custo da reciprocidade: o que representaria os legítimos interesses políticos de um grande patrimônio eleitoral formado pela imensa torcida do clube das três cores?
As promessas surgiram naturalmente em forma de comício para a grande platéia: a recuperação e desinterdição do estádio, a mudança do gramado, um centro de treinamento, o investimento na base, a escalada do time da famigerada série D para a C e B, sequencialmente, a transformação do Santa Cruz em uma S/A e, para a euforia do público, a total transparência nas contas do clube.
Os quatro primeiros meses, uma movimentação que emocionava a todos. Até colocação de grama no campo era comemorada com gritos e fogos. Tudo documentado pelas câmeras das Tv’s.
Mas o tempo – sim o famoso senhor da razão – trouxe à tona a pesada realidade para o já nocauteado torcedor tricolor.
Com a inesperada fritura política que o governador impôs ao nosso presidente, tudo ficou mais claro e acabou com o conto de fadas. O resultado? Ausência. Total ausência. Silêncio.
O estádio está aberto, mas já apresenta claros sinais de desgaste.
A grama, linda na inauguração, foi mantida por mão-de-obra não qualificada e já não suporta qualquer precipitação pluviométrica (chuva mesmo) comuns nos meses centrais na capital pernambucana. Vira uma cancha sem nenhuma condição à prática do esporte bretão.
Centro de Treinamento? S/A? Transparência? Quanto foi mesmo o saldo da partida da seleção brasileira no Arruda?
E o futebol? Depois de mais uma humilhante participação na última série possível no futebol nacional, incorre-se nos mesmos erros e a tragédia volta a assombrar o sono dos ingênuos torcedores.
A diretoria, na sua maioria composta por ocupantes de cargos comissionados no Estado sob o comando do FBC, faz bem o seu papel de “cumprir uma missão”. Missão que parece ser a de garantir a manutenção do seu status quo no organograma de empresas públicas. Missão de fidelidade ao seu líder político. Nunca, entretanto, comprometimento profissional ou emocional com o Santa Cruz.
E foi neste cenário que efetivaram o talentoso Dado Cavalcanti como técnico. E que também contrataram um experiente profissional para cuidar do futebol. E então?
- Ah, agora é com eles – respiraram aliviados os diretores…
E vem o abandono. Não tem dinheiro para contratar ou demitir atletas. Os que vêm, atendem a um apelo pessoal do cartola goiano. Salários? O que representa três meses atrasados? Apoio de uma equipe de diretores? Fique aí com competentes abnegados, que ajudaram a afundar o Santa Cruz nos últimos anos e ferem nossa paciência no dia-a-dia aqui da Diretoria Executiva… Vai, Raimundo, fica com eles…
Amigos, era preciso trocar o treinador? Sim, e bem antes do que o fizeram. O problema não era tático e sim na falta de comando, na impossibilidade de exercer a autoridade. Não só no campo, mas, principalmente, na instituição. Jogadores sem salário em dia não dão mérito a treinador nem aqui nem na China. Contratações? É mais fácil empurrar um monte de rejeitados em outras equipes e afirmar que foi solicitação do treinador… Ele não tem condições de desmentir mesmo…
Ausência de dirigentes junto ao elenco demonstra fragilidade, traz insegurança, medo e desmotivação para os jogadores. E, obviamente, falta de comprometimento. Ambiente propício para o surgimento de vaidades, orgulho ferido e outras mazelas do comportamento humano. E o que o treinador podia fazer? Exigir o pagamento? Para um reles diálogo com o presidente, esperava-se até 20 dias…
Que fique claro. O treinador deixa o cargo, como poderá deixar também o Diretor Remunerado de Futebol, resultado do total descompromisso da Diretoria do Clube.
Ótimo que agora seja Givanildo. Mesmo que já tenha agido com uma atitude prejudicial ao abandonar o clube nas últimas rodadas de um recente campeonato para fazer o jogo sujo da coisa (VTNC).
Mas, é este mesmo Givanildo, também, que pode botar a boca no trombone e exigir que a Diretoria faça o elementar do elementar: pague os salários dos atletas. Não tem dinheiro? Grande novidade. E quando assumiram tinha? A única novidade é que o presidente parece não mover uma palha sequer para solucionar o caso.
No futebol tudo é possível. Por um golpe de sorte, apenas sorte, poderemos sobreviver neste campeonato e até passarmos de série. Não é a lógica, mas continuaremos torcendo.
A torcida, certamente continua fazendo a sua parte.
Falta a sua, presidente.
O que você achou do novo layout do TC?
- Excelente! Vocês capricharam no visual! (36%, 19 Votos)
- Muito bom, mas não ficou escuro demais? (25%, 13 Votos)
- Ficou péssimo! Que breu da porra! (23%, 12 Votos)
- Não gostei. O anterior era melhor. (16%, 9 Votos)
Total de votos: 53
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Concordo em gênero, número e grau. Mas continuo com a minha, talvez, louca sugestão: formar uma comissão aqui no Torcedor Coral para encabeçar uma chapa nas próximas eleições, composta apenas de torcedores, nada mais que torcedores. Sou o primeiro e me predispor.
Entrei no blog hoje, pensando justamente em escrever algo sobre a falta de co-
mando de Dado Cavalcante e dos jogadores(?) que ele era obrigado a aceitar,mas
vejo que o amigo tricolor Marcos Siqueira também pensava como eu e sintetizou
tudo neste excelente texto, parabéns.
Se alguém estiver precisando se esconder de FBC é só ir para sua sala no arru
da!
Apesar de tudo, boa sorte a Givanildo!
Saudações corais.
O texto, muito bem escrito por sinal, toca na ferida. Sai da visão mais curta onde aponta apenas um culpado: o técnico. Pessoalmente, creio que Dado teve sua parcela de culpa, mas está longe de ser o único ou até mesmo o principal culpado.
Dado pecou onde era previsível que pecasse: na inexperiência. Não soube lidar com os jogadores em um momento difícil como é lidar com a questão dos salários e pela falta de força para exigir que a diretoria cumprisse o básico dos básicos que é pagar salário a quem trabalha.
Mesmo assim, minimizo a falta de força do ex-técnico, já que tenho lá minhas dúvidas se ele conseguiria acesso ao inatingível presidente do clube. Tenho muito respeito pelo presidente, mas o considerava ausente no ano passado. Neste ano, tenho mesmo é a impressão que há vacância no cargo. Nas últimas eleições do clube, não imagino que diversos candidatos abriram mão de suas candidaturas para que FBC atrasasse salários. Abriram mão, porque entenderam que FBC tinha mais cacife do que todos eles juntos. O atraso de salários equipara nosso atual presidente aos desastrados ex-gestores, ao menos no caos administrativo. A sensação é de abandono.
Torço por Givanildo, mas na minha visão o problema é anterior ao técnico e mais crônico. Embora se trate de um clube de futebol, ninguém jogará por esporte. É preciso dinheiro no bolso para fazer um jogador suar a camisa.
Li nos jornais que FBC justificou a saída de Dado, porque havia dez jogos que o time não ia bem. Para mim, isso só agrava a situação. Ora, se viram isso tempos atrás, porque deixaram para tirá-lo agora, depois que começou a Série D?
Ao que parece, faltou bala na agulha para o presidente. Uma pena, já que todos nós esperávamos mais de FBC.
Saudações corais,
Dimas Lins
Caramba Marco Siqueira, que pancada!
Ainda que haja ausência de alguns e incompetência de outros, disputar uma Série D não deve ser tarefa fácil para ninguém.
Procuro pá e cal. Preciso enterrar uma gestão. É melhor assim. Depois desse texto (as referências ao extracampo são factíveis, infelizmente — e a crítica política é contundente), é rezar e torcer para que o próximo presidente, por sorte, herde um Santinha na série C.
Jogo a toalha, porque tenho a certeza de que não há mais nada a fazer, exceto rezar e torcer. Rezar, não sei bem como; torcer, sou muito bom nisso.
Pelo menos, fico com uma boa imagem de Dado. Ele não teve culpa alguma. Não foi uma questão de experiência.
E Raimundão calculou mal: entrou numa fria.
Aliás, joguei a toalha e não estou sozinho. No Blog do Torcedor, FBC joga tb a toalha. Deus salve o Santa Cruz!
Muito bem escrito e, principalmente, certeiro.
Uma análise clara e contundente do momento triste que atravessamos.
Só resta mesmo torcer, ou apelar para o Sobrenatural Arruda, para não termos que assistir a próxima temporada em 4D de novo.
Esta gestão vive do que construiu poisitivamente nos primeiros meses de mandato, especificamente até o dia em que desmontou o Planejamento inicial de 2009, com a demissão da dupla Bittencourt/Capella.
Naquele momento o Santa estava optando pelo retrocesso, pelas velhas praticas, e se atirando numa aventura sem tamanho.
Hoje somos refen de um estádio reformado, de um gramado novo que está ficando amarelo, e dos refletores modernos. Francamente é muito pouco.
Como dizia Raul Seixas, é Ouro de Tolo.
O maior problema é o fato de os erros cometidos pela atual gestão serem ridículos.
Se qualquer um dos diretores que realmente mandam no Santa Cruz (quem são, aliás?) entrasse em qualquer um dos blogs, fóruns ou comunidades do Santa na Internet, lesse e entendesse, talvez abrissem os olhos para a incompetência escondida que estamos descobrindo…
Um dos maiores erros, inclusive, da atual gestão, tange ao básico do básico: sócios. Qual a motivação atual para ser sócio do Santa? “Ajudar o Clube” ?
Poupem-me. Filas intermináveis, no sol inclusive; falta de opções de entretenimento e participação na vida do Clube; site que não funciona e vive fora do ar; falta de opção de pagamento via boleto por meio de Lotéricas; falta de promoções, sorteios; falta de descontos em ingressos (qualquer um paga 10 reais)…
Por mais que eu tente lutar contra este pensamento, tenho FBC como um oportunista – buscando nada mais do que votos do maior colégio eleitoral do Norte-Nordeste – que fracassou.
Afinal, ele realmente pensa que será eleito em qualquer cargo que dependa de votos de Recife/Região Metropolitana ou do Estado com essa gestão?
Se dependesse de mim – para o bem da Nação – FBC não seria eleito Senador.
Lá eles já sofrem com problemas de ausência de políticos…
Saudações Tricolores.
LIGA NACIONAL
Essa Estória do C13 está me parecendo mais um grande engodo. Já mudaram de discurso e o aumento de “sócios” AGORA está condicionado à criação de uma “Liga Nacional” que, deve acontecer, até o final deste ano.
Pra mim o SCFC perdeu uma “oportunidade histórica” de ter tomado este espaço, fomentando e LIDERANDO a criação da “Liga dos Deserdados”, rompendo abruptamente com esse “status quo” vigente. Com essa omissão, pode pagar o preço de, mais uma vez, ficar “chupando dedo”.
As barbies lutaram com denoto – principalmente com o empenho da forte bancada no Congresso – e parece que já têm como favas contadas, seu ingresso assegurado (embora, pra “servir cafezinho” aos pseudos grande clubes brasileiros, num primeiro momento) e nós, ficando passivo a tudo isto, incorremos no erro de nem isto conseguir.
SAUDASANTA.
EM TEMPO: é delegar atribuir os DEVERES a alguém sem os respectivos PODERES?
Prezado Marcos,
Talvez um dos textos mais lúcidos que li.
Pena que seja sobre um assunto doloroso e tão cruel.
Como disse DImas, existe quase que uma vacância do cargo. FBC só apareceu agora.
O Santa teve quase um 1 ano para preparar-se.
Mas vamos torcer.
E ajudar como podemos.
Enquanto isso, o Santafidelidade continua “em manutenção”. Há mais de uma semana que tento pagar minha mensalidade e não consigo.
[]‘s
Erick Ramo
Givanildo testou um 3-5-2 sem Victor Hugo. Continuo sem entender nada.
Artur, o time treinou a maior parte do tempo no 4-4-2, com Vitor Hugo e Gilberto. Em se tratando de Givanildo, é uma façanha.
Esse 3-5-2 é apenas a outra variação tática que ele conhece. E espero que não use.
Retiro o que disse. Ele gostou do 3-5-2. Se pelo menos Léo estivesse no time…
Sofreremos.