Imagem: Coralnet
Ontem, estive no Arruda para ver o Santa Cruz jogar. Acostumei-me, não posso negar, com bom público. Na verdade, acostumei-me com o melhor público que há. Por isso, foi um desalento ver repetir-se nesta Copa do Nordeste a escassez de tricolores escancarada nas arquibancadas. Apenas 2.881 torcedores estiveram no Arruda para ver os times B de Santa Cruz e Treze/PB.
Não tenho a intenção de criticar a torcida coral. Longe disso. Ela é a única que dá provas diárias de amor incondicional. Tenho a certeza que seu desinteresse está vinculado à importância que os próprios clubes do Nordeste dão à competição. Um calendário ruim, que atravessa a Copa do Mundo e rompe as competições nacionais, não pode mesmo atrair ninguém. Em nosso caso, por exemplo, nossa saída da Série D é caso de vida ou morte. Portanto, para competições desiguais, tratamentos desiguais. Tomara que no ano que vem a Copa do Nordeste venha organizada, com bons patrocínios, visibilidade na TV e atrativos para os torcedores. Acho que ela tem tudo para ser uma competição interessante, mas é preciso encontrar o seu próprio espaço. Espremida do jeito que está e comportando apenas times B, ela certamente não irá longe. Pessoalmente, prefiro encurtar o campeonato estadual – ou mesmo extingui-lo – e abrir espaço para um campeonato regional com primeira e segunda divisões, que é, para mim, bem mais interessante. Mas isso é assunto para outro artigo, pois minha intenção, por hora, é outra.
Queria mesmo era dizer que a volta de Léo aos gramados me trouxe novo alento. Nosso melhor jogador (disparado!) não perdeu o jeito. Apesar da visível falta de ritmo e condicionamento físico, Léo encheu os olhos de quem esteve no Arruda. Nota-se, pela maneira com que bate na bola e sai com ela, que se trata de um jogador de muita qualidade. Sei que exagero, que a comparação carece de exatidão e que carrego em minhas palavras excessiva boa vontade, mas seu estilo em campo me faz lembrar Falcão, o Rei de Roma e um dos craques da seleção de 1982. Como disse antes, exagero.
Exageros à parte, nosso volante tem características modernas, pois marca bem, tem bom passe e bom chute. Ontem à noite, Léo, inclusive, deixou a sua marca no Arruda. Aproveitou uma sobra na defesa adversária para avançar, chutar de longe e fazer um golaço. Para quem estava acostumado a ver chutes bisonhos, até mesmo grotescos, o gol de Léo foi uma pintura. Mais tarde e antes do fim do jogo, ele sairia sob aplausos. Depois, em entrevistas às rádios, deu-se por satisfeito com sua atuação e considerou-se recuperado da Lesão. Tomara que sim, pois nós tricolores há tempos estamos carentes de craques genuínos vestindo nossas camisas. Certamente ainda é cedo para dizer que Léo é mesmo um craque de bola, mas ao vê-lo atuar em campo, difícil não imaginar que um dia venha a sê-lo.
Sua volta aos gramados traz a todos nós inevitável esperança e pode provocar uma reviravolta no futebol capenga do Santa Cruz. Reconheço que, pensando assim, descarrego em seus jovens ombros enorme peso. Desejar que Léo venha a ser hoje o craque que poderá tornar-se amanhã é, de fato, querer demais. É depositar sobre si demasiada responsabilidade. É querer que um andorinha só, uma jovem andorinha, faça verão. Em minha defesa, digo que o desejo vem da necessidade, do aperto, pois, como sempre, precisamos de tudo ao mesmo tempo agora.
Léo é um jogador promissor e me admira muito que esteja jogando a Série D. Por enquanto, as investidas do Botafogo não deram em nada. Amanhã, não sei. Sei apenas que seu futebol projeta vôos mais altos. Tomara que, junto com ele, voe mais alto ainda o Santa Cruz.
O Santa vai sair da Série D?
- Sim, mesmo que aos trancos e barrancos. (49%, 33 Votos)
- Sim, com Givanildo vamos ser campeões! (28%, 19 Votos)
- Não tem perguntinha mais fácil, não? (9%, 6 Votos)
- Não, o time é ruim demais. (7%, 5 Votos)
- Não, porque faltou planejamento. (7%, 4 Votos)
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Perfeito Dimas, toucou no ponto chave. Só queria observar duas coisas:
1) A contusão de Léo foi estranha. Em um treino, depois de ser assediado, 4 meses parado, nem sinal de voltar, chega Givanildo (que querendo ou não admitir, impõe respeito) ele volta em uma semana e jogando muito como você descreveu. Algo ficou estranho no ar, não apenas em relação a Léo, mas em relação a TODO O TIME. Havia algo de podre no ar que não sabemos o que é. Tá certo, ganhamos duas partidas de dois times ruins, mas, será que Mossoró e Treze são piores que CSA, Fluminense-BA ou Sergipe ? Havia algo sim, sei lá se um complô para derruba rDado, ou um motim para receber salário atrasado, mas, é estranho que mude tanto, pois, além da ruindade, não via nem atitude no time.
2) Não apenas Léo, mas Brasão, Jackson, o Alex Oliveira (em forma), o Osmar (até o Matuto), o Goiano, o Tutti são jogadores que motivados e bem entrosados e comandados, jogariam em qualquer time da Série B. Tem que enquadrar esses caras, pois, passamos de fase e depois vem esses mata-matas, onde, metemos 20 bolas na trave e levamos um gol no fim ( Artur, lembra o que eu disse contra o CSA ? )
Não há dúvidas que estamos melhor esse ano na série D que o ano passado, afinal, só esperaram uma rodada para sacudir o grupo, ao invés de 4 rodadas como ano passado.
No demais, parabéns pelo texto e domingo estamos lá e pelo amor de Deus, sem essa de “biscoito Confiança”, sem menosprezo, pois, não estamos tão bem ao ponto que nos permita sentir-nos superiores a ninguém.
Belo texto Dimas, parabéns! Num comentário que fiz anteriormente, falei que
estava a espera de um milagre e vejo que este milagre está se materializando
1º com a recuperação e o retorno de Leo, 2º já ganhamos dois jogos seguidos,
sei que é pouco para o muito que precisamos, mas, é um bom começo para a era
Givanildo.
Saudações corais.
Acho que esse time do santa não é tão ruim, se não fosse a pressão tão grande de sair da série D, jogariamos tranquilamente a série B. Léo é craque, é só questão de tempo pra sair realmente do arruda, acho que a Diretoria deveria dobrar a multa recisória.
O time do Santa não é tão ruim quanto alguns acreditam ou querem fazer crer. Não digo isso pelas duas últimas vitórias, mas por vários jogos que tenho visto, sempre que posso. Esse mesmo time, com uma camisa mais “leve”, tipo CSA, Central ou Treze, por exemplo, subiria de série com alguma facilidade. O que há nas bandas do Arruda é uma tremenda ansiedade, que gera insegurança, e daí um círculo vicioso. Jogar no Santa Cruz é mais difícil que na concorrência, esta é verdade. Por isso é fundamental a presença de alguns diferenciados.