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Home » Republicação » Em algum lugar do passado

Em algum lugar do passado

Autor: Dimas Lins | 30 de setembro de 2009 | 0:00h | Republicação | 5 comentários


Revista Placar Nº 490 de 09/1979

Nota da redação:

Na impossibilidade de um de nossos cronistas em enviar um novo texto e também pela falta de tempo e assunto, o Torcedor Coral republica este artigo de 02 de junho de 2008. Enquanto o futuro não dá as caras, lembremos um pouco do passado, afinal recordar também é viver.

Em relação ao texto original, apenas o último parágrafo foi modificado.

Não sou saudosista, mas respeito o nosso passado. Além do mais, convém às vezes entendê-lo para melhor se preparar para o futuro.

Em 1979, o mundo estava em ebulição. A revolução iraniana transformou a monarquia autocrática pró-ocidente do país, um regime corrupto do xá Reza Pahlevi, em uma república teocrática islâmica, sob o comando do aiatolá Khomeini. No mesmo ano, Estados Unidos e China estabeleceram relações diplomáticas.

O presidente do Paquistão, Zulfikar Ali Bhutto, foi executado, Idi Ami Dada foi deposto em Uganda e Margaret Tatcher tornou-se a dama de ferro na Inglaterra. Ainda na política, o presidente do Egito, Anwar Sadat, e o primeiro-ministro de Israel, Menachem Begin, assinaram um histórico acordo de paz entre as duas nações, enquanto unidades militares da antiga União Soviética tomavam a capital do Afeganistão e Mikhail Gorbachev era eleito para o Politiburo.

Ainda em 1979, a sonda Voyager 1 passou por Júpiter e a Pioneer 11 se tornou a primeira espaçonave a visitar Saturno. A ESPN iniciou sua transmissão na TV, François Truffaut filmou Amor em Fuga e Madre Teresa de Calcutá recebeu o prêmio Nobel da paz.

No Brasil, o sul do Mato Grosso se emancipou e tornou-se o Estado do Mato Grosso do Sul e o general João Baptista Figueiredo substituiu Ernesto Geisel no comando da ditadura militar estabelecida no país desde 1964. No mesmo ano, o Movimento Democrático Brasileiro – MDB foi fundado e morreram o ator e diretor Procópio Ferreira, vítima de enfisema pulmonar e Santos Dias, ativista do movimento operário brasileiro, assassinado por um militar.

O ano de 1979 também foi movimentado no futebol. O Internacional foi o vencedor do último campeonato organizado pela Confederação Brasileira de Desportos – CBD, desmembrada em CBF e outras entidades dedicadas aos demais esportes, por exigência da FIFA.

Mas se no Brasil o Internacional do técnico Ênio Andrade era o campeão daquele ano, no Nordeste o Santa Cruz reinava absoluto. Éramos superiores dentro e fora das quatro linhas.

Evaristo, o 2º maior salário da América Latina

Já fomos um oásis no Nordeste, tivemos nossas finanças em ordem, pagávamos em dia e pagávamos muito bem. O ano de 1979 espelhava com fidedignidade a era de ouro do Santa Cruz. Apenas para se ter uma idéia, Evaristo de Macedo, técnico coral, recebia o segundo maior salário da América Latina, atrás apenas de César Luis Menotti, treinador da seleção argentina.

A situação tricolor era tão diferenciada que, certa vez, o ponta do Palmeiras, Amílton Rocha, pediu a um cartola do clube para ser negociado para um grande time do Nordeste. Ao ouvir do mesmo cartola que não havia nenhum clube grande por essas bandas, Rocha foi taxativo: “tem um, o Santa Cruz”. Joel Mendes (ex-goleiro do Santos, Coritiba, Portuguesa, Vitória e Bahia), em entrevista à revista Placar, afirmou que o único clube que jogou e que pagava em dia era O Mais Querido.

O Santa era considerado por muitos torcedores como uma empresa. O clube tinha por hábito revelar jogadores das divisões de base ou comprar seus passes a um baixo custo e revendê-los num patamar bem mais elevado (veja o quadro abaixo):

Jogador Comprado por (Cr$ mil) em Vendido por (Cr$ mil) em Lucro (Cr$ mil)
Nunes 320 1975 9.000 1978 8.480
Neinha 300 1978 1.500 1979 1.200
Ramon ex-juvenil - 1.100 1976 1.100
Santos ex-juvenil - 2.000 1976 2.000
Givanildo ex-juvenil - 2.000 1976 2.000

O clube investia e se aproveitava muito bem de suas divisões de base e, com o retorno financeiro da venda de alguns jogadores, tinha tranqüilidade para montar um bom time de futebol no ano seguinte. Além disso, o Santa contava com cerca de 23 mil sócios, dos quais 65% pagando em dia, e com as receitas decorrentes da exploração de bares e restaurantes. O excedente – sim, na época havia excedente – era aplicado no mercado de capitais.

Dentro do campo fomos bicampeão pernambucano e, até setembro de 1979, o time havia disputado 56 partidas, das quais havia ganho 43 vezes, empatado 11 e sofrido apenas duas derrotas. Na temporada, destacaram-se as vitórias contra as seleções da Tchecoslováquia e Romênia, por 4 a 0 e 4 a 2, respectivamente.

De lá para cá, muita coisa mudou. Em algum lugar no passado nos perdemos. O clube vive hoje em estado falimentar e, para voltarmos a ser fortes, é preciso entender a razão da nossa degringolada e promover as mudanças necessárias à modernização do clube.

Em tempos atuais, não há espaço para amadores, administradores irresponsáveis ou candidatos messiânicos. Nenhum clube sobrevive mais de cotas, rifas ou doações de sua torcida. O futebol é um produto. E, como tal, precisa ser administrado.

Enquanto não houver essa compreensão, dificilmente voltaremos ao andar de cima, onde é nosso lugar.

Divulgação:

acerto-de-marcha
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DimasLins

5 comentários

  1. joãozinho
    30/09/2009 | 9:54h
    1

    olha, realmente é fogo. estamos vivendo só do passado. é duro, mas é a verdade.

    Responder
  2. J. Antonio
    30/09/2009 | 17:02h
    2

    Foi então que na década de 80 viram que se trava de um bom negócio para crescer de vida e fizeram do Santa Cruz escada, se o Santa Cruz fizesse parte do clube dos treze não estaria diferente do que está só seria melhor para engordar ainda mais os cupins.
    querem coisa melhor vender jogadores e não ter que prestar contas a ninguem, pedir cotas de televisão antecipadas e também não ter que prestar contas a ninguem.

    Responder
  3. Hélio Mattos
    30/09/2009 | 18:23h
    3

    Voltaremos sim a um patamar como este.
    Simplesmente porque somos uma instituição centenária e, temos sim, uma torcida que, inclusive, não para de crescer.

    Se é uma verdade que torcida não ganha jogo, é bem verdade também que é ela que não deixa a peteca cair de jeito nenhum, por mais baixo que se possa chegar, como é o nosso exemplar caso.

    Para a multidão de desesperados por resultados imediatos, entre os quais me incluo, digo e repito o que tenho como certeza dentro do meu coração, juntamente com a minha razão: Não tem como não voltarmos para a elite, não tem como, por mais demorado que possa vir a ser, não vermos nosso amado clube novamente de um jeito parecido com este descrito no texto acima.

    Responder
  4. Bernardo
    1/10/2009 | 10:03h
    4

    Caro Hélio Matos.

    Está provado que torcida não ganha jogo. Porém, a peteca já caiu há muito tempo.

    ” O PIOR CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER! “

    Responder
  5. André Tricolor Virtual
    2/10/2009 | 1:12h
    5

    Caros amigos,

    Amanhã começa a Bienal do Livro de Pernambuco, estarei trabalhando no ESPAÇO CRIANÇA, que fica em frente ao Stand ABRIL EDUCAÇÃO, quem for estarei aguardando uma visita !!!!

    Abraços a Todos,

    >>> VIVA SANTINHA !!!!

    Responder

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