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Home » Opinião » Castelo de areia

Castelo de areia

Autor: Paulo Aguiar | 24 de maio de 2010 | 0:00h | Opinião | 11 comentários

A situação vexatória atual do Santa Cruz não é novidade para ninguém. Quanto mais pensamos nas justificativas, mais elas aparecem. Hoje, o momento é de encontrar soluções e agir. Mas imagine quando a solução, se encontrada, não é implementada? Vira uma decepção total.

O mais distante torcedor sabe que uma das possíveis soluções para tirar o time do buraco encontra-se dentro do Clube. Para ser mais preciso, estou falando das categorias de base do Santa Cruz.

Terminado o Campeonato Pernambucano de Juniores deste ano, o Santa Cruz fez 22 jogos e obteve 36 pontos. Ficou atrás de times como Ypiranga e Vitória, e a uma distância gigantesca do Náutico, que terminou com 53 pontos, e Sport, com 59 pontos. Isto depois de mais de um ano e meio (19 meses) de mandato do presidente FBC. Com todo respeito aos envolvidos, os números falam por si só.

É claro que logo aparecerão os que dizem que ‘a faixa etária média dos jogadores que disputaram o campeonato foi inferior a máxima permitida’, que ‘o time da base não é pra ser campeão e sim para formar jogadores’, que ‘o foco agora deve ser tirar o Santa da série D’, que ‘tudo está melhorando’. Enfim, essas histórias que escuto há anos e não conseguem mudar o meu pensamento de que tudo não passa de uma desculpa para demonstrar a falta de planejamento ou uma forma de esconder que o fortalecimento da base está longe de ser uma prioridade.

Em outros tempos, não muito distante, mesmo com o time profissional caindo pelas beiradas, nós éramos campeões nas categorias de base e revelávamos jogadores. Se não aproveitávamos, era outra questão relacionada à nossa competência. Hoje, nem isso.

É bem verdade que não podemos deixar de ressaltar os aspectos importantes também. Para quem viu a estrutura física das categorias de base do Santa Cruz, há uns 4 anos e compara com a atual, não restam dúvidas que melhorou consideravelmente. Os jogadores da base, hoje, possuem um ambiente físico, se não ideal, pois ainda se encontra localizado debaixo das arquibancadas do Arruda, minimamente confortável. Sem dúvida, as melhorias feitas devem-se a um pequeno grupo de abnegados (não confundir com a outra espécie de abnegados) que vinha ajudando na base. Entretanto, e infelizmente, este grupo foi seriamente fragilizado; alguns tiveram que sair e outros acabaram transferidos para o futebol profissional.

A verdade é que os frutos da base do Santa Cruz resumem-se, no momento, a duas promessas: Antônio Sena e Natan. As outras promessas ainda não foram sequer minimamente testadas. De forma quase inexplicável, o primeiro (Antônio Sena) não teve oportunidade alguma em um campeonato onde a zaga titular era fraca, para não dizer horrível. E o outro (Natan) acabou se machucando e, depois de recuperado, teve que assistir do banco a volta de um jogador que julgo de qualidade inferior a sua e que passou 9 meses inativo (Tiago Laranjeiras).

Tenho como fundamental o investimento nas categorias de base. Acho que independe da situação do clube, pois não vejo a base como um problema, mas sim como uma solução. É na base que a diferença do poder econômico é minimizada, porque os investimentos não são elevados. Isto sem contar que o Santa Cruz, dentre os times de Pernambuco, e talvez da região, é o maior chamariz de craques. Muitos dos jovens valores que despontam, ou despontaram nos clubes rivais, antes passaram pelo Santa Cruz, porque o Santa Cruz tem essa característica popular de atração. Mas acho que estamos trilhando outro caminho. Estamos apostando em revelações de outros clubes; talvez por falta de capital humano, não restrito a jogadores, mas a outros profissionais também, no próprio clube. Léo, Joélson, Guego, Baiano e Tiago Laranjeiras são exemplos disto. Se o retorno financeiro deste novo caminho adotado for superior ao investimento da base, tudo bem. Embora eu ache um pouco difícil que isso ocorra, pois o número de envolvidos na negociação será maior ainda. Veja o exemplo de Léo.

Por fim, vi que recentemente houve uma reunião com a direção, onde foi feito um balanço sobre o futebol e o planejamento para os meses seguintes. Segundo comentário ao site oficial do Clube, o presidente do Santa não ficou feliz com a campanha do time profissional no campeonato pernambucano de 2010. Nem eu, presidente. Mas como a reunião tratou de assuntos relacionados ao futebol, esperava ler algo sobre as categorias de base, dado que o seu desempenho foi vergonhoso. Daí eu pergunto: será que a direção ficou feliz com o desempenho do time no Campeonato de Juniores? Será que houve algum questionamento sobre o trabalho de base nesta reunião?

Um dos pontos mais positivos que considerei nas primeiras entrevistas de Raimundo Queiroz foi ouvir ele falar da importância das categorias de base para o sucesso de um Clube. Sempre que falava, Queiroz citava o volume de recursos que o Goiás ganhou com a transação de jogadores, alguns dos quais da própria base. Mas, até agora não o ouvi falar sobre o que tem feito a respeito.

Já que o nosso presidente não se comunica com a torcida, acho que seria uma ótima oportunidade do nosso diretor de futebol delinear o planejamento que tem sobre o fortalecimento das categorias de base do Santa Cruz e, mais especificamente, sobre o que tem feito. Afinal, depois de meses de mandato, o discurso de profissionalização, de uma auditoria, de um time de primeira divisão, de um Centro de Treinamento e da valorização das divisões da base ficou restrito aos minutos do discurso de posse de FBC.

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11 comentários

  1. André Tricolor Virtual
    24/05/2010 | 13:44h
    1

    “Paulo Aguiar”,

    É de extrema importância a consolidação e planejamento nas categorias de base. Muitos clubes vem crescendo, inclusive nordestinos, após a valorização e trabalhos na estrutura que atende os jovens valores, sejam eles da região ou não.

    É um tanto desgastante ficarmos ‘batendo na mesma tecla’, editando artigos que mostrem a importância e o descaso (até) nos trabalhos que são feitos nos Juniores do Santa Cruz. Tive a oportunidade de ver um dos jogos do campeonato dessa categoria e foi uma coisa (VTNC) horrível!

    E aí vem àquela estória que estamos ainda nos recuperando dos tombos passados … Claro, e nada vai mudar da noite para o dia, porém o que deve mudar é a atitude e dá prioridade também a BASE CORAL … E os meninos que hoje brilham no exterior, sejam do campo ou do salão, podem um dia serem grandes jogadores profissionais! Estamos aguardando o tão sonhado CT, com instalações dignas de um GRANDE CLUBE,e que possamos voltar a garimpar, a revelar jovens talentos e ‘sobretudo’ formar cidadãos, prontos para vencerem na vida!

    Abraços a Todos,

    >>> VIVA SANTINHA !!!!

    Responder
  2. Marcos Tricolor
    24/05/2010 | 13:54h
    2

    Houve um grande trabalho resente no Clube quando FBC asumiu, era um colegiado só pra tamar conta da base, e depois foi extinto quando Raimundo Queiroz chegou. Não seria a hora de montar de novo um colegiado só pra base. Certamente revelaremos mais atletas.

    Responder
  3. Erick Ramo
    24/05/2010 | 14:54h
    3

    Recentemente, a diretoria iniciou uma campanha para realizar peneiras em diversas cidades do interior. Acho que isso já é uma ação… Não vejo a diretoria de braços cruzados em relação à base. Devemos manter os olhos abertos para o que está sendo realizado e cobrar aquilo que ficou só na promessa.

    []‘s
    Erick Ramo

    Responder
  4. GOMES
    24/05/2010 | 20:15h
    4

    Por falar em castelos de areia…

    Além de concordar com a necessidade de preparação de uma boa base (o Santos tá demonstrando porque isso é verdadeiro), tenho que isso tem contribuído, inclusive, com o baixo nível do Campeonato Pernambucano (vulgo Bodão, onde vemos que o “campeão invicto” achava que era o rei da cocada preta, e não consegue deslanchar na Série B, tendo seu castelino de areia desmanchado nos primeiros passos da Série).

    Sim, porque, como os times maiores de Pernambuco têm permanente dificuldade financeira, não há como montar plantéis permanentes e de qualidade, pois o orçamento não permite, e a dissolução, o desmonte pós-certame virou rotina.

    Os jogadores de qualidade são assediados por propostas mais vantajosas, por times mais estruturados, por divisões mais atraentes como vitrine de mercado. Como não temos uma base consistente, ficam os que conseguimos manter e pagar, bons de bola ou não.

    Digo mais: uma prova do baixo nível do nosso futebol em pernambuco – repito – é o que está acontecendo como “Do Recife”, que não suporta sequer os ataque de um time com o ASA de Alagoas.

    Se não tivermos cuiDADO (desculpem o trocadilho pobre), poderemos ver o castelinho dos sonhos de saisr da Famigerada Série D se desmanchar, pois também dependemos do que conseguimos contratar , manter e pagar.

    AINDA: É BOM LEMBRAR QUE UMA BASE NÃO SE MONTA PARA ESSA TEMPORADA, MAS UM INVESTIMENTO A MÉDIO PRAZO, COM PELO MENOS DOIS, TRÊS ANOS PRA SE CONSEGUIR ALGUM RESULTADO.

    Responder
  5. Almir
    24/05/2010 | 23:01h
    5

    enquanto a base for feita por abnegados e voluntários, não teremos muito avanço.

    Responder
  6. marcelo almeida
    25/05/2010 | 11:26h
    6

    Antigamente as escolinhas eram uma escada social para os menos favorecidos. Eram abarrotadas de jovens carentes. Sobressaiam das peneiras e realmente jogavam somente os melhores. Os de classe média aindam acreditavam nos estudos como redenção social. Hoje pra ganhar R$ 10.000,00 mensais (considerado baixo para o futebol) só com estudo, tem que ralar muito e por muitos anos. Então, as bases dos clubes deixaram de investir em jovens menos favorecidos, com qualidade atestada por olheiros. São os jovens da classe média que “alugam” a base por “indicação” de empresários. Por fim, sem preconceito de cor, apenas constatando uma realidade infeliz e desigual neste país: olha por time titular da base e observa o banco. Só pode tá errado.

    Responder
  7. L'AA
    25/05/2010 | 14:21h
    7

    Acho válidos os argumentos do post, assim como as opiniões que o corroboram. Mas, do meu ponto de vista, e já falei sobre isso em outro momento, a diretoria deveria concentrar suas atenções de forma exclusiva no elenco principal. Defendo que no momento, não se gaste dinheiro (dinheiro dos sócios, diga-se de passagem, nosso dinheiro) com divisões de base. Para mim, divisão de base é hoje, no Santa Cruz, sinônimo de passivo trabalhista (RQ tava dizendo que precisou comprar até esparadrapo com seu dinheiro…). O clube deveria buscar reforços nos times menores do Nordeste. Não vejo, no curto prazo, o clube com condições de fazer um trabalho importante na formação (repito, formação, entenda-se escolinha, apôio e tudo mais) de novos valores. Por isso, fiquei bastante preocupado com a recusa da ajuda proposta por Rivaldo. Os jogadores do Mogi foram rejeitados em função de qual argumento? os prata-da-casa? O Santa Cruz não tem condições de esperar soluções de longo prazo (quiçá mais sustentáveis). A série d começa amanhã. Estamos preparados? Sinceramente, respeito e reconheço o valor de seus argumentos, mas discutir divisão de base no Santa Cruz de hoje é diversivo e improdutivo.

    Responder
  8. André Tricolor Virtual
    25/05/2010 | 15:08h
    8

    “L’AA”,

    Seus argumentos são válidos … Agora o que não podemos entender é o ‘Porto’ por exemplo, ter um ótimo trabalho de Base com um CT EXCELENTE, e nós Tricolores Corais procurando um terreno para não sei quando construir um CT decente, ou mesmo esperando ajuda dos outros, para nos ceder jogadores … Também não vejo muito crescimento agindo dessa forma! O Futebol Profissional é prioridade sim, porém só vejo evolução de o crescimento for CONJUNTO, e aí, incluo um melhor trabalho Social no Clube (cadê a Diretoria Social?) …

    Responder
  9. André Tricolor Virtual
    25/05/2010 | 16:07h
    9

    Corrigindo:

    … Também não vejo muito crescimento agindo dessa forma! O Futebol Profissional é prioridade sim, porém só vejo evolução SE o crescimento for CONJUNTO, e aí, incluo um melhor trabalho Social no Clube (cadê a Diretoria Social?)entre outras coisas (VTNC) mais !!! …

    Responder
  10. André Lins
    26/05/2010 | 10:49h
    10

    Prezado André Tricolor, concordo com com você em alguns pontos, más comparar-mos com o Porto não dá. Para fazer um CT é necessário no mínimo R$1.000.000,00 (CT descente),se a coisa que tem recursos do Clube dos Treze ainda não conseguiu, como iremos conseguir de uma forma rápida e honesta.O Porto é um clube de um empresário, que por sinal foi preso por sonegação fiscal, assim fica fácil, você não acha?

    Responder
  11. André Tricolor Virtual
    26/05/2010 | 14:10h
    11

    Grande “André, meu Chará”,

    O mais incrível é que não temos R$1.000.000,00 para o CT, porém, todo ano temos que ‘dividir’ dívidas trabalhistas, e agora nada mais, nada menos que R$600.000,00 de um abnegado tricolor que cobra comissão de ‘bicho’ ou sei lá que seja! E, como podemos justificar que não temos condições? O que vejo é a necessidade de termos PRIORIDADES em tudo que se diz respeito ao SANTA CRUZ … Se lá no lado do ‘Porto’ exista quem tenha sido preso por qualquer crime que seja, é uma pena, mas, o CT tá lá, se fosse no caso do Santinha, certamente algum ‘abnegado tricolor’ iria se aproveitar para tomar posse!

    Responder

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