Recife, 28 de julho de 1993
Autor : Paulo Aguiar | 1 de agosto de 2008 | 0:00h | História | 19 comentários

Caderno de Esportes do Diário de Pernambuco
Jogamos contra um time mais técnico e que teve chances de liquidar a partida. Mas, não o fez. Podemos não ter jogado bem, mas quem irá lembrar deste detalhe no futuro? O importante é que vencemos, e de uma forma dramática, uma partida que não será esquecida jamais!
Saí da faculdade direto para o Estádio José do Rego Maciel, junto com colegas alvi-rubros. Antes, porém, uma passada rápida em casa para vestir a minha camisa da Adidas, com o logotipo do Banorte, que tenho guardada em lugar especial do guarda-roupa.
Viemos de uma seqüência de decisões. O último jogo já foi de matar um tricolor do coração (Adeus, coisa!). Este, então, prometia ainda mais.
Consegui um lugar nas cadeiras, lotada. Fiquei ao lado do meu amigo Josias (Geó), rezando para que tudo desse certo. Tínhamos que vencer, não bastava nem o empate.
Edson Nogueira também estava lá. É bem verdade que ele não esperou o apito final, foi logo para os vestiários antes do jogo encerrar (veja aqui) penitenciando-se pelos erros que cometeu. Como gerente de futebol demonstrou que não confiava no elenco que ajudou a montar. Além dele, muitos tricolores também perderam a confiança assim que o Santa levou o gol; até mesmo o presidente. Não os recrimino, afinal, para o Santa Cruz tudo parece ser mais difícil.
Mas, ao invés de lamentar os que foram embora, prefiro valorizar aqueles que ficaram e que acreditaram na esperança. Parabenizar a torcida que estava presente até o final, a Santamante, os Cobrões, a Força Jovem e a nova Inferno Coral!
Hoje, os que não estavam no Arruda, com certeza, estão arrependidos. Os que saíram antes do apito final, também. Perderam de ver uma epopéia do futebol. Um time limitado tecnicamente se superando com garra e confiança. Um preparador físico, que se passa por técnico, e que parece mais um motivador. Futebol é assim, sem explicação, mas com o coração na ponta da chuteira. Um erro do adversário, uma bola quicando e um chute certeiro definem uma partida; um campeonato!
O jogo de hoje comprovou o que eu já sabia: jamais abandonarei o Santa Cruz, seja qual for a adversidade! Ficarei, sempre, até o último minuto. Tenho certeza que sou apenas um dentre muitos que acreditaram na última bola do jogo. Que colocaram a força necessária no pé de Célio, e que guiaram a bola para o seu destino. Que acreditam que a superação do nosso time vem das arquibancadas.
Obrigado Marcelo, Araújo, Júnior Cordel, Reginaldo, Quinho, Mazo, Serginho, Fernando, Marcelinho, Washington, Marcelo, Gil e Célio por esta alegria de hoje, e de amanhã.
É o futebol nos ensinando que nunca devemos perder a esperança. Mesmo na torcida, somos capazes de chutar a bola e virar o jogo.
Recife, 28 de julho de 1993.
Nota da redação:
Homenagem do Torcedor Coral ao aniversário de 15 anos de um dos títulos estaduais mais emocionantes conquistados pelo Santa Cruz.
19 comentários
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Esse foi o ano que efetivamente comecei a gostar de futebol e que escolhi o clube do meu coração: Santa Cruz. Ao contrario de muitos, por incrível que pareça, meu pai deixou que eu mesmo escolhesse meu destino (acho que ele sempre confiou em mim e sabia que eu não iria errar em algo tão importante). Só nesse ano que ganhei minha primeira camisa do SANTA. Não pensem que meu velho é um torcedor só de boca. Depois descobri quantas situações, leia-se loucuras, ele tinha passado junto com o Santa quando mais jovem e depois de ser pai tornou-se mais comedido no seu ímpeto futebolístico. Hoje em dia vamos a quase todos o jogos juntos.
Esse dia não será esquecido nunca. Felizmente faço parte de uma grande familia tricolor.
Neste dia, não fui ao jogo. Nâo recordo bem o motivo, mas lembro que estava relacionado ao trabalho. Possivelmente eu estava viajando, não sei.
O fato é que esse foi um jogo histórico, daqueles que faz a gente bater no peito e sentir orgulho de ser tricolor.
Lembro de um amigo que deixou o estádio antes do término da partida. Ele se arrepende até hoje. Não era pra menos. Como Paulo, ele aprendeu a não abandonar o time, pois somos o clube das causas impossíveis.
Saudações corais,
Dimas Lins
Como esquecer deste jogo.
Lembro de muita gente da torcida indo embora, quando um amigo disse para mim:”vamos embora” . Eu sem tirar o olho do campo disse para ele:”Por que, o jogo ainda não acabou”.
Fico muito feliz em ter ficado e puder presenciar um um jogo mágico. Lembro do meu irmão Luciano, que atuamente não vai a campo, correr feito um louco para a divisória com a torcida da barbie e ficar dando dedo para eles e dizendo:”Diz agora que é campeão…rs
Felipe Lins
O presidentezinho perdedor tem uma longa história de covardia, traição e mentiras.
Eu estava no jogo, faltando cerca de 15 minutos para acabar resolvemos sair do estádio, era um tumulto para sair e um amigo ficou com a orelha colada no rádio, assim que saímos aconteceu o gol de empate, lembro que o comentário foi:”é pelo menos empatamos, não saíremos com a derrota” ao chegarmos no carro, o mesmo estava totalmente trancado por outros carros(graças a Deus!) o amigo que estava com a orelha colada no rádio desligou e jogou-o em cima do capô do passat, outro amigo pegou o rádio ligou e colou a orelha, e o que acontece? gol do Santa Cruz a virada!. Foi um corre-corre pra gente voltar ao estádio, nos ônibus vi gente se jogando pela janela e caindo no chão para voltar, conseguimos retornar ao estádio e fomos parar nas cadeiras a partir daí todos sabem o que aconteceu…
Graças a orelha do meu amigo que resolveu pegar o rádio em cima do capô e ligá-lo que o Santa Cruz levou esse título hépico.
Me lembro de tudo desse jogo. Inclusive, que foi aí que tive minha primeira falta de ar por emoção… Depois uma festa inesquecível na Sede!
Conheço um camarada que já estava na Rua Amélia, onde morava, quando aconteceu a virada. Ele voltou ao Arruda? Claro!
O dever é fazer com que 93 se repita muito mais vezes do que vem acontecendo…
teve em 2004 tbm, a virada em pleno arruda uhuhuhea
I – N – E – S – Q – U – E – C – Í – V – E – L !
Parece que foi ontem. Eu e um amigo, saímos do Janga (Expresso do Torcedor).
Como esquecer aquela noite?
Lembro-me que não sair do estádio, porque meu carro estava preso no estacionamento. Hoje, agradeço a Deus por ter me dado a graça de ir ao estádio, agradeço ao meu Pai por ter me feito torcedor do Santa Cruz, agradeço ao torcedor que fechou a saída do meu carro no estacionamento. Aquela noite, nunca mais sairá da memória.
Já tinha pego o ônibus quando aconteceu o segundo gol. Houve um clamor, e todos queriam sair de qualquer forma. Começou o empurra-empurra. As mulheres gritavam, as crianças choravam. Desesperado, estilhacei a janela, cortando meu braço. Sujo de sangue, saltei do ônibus pela abertura. Na queda, torci o tornozelo e desloquei a clavícula. Fui mancando de volta ao estádio. A multidão de fanáticos, que corria desembestada, ainda me derrubou, pisoteando e machucando meu tórax e meu ventre. Fiquei com dificuldade de respirar. O jogo acabou, e pulei feito feijão mexicano. Meu tornozelo virou uma bola de basquete.
Podia até morrer, mas estava satisfeito. Sabia que tinha vivido o suficiente. Depois desse dia, a vida só seria adiamento. E isso me bastava.
Curei minhas feridas com cachaça e muita felicidade.
Eu estava lá nesse dia histórico! Saí do Arrudão muitíssimo triste juntamente com uma multidão de tricolores, pois o Santa perdia de 1 X 0. Fui caminhando pela Rua das Moças de volta pra casa, quando o Santa empatou. Chovia bastante e eu já estava chegando em casa, quando Célio fez o gol do título. Na hora, passava uma caminhonete cheia de tricolores gritando que o Santa tinha virado o jogo. Não quis nem saber, me joguei em cima da dita cuja e voltamos pro Arruda. Todos nós, tricolores, chorávamos de emoção. Nesse dia bebi até amanhecer. Fiquei extasiado de tanta felicidade, assim como a massa coral que estava presente no Arruda naquele dia INESQUECÍVEL.
Salve o Santa Cruz F C….e sua torcida apaixonada!
Morava em João Pessoa e vim com duas flhas ao jogo. O time era dominado, Cafezinho infernizava, Washington talvez motivado pela chuva, ía pro chuveiro logo cedo. Aos 35 minutos do segundo tempo, o canto vindo do lado direito (estava nas sociais) me irritava. Olhei pro lado e disse, vamos embora afinal não viemos de longe pra vermos festa dos outros na minha própria casa. Íamos descendo as escadas onde se encontra o bar das sociais quando ouvi o grito de gol. Liguei novamente o rádio e ao confirmar que era do Santa, gritei: vamos voltar. A partir daí foi só felicidade. Não dá realmente para esquecer, assim como sei que não esquecerei jamais a grande e atual administração do clube.
Fou um campeonato sensacional do Mais Querido. Decidimos o segundo turno contra a coisa em dois jogos, estávamos ganhando o primeiro, numa quarta-feira até 46 do segundo tempo, quando Zinho empatou. Evidente que pro Santa tem que ser mais difícil. Mas valeu a pena, quem foi no domingo lavou a alma com um contundente 2×0, gols de Fernando e Washington, que humilhou o então revelação zagueiro Sandro, com uma caneta e uma finalização com muita categoria, o Santa foi a final dando olé na leoa e o Arruda com mais de 70 mil, foi ao delírio.
Com relação ao citado jogo, fomos campeões porque tinhamos que ser mesmo, incrível! Gostaria de acrescentar apenas que o Sr. Wilson de Souza fez de tudo sim pra acabar com o nosso time. Teve um gol legalíssimo do Fernando quando ainda estava 0×0 e o infeliz anulou alegando impedimento. Não discuto a expulsão do Washington, mas houve um lance idêntico que o mesmo Lúcio Surubim cometeu nele, com um carrinho criminoso por trás e não foi expulso. Como fomos campeões, o pessoal pouco fala, mas depois desse jogo nunca mais enguli esse Wilson Souza.
Por fim, saliento que o nosso time demonstrou ser de fato o melhor. Neste jogo estávamos desfalcados de jogadores importantes como o lateral direito Marco Antônio e o zagueiro Paulo César e a barbie, claro, com um time mais entrosado, perdeu várias chances de matar o jogo.
São jogos como este, lutando contra tudo e contra todos, que o nosso Santa mostra a sua grandeza e nos faz ter tanto orgulho de amá-lo.
Saudações tricolores a todos.
Paulo Aguiar,
Eu estava lá e fiquei porque ia jogar o rádio na cabeça de Wilson de Souza, após o término da partida.
Recentemente, soube que Washigton tinha recebido o bicho dos dois times, o do Santa pelo título, e o da barbie por ter causado a expulsão.
Bons tempos.
Sem dúvida, esta foi a maior vitória que eu vi do Santa Cruz.
Por todas as adversidades, teve um gosto especial.
Lamento, apenas, que o adversário não tenha sido o outro time. Mas, sinceramente, não fez tanta diferença.
Eu estava lá, e fiquei até o final. Confesso, contudo, que durante a prorrogação eu só ficava olhando para o céu, rezando
)))
Felizmente, deu tudo certo!!!
Essa data não me esqueço, pois, é simplesmente a DATA DE MEU NASCIMENTO !!!!!
>>> VIVA SANTINHA, VIVA ANDREZINHO !!!!!
Me lembro da manchete do Diário de PE quando ganhamos o segundo turno, metendo 2×0 na coisa: “Santa na final como o Povão gosta”.
Naquele tempo ainda tínhamos lampejos de time grande, e não dávamos tanto vexame quanto hoje. E infelizmente é um passado cada vez mais distante. :-\
Chorei, xinguei, rezei (na época era cristão), pulei, comemorei e no fim do jogo achei que Célio era craque e tinha lugar na seleção.
Afinal de contas o que uma criança de 11 anos podia imaginar depois de um dia inesquecível como este.
ESPERO QUE RESPONDA