Arte: Dimas Lins

No mundo jurídico, existe uma teoria segundo a qual se verifica a conduta do agente e o resultado por ele produzido. Assim, para dizer que alguém causou determinado fato, faz-se necessário estabelecer se sua ação ou omissão deu causa ao resultado gerado. A essa teoria dar-se o nome de Nexo da Causalidade.
Em outras circunstâncias afora, há aquelas que possam até mesmo se excluir do mundo jurídico, embora afetem o nosso cotidiano. O exemplo disso é um encontro ocasional entre duas pessoas num bar. Brincando com o direito, chamo a conduta do acaso e o resultado por ele produzido de Nexo da Casualidade.
Pois bem. Dias atrás, o acaso bateu a minha porta. Ou melhor, deu de cara comigo num bar da cidade. Tinha nome e sobrenome: Bartolomeu Bueno, ex-presidente do Conselho Deliberativo do Santa Cruz e vice-presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco. O encontro casual gerou como resultado uma boa conversa de mais de 3 horas.
A conduta do acaso, naquele dia, ocorreu depois que eu combinei com o amigo Ducaldo uma palestra descontraída sobre as coisas desimportantes do mundo civilizado, mesmo sabendo da inevitabilidade de tratar, de maneira pormenorizada, dos assuntos corais. Estes sim, de alta complexidade e da maior relevância.
Cheguei antes de Ducaldo. Bartolomeu Bueno já estava lá. Embora o bar estivesse vazio, ele falava ao celular, em pé e longe de sua mesa, talvez para não que não fosse incomodado nem mesmo pelo garçom. Cumprimentei-o de longe e me sentei em outra parte. Depois que terminou a ligação – cortês, como sempre – Bartolomeu Bueno fez o convite para que eu me juntasse a ele. Prontamente aceitei. Ele estava sozinho, pois não gosta do desassossego. Peguei a minha cerveja e me sentei a sua frente. Ele tomava Brahma; eu, Skol. Mais tarde, perceberia que esta seria a nossa única divergência. Começamos a falar do Santa Cruz e a conversa tomou ainda mais corpo com a chegada de Ducaldo.
O ex-presidente do CD, de perto, tem a mesma empolgação pelo Mais Querido que demonstra em suas falas públicas. Apesar da crise mundial, manifestou entusiasmo com a recuperação do Santinha, mostrou-se a par das ansiedades da torcida coral e, como qualquer tricolor, sabe da importância do trabalho no extra-campo. Entretanto, como um bom homem da lei, BB defende a ética acima de tudo.
Falamos também de outros assuntos. Ele contou, por exemplo, da época em que estudava no Colégio Estadual de Pernambuco – CEP (que depois tornou a se chamar Ginásio Pernambucano, onde também estudei) e de quando passou no vestibular de Direito, a contragosto de seu pai, que preferia medicina. Lembrou-se da vez em que, de férias da faculdade, chegou a sua casa no interior com os cabelos compridos e foi obrigado pelo pai a por abaixo toda a cabeleira. Não se impressionou quando eu disse que tinha vinte e oito irmãos, sendo vinte vivos (um dia ainda conto aqui essa história), pois ele mesmo tem um parente que teve quarenta e dois filhos. Nessa hora, fui eu quem ficou impressionado. Por último, e mais importante, ele falou da doença de sua mãe que, aos oitenta e poucos anos, tem uma osteoporose bastante avançada. Desejamos, Ducaldo e eu, sorte na recuperação.
Mas o que me chamou a atenção em Bartolomeu Bueno foi a sua simplicidade e seu trato sem distinção, que dispensa a qualquer pessoa. Sua importante função no judiciário parece não tê-lo afastado da vida das pessoas comuns, tão normal nos homens e mulheres que tem alguma projeção em nossa república. Para um desembargador, Bartolomeu Bueno confunde-se com um cidadão qualquer. Para mim, num mundo cheio de vaidades, melhor elogio não há.
Na saída, combinamos uma entrevista, embora sem data específica. Preferi evitar a formalidade de um escritório, deixando ao acaso um novo encontro no bar. Afinal, no meu caso ao menos, uma cerveja antes do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor.









Eu gosto desse cidadão. Na pimeira vez que o vi falando em público já percebi algo que me remeteu a uma pesoa sincera e simples.
Espero que ele, e os demais, faça um bom trabalho no mais querido.
DIMAS,
Realmente o Dr. Bueno é uma figura simplória. Não é à toa que “caiu nas graças” de todos os tricolores, independentemente de cor, credo ou posição social. É um exemplo de homem de poder, competente, honesto. Apesar do cargo que ocupa mostra-se totalmente desprovido de vaidades.
Quando fores entrevistá-lo gostaria que v. captasse o que ele pensa a respeito dessa máfia do C13 e se ele enxerga alguma alternativa jurídica (além da política) no sentido de se evitar o extermínio dos grandes clubes de massa nordestino por esse tal de Koff, que mais parece um cão-de-guarda SS.
Se ele enxergaria também alguma maneira de viabilizar a saída desse ganngster do Teixeira, da Presidência da CBF (por sinal, aquele processo do escandaloso contrabando da Copa de 94 foi arquivado ?).
E se haveria alguma maneira de punir a rede PLIN-PLIN que recebe uma CONCESSÃO PÚBLICA pra explorar os seus serviços na mídia e, também, age ao seu bel prazer, além de deter esse inaceitável monopólio televisivo no campo futebolístico.
Finalmente, se o nosso SCFC poderia entrar com recurso de PERDAS E DANOS dessas mais de DUAS DÉCADAS de tratamento injusto e desigual (além da perda financeira direta provocada por essa máfia tem a perda decorrente maior, imaterial, que não tem indenização que pague: títulos, conquistas e de perdas de levas e mais levas de torcedores, por razões óbvias.
É isso aí.
E QUE DEUS NOS AJUDE.
Um grande tricolor, que possibilitará uma boa entrevista.
Dimas, até lhe invejaria se também não tivesse passado por isso…rs
Tenho logo vontade de rasgar a seda quande se trata do Dr° Bartolomeu, ou simplesmente Bartolomeu, como gosta de ser chamado.
Nos encontramos no Bar de Seu Biu na Várzea, junto com mais alguns amigos, numa tarde-noite de muitas Brahmas e muitos causos.
Também demonstrei o meu interesse em entrevistá-lo, mas não o fiz, o cartão de visitas está guardado, quiçá um dia desses eu não lhe surpreendo.
Ele merece mais que uma entrevista, merece uma homenagem, é um exemplo de ser humano, simples e vitorioso.
Sdç corais!
Com certeza vai ser uma grande entrevista.
Cidadãos Corais,
Conheci o Dr. Bartolomeu Bueno atuando na área da criança e do adolescente, eu numa ONG e ele na 1ª Vara da Infancia e da Juventude da Capital, tinhamos um relacionamento meramente profissional e isso ele é demais. Depois voltei a encontra-lo no TRE, aí eu já estava militando partidariamente e ele era o juiz principal das eleições do, se não me engana a memória, ano de 2000. E agora volto a reencontra-lo no Conselho Deliberativo do Santa Cruz.
Acho que será uma grande entrevista.
Saudações Corais
Grande Dimas
Realmente “Bartolomeu” é um cidadão do BEM, cara super simples e acessível, que tem um olhar cativante, tornando-o uma pessoa agradável e que certamente tem ótimas histórias para contar!
Um grande abraço pra vc e nosso amigo “Ducaldo” !!!!
Apesar dos inúmeros relatos que ouvi a respeito, a simplicidade do Dr. Bartolomeu me impressionou.
Dimas foi bastabte preciso em seu relato.
Boa noite, Torcida Tricolor Coral Santacruzense
Boa noite, Dimas Lins
Os HOMENS que comandam o SANTA CRUZ FUTEBOL CLUBE hoje estão, estes sim, à altura do Mais Querido e da sua Imensa e Fiel Torcida.
HOMENS que ajem com o pé no chão porque sabem que a vida só é ganha com um passo após o outro.
Parabéns, Dimas!! Estamos aguardando a entrevista com o Dr. Bartolomeu Bueno.
Saudações Corais.
Torcedor Coral Distante, mas sempre presente.
Saudações tricolores………….
Esta é a gestão mais profissional que já vi no Santa. E o Bartolomeu ainda acrescenta paixão. Que a gente tenha continuidade deste modelo e nunca mais apareçam os aventureiros.
Encontrar O Dr.Bartolomeu em um barzinho, e conversar amigavelmente com ele mais de 3 horas sobre o Santa Cruz, deve ter sido algo empolgante.
Mas, lançar um texto no Blog, só para falar que achou ele uma cara legal, e um verdadeiro boa praça. Sinceramente é muita falta de assunto.
Pois seria interessante se o texto constasse, por exemplo, o que ele acha do Santa S/A; Da Comissão Técnica; De como ele avalia todo este processo político/administrativo que o clube atravessa; Da FPF; Do Clube dos 13;Se ele tem pretensões de se candidatar a Presidente,Da criação da 4.divisão; Do Time, Das contratações. Enfim, qual a impressão que tem um dos homens fortes do Santa Cruz sobre o atual cenário do Clube.
Pois um texto pobre deste, é subestimar o próprio blog. Achei uma melação só.
Jânio,
Tens razão em parte. O texto, sob essa ótica, é desnecessário. Parece melação. Mas o meu texto tinha um sentido. Em primeiro lugar, para mostrar que nem toda pessoa pública é diferente no particular. Não se iluda que mesmo os mais ilustres tricolores são uma coisa para o público e outra longe dele.
Mas volto a dizer, sob esta ótica, o texto é por demais desnecessário.
Já em relação a usar o texto para conhecer as impressões que essas mesmas pessoas públicas têm sobre o Santa Cruz, em parte, é perda de tempo.
Me explico. Oficialmente, tudo é uma maravilha. Dificilmente, você ouvirá alguém de dentro do clube dizer que há algo errado. Ninguém dirá. Recordemos a entrevista de Capella criticada por você. Corroboro com a sua opinião. Ele não disse nada. Aliás, mentiu quando disse que o elenco estava em dia. Mais tarde descobrimos que não era bem assim.
As entrevistas continuarão sendo feitas, mas para que a gente, a partir delas, construa a nossa própria opinião.
Voltando a sua proposição, infelizmente, nem tudo o que ouvimos no particular dá para tornar público. Não falo em relação apenas a Bartolomeu Bueno, mas de uma forma geral. É preciso saber separar o que se pode ou não publicar.
Afora disso, relendo o texto, achei que você tem razão.
Saudações corais,
Dimas Lins