Recebi algumas fotos do amigo Fabiano Pinheiro mostrando que a reforma do Arruda está indo de vento em popa. Propus que ele escrevesse um texto para nós sobre o que viu.
As fotos me deixaram com nostalgia. Não sei exatamente a razão – provavelmente a sensação de recomeço – mas lembrei da primeira que fui ao estádio coral.
Como todo garoto, estive cercado de ansiedade e expectativa. Por isso, tempos atrás, escrevi uma crônica universal sobre a primeira vez de uma criança em um dos maiores estádios do mundo. Ela não aconteceu comigo, de fato, mas é igual a minha e a sua história. Ela é igual à história da nossa torcida.
Como bateu a saudade, compartilho novamente com vocês.
Dimas
Tinha quase oito anos. Há tempos pedia a meu pai para me levar ao Arruda. Ele sempre dizia que me levaria da próxima vez. Ocorre que a próxima vez chegava e nada acontecia. Ele não era um tricolor relapso, apenas achava que eu não agüentaria a maratona do dia e pediria para voltar pra casa mais cedo. É que ele, antes do jogo, juntava-se aos amigos e fazia o aquecimento em algum boteco no caminho para o estádio. Depois da partida, ainda parava em algum lugar para tomar outras, para comemorar a vitória ou desafogar as mágoas pela derrota. Mesmo assim, aquilo me deixava chateado. Queria tanto ver o Santa jogar, que chorava sozinho quando meu velho pai ia assistir aos jogos e me deixava em casa.
Em toda a minha curta vida, eu nunca havia tido esse prazer, só escutava os jogos por um pequeno rádio de pilha e nada mais. Ficava em casa imaginando os dribles, os chutes, as defesas e os gols. Sequer tinha noção da grandeza das coisas do futebol coral. Como seria o Arruda? Como eram os jogadores? E a torcida? Não sabia de nada disso e, sinceramente, não adiantava alguém me dizer como era, pois essas coisas só valem quando a gente vê com os próprios olhos.
Quando meu pai chegava em casa, depois do jogo, eu logo pulava em cima dele. Queria saber todos os detalhes. Ele me colocava na cama e contava a história da partida. Desde sempre foi assim. Enquanto alguns meninos ouviam historinhas de ninar, eu ouvia as histórias do Mais Querido. E, invariavelmente, transformava tudo aquilo numa fábula. Onze cavaleiros defendendo um reino coral. O castelo tricolor protegido por um canal que abrigava seu povo, sua gente, dos inimigos. Dava vazão a minha imaginação.
Finalmente, fiz oito anos e meu pai prometeu que atenderia a um desejo meu.
- Qualquer coisa? – perguntei.
- Qualquer uma – disse ele.
Nem precisei contar meu desejo, ele sabia bem.
Enfim, chegou o primeiro domingo de jogo, depois do meu aniversário. Eu estava prestes a realizar meu sonho. De tão ansioso, acordei às cinco horas da manhã, pois não consegui dormir direito. Não via a hora de ir ao Arruda assistir ao meu time do coração jogar. Confesso que não sei que jogo era, nem por qual campeonato. Não importava. Ia pelo Santa Cruz e por mais nada.
O dia começou lento. Vi o sol raiar e, só horas depois, meu pai acordar. Ainda faltava muito tempo e eu já nem cabia em mim mesmo. Tentei não deixar meu pai perceber, para não pertubá-lo. Afinal, que essa fosse a primeira vez, não a última, que eu o acompanharia ao Arruda. Com muito custo, me contive. Desde cedo, já estava vestido com a camisa coral, a mesma que meu pai me dera no meu aniversário. “Vamos?”, disse ele. Nem acreditei. Corri em sua direção e segurei sua mão. Finalmente partimos.
Primeira parada, um mercado público. “Então era lá que meu pai se reunia com os amigos?”, pensei. Numa coisa ele tinha razão, eu estava impaciente. Mas não para voltar para casa e sim para ir logo ao estádio. Não é fácil conter a ansiedade de uma criança, ainda mais quando você é a criança.
Ainda no carro, meu pai apontou para o estádio. Era lindo! Muito maior do que a minha mente imaginara. Descemos do carro e nos misturamos à multidão. Nos dirigimos à bilheteria e depois seguimos para as sociais. A entrada ao Arruda foi indescritível. O coração disparou quando ultrapassei a catraca. O escuro da parte interna contrastava com o clarão que vinha do campo. Quando finalmente pude ter uma visão completa do estádio, fiquei maravilhado. Tudo era diferente do que imaginava. Era melhor, bem melhor. Era um mundo. Um mundão! Estava tão feliz e irrequieto que não sabia o que fazer. Queria correr, gritar e pular, mas continuei firme segurando a mão de meu pai.
Quando o Santa entrou em campo, o estádio todo ficou de pé. Gritos, cânticos e fogos, tudo de uma só vez. Era lindo e eu estava lá, participando de tudo aquilo, da coisa mais bonita que vi na vida. O time estava todo de branco, apenas com listas pretas, brancas e vermelhas na horizontal da camisa, igual a que eu usava.
Começa o jogo e os olhares estão voltados para o gramado. Perguntava tudo ao meu pai sobre os jogadores. De repente, um lançamento em profundidade, o atacante tricolor ganhou na velocidade, driblou o goleiro e mandou a bola para o fundo das redes. Um golaço! O meu primeiro gol ao vivo. O estádio veio abaixo! Fiquei tão emocionado que chorei. Meu pai me abraçou, enquanto eu derramava lágrimas de felicidade. No final da partida, saímos vencedores. Foi uma grande vitória, um grande dia.
Já em casa, quando fui dormir e meu pai veio me dar um beijo de boa noite, eu o abracei forte. Estava feliz por ter vivido o melhor dia da minha vida. Antes de ele ir para sua cama, disse-lhe que não precisaria mais me contar a história dos jogos do Santa. A partir daquele dia, eu teria as minhas próprias histórias para sonhar.










Dimas, estive fora nesse fim-de-semana e só hoje li a sua mensagem. Vou ver se me inspiro e mando alguma coisa. Mas não prometo, pois diante da qualidade dos textos desse blog posso me sintir empulhado com meu possível “textículo”.
Bela crônica, como sempre!
Belo texto, nos remete as nossas infâncias, lembro as vezes que fui andando com amigos da Madalena ao Arruda, naquela época camínhavamos sem tanto risco como agora.
Mais um gol laço no caminho da profissionalização do Santa, com a contratação de uma empresa para fazer assessoria de imprensa. Apesar da imprensa pernambucana querer mostrar ao contrário, FBC só tem marcado grandes gols, até agora 100% de aproveitamento.
Dimas,
parabens! vai tirar o lacrau do bolso?
abraços
Dimas, onde será a bebemoração??? Meus parabéns!
Como escreveu o Fredinho aí acima, tira o lacrau do bolso!
Amigos,
Como dia de semana é complicado, pretendo tomar uma no sábado lá no Mercado da Boa Vista.
Quem vier, beberá!
Saudações corais,
Dimas Lins
Sacanagem! Logo no fds que eu trabalho…
Dimas, boa noite,
O texto acima me fez recordar a primeira vez que fui a um estádio de futebol com meu pai, foi um jogo contra o antigo Vovozinhas acho que em 1970. Meu pai não perdia um jogo do Santa podia ser contra ìbis, Ferroviário, América e sempre me levava. O amor pelo Santa faz parte da história de minha família e assim continuará de geração em geração.
Boa noite a todos!
De arrepiar!!
Dimas, parabéns atrasado pelo seu aniversário. Pior é que eu faço no mesmo dia ! Tu não tinha um dia melhorzinho para nascer não ?
Tudo de bom para você !
Marcelo,
Obrigado e parabéns para você também. Vamos tomar uma juntos para comemorar.
Saudações corais,
Dimas Lins
Dimas, o foda é que tu vai para o Mercado da Boa Vista e eu vou para o Bar de Galvão, no sábado. E agora ? É que a gente faz um dominozinho de quinze em quinze dias, lá no Santa, para movimentar o clube ! O que tu acha ? Deixa o mercado para o domingo, hehehehehe…
Belo texto, Dimas. Tá explicado o porquê de tu gostar tanto de mercado !
Dimas,
Parabéns e felicidades (atrasado mesmo, pois eu não sabia a data).
Marcelo, você é um verme. Feliz aniversário.
Postei também lá no blog do santinha, mas, com a moderação atuando em marcha lenta, você lerá somente em outubro de 2009.
Eu não lembrava mais dessa bela crônica. Foi bom reler, me emocionar de novo e recordar a minha primeira vez no Arrudão.
Hehehehehehehehehehe, valeu ducaldo ! Esquenta não. A moderação tá foda ! Vai ter Quinta Santa, visse ? Lá em Galvão…
Marcelo Beltrão / Dimas
Parabéns! Felicidades!
Bebeltrão e Dimas , parabéns, embora com 45 minutos de atraso!
só mudo meu nick com uma dourada ou uma coroa em cima do escudo!
Elvimario e Insatisfeito, um abraço e obrigado ! Apareçam na Quinta Santa, hoje ! O convite se estende à todos, aqui do do Blog Torcedor Coral. Dimas vai pagar tudo…
Depois que FBC assumiu, Marcelo Beltrão está achando que dinheiro dá em árvore! hehehe
Saudações corais,
Dimas Lins
Fabiano,
Parabens pelo texto, sábado tem torneio de dominó leva a patroa, ela tá me devendo uma.
Dimas,
Como disse Marcelo Beltrão deixa o mercado para outra, sábado é no Arruda temos que movimentar o clube.
Marcelo deixa uma prá mim
Hoje tem quinta SANTA TÔ LÁ!
O troféu do torneio de dominó vai ser o porchete de insatisfeito, o que tem dentro eu não sei, dizem que é um para-quedas, eu acho que é piano.
tá próximo, quem vai ser o premiado? hehe
quem duvida de como vai ficar a grama do arrudão, dá uma olhadinha:
http://www.greenleafgramados.com.br/novosite/clientes_fut.asp
Susies, tremei, que uma cobrinha de quarta tá ameaçando teu tetra!
Talvez no ano que vem teremos todos os clássicos de PE, basta o América, a Portuguesa de Pernambuco, voltar.
e vc, Micrurus, acaba de ganhar o troféu Marcelo Bebeltrão! Passei raspando, hehe!
Modesta à parte, meu primeiro jogo foi Santa Cruz 2×1 Náutico na Final de 1993. Deus me premiou com um jogo épico para ser o meu primeiro. As lembranças dessa partida carregarei pelo resto da minha vida.