Um time que tem torcida

Sanfona Coral na arquibancada do Arruda
Sanfona Coral na arquibancada do Arruda

O Torcedor Coral publica parte do artigo produzido pelo portal Yahoo Esportes em 11 de setembro de 2009 (clique no link para ler a matéria completa).

Rogério Jovaneli, do Yahoo Esportes

Normalmente, a presença de público nos estádios brasileiros é relacionada diretamente ao desempenho dos times no gramado. Quando o clube ganha, a torcida é maior. Em momentos de baixa, cai o número de expectadores que vão a campo ver os jogos do time do coração. Situação vivida até mesmo por times tradicionais da Série A, mas que nada tem a ver com o Santa Cruz, equipe que atualmente disputa a Série D, equivalente à quarta divisão do Campeonato Brasileiro. Ou melhor, disputava, já que o tradicional clube pernambucano foi eliminado ainda na primeira fase da competição.

Mesmo com o time em um momento difícil, não faltou apoio do torcedor ao clube nos jogos disputados em casa, no estádio Arruda, em Recife (PE). Nada mais nada menos do que 114.737 torcedores foram ao estádio nas três partidas que o Santa disputou – 45.007 no empate por 2 a 2 com o Central (PE), 40.028 na derrota por 2 a 1 para o Sergipe (SE) e 29.702 em novo 2 a 2, desta vez contra o CSA (AL) –, o que dá uma média de 38.246 pessoas por jogo, em casa, a maior do país, inclusive, à frente de todos os clubes da Série A (o Atlético-MG é o mandante mais próximo, com uma média de 37.050 pessoas por partida).

Dimas Lins, auditor do Tribunal de Contas do Estado de Pernambucano, torcedor, sócio e conselheiro do Santa Cruz é um daqueles abnegados, gente que luta pelo clube e que sabe como ninguém o porquê de tanto amor do torcedor coral por seu clube. “Nosso torcedor sente saudade de ver seu time jogar. Passamos 74 dias sem jogar entre o fim do Campeonato Pernambucano e o início da Série D. Nesse período, não era incomum a gente sair de Recife para assistir aos amistosos de preparação da equipe. O amor é tão grande que no período de reforma do [estádio] Arruda a torcida ia para as arquibancadas, todos os dias, apenas para acompanhar as obras”, conta.

“Os outros times aqui de Pernambuco torcem pelo resultado, enquanto nós torcemos mesmo é pelo Santa. Amamos o clube como se ama um pai, uma mãe ou um filho, na alegria ou na tristeza e até que a morte nos separe. E se houver mesmo vida após a morte, também depois dela”, completa.

Massa tricolor

Apaixonado pelo clube, Lins criou o blog Torcedor Coral, que inicialmente continha crônicas sobre o Santa Cruz, mas que, posteriormente, com o agravamento da situação do clube, passou a contar com textos mais politizados, também. “No fim de 2006, houve eleição para presidente do Santa Cruz. Não havia transparência, porque a lista de sócios, que deveria ser publicada um ano antes, só se tornou pública nas vésperas do pleito. Fomos em peso para votar. Havia muitos policiais e seguranças espalhados pela sede. O clima era tenso. Ficamos lá até o final da apuração e a cada urna que a oposição ganhava a gente cantava um hino do carnaval pernambucano, chamado “Madeira que Cupim Não Rói”, do genial tricolor Capiba, que contava a história do bloco carnavalesco Madeira do Rosarinho, que se sentiu injustiçado com o resultado de carnaval de 1963. Foi a primeira vez na história do clube que uma oposição venceu as eleições. Foi por causa desse episódio que criei o blog Torcedor Coral”, explica Lins.

Torcedor fiel, de ir sempre ao estádio, Lins recorda um momento divertido, vivido por ele no estádio Arruda: “Na Série B de 2005, costumávamos comprar apitos e distribuí-los nas sociais do Arruda. Era sempre um barulho infernal, porque ninguém parava de apitar um só instante. Um amigo de meu irmão, que eu não conhecia na época, passou a ir ao estádio conosco. E eu sempre o puxava pelo braço para ajudar na distribuição dos apitos. Notei que ele ficava meio acanhado, mas mesmo assim nos acompanhava. Durante o jogo, ele aplaudia e torcia junto, mas não cantava as músicas, os hinos ou os gritos de guerra da torcida. Quando terminou o campeonato, ele revelou – até então, só o meu irmão sabia – que era torcedor do Sport. Perguntei por que ele ia aos jogos do Santa conosco, e ele disse que ninguém sabia torcer como a torcida coral. Que ficava impressionado como cada jogo era uma festa e como tantos amigos se mobilizavam para ir juntos ao estádio para torcer. Dizia que na torcida dele não tinha isso, não.”

Feliz o futebol que ainda proporciona histórias assim.

14 Comentários

  1. Fábio Belmino
    1

    continuando o título…
    …E uma torcida que não tem time, dirigente, transparencia…
    Esse texto mesmo sendo uma publicação de um artigo do Yahoo esportes comete uma gafe ao mencionar o nome satanico da cachorra de peruca.
    No mais, parabéns a torcida Coral, Dimas e a equipe Yahoo por ser mais uma a reconhecer o que o Brasil, mundo e quiça universo inteiro já sabe.

  2. JOÃO MULAMBO
    2

    esse papa jah ta cansando. eu quero eh titulo.

  3. Paulo Aguiar
    3

    Agora já temos link direto com o Yahoo.com. Logo logo será a vez do Terra.com, da Globo.com, …, da BBC.co

    O mais difícil é o link com FBC.scfc

  4. Eheheh! Muito boa, Paulo.

    Acabei de passar no Coralnet e ler uma notícia sobre o tal “consultivo”.
    Retrocesso é pouco para qualificar o que está acontecendo.

  5. A torcida sim essa ama de verdade, os diretores não que olha para o Santa Cruz como se fosse uma escada.
    Sobre o consultivo lembrado por Ducaldo, ontem escutei uma entrevista de um deles e o mesmo falou que Biriguí seria uma boa opção eles tratam a torcida como a Amélia aquela da música só que paciência tem limites só não sei até quando vai a nossa.

  6. olha, vou dizer, estou cada vez mais decepcionado com o santa cruz. e não dá mais para viver somente do título de maior torcida, torcida mais apaixonada.
    essa comissão consultiva é uma lástima.

  7. Pessoal, eu realmente to esgotado. Escutar, todos os dias, os “dignissimos” membros desse tal “conselho consultivo” dói.
    Minha mulher me diz que já passei até do estágio da depressão.
    De toda sorte, valeu Dimas, pela matéria. Embora eu saiba há mais de 70 anos que somos a maior torcida.
    No entanto, concordo com os companheiros acima. Eu quero ver é um time, um clube, um elenco, enfim, um plantel de jogadores comandados por um Treinador de Verdade e por pessoas séria na direção de futebol.
    Torcida e Estádio – INFELIZMENTE – não ganham nem torneio de ping-pong.

  8. Eu também já cansei deste papo de: “esse cara não presta” ou “esse outro é do LEF” ou ainda “FBC só usa o Santa como trampolim”, etc,etc, etc. Vamos ser práticos…onde encontrar alguém que seja verdadeiramente torcedor do Santa, que seja sócio, que esteja em dia com as mensalidades, que não tenha sido presidente do Santa nos últimos 20 anos, que não tenha qualquer ligação com o dito “LEF”, que não seja político nem pretenda ser, que entenda tudo de gestão administrativa, que entenda tudo de administração de futebol, que seja rico o bastante para não levantar suspeita sobre suas reais intenções e que tenha 100% de aprovação da torcida coral??? Pois este é o perfil desenhado do candidato perfeito para dirigir o Santa Cruz, de acordo com as críticas que o atual presidente vem sofrendo. Observação: em 2010 se encerra a gestão FBC e temos que encontrar este homem (ou mulher) para administrar o Santa Cruz Futebol Clube, com todos os seus problemas. Ah! Só mais um detalhe… é preciso saber se ele quer ser presidente do Santinha. Pensem nisso!

  9. André Tricolor Virtual
    9

    Infelizmente, hoje TORCEMOS mais pela torcida, do que, pelo próprio time do SANTA CRUZ que há tempos não nos dá alegrias

    Abraços a Todos

    >>> VIVA SANTINHA !!!!

  10. Eduardo Ramos
    10

    Esse Conselho Consultivo me lembra a história de um amigo que criava Rotteweiller e dizia que “eles são mansos…não mordem”. Tá bom…os dentes são pra ficar sorrindo pra gente e a raça (Rotteweiller) só tem cachorrinhos mansinhos.

  11. Hélio Mattos
    11

    Parabéns Dimas, você é um dos que arregaçam as mangas e põem para frente a bola que, infelizmente, tem insistido em ficar murcha.

    No tocante ao quesito de que torcida não ganha título, é uma meia verdade esta afirmação, pois um time que tem a moral de uma torcida show como a nossa, tem muito mais subsídios diretos e indiretos para montar um elenco e chegar nos quatro cantos do planeta futebol contando com o respeito dos adversários.

    Infelizmente, mais uma vez, é o fato de que não temos nos valido disso de forma eficiente mas, assim como a tal paciência, ineficiência também tem lá seus limites.

  12. CLEIDSON (SALVADOR-BA)
    12

    Pelo amor de DEUS!!! O que é isto que estou vendo… Meu tricolor passou a ser um time “Fora de Série”. Desse jeito vai chegar a Série “Z”. Que vergonha para os “NOBRES” dirigentes do nosso TRICOLOR. Acho que aí está precisando é de “MACHO”. Vejo uns timecos dos interiores do sul do país na série “A” e “B” e se mantendo, até mesmo sem torcidas e honrando o nome e o Estado… Que vergonha. É falta de “MACHO” E HONESTO… PARA BOTAR UM ELENCO DE VERGONHA PARA HONRAR O NOSSO TIME, NOSSO ESTADO, O NOSSO NORDESTE E NOSSO BRASIL E O MUNDO…

  13. Luiz Carlos
    13

    Gahar a Copa Pernambuco é uma questão de honra o santinha tem que tomar vergonha e da a volta por cima, torço por isto, esse título é obrigação nossa, não tem campo ruim, não tem desculpas tem que ganhar.

  14. Nunca negarei sou Tricolor, Sempre vou te Amar, Nunca vou te Abandonar.
    Esteja onde Estiver, Sempre serei Tricolor. Vamos lá pra cima do Botafogo com toda a força, e ganhar pra calar a Boca de muita gente, confio nesse Time.

    Coração Tricolor Geyson!!!!!!!!!!!!

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