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Foto: Coralnet |
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Pedro Leite
Sou Santa Cruz de berço, o típico torcedor que trás as cores do seu time no sangue. Nascido em Garanhuns, interior de Pernambuco, que a fica a 220 km da capital. Cidade que, pelo que conheço, já foi um grande reduto santa-cruzense.
Na minha infância, por volta dos anos 80, quando ainda tinha o privilégio de morar nessa cidade e pela qual nutro grande paixão e admiração até hoje, tive poucas ou nenhuma oportunidade de ver meu time jogar. Sinceramente não me recordo de ter visto meu santinha em gramados garanhunhenses. Mas a paixão pelas três cores estava encravada em mim, filho de um tricolor meia bomba (mas que sabia bem alimentar minha admiração pelo time); neto de um tricolor roxo, que não tive o prazer de conhecer, mas que deixou em mim não só as três cores na alma, como um pequeno livro chamado “Sou Santa Cruz de Corpo e Alma”. Demorei vários anos até ter a curiosidade de entender tal frase, ouvia alguns torcedores repetindo isso, mas tal coisa não me despertava tanto interesse. Meu negócio na época não era ver jogo de futebol, era jogar, pegar a pelota, vestir o manto e ir pra rua montar duas barrinhas com havaiana ou pedra ou os dois, escolher o nome do jogador que iria encarnar naquele dia, lembro de ter encarnado Givanildo, Nunes, Zé do Carmo, Cuíca. Isso era o mais próximo que eu chegava do meu time.
Em certa altura da década de 90 viemos morar no Recife em busca de melhores oportunidades. Antes disso mudamos de cidade algumas vezes e por algum motivo, visto que eu ainda não era um grande apaixonado pelo Santa Cruz, nunca larguei o livro herdado do desconhecido avô. Nesses processos de mudança perdi muita coisa que gostava, mas nunca o livrinho que ainda não tinha lido. Chegando na cidade grande dizia com um orgulho inocente aos meus novos amigos que eu torcia para o Santa Cruz, vestia a camisa, sabia nome de alguns jogares mas até então nunca tinha visto aquele time. Fui ao Arruda pela primeira vez ver a seleção brasileira jogar contra a Bolívia em 1993. Lembro de como fiquei encantado com aquele lugar, senti naquele instante que ali era minha casa, mas tava faltando alguma coisa; não era o tricolor que entraria em campo naquele dia, a torcida só tinha uma cor, então pensei: se aqui é minha casa eu preciso conhecer a minha família. E prometi a mim mesmo que só voltaria ali para ver o santinha. Sabia que não podia contar com meu pai, na época a situação em casa era preta, ele tinha milhões de outras coisas pra se preocupar. Eu teria que me virar. Só voltei ao José do Rego Maciel em 17/10/1993 para ver o Santa Cruz jogar contra o Ceará pelo brasileiro da série A. Pela primeira vez desde quando chegara ao Recife me aventurei em desvendar sozinho os caminhos desta cidade que me parecia o mundo.
Era um domingo. Saí de casa escondido, meus pais jamais permitiram uma loucura dessas, afinal eu era um matutinho de 13 anos de idade que mal conhecia o bairro que morava. Desci, peguei todas as informações necessárias com o porteiro do prédio e segui rumo ao arruda certo de que nada daria errado, afinal o motivo era nobre, eu tava indo em busca de um amor e os deuses jamais me tirariam deste caminho. Peguei o ônibus e desde já meu coração bateu forte, o coletivo estava tomado pela massa tricolor, eu me sentia protegido de tudo. Daí pra frente foi fácil, era só seguir a multidão, comprei meu ingresso e subi rumo a geral. A euforia tomava conta de mim. Cheguei lá em cima, demorei alguns instantes até os olhos se acostumarem com aquilo, depois mais alguns instantes até recuperar a razão e perceber que tudo era real, que ali era a casa do meu time, era minha casa. Os deuses tinham me mostrado o caminho da paixão, o lugar onde mora a emoção e eu estava ali, só eu e o meu amor. As pernas vacilaram, o coração parecia querer entrar em campo, os olhos adquiriram vontade própria e choraram discretamente. Tinha ido sozinho e permaneci sozinho, aquele era meu momento. Não dei uma palavra, não falei com ninguém, não exaltei nenhum grito de guerra, até mesmo no momento dos gols (que foram três neste dia) permanecia em silêncio, vendo aquela torcida delirar, imaginando como tinha sido a conquista do pernambucano alguns meses antes.
Final: Santa Cruz 3 Ceará 0. Mas, o mais importante não foi a vitória, foi a minha descoberta. Descobri o time que eu carregava dentro de mim durante toda minha vida sem saber o porquê. Naquele instante descobrira o meu destino: ser Santa Cruz incondicionalmente. Sabia que a partir dali jamais conseguiria me livrar dessa paixão. Uma paixão rodriguiana cheia de sangue, sofrimento, depravação, ciúme, traição, amor. Hoje continuo indo ao colosso quase sempre sozinho, mas com o coração cheio de esperança. E, toda vez que entro naquele estádio lembro da minha descoberta.
Neste ano o santa foi rebaixado. E dessa época pra cá ele nos deu poucas alegrias, mas uma alegria já basta pra mim: ser Santa Cruz, fazer parte desse mundo tricolor, dessa massa carregada de amor e de grandeza.
Uma voz proclama e canta
É a voz das multidões
Santa Cruz, querido Santa!
(…)
Esta multidão tamanha
Gente pobre que te aclama
Lembra o ouro que se apanha
Nos cascalhos e na lama
Esse ouro é sangue, é vida
É delírio, raça, e amor
A bandeira tão querida
A bandeira tricolor










Pedro Leite,
também sou de Garanhuns e tenho quase a tua idade, pois se em 93 tu tinhas 13 anos, eu tinha 12. Minha paixão pelo Santa Cruz foi nutrida por meu pai, que sempre fez muito esforço pra sair de Garanhuns, me trazendo com ele, em jogos decisivos do Santa Cruz. Também moro aqui em Recife hoje em dia (estou aqui a 8 anos), mas ainda quando morava em Garanhuns, meu pai me trouxe pra ver as decisões de 90, 93, 95 e 96, das quais perdemos apenas a última e isso, pode ter certeza, que foi um alimento inigualável para nutrir minha paixão pelo clube. Por conta disso eu fico meio triste quando vejo gente desvalorizando as conquistas do campeonato pernambucano, pois podem não representar muito para o quadro de honra do clube, mas representa muito para quem está começando a se interessar a acompanhar o time. Quero sim um título de expressão nacional, mas não quero menosprezar, nem tampouco esquecer os títulos que ajudaram a construir minha paixão tricolor. Até hoje meu pai se esforça pra vir assistir jogos decisivos do Santa Cruz, e sempre que ele vem, é uma festa pra mim pois entre os melhores momentos que passei com meu pai, estão com certeza os que o Santa Cruz nos proporcionou. Pena que esse ano o Santa ainda não tenha motivado o meu pai a sair de Garanhuns para assistir a um de seus jogos.
Saudações Corais!
Simplesmente muito bom o texto de Pedro Leite. O Santa Cruz deve ser o clube detentor do maior número de escribas qualificados do país. Até agora não vi nada igual na internet em relação a outros clubes. O torcedorcoral e o blogdosantinha, gerados espontaneamente da paixão pelo Santa, configuram um fenômeno “editorial cibernético” que impressiona pela qualidade das reflexões publicadas.
Pedro, grande abraço. São textos como esse, que nos renova o sentimento de amor ao clube das três cores. Que nos dá forças para seguir em frente, confiantes, mesmo em momentos difícéis como o atual. Essa torcida anda carente, e necessita de afagos, como o de uma vitória amanhã, por exemplo. Esperamos todos os amigos na sede para assistirmos ao jogão. Amanhã será grátis e ainda teremos sorteio de um relógio de pulso e Kits da Frevo.
Fiquei impresionado com as suas palavras Pedro e também com demais comentários. Parabéns, é de torcedores assim que o nosso time precisa. Fiquei emocionado lendo esse texto, vou recomendar aos colegas tricolores que ainda não tiveram a oportunidade de ler. Também fiquei feliz em saber que em Garanhuns temos uma torcida apaixonada. Vamos em frente rumo a recuperação.
Saudações tricolores.
Belíssima história, mas, finalmente, já leu o livrinho do seu avô?
Abraços.
Me emocionei como me emociono a cada vez que ouço o nome Santa Cruz, parabéns pela redação do texto, somos apaixonados incondicionalmente pelo ideal…
O torcedor do Santa é o único no mundo que é torcedor de corpo e acima de tudo de alma, alma tricolor
abraços
Muito bonito o texto. Me lembra de quando meu avô me levava pro arruda. Ele ficava sentado, calado, com o radinho colado no ouvido. Não mudava a posição nem a fisionomia nem quando o Santa marcava um gol. Que figura! Foi por conta desse cidadão que me tornei tricolor. Ainda lembro o dia em que ele morreu. Soube da notícia enquanto me arrumava para ir ao arruda. Não deixei de ir. Foi minha última homenagem e sei que me avô estava lá no arruda comigo.
José Carlos, já li o livro algumas vezes…
Meu objetivo quando resovi divulgar o texto era de relmente despetar esse sentimento de esperança no resto da torcida. Infelizmente resultados como o de hoje nos faz questinar tal sentimento e a revolta acaba tomando o espaço vazio deixado pela paixão, e toda paixão precisa ser alimentada se não enfraquece. Não vamos deixar que façam isso conosco, vamos cobrar sempre. Afinal essa torcida merece, a cima de tudo, respeito…
Saudações tricolores
Acho que o Santa Cruz está demonstrando estar sem rumo. Ninguém consegue enxergar mais onde está o caminho correto. A divisão política interna é enorme. A crise política consegue envolver até a torcida. É acusação prá lá e prá cá. Quando falo isso, não estou especificando Romerito ou Zé Neves. São todos que fazem ou fizeram parte da alta cúpula. Não aparece liderança nova nenhuma para conduzir o clube.
Gostaria aqui de citar o caso do Botafogo. A alguns anos se dizia que o clube caminhava para se tornar um clubeco e até desaparecer. Apareceu um cidadão de nome Bebeto de Freitas que está conseguindo reverter totalmente o quadro.
E o Santa Cruz o que tem de novo: nada. Edinho está sendo um grande equívoco. Infelizmente não vejo luz no fim do túnel.
Seguramente, o texto mais bonito que já li aqui. O comentário de Geraldo, o qual não conheço , é muito realista. A paixão pelo Santa nuca deixará de existir, mesmo se o clube deixar de existir (possibilidade mais do que concreta). Essa fugida que Pedro Leite deu, me fez lembrar das minhas, na década de 70. Morava no bairro da Madalena e fugia para o Arruda, escondido. Voltava, levava uns puxões de orelha, ficava de castigo, mas valia a pena. Se meu filho Gabriel (11 anos) fizer isso, vou entender. Só não sei se ele vai ter essa oportunidade, do jeito que o Santa vai.
Eu temo pela extinção do Santa Cruz.
Hoje, vergonhoso, foi o mínimo que podemos dizer.
PROFISSIONALIZAÇÃO OU EXTINÇÃO!
série C vai ser um desastre!
Dimas e demais companheiros, peço licença para transcrever minha opinião postada no blog do Santinha. É a opinião der quem mora longe, a 3 anos não vai ao Recife, porém acompanha alguma coisa pela mídia em geral. Meu irmão, rubro negro é amigo de Fred Arruda: Fred Arruda, parabéns pela atitude de tentar prestar um esclarecimento, porém, pra mim, o atual presidente, a partir do momento que fechou os olhos para a roubalheira das gestões passadas, auditoria improdutiva, igualou-se a eles, são farinha do mesmo saco. Na verdade ele nunca negou isso, sempre se disse amigo de Romerito, foi seu vice presidente e andou muito perto de formar uma chapa única. Deixemos de hipocrisia. Além do que, EDINHO a certa altura do campeonato pernambucano assumiu a responsabilidade pelo de partamento de futebol e disse textualmente que todas as contratações teriam que receber seu aval. Portanto, ex jogadores em atividade que continuam sendo contratados, como Kuki, Nildo, Jonshon, Dudu, dão continuidade aos mesmos equívocos cometidos no início do ano quando trouxemos Alex Pinho, Robson Luís, Luís Paulo… Detalhe, como mero torcedor, que acompanha a mídia futebolistica de maneira razoável, nada de excepcional, até eu sabia que estes, como também aqueles não servirião para o Santa Cruz. Não temos dinheiro, estamos falidos. Edinho com sua parceria do coração, ou seja a parceria em protejer Romerito, e seguir com sua gestão temerária, pelo menos no futebol, vai terminar de nos enterrar. Mesmo morando no Piauí, tenho ótimas informações sobre você, tanto como profissional destacado em sua área como também do seu amor e interesse em ajudar o Mais Querido. Mas infelizmente você está muito mal acompanhado.
“Os deuses tinham me mostrado o caminho da paixão, o lugar onde mora a emoção e eu estava ali, só eu e o meu amor.”
Cara, vc q inventou isso ou leu de algum lugar. Fala a verdade pq Shakespeare – que foi um poeta popular no seu tempo e certamente teria sido tricolor coral, se tivesse tido a sorte de conhecer o Santa – babaria por isso. Isso resume a paixão coral.
PARA SEMPRE TRICOLOR…