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O texto de hoje vem de Jediael Costa Araújo de São Vicente, São Paulo, que, com muita beleza e simplicidade, nos revela o precioso momento em que tornou-se tricolor nos idos de 1955. Na época, o Santa enfrentava a poderosa equipe do Náutico que havia se sagrado campeão quatro vezes em cinco oportunidades nos anos anteriores (1950, 1951, 1952 e 1954).
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Saudações tricolores,
Dimas Lins
Acabou a preliminar do jogo de aspirantes e o santa saiu com a vitória. Todos foram para o túnel e a imensa torcida esperava o time titular entrar em campo. O estádio era o dos aflitos. O ano, 1955.
Eu nunca havia ido a um jogo de futebol profissional e, neste dia, saí do Rosarinho, onde morava, e sem que meus velhos soubessem, me arrisquei a ir ao campo ver a propagada partida entre Náutico e Santa Cruz.
O que me impulsionou a ir ver o clássico foi o estardalhaço do lançamento da música de grande sucesso do cantor Jackson do Pandeiro. “Este jogo não pode ser um a um e se meu time perder vai ter zunzunzun, é encarnado e branco, é encanado e preto, é encarnado preto e branco”. As rádios malharam esta música o dia todo, não resisti ao apelo e vi que aquele clima formado tinha tudo a ver com o clássico.
Como era criança, apostei na boa vontade de seu Misael, um amigo de meu pai, nosso vizinho, que fazia bico como porteiro nos estádios.
Ao chegar à portaria, ele me viu e me deixou entrar fazendo com o dedo polegar que estava tudo ok! Neste dia foi a minha primeira alegria. Ao entrar, fiquei postado em frente às cabines de rádio, ali no alambrado. O estádio era um silêncio de morte esperando as equipes entrar.
O Náutico entrou primeiro, neste tempo a torcida coral os chamava de “pastoras”, mesmo assim achei legal o uniforme do Náutico. Como nunca havia ido a um estádio, elegi parcialmente a equipe timbu como o meu time, mas foi um ledo engano, porque quando o santa apontou na boca do túnel e a imensa torcida coral começou a gritar o nome do santa, a minha emoção veio à tona. Que coisa esplendorosa era ver o santa entrando em campo naquela época!
O jogo foi um a um e o Náutico abriu o placar com Hamilton, logo no início da partida. Nós só fomos empatar esplendidamente nos últimos minutos. O nosso gol, gol não! Golaço do nosso grande centroavante, o grande e inesquecível Paraíba, o canhão do arruda!
Falta no bico da grande área, dois minutos para o término. A lenda do Arruda pegou a bola cor de laranja cravo com as duas mãos ao seu estilo, olhou para o árbitro para receber o sinal de autorizado, tomou distância e partiu em direção à pelota e com a sua destruidora perna esquerda soltou a bomba. A bola alaranjada partiu parecendo com um meteoro em direção do gol do gordo goleiro alvirrubro Manoelzinho. Este, ao ver aquela bola, que parecia um dardo flamejante em sua direção, se abaixou temendo ser alvejado, porque a velocidade da bola era tão grande que a torcida só viu a rede do infeliz goleiro se estufar. A coisa foi tão linda que até hoje eu guardo isso na lembrança, porque a torcida alvirrubra já contava com a vitória.
Como eu tenho orgulho de ser torcedor do Santa Cruz, o tricolor do arruda! Quanta glória o meu santa tem em sua gloriosa historia!
Saudações Tricolores.
Jediael Costa Araújo










Muito legal, essa crônica. Acho que a nossa torcida tomou conta de praticamente todo o campo do Náutico.
É isso aí, Dimas. Um texto maravilhoso e que ainda acredito que veremos novamente: a torcida enchendo o estádio para ver o Santa Cruz de raça e qualidade.
Parabéns a Jediael e obrigado tanto pelo prazer da leitura quanto pela informação de que as barbies já foram pastoras!!!
O Santa Cruz é minha pátria.
Cidadãos Tricolores!
Como deverei me referir agora aos torcedores da ratazana dos aflitos, barbies ou pastoras? Na verdade tanto faz, desde cedo essa gente já era nebulosa.
Saudações Tricolores
Em tempo!
Parabens pelo texto Jediel.
Saudações Tricolores
Foi muito legal saber que meus tios são tricolores, e saber que time tem uma historia.
Sinceramente
ENOCK BEBETO