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Foto: Coralnet |
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Marcelo Ramos: um herói de cabeça baixa |
Recebo um texto do meu amigo Manoel Valença, popularmente conhecido na região como Manequinha, sobre o jogo de ontem. Parceiro de todos os jogos, Manequinha envia-nos um relato emocionante que só pode contar quem esteve no Arruda.
Em tempo, Moreno e Cleison foram dispensados hoje pela manhã. Ah, e Maneca tem futuro como cronista coral.
Saudações tricolores,
Dimas Lins
Cheguei ontem ao Arruda por volta das 19 horas. Dava pra perceber o clima entre os torcedores que chegavam juntamente comigo. Era um misto de esperança (afinal, novo técnico, o grupo com quatro perronhas a menos - os dispensados Rodriguinho, etc., etc., etc.) – e de apreensão. Nas últimas 48 horas, só bombas pra cima de nosso Santa. É dívida, correria atrás de pagamento de salário, proibição de vender ingressos de sócios na sede, julgamento para jogar com portões fechados e, por fim, como a vela do bolo de desgostos e apreensão, ameaça de prisão de nosso Presidente, o maior coitado de todo o Santa Cruz. Gente, se nós como torcedores estamos preocupados e apreensivos, imaginem um homem como Edinho, de competência reconhecida em todo Brasil, metido nessa confusão.
Eu conseguia sentir nas conversas e nos semblantes esses sentimentos. Alias, foram mais de 9000 semblantes. Um público fantástico, dadas as condições do time, o que me enche de esperança em imaginar que o Santa ainda é muito grande e que vamos sair de mais essa situação.
A bola começa a rolar. Vejo um time limitadíssimo, porém, muito voluntarioso. No começo do jogo, me pareceu que os nossos jogadores estavam engasgados com alguma coisa, que iriam detonar, golear, e sair de campo aplaudidos de pé. Porém, o tempo foi passando, e logo aos 10 minutos, voltei a ver aquele velho futebol burocrático, sem produtividade e sem marcação que deixa qualquer atacante de qualquer time sempre na cara do nosso gol. E, pouco depois, aos 20 minutos, o que estava ruim tendia a piorar. Um expulsão. E contra o Santa Cruz. E, diga-se de passagem, justíssima. O nosso zagueiro, que 2 minutos antes tomava seu amarelo, fazia uma falta e levava seu vermelhinho. Aliás, o segundo vermelho desse zagueiro em três jogos. Pra quem não se lembra, ele foi expulso contra a Ulbra. Coloquei as mãos na cabeça. Virei o copo de cerveja Frevo quente que eu estava bebendo e pensei : "Que inveja de Dimas que está em casa doente !!!".
Porém, acho que algo aconteceu entre nossos jogadores. Não sei se o sentimento de vergonha na cara, ou os brios feridos, levaram nosso time a se desdobrar, cada um, correndo por dois. Vi Marquinhos, que até então só tava dando bolinha pra trás e pro lado, dar carrinho e correr como uma criança. Vi Cleison, a maior enceradeira do Arruda (pra quem não lembra de Zinho, na copa de 1994), dar lançamento de três dedos, atacar e defender. Vi Raça, muita Raça. Novamente, voltei a me empolgar. Soltei aquele velho e conhecido grito de quem fica no nosso localzinho nas sociais : "Galega, Cervejaaaaaaaaaaaaaaaaaa!". E, uns 10 minutinhos depois, era Santa 1×0. Gol do artilheiro, herói, bom jogador e batalhador Marcelo Ramos. Depois desse gol, um show de bola. Bola na trave, jogada com triangulações, etc. Porém, a partir daí surge um personagem no jogo. Personagem esse que deveria ser o mais invisível entre os presentes. Surge a figura imponente do Sr. Ricardo Tavares com seu super apito e seus superes cartões. O "Homem de azul" (já que juiz de futebol hoje é fashion, não é mais de preto) começa a levar os três pontos do nosso Santinha. Cleison faz grande jogada pela esquerda, é visivelmente derrubado na área e é Pênaltiiiiiiiii! É nada pessoal, é amarelo pra Cleison por simulação.
Fim do primeiro tempo. 1X0, com bola na trave, jogando bem e com raça, com uma menos e sendo roubado. Só me restou uma coisinha a fazer : "Galega Cervejaaaaaaaaa!". Lá vem a resposta : "Acabou, fio". O quê? Por quê? Cerveja Frevo e quente acabar no intervalo???!!! Fiquei arretado, mas, percebi uma coisa. Se a cerveja acabou tão rápido, foi porque veio muito mais gente pro jogo do que era esperado e que estavam todos felizes. Era o Santinha de novo nos dando orgulho.
Começa o segundo tempo. Nos 5 minutos iniciais, mais dois pênaltis claros pro Santa. Resultado disso? Mais dois cartões amarelos distribuídos pelo Sr. Ricardo Tavares. Roubo descarado. E, num daqueles lances espíritas que só acontecem contra o Santa, veio o pior. Escanteio para o Serrano. O cara vai cobrar na área e chuta o chão. A bola bisonhamente vai pra fora da grande área a um palmo do chão. Um cara do Serrano pega a bola de primeira de uma maneira que me lembrou Roberto Carlos nos bons tempos no Real Madrid, recebendo um cruzamento de Zidane. Uma bomba e… Gottardi! E que defesa! Mas, rebote pro Serrano, o cara dá um limão a queima roupa e… Gottardi! Outro rebote, outro limão a queima roupa e… Gottardi! Depois disso, só sei que um ou dois chutes depois, empate do Serrano. Inacreditável! Aquela bola entrou.
O gol pareceu um soco na cara de cada um dos 9.000 torcedores e de cada um dos 10 jogadores em campo. A partir daí, mais uma reclamação de pênalti não marcado (esse sinceramente acho que até não foi), duas bolas na trave e gottardi pegando tudo. No fim, os Marquinhos, depois de muito correrem, cansaram. Era um homem a menos durante 70 minutos!!! Acaba o jogo 1×1 mesmo. Uma pena. Dois preciosos pontos que praticamente nos tiram do turno. Dois preciosos pontos roubados pelo Sr. Ricardo Tavares. Não que o time tenha sido as mil maravilhas, aliás, nem apenas uma maravilha o time conseguiu ser. Se olharmos o futebol apresentado, não merecemos sorte melhor. Mas, futebol é decidido em detalhes algumas vezes. E tivemos três pênaltis a nosso favor, descaradamente não marcados. Mesmo sem jogar um bom futebol, eram três pontos.
Mas, amigos tricolores, não adianta de forma alguma culpar o juiz. Um time mais ou menos, poderia ter 20 pênaltis não marcados e ainda assim ganharia do Serrano em casa. Estamos num nível muito baixo. Achei até que ontem foi o melhor jogo que vi do Santa esse ano, mas, é muito pouco. Imaginem quando pegarmos Marília, São Caetano, Portuguesa, Vitória, Coritiba, Ponte Preta, etc. Acho que a hora de contratar é agora. Sei que pro pernambucano não dá mais. Porém, se começarmos a contratar quando a série B começar, daqui que os reforços cheguem, sejam regularizados, se entrosem e o time seja montado, teremos 10 rodadas de lapada dentro e fora do Arruda. Aí pode ficar tarde demais para correr atrás do prejuízo.
Para finalizar, gostaria de transcrever o comentário de Maciel Júnior ao final do jogo de ontem :
“O torcedor do Santa Cruz pode até não gostar, mas se fosse contra “a coisa” o que ocorreu hoje no Arruda, amanhã às 5:00h Homero Lacerda estaria na sede da FPF, com a fita do jogo, para reclamar, faria o maior escarcéu, etc. O Santa Cruz tem de pensar no time e somente na Segundona, mas não pode deixar isso passar em branco.”
E, vocês se lembram que falei que a impressão inicial que tive era que o Santa iria detonar, golear, e sair de campo aplaudido de pé? Pois bem, errei que iria detonar, errei que iria golear, mas, o mais importante acertei, acreditem ou não, não sei o que passou na cabeça de cada um, mas, nosso Santinha, mais uma vez, foi aplaudido de Pé.
Domingo, todos no Arruda. O Santa precisa de nós. A diretoria precisa de nós. Edinho precisa de nós. E, nós precisamos do Santa.
Santa Cruz pra sempre.
Manoel Valença










Carai! Muito boa a resenha. Parabéns!
Obrigado grande Artur. Que todos os tricolores tenham a esperança que eu, Você e Dimas estamos tendo. Grande abraço e até mais tarde no mundão