Um conto natalino do Santa Cruz

papai-noel.jpg

 Data: 20 de dezembro de 2007.

Local: Fábrica de Brinquedos do Papai Noel

Depois de muitos anos de experiências, Papai Noel conseguiu. Após várias tentativas, finalmente o tão sonhado brinquedo mágico estava inventado. Foram consumidos vários milhões de dólares e mais de 3 gerações de duendes nesse projeto.

Aparentemente, quem olhasse para o brinquedo o confundiria com um simples saco de bolinhas de gude com 10 bolinhas dentro. Porém, para cada bolinha de gude daquelas, um desejo seria realizado. Bastava pedir, jogar a bolinha no chão e… zapt! Desejo atendido!

E, por ser tão especial, Papai Noel decidiu que seria criterioso na escolha de quem iria receber esse brinquedo. Decidiu ler novamente todas as cartas que tinha recebido. Nenhuma merecia. Assim, decidiu que durante a noite de Natal, ele entregaria o saquinho de bolinhas de gude mágicas para a criança que mais o impressionasse. E começou sua busca. começou pela Ásia, África, Europa, Brasil e bateu no Recife.

Aqui chegando, começou a distribuição dos presentes às crianças recifenses. Ninguém no mundo inteiro ainda tinha impressionado o Papai Noel ao ponto de merecer o saco que bolinhas de gude.

Chegou próximo a Avenida Abdias de Carvalho, nenhuma criança merecia aquele presente. Passou pela Avenida Rosa e Silva, novamente, ninguém. Quando Papai Noel estava quase desistindo, viu uma criança, aparentava uns 8 anos, sentada num cantinho escuro, sozinha, triste. Aproximou-se do menino e percebeu que ele estava encostado numa pilastra enorme de um estádio de futebol que fica no bairro do Arruda. Percebeu ainda que o menino usava uma camisa que tinha três cores: preto, branco e encarnado. O menino estava chorando. Papai Noel tratou de perguntar a razão.

– Por que você está aqui sozinho, no escuro e chorando, meu filho?

– Porque estou fazendo um pedido um presente para o Papai Noel.

– Mas, por que está chorando?

– Porque sei que ele não poderá me dar esse presente.

– E o que você queria?

– Eu queria que Papai Noel me mostrasse alguma forma de ajudar meu Santa Cruz.

Surpreso, sem saber o que era Santa Cruz (Papai Noel torce apenas por um time de hóquei), o bom velhinho perguntou:

– Quem é Santa Cruz, meu filho?

– É o dono desse estádio. Um time grande, de torcida grande, que caiu em mãos erradas durante anos e, por isso, agora está numa situação ruim.

Emocionado e já chorando, Papai Noel não pensou duas vezes e deu o saquinho de bolas de gude mágicas ao garoto.

– Meu filho, nesse saquinho você tem 10 bolinhas. Cada bolinha, apenas um pedido e não vale desejar mais bolinhas.

Daí o Papai Noel sumiu e o menino feliz e ainda sem acreditar resolveu testar o presente e gastar a primeira bolinha:

– Desejo uma grande festa de natal com bastante comida e bebida para minha família. Zapt! Em um minuto estava em casa, com seus pais e a parentada toda. A ceia estava uma fartura só. Peru, tender, chester, nozes, queijos, vinhos, panetone, enfim, tudo de caro, gostoso e fino.

Após o Jantar, o menino resolveu contar aos pais o que ocorreu e explicou sobre as bolinhas mágicas. O pai, já meio bebo, tomou uma bolinha e fez o pedido:

– Desejo bastante whisky escocês!

Zapt! Apareceu uma caixa de um 25 anos direto da escócia.

O tio que estava junto, quis uma bolinha também e…

– Desejo um carro importado zero!

Zapt! Mercedez zerinho na porta de casa.

Daí o irmão mais velho pegou uma bolinha e fez outro pedido…

– Desejo que a coisa caia para a terceira divisão e Santa volte para a primeira.

Zapt! Como que por mágica, as manchetes de todos os jornais do Brasil mudaram e noticiaram que a coisa estava na terceira.

Animado com o miraculoso presente, o outro irmão do menino joga outra bolinha:

– Desejo Ronaldinho Gaúcho no Santa Cruz.

Zapt! Já aparecia no especial de Natal do Faustão, Ronaldinho com a sagrada camisa coral.

Era de entusiasmar. O pai do menino, mais bêbado ainda , faz outro pedido:

– Quero 100 milhões na conta do Santa.

Zapt! De um segundo ao outro, o Santa era o time mais rico do Brasil!

– Quero que a Arena Coral já seja uma realidade, desejou mais outro presente na ceia.

Zapt! Arruda novo. Até as águas do Canal estavam límpidas e cheirosas.

Dominado pelo sentimento de vingança, outro presente na ceia sacode outra bolinha:

– Desejo que o diminutivo nunca mais pise no Santa.

Zapt! De imediato, aparece o diminutivo na televisão vestido com a camisa da coisa.

“Você esqueceu de Mauro!”, exclama alguém de longe e lá se vai a penúltima bolinha. Zapt! Mauro Fernandes é lançado para a quinta divisão do campeonado afeganistense de futebol.

Após todos esses pedidos, o Santa era o maior time do Brasil. Tínhamos o melhor estádio, Ronaldinho Gaúcho, Cem milhões em caixa, estávamos novamente na primeira divisão, livres para sempre do diminutivo e de Mauro.

Num flash de um segundo, o pobre menino que agora só tinha uma bolinha mágica. Pensa nas histórias que seu avô sempre contava sobre nosso mais querido Santa:

“Meu filho, o Santa era um time rico. Todo jogador sonhava em jogar no Santa. Os salários eram pagos em dia. O Arruda, recém-reformado. Tinha jogador como Nunes, Henágio, Pio, Fumanchu, Cuíca, Givanildo e tínhamos James Thorp. Fomos quarto do Brasil porque nos roubaram, senão, seríamos os campeões”.

E, em mais um flash de um segundo, o garotinho refletiu: de que adianta ter cem milhões e ninguém competente para administrar? Será esse dinheiro desviado em um ano? De que adianta Ronaldinho Gaúcho se não poderemos pagar seu salário e se ele não jogar feliz no nosso time? De que adianta a Arena Coral se não podemos mantê-la? O Arruda já foi uma Arena Coral na época de sua reforma. De que adianta afastar o diminutivo? Sai ele, fica um monte de outros iguais ou pior que ele. De que adianta se preocupar com a coisa na terceira se, sem organização, dentro em pouco estaremos lá também. Temos que olhar para nossos umbigos e resolver nossos problemas antes de agourar os outros.

Assim, tendo em suas pequeninas mãos a bolinha que poderia acabar com as fomes e guerras no mundo, a bolinha que poderia torná-lo milionário, o menino atirou a bolinha no chão e pediu para que tudo que foi pedido antes fosse desfeito.

Zapt! Voltamos. Terceira Divisão, diminutivo, Arruda em condições precárias e Ronaldinho no Barcelona. E por mais incrível que parecesse, o menino olhou pro céu (mesmo sabendo que tinha perdido a chance de mudar sua vida e de muitas outras pessoas) e com uma lágrima caindo, agradeceu a Papai Noel pelo presente e pelo Santa Cruz.

Assim amigos do blog, com esse pequeno conto natalino, desejo que todos nós tenhamos um ano feliz, um natal feliz e que nossos dirigentes, sejam eles quem for, tenham a sabedoria de nosso querido garotinho de 8 anos da estória. Não adianta nenhum passo para frente se o pé que fica atrás afundar. Pensar. Planejar. Agir profissionalmente. Sonhar, mais que nunca, sonhar. Realizar, mais que nunca realizar.

Um grande abraço e até 2008, dia 13, onde, nos reencontraremos com nosso clube, com nosso amor, com nosso Santa Cruz. Garanto que, dia 13/01, teremos mais de mil garotinhos no campo, exatamente como o nosso amiguinho aqui.

11 Comentários

  1. Bom Natal, e um abraço a todos do blog Torcedor Coral!

  2. Paulo Aguiar do Monte
    2

    Muito bom!

    Viu só… no santa, tudo é realmente mais difícil… o tricolor aprende isso desde criança :)))

    Segue um texto recebido, Conto de Natal, que repasso aos amigos.

    Feliz Natal a todos !!!

    Paulo Aguiar do Monte
    ——————————————————————-

    CONTO DE NATAL

    POR ROBERTO VIEIRA

    Quando eu era pequeno e jogava bola no colégio, sempre existia um muro.

    Alto e com um cachorro brabo do outro lado.

    E a bola, invariavelmente caía do outro lado. No melhor do jogo.

    Azar.

    O cachorro tinha um dono. Bernardo. Torcedor do Sport. A gente sabia pela imensa bandeira rubro-negra na janela do casarão.

    E Bernardo não devolvia a bola, nunca.

    A gente também nunca viu o Bernardo. Ele nunca dava as caras. Rico e orgulhoso.

    O jogo parava e a gente tinha de esperar até alguém conseguir uma outra bola.

    Porque bola era luxo. Se ganhava no aniversário. Por vezes no Natal. E só.

    Mas sempre aparecia alguma bola dias depois. Vinda não sei de onde. Quem sabe de outros muros?

    O jogo recomeçava. Todo mundo morrendo de medo de chutar mais forte.

    Até que dias depois, pimba! A bola era chutada por algum perna-de-pau e ia parar no quintal de Bernardo.

    O cachorro gritava. E todo mundo, com medo, ficava esperando o futuro.

    Mesmo assim, a infância era feliz. Tinha bola de gude, que nunca caía na casa de Bernardo.

    Tinha pipa. Tinha polícia e ladrão. Tinha Fratelli Vita.

    Os anos se passaram e o mundo mudou.

    Mas sempre que a velha turma se encontrava, lembrava das bolas e do muro. Do cachorro. De Bernardo.

    Foi então que ano passado, tive uma surpresa.

    Fui visitar o velho colégio. Colégio que vai deixar de ser colégio. Vai virar shopping center.

    Uma das irmãs de caridade me reconheceu. Sempre passo por lá no Natal. Estava triste com o fim da escola.

    De repente, comentou:

    – O antigo casarão também vai virar shopping center! Vão derruba-lo depois do Natal.

    Pensei em Bernardo. Na certa iria lucrar uma barbaridade com a venda do imóvel.

    Antes que eu pudesse completar meu raciocínio, a irmã apontou um homem sentado no jardim:

    – Lembra dele? Era o menino que morava no casarão.

    Lá estava Bernardo. Olhando para o jardim, o campinho de terra, a velha quadra de basquete.

    Bernardo estava sentado em uma cadeira de rodas.

    Não pude deixar de caminhar até ele. Apresentei-me. Eu era o velho menino que chutava as bolas para seu quintal.

    Surpreso, Bernardo olhou para mim. Lembrava das bolas.

    Perguntei pelo cachorro. Ele disse que Manga, esse o nome do cachorro, havia morrido há muito tempo.

    Sorrindo, Bernardo me contou que lembrava das bolas que iam cair no seu quintal.

    De como ele sofria ouvindo nosso gritos de gol. Ele que não podia jogar.

    Manga ficava muito zangado quando a gente jogava. Ele sofria vendo o seu dono sofrendo. Por isso gritava tanto.

    Sua mãe nunca devolvia as bolas. Imaginava que aquele barulho trazia sofrimento ao filho.

    Fiquei mudo.

    Até que Bernardo, percebendo meu silêncio, murmurou:

    – Na verdade eu gostava quando tinha jogo. Você não imagina nas férias, quando o silêncio era completo. E naquela época nem o Sport me dava alegria…

    Verdade. Foram os anos do Hexa do Náutico. Do Penta do Santa Cruz.

    Despedi-me. Deixei meu telefone com ele. Saí pensativo pelas ruas do Recife.

    Eu pensava nas bolas e nos muros. Nas distâncias que separam quintais.

    Algo em mim nunca mais foi o mesmo.

    Hoje, quando o Náutico perde. Quando o Sport vence. Lembro sempre de Bernardo e de outros meninos como ele.

    E agradeço a vida e a Deus.

    Deus que sabiamente fez o dia e a noite.

    A vitória e a derrota.

    Para que o sorriso e a lágrima jogassem bola nos dois lados do muro.

    ———————————————————————-

  3. Claudemir Pereira
    3

    Um Natal de harmonia e paz, e que o ano novo seja repleto de realizações e que nosso SANTINHA retome o caminho das glórias.

    Um grande abraço a todos que fazem e aos que freqüentam o Torcedor Coral.

    Saudações Corais.

  4. Paulo, o anti-spam cismou contigo. De vez em quando teus comentários caem para moderação. Te garanto que não há nenhum restrição, às vezes cai e eu não posso fazer nada, a não ser aprovar quando vejo.

    O problema que o blog recebe em torno de 300 spam por dia e sem o anti-spam fica impraticável.

    No mais belo conto. O pessoal está inspirado pelo natal e isso é bom.

    Aproveito e desejo um feliz natal aos amigos e leitores do blog. Vamos nos confraternizar e fortalecer os laços de amizade que, no final das contas, é o mais importante.

    Saudações corais

  5. Dois belos contos, para deleite e meditação.

    Feliz natal para todos que fazem o torcedor coral, editores e leitores.

  6. Paulo Aguiar
    6

    Dimas, eu percebi e compreendi… sem problemas.

    Ainda sobre a confraternização, eu saí umas 18:20 hr, e não vi NINGUÉM mais animado no ¨sambão¨ do que a família Lins, especialmente você !!! Putz, se eu tivesse máquina tiraria várias fotos !!! Tava um Show !!!

    Que esta confraternização tenha sido o início de um bom ano para o Santinha e nós, tricolores.

    Abraços e Feliz Natal a todos.

  7. André Tricolor Virtual
    7

    Parabéns “Manoel Valença”, e que fique a mensagem !!!!!

    Um Feliz Natal a Todos !!!!!

  8. Valeu gente,

    Um grande abraço e feliz ano novo!

    Dimas

  9. Torcedor Coral Distante
    9

    Boa tarde, Torcida Coral

    Feliz Natal e um Próspero Ano Novo para todos e todas Torcedoras Corais!!!

    Excelentes os dois contos natalinos!!!!
    Nossa Torcida Coral é realmente ímpar!!!

    Dimas, mandei um texto para o Anízio, Fred Arruda, Inácio França e Sergio Botelho como contribuição para melhorar o futuro do Santa Cruz. Caso vc queira receber, mande um e-mail: agripino fonseca@brturbo.com.br
    Gostaria que vc lesse o documento e comentasse com os outros quatro.
    Por favor, mande-me um aviso de recebimento quando recebê-lo, se quiseres recebê-lo, claro.
    Um abraço,
    Saudações Corais.
    Torcedor Coral Distante, mas sempre presente.

  10. Torcedor Coral Distante
    10

    Boa tarde, Torcida Coral

    Boa tarde, Dimas

    Segue meu e-mail porque saiu truncado no texto anterior:

    agripinofonseca@brturbo.com.br

    Saudações Corais.
    Torcedor Coral Distante, mas sempre presente.

  11. Boas Festas a toda torcida santacruzenze. Paz e Saúde.

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