Lembranças de uma quarta-feira

Eu tinha uns 12 ou 13 anos. Passei a semana toda numa ansiedade de lascar. Na quarta, o Santa decidiria a classificação contra o Remo para uma fase seguinte da série B e o jogo iria pegar fogo. Era uma época de vários confrontos contra os Remistas e a rivalidade havia crescido bastante.

Lembro que o escrete alvi-azulino do Pará era treinado por Waldemar Carabina. Entre seus jogadores, o goleiro Wagner (um loiro, cheio de frescuras), o volante Agnaldo (Bam-bam, ex-jogador da coisa), o atacante Luciano Viana (que mais tarde jogou no santa), dentre outros. Pra ser sincero, nem lembro quem jogava no Santa. A inda e vinda de jogadores era tão grande, que não dava pra fixar na mente nosso elenco. Lembro dos jogadores adversários, pois nosso presidente na época (Raimundo Moura) fez várias tentativas de contratar o Carabina e alguns jogadores do Remo.

Chegou a quarta-feira. Tentei convencer a minha Mãe a não ir para o colégio. Não estava preparado psicologicamente para assistir aulas de história, geografia ou matemática. Estava ansioso demais. As Mães deveriam entender esse tipo de coisa! A minha não entendeu e fui apulso pra escola. O papo com os amigos tricolores era só um: o jogo da noite. Uma vitória simples nos classificaria e a simples possibilidade de levar o Santa de volta à primeira divisão mexia com todos. Passada a aula, fui correndo para casa almoçar.

Sempre gostei muito de esportes e, na época, fazia parte do time mirim de vôlei da escola. Tínhamos um jogo por volta de 17:00h no colégio Salesiano por um campeonato qualquer. Não estava nem aí para esse jogo, mas pelo menos serviria pra ajudar a diminuir a ansiedade e passar o tempo. Cheguei ao Salesiano às 16:00h e tive o primeiro susto: O colégio tinha uma série de jogos previstos para aquela tarde. Tinham uns cinco jogos na nossa frente! Pânico! Perguntei ao treinador que horas seria o nosso jogo e ele falou que não tinha a menor idéia, dependeria da duração dos outros jogos.

Comecei a torcer freneticamente para que os jogos terminassem em dois Set’s (na época, os jogos das categorias mirim e infantil eram resolvidas quando uma das equipes vencessem dois). Tudo parecia dar errado. Os pontos eram disputados com toda a disposição pelas equipes e demoravam minutos para que fossem decididos. Torcia de olho no relógio da quadra. Entrei em quadra às 18:50h. Agoniado, enfurecido. Meu pai havia dito que sairia de casa às 19:00h. Estava desesperado. Joguei como nunca joguei na vida. Ganhamos de forma arrasadora em menos de 30 minutos. Saí correndo desesperado. Do Salesiano até a Av. Beira Rio, na Torre, devo ter batido algum recorde mundial de velocidade.

Cheguei em casa esbaforido, passei pela sala como uma flecha e fui correndo colocar a camisa do Santa. Vestido com o manto sagrado, fui procurar meu pai. Nada no quarto dele, banheiros vazios…

– Mãe! Cadê Painho?

– Foi para o Jogo com seus irmãos.

– O quê?!

Havia sido traído. Abandonado. Esquecido. Como meu Pai me deixa para trás, num jogo decisivo em que eu estava louco para ir? Que injustiça! Que raiva! Meu irmão mais novo nem sabia o que era futebol e estava lá, enquanto eu, praticamente um expert, escutador oficial de resenhas, estava em casa.

Chorei muito. Tive muita raiva. E num acesso descontrolado de raiva, desejei que o Santa perdesse a classificação. Sim! Já que eu não estava lá, queria que todos sentissem uma frustração igual a minha. Estava decidido. Torceria contra o Santa.

Começou a partida e logo veio um gol do Remo. Não comemorei, mas soltei aquele: “Bem feito!”. Logo depois veio o segundo e me caiu aquela crise de consciência capaz de causar remorso na mais cruel e fria das criaturas.

“O que eu estou fazendo?”, pensei.

Se o santa não se classificasse, não haveria um próximo jogo para eu ir! Comecei a torcer desesperadamente por uma virada. No início do segundo tempo, logo o gol do Santa. Saí comemorando feito um maluco dentro de casa. Minha Mãe, sem entender nada, me questionou:

– Mas você não estava torcendo contra o Santa?

– Contra o Santa, Mãe? Eu? NUNCA!!!

Foram minutos que pareciam horas. O Arqueiro remista (o tal do Wagner) estava inspiradíssimo. O time do Santa sufocava, chutava a gol e nada da bola entrar. Entramos nos acréscimos num sufoco, o narrador quase botando o gogó pelo rádio e eu as tripas pra fora mas não teve jeito. O Remo venceu. O Santa estava desclassificado.

Chorei novamente. Era puro remorso. Nunca mais torceria contra o meu time de coração novamente. E nunca mais esqueci aquela Quarta-Feira.

Nota da Redação:

O Torcedor Coral, desde o último sábado, iniciou a contagem regressiva para o fim do mandato do diminutivo. Apontamos para a data limite, o último dia da gestão passada. Quando sair a data real, faremos um ajuste no nosso relógio com precisão atômica.

Aos tricolores, convido que acompanhem a contagem regressiva em nossa barra lateral. O ano ainda será longo, mas certamente terá fim.

22 Comentários

  1. Geraldo Tricolor da Iputinga
    1

    Tá perdoado Dimas. Até porque criança é assim mesmo. Quantas por bura birra ao se enraivecerem por uma bronca que receberam resolvem por exemplo não comerem na hora do almoço?
    Porém, e quando um adulto por birra, pirraça ou seja lá o que for resolve contrariar, contrariar e contrariar toda uma nação tricolor, merece perdão?

  2. Geraldo Tricolor da Iputinga
    2

    ôpa! corrige aí:
    por pura birra

  3. Amigo Geraldo,

    O texto não foi escrito por mim, mas pelo amigo Lorde Léo. Acho que você foi induzido pelo comentário anterior, aliás, feito por mais um tolinho usando nome e e-mail falsos, daí sua exclusão. O objetivo do comentário dele não era criticar o texto, mas apenas me atacar.

    São tolinhos fazendo treinamento para canalha.

    Saudações corais,

    Dimas Lins

  4. André Tricolor Virtual
    4

    Não poderia deixar de PARABENIZAR o BLOG ‘TORCEDOR CORAL’ além do nosso grande amigo “Dimas” ! O ‘Blog que agora é vice’ continua sendo um posso de LAMENTAÇÕES,e já é hora de mudarmos o discurso, como disse ‘BOSQUÍMANO’ :

    Por isso, irmãos tricolores, todos juntos vamos seguir a corrente bem pra frente, positiva. Devemos repetir em voz alta todos os dias diante do espelho:

    Somos fortes, somos invencíveis!

    É verdade que estamos à beira do abismo, companheiros, mas apenas seguindo essa receita, seremos capazes de dar o passo à frente…

    VIVA SANTÃO!

  5. Leonardo,

    Crime confesso, ainda mais se cometido em tenra idade, merece perdão. Mas me diz uma coisa: você já consegue ir para o estádio sozinho, independente de seu pai, né? Bom, é só pra garantir que não vai acontecer de novo…
    Por falar em torcer contra, lembrei agora da Copa Brasil. Coisa contra Coisa é demais. O jeito é torcer para cair uma tempestade de raios e matar todo mundo que estiver em campo. Que situação!

  6. Arnildo Ananias de Oliveira
    6

    Parabéns a Dimas pelo sucesso (já previsto) do TORCEDOR CORAL, ao ANDREZINHO pela volta (ressurgimento) às hostes tricolores e ao texto sincero do tricolor LEONARDO JR.

    DIMAS, achei interessantíssima essa contagem regressiva pra saída do diminutivo. Mais interessante seria se colocada numa rua movimentada à semelhança com que é feito em relação ao macabro índice de homicídios em Pernambuco.

    Certamente isso seria muito caro e, talvez, até mesmo beirando o PROIBITIVO. Entretanto, se um grande nº de adesão vir a viabilizar isto, PODES CONTAR COM A MINHA PARTICIPAÇÃO.

    E QUE DEUS NOS AJUDE.

  7. Geraldo Tricolor da Iputinga
    7

    Dimas, realmente não tive o cuidado de ler o nome do autor da crônica. Ví o título, lí o texto e me deparei com o primeiro comentário já devidamente excluído.
    Enviei uma mensagem para o seu e-mail.

  8. bosquímano
    8

    Leo, eu confesso. Ano passado, quando inventei uma história doida só para passar uns dias no brasil e conseguir ver um joguinho do santinha, tava tao abestalhado que errei o caminho do Mundao, e nao me pergunte como. Tentei pegar uma ruazinha pra cortar caminho e, quando dei por mim, estava indo no caminho inverso. Tive mais sorte que vc, cheguei a tempo e pelo menos ganhamos do iputinga…

  9. Paulo Aguiar
    9

    Este ¨causo¨ só me fez lembrar os comentários que ouvi de alguns:

    ¨Quero que o Santa caia para a série D, pois com esse $&%**#$**$ na presidência, é isso que o time merece¨.

    Frases como esta já ouvi de vários adultos… uma pena.

    Dizem que amor e ódio andam juntos, mas, para mim não são nem nunca serão sinônimos …

    Léo, eu não lembro se estava no jogo, por isso tá desculpado.. hehehe

    abraços !!!

  10. J. Antonio
    10

    Arnildo Ananias ideia excelente esperamos que ele chegue até dezembro porque certamente com o Santa Cruz subindo para série B mas se ficar no meio do caminho ele entregará o cargo juntamente com toda sua corja pois já estará cumprida sua missão.

    Um abraço a todos os torcedores do nosso Santa Cruz

  11. Léo, entendo teu remorso. Confesso que já torci contra… Sei, sei, mas foi por um ato de sacrifício. Um ato de imolação pessoal em prol do clube.

    Já tive uma fase mística na adolescência (aliás, já tive várias fases místicas — também, é tanto sofrimento que a gente tem que apelar) em relação ao Santinha. Através de estudos profundos de estatística cabalística, notei que, toda vez que torcia contra durante o primeiro tempo, o time jogava bem. Essa fase durou até uma decisão. Não reparei que, para uma decisão, tinha que inverter misticamente meu procedimento: deveria torcer contra no segundo tempo. A gente se lascou.

    Em 99, passei a acreditar piamente em milagres. A partir de 2006, acredito na existência do diabo e do inferno. Atualmente, considero-me um místico absolutamente incompetente. Um diminutivo da superstição (de fato, bota incompetência nisso!). Na atual conjuntura, apelo brabo e deixo de lado qualquer sentimento “baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes”: acredito que somente tricolores competentes e honestos serão capazes de levantar o Santinha.

  12. Moderador isso please!

  13. *Apaga isso!

  14. Cesar Santarém
    14

    Meus caros amigos, na noite de hoje reflito que nós eternos amantes deste clube so estamos recordando o passado isto é muito pouco pra nós, o site da nossa coralnet glorifica o arruda com 3mil pessoas pra ver uma pelada com o colégio decisão istoé um absurdo pensava antes que estávamos no fundo do poço mas hoje vejo que estamos na escória do futebol estamos mortos para o país, é hora de encaramos a terceirona subir como se fosse uma aguia pro céu e comçar algo de novo na nossa história que é mui linda um abraço.

  15. insatisfeito
    15

    Somos fortes, somos invencíveis! – Andrezinho – meu voto para a Cobra Venenosa

  16. A história de Léo é um retrato das nossas reações infantis. Confesso que nunca torci contra o Santa, mas creio que isso não aconteceu, porque, quando criança, não tive uma frustração dessas.

    Mas é em meio aos arroubos infantis que a gente solidifica o amor ao clube. A retomada da consciência tricolor de um garoto de 15 anos, mostra claramente isso.

    Grande texto.

    Dimas

  17. nossa ! tirou do bau ..eu tava nesse … aguinaldo parecia o FALCON .. UM BONECO DOS ANOS 80 … pela manha eles ficaram ali no jangadeiro ..esse jogo ou foi em 91 ou 92 ? o q mais lembro é a partida contra o americano em 90 debaixo de muita chuva … q foi um TERRIVEL 0x0 com bola parando em cima da linha no fim do jogo … e a partida de 1998 nao fuii pq tava muito revoltado mas depois me arrependi . SAUDAÇOES CORAIS

  18. Carlos Mello
    18

    Grande Leonardo,

    Belíssimo texto, o que vc sentiu em relação a seu pai (traição) é a mesma coisa que sinto pelo diminutivo, só que minha raiva é bem maior que a sua, só não quero nada de ruim para o Santa.
    Fui ao jogo no domingo e torço para que bons ventos voltem ao Arruda, mas realmente o que me chamou a atenção foi a força dessa torcida que jamais canso de admirar.

    Grande Dimas,

    Parabéns pelo sucesso, já previsto, do Torcedor Coral.
    Tudo que é feito com responsabilidade e com qualidade sempre alcança bons resultados.

    Abraços.

  19. Fábio Montarroyos.
    19

    Caro Leonardo Jr.

    Penso, que o velho e querido Santinha, gosta mesmo, é de ver seus torcedores, crianças e adultos, chorando. Pois, confesso, que já chorei muito por causa do mais querido. No ano de 1979, assistindo a final do campeonato pernambucano, chorei de saudade, de saudade do meu querido PAI, que neste mesmo ano partiu para outro mundo. Meu PAI, que era e que me ensinou a ser Santa Cruz de corpo e alma, se estivesse entre nós, com certeza estaria comigo assistindo aquela final. Também, chorei muito, quando Jonas Alvarenga colocou o Santa Cruz na 1ª divisão. Porém, me recordo, que aquele choro era de felicidade, de alegria. Alegria que logo, logo, se transformava em tristeza, afinal, o Santa Cruz caiu no ano seguinte. Chorei, de emoção, quando fomos campeões em cima do Náutico, naquela elétrica final ( 2 x 1 aos 45 minutos do 2º tempo ). Mais uma vez, chorei de alegria e orgulho, quando aquele presidente e aquele treinador nos colocou de forma honrosa, na primeirona 2006. Voltei a chorar, só que era choro de quem estava sendo traído, traído por aquele treinador que tanto o admirei: Givanildo Oliveira. Isso, Givanildo nos abandonou há uma semana da grande final contra a COISA. Perdemos o campeonato. Para maior tristeza, tinha mais choro. Chorei de vergonha, chorei pela pior campanha no brasileiro, chorei pela humilhação que aquele presidente nos proporcionou, mais uma vez – chorei pela queda. Em seguida, voltei a chorar: mais uma vez por orgulho, orgulho da nossa torcida, da nossa força. Pela primeira vez, vencemos a situação, colocamos a pessoa certa no comando do Mais Querido. No 1º campeonato disputado, lá vem choro, choro de preocupação, o Santinha era 6º colocado no pernambucano. Na segundona, chorei novamente, mais uma vez era choro de tristeza, choro de revolta, choro de quem não se acostuma com a humilhação, o Terror do Nordeste está na terceirona. Precisávamos reagir, porém, o que se viu foi mais choro: os pequenos, perderam o medo de jogar contra o nosso time. Hoje, quem chora de medo, sou eu. Choro pelo medo de não mais poder chorar. Choro com medo do FIM. Choro com medo da triste palavra: ACABOU!

  20. Temos que nos unir contra o clube dos 13, eles querem mandar e desmandar nas cotas de tv, aumentando a desigualdade entre os clubes.Enviem e-mails para koff@clube13.com.br (presidente), paulo@clube13.com.br (diretor financeiro), ou exijam mais representatividade da FBA para não aceitar os desmandos do C13 josenevesfilho@fbafutebol.com.br (presidente), também é interessante mandar e-mails para deputados pois existe um projeto no congresso para acabar essa vergonha.Se não agirmos nosso rival continuará ganhando muito mais dinheiro e montando equipes mais competitivas

  21. Belíssimo texto, Léo. Genial! Isso é literatura. So agora tive tempo de lê-lo.

    ps: Quanto à idéia de Alexandre, é uma boa opção. Só há um reparo a fzer, não? O presidente do Clube dos 13 não é mais o Koff. Ao que eu sei, é Miltom Bivar, do sport.

  22. Caro josias, o presidente do c13 ainda é o Koff, pode conferir no site deles.

    Saudações tricolores

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