Todos ao profissionalismo!

Arte sobre foto: Dimas Lins
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Todos vocês já devem estar cansados de escutar que no Futebol dos dias de hoje não existe mais espaço para amadorismo. Todos precisam ser profissionais já que o Futebol se tornou um negócio que gira enormes quantias de dinheiro todos os anos.

É em nome desse profissionalismo que jogadores fazem questão de não ter nenhum vínculo afetivo com clubes. São profissionais, e como tais, não podem desperdiçar oportunidades nas suas curtas carreiras. Jovens vislumbram as oportunidades de se transferirem para clubes cada vez maiores e mesmo veteranos já bastante rodados e com um bom “pé-de-meia” preferem arriscar-se por uma proposta mais “interessante” ao invés de permanecerem em clubes em que são ídolos, onde poderiam ter um final de carreira por cima. Conhecem alguma história parecida com essa?

Em nome desse profissionalismo, jogadores que um dia fazem gestos obscenos para a torcida rival, no outro, fazem juras de amor a mesma torcida, antes objeto de fúria. Isso sim! Profissionalismo! E os “professores”? Ah! Esses são um capítulo a parte! São profissionais preparados para gerir um elenco de “profissionais” trabalhando psicologicamente e emocionalmente os seus pupilos para grandes conquistas! E para tamanha jornada, ele precisa estar acompanhado de outros “profissionais” de sua inteira confiança. Por esse motivo (e não por outros…) aonde quer que ele vá, leva auxiliar, preparador físico, preparador de goleiros… E eventualmente, algum jogador profissional que já conhece a sua “metodologia de trabalho”. Tudo para facilitar o trabalho dos professores…

Mas já não bastava apenas os jogadores e treinadores serem profissionais. Precisávamos de mais! Então começaram a aparecer os diretores profissionais. Gente que deve ter estudado para tal, se preparado em centros acadêmicos da mais alta estirpe, com o objetivo de gerir toda essa grana que circunda o planeta bola. Gente apta a montar a melhor equipe de “profissionais” com os menores recursos disponíveis. E eu não vou nem entrar no mérito de empresários e agentes de jogadores e da imprensa, que lucra cobrindo os clubes (através de seus patrocinadores) e fala o que quer e quando quer a respeito deles. É muito profissional para pouco futebol.

Mas eu tenho uma proposta! Não podemos ficar fora dessa onda! Tornemo-nos então torcedores profissionais! Sim! Se tudo o que envolve o futebol é encoberto pela áurea do profissionalismo, porque não os torcedores? Afinal, sempre somos chamados e acusados de passionais e irracionais. Nossa paixão é utilizada como desculpa pelos “profissionais” que estão no clube.

– “Torcedor é Paixão e não podemos esperar nada diferente deles” – Dizem uns;

– “A torcida precisa entender o momento difícil que atravessa o clube e precisa apoiar” – apelam outros.

Então inicio o movimento Torcedor Profissional! Não seremos mais movidos pela paixão e exigiremos boas condições de trabalho! Afinal, seremos profissionais! Filas quilométricas pra comprar ingresso no estádio? Banheiros fedorentos e sujos? Ser tratado feito gado na entrada do estádio? Ser obrigado a torcer por times medíocres e sem alma, formados por “profissionais” da bola? Ouvir jornalistas e radialistas medíocres falando e escrevendo sobre o que não sabem?  De forma nenhuma! Que tipo de profissional se submeteria a isso? Que tipo de profissional aceitaria essas condições de trabalho? Jogadores, treinadores, diretores reclamam diariamente da falta das condições de trabalho, da pressão da torcida por resultados. E nós? Reclamamos de quem?

Já que todos falam que não existe mais espaço para amadorismos dentro do futebol, faltam os torcedores aderirem ao profissionalismo.Quem sabe se algum dia adotarmos uma postura “profissional” passemos a ser mais respeitados e ouvidos dentro do Futebol.

16 Comentários

  1. Só não quero que se profissionalize um troço: o cachorro quente atolado de coloral — uma delícia à base de amebas e salmonelas. Ele desapareceu dos estádios. O que tem agora é cachorro-quente profissional. O resto pode profissionalizar, sim.

    Ah, sim, tb não gosto de cadeiras em todo o estádio (assentos, sim). Futebol não é cinema.

  2. Rapaz, gosto da idéia de comparar o futebol com cinema. Gosto do conforto da cadeira, mas é preciso espaço para manifestação do torcedor.

    Mas concordo com Artur, não acabem com o cachorro quente e, acrescento anacronicamente, voltem com a cervejinha dentro do estádio. Sem o precioso líquido, o futebol é uma chatice.

    Saudações corais,

    Dimas Lins

  3. joãozinho
    3

    olha, do que adianta botar assento ou cadeira, se o torcedor gosta mesmo de ficar em pé?

  4. Leonardo,

    Não sei se você conseguiu expressar a sua idéia com precisão. Mas, o que eu esperava encontrar no seu texto era a defesa de um profissionalismo calcado em postura ética, educada e organizada como uma associação e não como quadrilha, mas sem abdicar da paixão e do apoio ao clube. Concordo em ser mais exigente, mas de uma forma participativa. Não dá para ser muito exigente sem fazer parte efetiva do clube, digo se associando a ele e particpando da sua vida. Afinal, se formos exigir demais sem dar o apoio efetivo que o clube precisa, não haverá ninguém satisfeito, nem o torcedor nem o clube e os dois sucumbirão.

  5. Exceto pela pressão dos sócios ou por uma mudança de mentalidade na gestão, o torcedor que deseja profissionalismo no trato com a torcida — tipo o clube vendo-a como usuária e cliente — usa a lei. Os clubes só aprenderão quando forem processados pelos torcedores via estatuto do torcedor. Mas todo torcedor que processa seu clube por maus-tratos é estigmatizado. Enquanto essa situação perdurar, será difícil fazer alguma pressão nos clubes por parte dos torcedores.

    O assento permite o movimento do torcedor; a cadeira é um obstáculo. Estava na copa do mundo de 98 e achei aquelas cadeiras um saco. Só faltei pedir desculpa ao vizinho de lado por… torcer.

  6. Adams Matos
    6

    com direito à férias e plano de saúde??????

  7. Perrusi me convenceu. É que sempre assisto ao jogo em pé. Nesse caso, a gente quer mesmo é ir para o extremo (sentado e com belíssimas loiras servindo chope dentro do estádio). Já tinha dado conta que não teria nem as loirinhas nem a cerveja. Agora, encabrunhado, abro mão da cadeira. Vá lá que seja o assento. Para quem nunca teve nada, o assento fica de bom tamanho.

    Saudações corais,

    Dimas

  8. Com loiras e cervejas?! Vc devia ter me dito: viva o profissionalismo! Meu reino por cadeiras!

  9. milton pereira
    9

    Interessante! O Santa Cruz TINHA que ficar entre os quatro primeiros ao final do “Campeonato Pernambucano” (ou bodano ?) para ter direito a participar da Quarta Divisão.Mas, O CSA não ficou, foi até rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Alagoano, e GANHOU uma vaga, após desistencias de diversos clubes. Eu pergunto: Essa regra só valia para o Santa Cruz ? Assim, o CSA poderia vir a ser prejudicado, caso classificado, se algum clube protestasse?

  10. joãozinho
    10

    olha, vou dizer a vocês, não adianta nem assento. a torcida vai ficar em pé sobre eles. na copa do mundo o público é outro.

  11. Paulo Aguiar
    11

    Léo, muito interessante.

    “pimenta no dos outros é refresco”, né. Se reclamamos é porque somos apaixonados, emocionais. Então, sejamos profissionais!! É uma tese interessante. Será que desta feita teriamos chegado onde chegamos???

    Abraços

  12. milton pereira
    12

    Profissionalismo ? Trazer dois caras do Sul (Capela e Bitencourt) , um para gerente remunerado e ouro treinador, e deixam de pagar salários e direitos trabalistas e ficar obrigados a ceder de graça um jogador promissor para não ser apenado pela Justiça, não foi uma administração profissional! Agora, outros jogadores podem estar na mesma situação, como sempre aconteceu, pois assim perdemos vários jogadores que eram promessas.Qualquer Diretor de futebol amador sabe que deve-se assinar a cartera profissional e pagar os direitos federativos. .Não tinham dinheiro ? Ah, isto é outra estoria! Continuamos como antes!…

  13. Milton,

    Sobre esse episódio do “profissional” Márcio Barros, eu soube que não aconteceu o que foi noticiado pela imprensa. O Santa Cruz pagou sim os encargos trabalhistas. O que não houve foi a anotação na CTPS porque o jogador não entregou a carteira ao clube, provavelmente por má fé. Tanto é assim que o “atleta” perdeu na justiça.
    Quanto à negociação que foi feita, acho que foi ruim para o Santa Cruz. Aí faltou profissionalismo!

  14. milton pereira
    14

    João,
    O Marcio Barros NÃO perdeu na Justiça. Apenas a Justiça não aceitou liberá-lo para jogar em outro clube, pois o Santa Cruz teria que ser ouvido, em audiencia, que seria marcada para a próxima semana! Agora, acho que o Santa Cruz necessitaria ter, se é que tinha, documentos comprovando os pagamentos, inclusive dos salários supostamente em atrazo(03 ou mais), e ter, também, cópia de documento cobrando a carteira profissional recepcionada pelo atleta. Será que tinha ? É por certas displicencias de nossos diretores que nosso clube vem tendo tantos prejuizos! Saudações tricolores santacruzenses.

  15. Profundamente irônico! Pimba! Grande texto, Leo.

  16. Anderson Seabra
    16

    Discordo de João, acho que não foi tão ruim assim, um jogador como Márcio valeria no máximo esse valor mesmo, o problema é que não houve dinheiro na mão. Lembre-se de Graffit que saiu por 1,2 milhão e é artilheiro no Alemão e o “negão” é muito mais bola que Márcio.

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