A Base é essencial

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Leonardo Jr.
 
Para se iniciar qualquer projeto, qualquer obra, o primeiro passo é verificar o terreno. Ver se o mesmo oferece condições de abrigar o que está se planejando fazer. Depois de constatada a boa condição, é preparada e planejada a base, o fundamento, que na minha opinião, é a parte mais importante do projeto. Quem já viu algum projeto de qualquer ordem dar certo, se não for sustentado por bases fortes e fundamentadas? Se em qualquer projeto uma base sólida é essencial, no Futebol então ela é vital.
 
Não é a toa que chamam as divisões “inferiores” (Como eu odeio esse nome…) de divisões de BASE. Elas são chamadas assim porque servem de fundamento para a vida do clube. É uma fonte de renovação, de lucro, de esperança…  Possuir a capacidade de revelar talentos ,é vislumbrar sempre o futuro de forma mais esperançosa. Afinal, com bons jogadores surgindo, teremos bons plantéis, que renderam boas vendas aos cofres do clube, que terá capital para investir e conquistar títulos, que atrairá novos torcedores… Ou seja, tudo começa na Base.
 
Onde foi que nos perdemos? Quando foi que deixamos de valorizar essa capacidade de poucos, que é a de revelar talentos? O que o futuro nos reserva? Basta olhar para o nosso time titular e imaginar o quanto cada um desses jogadores pode nos render, tanto financeiramente como produtivamente, dentro de campo:
 
Gottardi; Russo, Allan, Marcelo e Piauí. Romeu, Amaral, Carlinhos Paraíba e Marquinhos Catarina, Marco Antonio e Marcelo Ramos.
 
Nenhum jogador revelado em casa. Se formos estender para o nosso elenco de 30 jogadores, temos apenas 7 jogadores oriundos das nossas divisões:1 Goleiro(Bruno),2 zagueiros(Hugo e Ivson), 3 volantes (Allan, Leandro e Nego) e 1 Atacante(Thiago Almeida). O que vamos fazer com esses moleques? Eles são lançados no time principal quase sempre em fogueiras homéricas, e quando não conseguem se sair bem (o que é mais do que natural) ficam marcados pela torcida. A torcida já quer que um moleque de 18 anos já entre e resolva como um veterano. Alguém aí sabe com quantos anos Raí estourou? 26.
 
O Hugo é um bom exemplo de como o Santa não trata como deveria as suas revelações. É um bom zagueiro, jovem, com 1,82m e 62 Kg. Como? Isso é lá peso de zagueiro? Não sei se existe um planejamento para um fortalecimento muscular de Hugo. Temos Nutricionistas? Fisiologistas? Provavelmente dirão que o clube não tem dinheiro pra isso. Não percebemos que isso é um investimento com retorno garantido.  O mesmo vale para Thiago Almeida, Ivson, dentre outros. No site da CoralNet o Nego consta no elenco. Ele é um volante que arrebentou jogando por um clube do interior do Rio Grande do Norte. Só recebeu uma chance com Givanildo e nunca mais deu o ar da graça. Não serve? Não sei. Nunca vi jogar. Se essa molecada não tem espaço pra jogar no clube, se preferem contratar Dudu ao invés de dar chance a um dos nossos, porque não emprestar esses jogadores para ganhar experiência em times da série C do Brasileiro? Não é melhor do que deixar eles no Arruda sem oportunidade?
 
Hoje um único treinador acumulas as funções no Juvenil e nos Juniores. Perdemos 2 destaques do juvenil para times de São Paulo.  Temos o abnegado Dirceu Lins e Silva no comando das divisões de base. E me parece que ele está sozinho. Qual a nossa perspectiva? O que podemos esperar desse trabalho conduzido da forma como está?
 
Gostaria de citar os exemplos de Palmeiras e Atlético-MG, que foram rebaixados e subiram no ano seguinte. O Palmeiras soube aproveitar uma geração de bons jogadores revelados pela base(entre eles o Vagner Love) somados a experiência e qualidade de jogadores como Magrão e Marcos. O Atlético-MG foi mais radical. Hoje tem entre 15 e 20 jogadores revelados em casa, com 5 ou 6 no time titular. Lembrando que além disso eles tinham bons treinadores… Teria outros exemplos pra citar. O Corinthians Alagoano exportou 54 jogadores para o exterior de 2003 a 2006. Dá pra comparar o Santa com o Corinthians Alagoano? Claro que não. Dá pra aprender com eles? MUITO!
 
Precisamos de uma política de valorização da Base. E quando eu falo de política de valorização, não quer dizer colocar jogadores da casa no time titular não. Isso é uma conseqüência. Precisamos trabalhar nas divisões de base como se o futuro do clube, a nossa sobrevivência dependesse disso. Enxergar nisso uma possibilidade de voltarmos aos nossos gloriosos dias.

11 Comentários

  1. Milton Santos Jr.
    1

    A propósito do assunto, lembro que a decantada era James Thorp não derramou rios de dinheiro na contratação de medalhões nem em jogadores veteranos em fim de carreira. Valorizou a prata da casa como nenhuma outra e aí vieram Givanildo, Luciano, Ramon, Fernando Santana e trouxe jogadores da região como Erb. que veio do CRB. Precisamos resgatar essa “tecnologia”. Gastar com eficácia que o dinheiro é curto. Inchar o elenco (parece que já vamos com 30 jogadores)com bondes como Romeu não pode ser receita de sucesso. Quem viu Leandro jogando a última partida fica se perguntando: Por que Romeu? Pra que Romeu?

  2. Certeiro como sempre, Léo. Sou da opinião de que o foco da gestão esportiva deve se concentrar no departamento de futebol, principalmente por causa das características do Santinha. As inovações, o planejamento, os projetos, as melhores pessoas, os melhores salários, tudo deve passar por ali. E, quando falo do departamento de futebol, refiro-me a uma organização que integra todos os setores do futebol, do infantil ao profissional.

    Lamento que as melhores pessoas estão no administrativo (Fred Arruda), no social (Lulinha) e na presidência (Edinho); mas, parece-me que o departamento de futebol, embora tenha pessoas abnegadas, ainda não se organizou profissionalmente. Fazendo uma retrospectiva da gestão Edinho até agora, o futebol foi o ponto negativo. Muita confusão, falta de planejamento, falta de integração entre setores, levando ao isolamento e ao centralismo.

    Serei sincero: por causa disso tudo, a divisão de base é a primeira a sofrer as consequências da desorganização do departamento de futebol. Aliás, a quantas anda a divisão de base do Santinha?.

  3. Não sei como está hoje, mas quando freqüentava o CT Valdomiro Silva (2002/2004)em Beberibe, imperava a precariedade.

    Chamar aquilo lá de centro de treinamento é forçar um pouco a barra. Tínhamos um vestíario acanhado, banheiros sujos, um campo de treinamento – usado apenas pelos juniores e juvenis – e um terreno de barro com alguns tufos de grama utilizado pelo pessoal da escolinha e pelo infantil. Parte das atividades era desenvolvida em um campo de areia localizado no bairro da torre.

    Limitando as instalações havia um barranco, uma cerca metálica e um canal, que em caso de chuva forte pode alagar o campo de treinamento.

    Faltava material esportivo – bolas, cones, etc.-, por falta de pagamento estava sem telefone e esteve algumas vezes sem água pelo mesmo motivo.

    O treinador do infantil B e da escolinha tinha que administrar tudo praticamente sozinho e estava terminando o curso de Educação Física na FESP. Como eram várias turmas e muitos garotos para cuidar, em horários diferentes, evidentemente o trabalho desenvolvido estava longe do ideal.Aliás, eu o encontrei na saída da sede após o jogo contra a Luluzinha. Gente fina, dedicado e tricolor de coração. Não sei se ainda continua por lá.

    Quem cuidava do infantil “A” e dos juvenis era outro treinador, que enfrentava as mesmas condições.

    Não sei se melhorou alguma coisa, pois todos os esforços e recursos são dirigidos para o futebol profissional, mas andamos ganhando alguns torneios por aí (infantis e juvenis), depois de um bom tempo sem conquistas.

    Talvez Lulinha possa informar alguma coisa sobre o tema.

  4. Já faz algum tempo que eu tento passar para o pessoal um projeto interessante que está sendo desenvolvido no alvi-rosa dos aflitos com algum sucesso. Tanto que, depois de muito tempo, eles conseguiram ganhar um campeonato pernambucano de juniores.

    Um grupo de sócios do alvi-rosa formou uma associação nos mesmos moldes da ATASC, porém voltada para ajudar as divisões de base do clube. Chama-se, óbvio, Associação dos Amigos da Base, tem como contribuição mínima estipulada o valor de R$ 10,00, que são depositados na conta da associação. Meu cunhado faz parte e seus dois filhos são contribuintes.

    A prestação de contas é mensal e os recursos não são entregues ao clube. Tal qual a ATASC, eles são aplicados diretamente para resolver os problemas materiais mais urgentes da garotada, ajudando a mantê-los no clube. Nós, por exemplo, andamos perdendo garotos para a “coisa” e para a própria Barbie por causa de ninharias (ajuda de custo mínima, passagens, etc).

    Não sei quais os números atuais e o andamento do projeto, pois meu cunhado afastou-se um pouco por falta de tempo (está fazendo mestrado) e eu não tenho conseguido falar com ele sobre o assunto, inclusive para cobrar o material que ele ficou de me passar (em off) para servir de subsídio a um projeto semelhante no Santinha.

    Todas as vezes que tentei levantar o assunto, em várias sextas-santas, ele foi devidamente afogado em um mar de frevo, caldinho e preocupação com o time profissional.

    Vale salientar, que a “coisa” está seguindo o caminho contrário ao do alvi-rosa, que mesmo ainda inscipiente é o caminho trilhado por clubes como Inter, Corinthians e Atlético.

    No Santa Cruz, como disse antes, não sei a quantas anda. Resta procurar informações e meios para ajudar, afinal, foi o trabalho de base que nos deu nossos maiores times e conquistas.

    Ultimamente, um grupo tem conquistado tudo aquilo que disputa sem colher, de nossa parte, sequer um tapinha nas costas: o FUTSAL do santinha só não conseguiu o título adulto, mas fez barba cabelo e bigode em todas as outras categorias. Não custa dar uma olhada para eles também, pois muitos craques do futebol de campo começaram no futsal.

  5. Poxa, Ducaldo, a situação, pela descrição, não está nada boa! Antes de embebedar teu cunhado, pegue o projeto!!!

  6. O texto de Léo, como diz Artur, é certeiro. Vai direto ao ponto, com uma abordagem objetiva.

    O clube que não investe na base sempre sofrerá na formação de uma equipe competitiva e também terá dificuldades de caixa, já que não vende nenhum jogador. Aliás, vender até vende, mas a preço de banana, como foi o caso de Jairo.

    Apesar das dificuldades, a pessoas no clube com visão e vontade para reverter o quadro. Mas para isso, ou para qualquer coisa no futebol, é preciso tempo e dinheiro. Tempo nós temos, dinheiro sempre falta.

    Saudações corais,

    Dimas Lins

  7. Leonardo Jr.
    7

    Acredito que existam soluções criativas para ajudar na base. Parcerias que possam ser exploradas. É preciso criatividade.

    Por exemplo: Será que seria difícil uma parceria com algum supermercado, onde esse ofereceria cestas básicas para todos os atletas da base em troca de publicidade? Uma cestá básica faria muita diferença na vida de várias dessas crianças a adolescentes…

    Como falei no texto, 2 de nossos melhores jogadores do Juvenil foram embora para Clubes de SP. Nosso treinador acumula as funções no Juvenil e no Junior.

    Como Ducaldo mencionou, a preocupação quase que exclusiva é com o Profissional. E isso é preocupante, pois se perdermos a perspectiva de revelação de talentos, vamos sempre ficar nesse perrengue em que vivemos hoje. Espero estar errado, mas não vejo outro caminho para o Santa que não seja apostar todas as fichas num trabalho voltado para a Base.

  8. insatisfeito
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    Além de que, para o clube formador, vai 5% de toda transação que o jogador tenha. Sem formar, estamos perdendo dinheiro.

  9. Dimas, acha um jeito de Edinho fazer uma leitura deste execelente texto. O destaque do campeonato piauiense foi o jovem atacante Osvaldo, das categorias de base do Fortaleza. O River queria ele de volta para a série B, O Fortaleza, em crise, exigiu o retorno do garoto.

  10. Olha o time titular no coletivo de hoje: Gottardi, Russo, ALLAN, Marcelo e Marquinhos Caruaru; Amaral (CÉSAR BAIANO), ROMEU, Marquinhos e Nildo; MIRO BAHIA e Marcelo Ramos.

    Vou reservar meu lugar na marquise do Arruda.

  11. Fabio Martorano
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    Rapaz, entendo que é prematuro julgar o Mauro Fernandes por apenas um jogo, mas a impressão que ele deixou foi no minimo Pessima! Como diria o ilustrissimo Mario Junior “Horrivel!”. E por fim ainda não saca do time esses bondes que não vem jogando nada como romeu, cesar, allan e etc. Teremos que melhorar muito, mas muito mesmo!! So nao quero sentir saudades de Charles Muniz como treinador.

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