Entre a tragédia e a alegria

Na literatura, a tragédia é uma forma de drama que geralmente envolve um conflito entre personagens ou entre um deles ou mais e uma instância superior, como o destino. Ela costuma dar existência a uma ocorrência que desperta piedade ou horror.

A palavra tragédia tem a sua origem provável ligada ao grego antigo τραγῳδίατράγος (bode) e ᾠδή (canto) – por causa da tradição poética e religiosa dos Sátiros, seres mitológicos metade homens, metade bodes, que honravam o deus Dionísio (para os romanos, Baco, o deus do vinho e de sacanagem muita) com suas danças e cânticos.

Toda tragédia resulta numa catarse, já dizia o filósofo Aristóteles, e por isso mesmo produz um efeito liberador no espectador. Talvez isso explique a razão pela qual todos nós gostamos de assistir ao sofrimento dramatizado.

Já a alegria é um sentimento humano de viva satisfação e contentamento geralmente vinculado a um acontecimento feliz, como o nascimento de um filho ou a vitória de um time.

Na vida, as duas não costumam se encontrar. São diametralmente opostas e separadas pelo tempo: enquanto uma vem, a outra vai.

No futebol, nenhum clube encarna tão bem esse vai e vem de alegrias e tragédias, quanto o Santa Cruz, embora nos últimos trinta anos haja clara prevalência destas sobre aquelas. Em algumas ocasiões, elas ocorrem em espaço tão curto de tempo que parecem se tocar.

De 2005 para 2008, por exemplo, subimos e caímos do júbilo da Série A para o inferno da Quarta Divisão. Nunca houve alegria tão viva seguida de uma tragédia tão profunda. Ainda assim, não me recordo de uma estar tão próxima da outra, no tempo e no espaço, quanto no fatídico campeonato brasileiro de 1981, quando o Santa foi eliminado pelo Bahia na Fonte Nova, após perder a partida por cinco a zero, mesmo tendo vencido o jogo de ida por quatro a zero no Arruda.

Ontem, alegria e tragédia voltaram a se alternar, mas dessa vez numa mesma partida de futebol. No primeiro jogo do mata-mata da Série D, diante de um público superior a 50 mil tricolores – mais um grande feito da torcida coral – a tragédia chegou primeiro, mas foi vencida pela alegria.

O Santa perdia para o Guarany de Sobral depois que o atrapalhado zagueiro Leandro Cardoso entregou dois gols de bandeja para o adversário. Também foram dois os gols anulados por causa de Brasão, o Rei do Impedimento, ou melhor, o Imperador Intergalático do Impedimento. A torcida já ensaiava as primeiras vaias, quando começou a reação e viramos para 3 a 2. No início do segundo fizemos mais um e tudo ia bem até o adversário voltar a dominar a partida, ajudado, é bem verdade, por uma seqüência de substituições absurdas do técnico Givanildo. Em duas grandes oportunidades, os atacantes do Guarany ficaram cara a cara com o goleiro e, por muito pouco, a tragédia não voltou a se abater sobre o Arruda. Antes do último apito, a torcida ainda acossou o nosso atacante-marketeiro, após mais uma jogada bisonha, aos gritos de “Ei, Brasão, vai tomar no c…”.

No fim, vencemos, mas por uma vantagem de apenas um gol. Assim, um vitória simples no jogo de volta classificará para a próxima fase o Guarany de Sobral, que há três anos não perde em casa.

Saí do Arruda como se não tivéssemos vencido, mas empatado. Talvez seja mesmo assim: quando alegrias e tragédias pegam o mesmo atalho, a vitória deixa na boca um sabor de empate.

Como será o jogo contra o Guarany lá em Sobral?

  • O Santa vence, vamos atropelar o Guarany. (63%, 71 Votos)
  • Empate, o Santa vai jogar com o regulamento debaixo do braço. (29%, 33 Votos)
  • O Guarany vence, nosso time não passa confiança. (7%, 8 Votos)

Total de votos: 112

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Votação encerrada

Quem avançará para a próxima fase da Série D?

  • O Santa Cruz, pois meu time embalou de vez! (99%, 66 Votos)
  • O Guarani de Sobral, pois nosso time ainda não é confiável. (1%, 1 Votos)

Total de votos: 67

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16 Comentários

  1. Paulo Aguiar
    1

    Dimas, o “gosto” foi esse mesmo… de empate.
    Mas, friamente, o resultado foi muito bom pois jogamos melhor do que o adversário pouco mais de 20 minutos do jogo (dos 30 do primeiro tempo aos 6 do segundo tempo); depois foi sufoco.
    E, nós não precisamos vencer lá. “Basta” empatar. Se eles não sabem o que é perder lá, nós não sabemos o que é perder fora de casa. Givanildo tá invicto.
    Esse ano é o ano da primeira subida!
    Vamos Santa!

  2. Geraldo Mesquita
    2

    A garra, e determinação dos 20 minutos que encantaram o mundão do Arruda ontem será necessária nos 90 lá em Sobral. Além disso, um fortalecimento no extra-campo do Santa que a cada dia demonstra que é muito fraco. No futebol todos nós sabemos que decide vários campeonatos e classifica muitas equipes. Quem não lembra das subidas do Fluminense da C para a A, da subida do time da Rosa e Silva da C para a B, a classificação do Bahia aos 55 minutos do segundo tempo na série C e com um penalty só visto pelo juiz? Todo cuidado é pouco nessa área porque o adversário vai atacar aí também.

  3. Não pude ir ao jogo e fiquei emcasa me entupindo de antibióticos xaropes e anti-inflamatórios.

    Perdi um jogo daqueles e mais um show da nossa torcida, que virou assunto nacional.

    Vejam este link:

    Vídeos: festa, gols e emoção com a torcida mais apaixonada do Brasil

  4. É bom ser tratado com respeito por joarnalistas de verdade.

  5. Saiu na Folha: foi Dilma que fez os gols contra!

  6. Saiu no blog do torcedor:

    “Carlos Alberto será reeleito no próximo dia 16. Ele só não receberá o voto de apenas um clube: o Sport. Pelo menos até agora, o presidente do Leão, Silvio Guimarães, declarou que não apoia o atual mandatário da FPF”

    Isso significa que estamos apoiando o cabra? Somos tão servis, assim? É de lascar!

  7. Eheheheh!

    A folha também divulgou que ela é responsável pela pubalgia de Léo.

  8. Algumas hipóteses para essa suposta rebeldia:

    1) Jogo de cena, pois ele está garantido mesmo sem o voto dos três grandes da capital. Então, o presidente da cachorra de peruca faz ** doce para disfarçar o favorecimento quase explícito por parte daquele que é sócio patrimonial das cores de exu.

    2)Na qualidade de sócio patrimonial da coisa, o bode oliváceo pode ter criticado a atual administração ou ter se metido onde não deve. Mas tudo sempre acaba em beijinhos.

    3)O blog do torcedor burronegro JCoisa resolveu soltar essa perua atendendo algum comando.

    4)O presidente da coisa está querendo um favorecimento maior do que o já existente, começando com a mudança da fórmula de disputa do bode rouco 2011.

    5) todas as alternativas acima.

  9. Quanto à diretoria do Santa, está feito B***A n’água: boiando.

    Até por que, cá entre nós, atualmente a gente não tem cacife pra peitar nem o presidente da federação de cuspe à distância. A barbie, idem.

    Em tempo: O Santa e a Barbie querem que a fórmula de disputa do bodão continue do jeito que está. Então…

  10. Dimas, não precisa ir buscar no grego a origem da palavra tragédia,
    no Santa ela tem origem em Leandro Cardoso, ridículos os dois gols
    contra feitos por ele.
    Ainda sofreremos muito com esta zaga, infelizmente!
    Já passou da hora desta maravilhosa torcida, ter um time para torcer!
    Saudações corais.

    • José Edson,

      Desconfio que Leandro Cardoso foi discípúlo de Sófocles, Eurípedes e Ésquilo, os três grande tragediógrafos da literatura grega. Ele, o zagueiro, deu espetáculo pra lá de dramático para a multidão. Já Brasão é personagem de outro gênero, a comédia. Como disse, alegrias e tragédias às vezes pegam o mesmo atalho, só que, no caso das alegrias, elas veem de uma piada de mau gosto.

      Saudações corais,

      Dimas Lins

  11. Hélio Mattos
    11

    Foi uma vitória que, mesmo que não tenha servido a uma vantagem decisiva, vai ser lembrada muito tempo por estas características de tragédias e alegrias.

    Gosto de empate na boca?
    É sim, todos saímos desta mesma vitória com este gosto pois, como já disse antes, não serve a uma vantagem decisiva.
    Mas deixa-te estar que após nossa classificação este gosto muda para ares de uma vitória épica.

    • Hélio,

      Tomara e vamos torcer por isso. A questão é que o time não passa, e nunca passou, confiança. Mas torço, como nunca, ou melhor, como sempre, para juntar mais esta vitória.

      Saudações corais,

      Dimas Lins

    • Hélio Mattos

      É Dimas, essas confianças todas não passa mesmo não. Mas estamos indo devagarzinho, como não poderia deixar de ser nessa situação crítica em que chegamos, e competindo sob os auspícios dessa regra maluca de quadrangulares e mata matas, onde todo jogo é uma decisão.
      Domingo estarei torcendo não, tenho certeza de que estarei ME CONTORCENDO na frente de um computador..
      Vamos lá!

  12. Geraldo Mesquita
    12

    Recebí do amigo Sylvio uma mensagem com os seguintes depoimentos que muito nos orgulham:

    Post no Blog do Mauro César Pereira

    Flávio Roberto
    Apesar de ser flamenguista , as vezes me pergunto se a minha torcida realmente é a mais apaixonada do Brasil . É de se emocionar ver um time na situação em que se encontra ter a maior média de público do país . Não entendo como o Santa Cruz não está na disputa da elite do futebol brasileiro , é lamentavel .

    José Luiz Bariani – Jaboticabal – SP
    Vendo e ouvindo a torcida do Santa Cruz, me pergunto: e os dirigentes? Será que os caras se emocionam com cenas como essas? Sou palmeirense e posso dizer que imagens de torcidas como essas são tocantes, não importa para quem torçam. Pena que quem dirige nosso futebol parece ter o coração de pedra, fria como o concreto mal cuidado dos nossos estádios. Aposto que o imperador da CBF nem sabe que o Santa Cruz está na série D. No dia em que essas pessoas enxergarem, de verdade, o potencial que a torcida tem no Brasil, o “produto” futebol, como muitos gostam de falar, vai ter o valor que merece. Assim como um homem apaixonado por sua mulher faz de tudo para ela, uma torcida apaixonada faz qualquer sacrifício para ver seu time de coração no lugar mais alto do pódio. É isso que eles não enxergam, ou não querem enxergar, afinal o “pudêr” como diriam alguns coronéis é muito mais importante. O povo? Ah, o povo é só o povo…

  13. Mais um motivo para ficar preocupado no domingo, inclusive esta
    preocupação tem nome, chama-se Djalma Beltrami árbitro escalado
    para apitar o jogo, péssimo! mais um obstáculo a ser superado.
    Saudações corais.

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