"O Sucesso do Clube depende da torcida"
Fred Arruda, assim como outros integrantes de sua família, tem uma longa convivência com o Santa Cruz. Trazido pelo tio, Paulo Galvão, que era médico do clube, Fred já foi mascote tanto do juvenil, quanto do profissional e seu avô, Jaime Pires Galvão, o qual ele nem chegou a conhecer, foi jogador e presidente do Mais Querido. Carlos Frederico Galvão de Arruda, Vice-presidente do Executivo do Santa Cruz, é formado em informática, com especialização em marketing, finanças e gestão empresarial. Casado há vinte anos, tem três filhos, Carolina, 18, Eduardo, 16 e Fernando, 11. Tanto Eduardo, quanto Fernando já deixaram mais apertado o coração do pai tricolor, pois ambos jogaram futebol de salão no Náutico. Eduardo deixou o futsal e foi para o futebol de campo e agora está vindo para o Santa. A vinda do mais novo, porém, foi um pouco mais difícil. Mesmo sendo tricolor, Fernando não queria deixar a convivência com os amigos do futsal do clube de Rosa e Silva, mas acabou sendo convencido pelo pai. Os contatos do Torcedor Coral com Fred Arruda para esta entrevista tiveram início pouco antes do Natal. Porém, os compromissos profissionais somados a nova responsabilidade no clube só agora tornaram esta conversa possível. Com muita simpatia, Fred sugeriu que desligássemos o ar-condicionado para que o som do aparelho não atrapalhasse a gravação. O calor falou mais alto e filmamos a entrevista com barulho do ar-condicionado e tudo. Na manhã do sábado, 06/01, em sua sala, Fred Arruda falou sobre eleições, auditoria no clube, sócios, estatuto, parcerias e copa de 2014, mostrando um pouco do pensamento da nova diretoria coral. Oposição e Eleições Torcedor Coral – Você é integrante da Confraria Ninho da Cobra. Como e por que ela surgiu? Fred Arruda – Eu não participei do momento de fundação da confraria. Eu morei em São Paulo em 2002 e 2003 e quando voltei a Recife, tomei conhecimento do movimento, através de Misael, que é um dos fundadores e irmão de uma grande amiga. E aí, angustiado com os resultados em campo e com a administração do Santa Cruz, eu procurei o movimento, porque não tinha cunho político, era muito mais um grupo de empresários e profissionais que tinha o objetivo de pensar propostas para o Santa Cruz e contribuir com o clube. Essa foi a razão. Me juntei com um grupo de pessoas com quem eu participei de algumas reuniões e tive afinidade. Torcedor Coral – Mesmo não tendo candidato próprio, a Confraria apoiou Antônio Luiz Neto na eleição anterior. Como você viu aquela eleição? Fred Arruda – Naquela eleição, a gente tinha uma proposta de modelo de gestão para o Santa Cruz, mas a gente não queria ter um candidato membro da Confraria, pois ela não tem cunho político, pelo menos de lançar candidato. E Antônio Luiz Neto tinha um acordo, desde eleições anteriores, para ser o candidato que substituiria José Mendonça. Então, ele abraçou as idéias da Confraria e aí juntou a nossa intenção de apoiar um candidato que abraçasse essas idéias e a dele de entender que as propostas eram alinhadas com aquilo que ele queria para o Santa Cruz. Quanto à eleição, acredito que mais uma vez ela foi manipulada, com esse processo esquisito de fazer sócio no Santa Cruz, que graças a Deus, vai acabar. Acho que foi parecida com essa campanha da gente agora, pois em todas as pesquisas nas rádios só dava Antônio Luiz Neto, mas no dia da eleição a gente perdeu. Entramos com uma ação na justiça, mas a justiça conduz as coisas na velocidade que quer, pois as prioridades cada um define as suas e, no fim, não deu em nada. Mas ainda bem que a gente se manteve firme e o grupo de Edinho, que esteve na situação, que conhecia o clube e que saiu quando ainda o time estava muito bem em 2005, convergiu em relação às idéias com os demais grupos de oposição e a gente conseguiu lançar uma candidatura forte. O clube agora está retomando o caminho do crescimento. Torcedor Coral – Depois da conquista do campeonato pernambucano de 2005 e a subida para a Série A, a oposição se desarticulou. Como ela conseguiu se reagrupar? Fred Arruda – Eu não acho que houve desarticulação. Nós sempre estivemos reunidos. Agora, não havia espaço e não havia motivo para fazer oposição forte a uma situação que estava dando certo, pelo menos, dentro de campo. Administrativamente a gente sabia dos problemas, mas como, pelo menos em 2005, a folha se manteve mais ou menos em dia, os funcionários não estavam tão atrasados, como estão agora, e o clube vinha vencendo, venceu tudo o que participou, fez uma campanha boa na Copa do Brasil, então não havia razão para se fazer oposição ferrenha. Mesmo assim, o grupo se reunia, contribuía com o clube, ajudamos na premiação do campeonato pernambucano, ajudamos no campeonato brasileiro. Então não houve desarticulação. Não havia por que fazer oposição ferrenha a bons resultados, pois a Confraria não tem nada de pessoal contra ninguém, a Confraria tem a favor do Santa Cruz. Então, se estava dando certo, não tinha por que não apoiar. Torcedor Coral – Mas em 2006, até pouco tempo antes da eleição, a oposição não tinha candidato e esta situação foi revertida praticamente na reta final do período eleitoral. Como foi esta rearticulação? Fred Arruda – É verdade. Houve um desafio lançado por Romerito, que se Alexandre Ferrer se lançasse candidato, ele abriria mão de qualquer coisa e o Santa Cruz teria um candidato único. O Santa Cruz já estava fragilizado e a gente entendia que um nome como Alexandre Ferrer agregaria demais. Então a gente começou a trabalhar nessa direção e convencê-lo a ser candidato. Ele, por falta de tempo, não pôde aceitar o comando do Executivo, no que eu acho que ele estava certo, pois você tem visto o trabalho de Edinho e é o tempo todo correndo atrás, e Alexandre comanda uma empresa e não tinha condições de ser esse nome. Mas mesmo assim, aceitou o desafio de tocar o poder maior do clube que é o Deliberativo. Feito isso, havia um consenso, pois ninguém discutia a possibilidade de Edinho não ser o melhor nome para virar esse jogo. Era o único nome, em nossa opinião, capaz de enfrentar Romerito numa urna, pois já conhecia bem a estrutura do clube, conhece muito de futebol, então houve uma convergência. Acho que a articulação ocorreu no momento certo, nem cedo, nem tarde, foi no momento certo o lançamento da candidatura. Tivemos tempo suficiente para mobilizar, para envolver a torcida e para tomar todos os cuidados que a gente não tomou na eleição anterior para vencer. Torcedor Coral – A eleição anterior foi marcada por uma série de denúncias de fraudes e irregularidades e a oposição, naquela época, não conseguiu mostrar o que, de fato, houve por trás daquela eleição. O que a oposição fez de diferente, para conseguir a vitória, que não fez na outra? Fred Arruda – Eu acho que o episódio de a gente ter conseguido, nesta eleição, a lista de sócios, em função daquele pagamento mensal que o clube tem que fazer das ações trabalhistas, fez a diferença. Aquilo teve uma repercussão muito grande e inibiu muita gente a vir votar. De resto, Edinho é um cara muito carismático e a torcida, eu acho que já estava cansada em 2004, em 2005 levantou a auto-estima e em 2006 derrubou para um ponto muito pior que em 2004. Então, muita gente que foi fabricada por aquela gestão, não tenho nem dúvida, fabricação de voto houve em 2004 e houve agora, terminou votando em Edinho. Então, eu acho que o cenário não foi muito diferente. É claro que alguns cuidados foram tomados nesta eleição que a gente bobeou na eleição anterior. Como, por exemplo, ir à Justiça do Trabalho e pegar uma relação de sócios. Fizemos um trabalho junto à mídia mais incisivo que aquele da eleição anterior. Acho que a gente amadureceu de uma eleição para outra. Torcedor Coral – A eleição deste ano foi considerada histórica porque foi a primeira vez que a oposição ganhou a disputa. Como você viu a participação da torcida neste processo eleitoral? Fred Arruda – A participação foi excelente. Tanto na internet, quanto nas rádios, nas pesquisas. Aquele movimento, aquela quantidade de pessoas que ficou aqui acompanhando a apuração foi um negócio de arrepiar. É a torcida quem carrega o Santa Cruz. Eu acho que ela está cansada, está cobrando, isso exige da gente uma responsabilidade muito maior, exige uma transparência muito grande. Ela está cansada de não saber o que está acontecendo. Edinho já prometeu que quando completar um mês de gestão vai publicar na internet um balanço do primeiro mês e é importante esta relação e esta troca saudável. A torcida é quem carrega o clube. Auditoria, finanças e sócios Torcedor Coral – O Santa Cruz está contratando uma auditoria para os últimos quatro anos e os dois seguintes. Já está definida a empresa? Fred Arruda – Não. Nós recebemos a proposta de três empresas e Edinho está escolhendo aquela que melhor se adequar a uma boa relação de custo e benefício, para auditar os últimos quatro anos e também os dois dele, pois um clube como o Santa Cruz que tem três milhões e duzentos mil torcedores, como o Presidente vive falando, não pode deixar de ser auditado e deve ter suas informações abertas. Torcedor Coral – Qual o objetivo da auditoria e qual a previsão de início? Fred Arruda – Acredito que esta semana Edinho estará definindo a empresa e que o trabalho começará imediatamente. O objetivo é saber a real situação do clube, pois há muita informação que a gente não sabe ainda. Têm contratos que dizem para nós que existem e a gente procura e não acha. Então é para a auditoria fazer um levantamento de tudo o que aconteceu nos últimos quatro anos e que está acontecendo agora até o final de 2008, para que, quando a nossa gestão acabe, a gente deixe o clube absolutamente transparente para quem vier depois. Torcedor Coral – Edinho, em entrevista ao site da Coralnet, deu novos números à dívida do clube que gira torno de R$ 78 milhões. É possível equacionar a situação do clube diante de uma dívida tão grande? Fred Arruda – A dívida de curtíssimo prazo, a grande dívida que a gente tem é com os funcionários. A primeira coisa que a gente tem que fazer é pagar em dia daqui para frente. Esse quatro primeiros meses de campeonato, só com o pernambucano, a receita do clube ela é contada, por isso a gente tem que ter um pouquinho de paciência. Quando a gente entrar no brasileiro e com uma boa campanha, que eu tenho certeza que a gente vai fazer, as finanças do clube devem melhorar e a gente vai retomando essa questão dos funcionários. Se a gente pudesse dividir em três grandes blocos, dívidas de impostos, que a Timemania deve ajudar a resolver; dívidas trabalhistas, que a gente tem um bloqueio de 20% das receitas e, ao longo do tempo isso vai ser resolvido e isto não se resolve nesta gestão, mas deve diminuir significativamente o passivo; e a dívida com os funcionários, que a gente deve fazer uma programação para ir saldando. Eu acho que, Edinho está cansado de dizer, a partir do dia 14, quando começa o pernambucano, são os nossos resultados dentro de campo que vão ditar a emoção do torcedor. Mas eu acredito muito que, primeiro, dentro de campo o Santa Cruz vai ter bons resultados e que a torcida vai ser sensível e entender que a gestão está trazendo para o clube uma melhoria administrativa e que ela vai chegar junto. Torcedor Coral – Desde a posse da nova diretoria quantos torcedores já se associaram ou regularizaram seus débitos junto ao clube? Fred Arruda – Quando a gente entrou, o número que nós tínhamos na mão era de 1.200 sócios. Este número hoje está perto de 2.800. Mas o bom é que depois que a campanha publicitária começou na televisão, esse número cresceu muito. Ontem, dia 05/01, nós tivemos 231 pessoas que vieram regularizar sua situação. Então, uma média, que vinha em torno de 80 a 90, subiu para 140 a 150 por dia, com picos de 230 pessoas. Acho que aos pouquinhos muita gente vai se regularizar, como neste amistoso, por exemplo. E partir dos jogos do Santa Cruz em casa, também com os resultados em campo, isso deve melhorar. O torcedor, querendo ou não, está desconfiado com os últimos anos de maus resultados. Mas, à medida que estes resultados forem aparecendo, a gente vai aumentando esses números e, se Deus quiser, vamos chegar aos 30 mil sócios que a gente espera. Temos que procurar fazer uma campanha de sócios que mantenha o torcedor no quadro social, independente dos resultados. Coisas como descontos em lojas no comércio, benefícios em serviços aos sócios que façam com que, financeiramente, seja vantagem para ele permanecer, independente do clube está bem ou mal em campo. Torcedor Coral – Esse número de associados está dentro da expectativa de vocês, já que a meta de 30 mil sócios é bastante ambiciosa? Fred Arruda – A gente queria chegar ao início do pernambucano com 10 mil sócios. Estamos a uma semana do campeonato e isso dificilmente vai acontecer. Mas, se a gente teve 26 mil sócios na época de Jonas Alvarenga, quando ele trouxe Mancuso, Almandóz e tanta gente, que eu acredito que a gente possa fazer 30 mil sócios. Agora, não podemos ficar esperando que a campanha de sócios dependa apenas dos resultados dentro de campo. Temos que ter outros mecanismos e esses mecanismos não se resolvem em uma semana. Tem que ser feito um trabalho um pouco mais demorado. Eu acho que até junho a gente consiga está com ele bem resolvido. Torcedor Coral – Com essa perspectiva de 30 mil sócios, o que daria para fazer pelo Santa Cruz? Fred Arruda – Com 30 mil sócios daria para manter o clube capaz de disputar uma primeira divisão, sem depender de qualquer outra coisa. O Atlético-PR, o Paraná Clube, o Juventude e o Figueirense tinham folha da ordem de R$ 400 a R$ 500 mil reais no campeonato brasileiro. O Santa, com 30 mil sócios, tem essa receita garantida, sem contar receitas de patrocínios e televisão. Dá para manter um bom time disputando o campeonato. O Internacional hoje tem 40 mil sócios e eu acho que a nossa torcida é maior que a deles. Eu acredito muito no poder e na força da torcida do Santa Cruz. Estatuto Torcedor Coral – O estatuto do clube vem sendo duramente criticado, principalmente no processo eleitoral. O que há de errado com ele? Fred Arruda – O estatuto simplesmente não trata de eleição. Eu não sei se isso tem que ser tratado no estatuto ou no regimento, mas o estatuto tem que dar as condições para que a transparência exista nas eleições. Eu posso garantir à torcida, agora falando como conselheiro, que o conselho vai brigar e vai fazer todo o possível para que no menor espaço de tempo, a gente tenha um estatuto moderno. O estatuto do Santa Cruz não é antigo, mas ele é velho em algumas questões. Na questão eleitoral, por exemplo, ele deixa lacunas absurdas. Hoje se faz sócios e pronto! Eu sou partidário que o estatuto obrigue a publicação da lista de sócios, aptos a votar na eleição seguinte, um ano antes da eleição. Se possível, até fazer o registro em cartório da ficha de sócio, por que não? Com o registro em cartório você mata qualquer possibilidade de fraude futura, pois você não consegue mudar no cartório a data de um registro que foi no dia sete para o dia trinta. Os mecanismos existem. A publicação do edital é uma coisa que também tem que estar muito clara no estatuto. A diretoria anterior disse que não divulgou isso, porque não tinha dinheiro para publicar nos jornais. E a Coralnet? E os blogs? E a imprensa? Bastava chamar a imprensa no auditório e dizer: “estamos publicando o Edital de Eleição”. Isso não custa dinheiro. Há mecanismo que podem ser criados para dar a transparência que a torcida precisa. Ganhar ou perder eleição é como a eleição do país: deixa o eleitor decidir. Outra questão que o estatuto precisa avançar muito é impedindo que uma gestão utilize receitas de gestões futuras. A cota da Rede Globo de 2007, por exemplo, foi antecipada para uma gestão num exercício que não era o dela. Nós estamos assumindo agora e não temos direito a cota de 2007, porque foi usada pela gestão anterior. Eu acho que deixar despesas para o exercício seguinte e usar a receita do exercício seguinte tem que ser proibido. Eu acho que tem gente que deixa o clube no buraco e deve se tornar inelegível, pois tem que ter mecanismo de proteção ao clube. Como a gente pode chegar aqui e encontrar o clube numa situação dessas e não acontecer nenhum tipo de punição a quem não teve sorte ou competência ou a felicidade de fazer uma boa gestão? O clube tem que ter seus mecanismos de proteção contra os gestores. Torcedor Coral – O executivo e a Comissão Patrimonial, na prática, funcionam como empresas distintas. Isso não é nocivo ao Clube? Fred Arruda – Como toda decisão que é tomada, existem pontos favoráveis e pontos desfavoráveis. Essa decisão foi tomada com o objetivo de proteger o patrimônio de uma má gestão. Eu acho que realmente o clube é um só, não faz sentido esse negócio de você ter poderes paralelos. Evidentemente que o processo eleitoral, por si só, sugere uma convergência entre as pessoas que dirigem a Patrimonial e o Executivo. A gente precisa discutir isso com uma boa profundidade dentro do conselho, porque isso também passa por reforma do estatuto, para a gente encontrar o melhor caminho. O importante são os princípios. O patrimônio do clube tem que ser preservado e tem que crescer. Não se pode ter uma sede hoje no estado em que a nossa se encontra. Não há condições de fazer um evento aqui, porque os banheiros não funcionam. Temos um terreno na esquina, sem o clube fazer uso. Entretanto, são necessários mecanismos que protejam o patrimônio do clube. Torcedor Coral – Alguns torcedores acreditam que a mudança do estatuto deveria ser referendada pelos sócios. O que você acha disso? Fred Arruda – Eu discordo. Democracia é uma coisa, mas se a gente partir para isso, acaba virando conturbação. Nós temos em torno de 2.800 sócios em dia e cento e poucos conselheiros eleitos por esses sócios. O conselho, inclusive, vai ser ampliado para cerca de quatrocentas e poucas pessoas, nós faremos uma assembléia para isso, e ele tem que ser autônomo para fazer isso. Já não é fácil reformar o estatuto com quatrocentas pessoas, imagine com 2.800. Acho que o conselho do Santa Cruz é muito bem formado, tem muita gente da área jurídica, da área de finanças, da área de gestão, enfim, pessoas que têm totais condições de fazer uma boa reforma no estatuto. Evidentemente, ao longo do processo de reforma, podemos divulgar nas rádios, nos blogs e nos sites as principais linhas e ouvir sugestões da torcida. Isso é bem-vindo. Agora, a gente precisa de pressa na mudança do estatuto. Precisa ser uma marca desta gestão sair com um estatuto novo publicado. Parcerias Torcedor Coral – Que tipo de parcerias o Santa Cruz vem tentando formar com outras instituições? Fred Arruda – Do ponto de vista do futebol, Edinho já anunciou nos jornais que está fazendo uma parceria com um clube do futebol brasileiro e outro do estrangeiro. Na hora certa, Edinho vai divulgar, quando isso estiver formalizado, que clube é esse, como é o modelo dessa parceria, mas ele já disse, inclusive, ontem em uma entrevista, que isto passava por uma aquisição de um centro de Treinamento e ele imediatamente arrendou o CT do Intercontinental por cinco anos. Acho que é o primeiro grande gol desta gestão. Aliás, o primeiro não. O primeiro foi pagar aos funcionários dois dias depois que a gente assumiu. Alguns gols já foram feitos, mas esse é mais um grande gol de Edinho. Outras parcerias vão ser feitas, tem a questão dos patrocínios que a gente está contratando uma empresa de marketing para fazer a venda do espaço publicitário e campanhas de arrecadação de recursos para o clube. Torcedor Coral – Existe interesse ou espaço para uma co-gestão no Santa Cruz? Fred Arruda – Eu acho que tudo depende de quem seria esse co-gestor, de que modelo ele estaria disposto a implementar dentro do Santa Cruz. Acho que o espaço existe, é discutir modelo. O Santa Cruz só não pode perder sua autonomia. Agora, espaço para alguém chegar, agregar e ganhar em cima dos benefícios que essa co-gestão gerar para o clube, eu não vejo nenhuma dificuldade com relação a isso. Isso tem que ser muito bem pensado e discutido. Torcedor Coral – O Santa Cruz acabou de alugar um centro de treinamento por cinco anos. Existe a possibilidade futura de compra deste mesmo centro de treinamento ou a construção de um novo? Fred Arruda – O Centro de Treinamento é prioridade para o Santa Cruz. O modelo que vai ser usado é igual a de uma empresa que vai decidir se ela vai construir uma sede ou alugar um prédio. Isso não importa muito. O importante é ela ter um espaço disponível para desenvolver suas atividades. O que o Santa Cruz precisa ter é um centro de treinamento. Se ele é arrendado, alugado, comprado ou construído, eu acho que isso é apenas um detalhe. Evidentemente, a gente precisa preservar e ampliar o patrimônio do clube. Se for entendido que essa ampliação do patrimônio passa por uma aquisição ou construção de um CT, vamos fazer. Mas o mais importante é que hoje nós temos um CT excelente à disposição do clube. Copa de 2014 Torcedor Coral – Mudando um pouco de assunto. A copa de 2014 ainda está longe, mas muitos clubes já começaram a se preparar. O Santa já pensa no que fazer para que o Arruda não fique de fora da Copa no Brasil? Fred Arruda – A copa de 2014 está longe para os jogos, mas em relação à preparação para estar elegível para ser palcos de jogos ou, no mínimo, de treino de seleções, ela está em cima. A gente está, acho que até abril ou maio, com um projeto pronto para captar investidores que se interessem em melhorar e adequar o Santa Cruz à exigência da Fifa. Torcedor Coral – Se a situação financeira do clube é tão precária, como vamos conseguir atrair investidores para modernizar o Arruda? Fred Arruda – Basicamente através de parcerias. Vou te dar uma idéia. Ali naquela esquina, onde foi a sede antiga do Santa Cruz, nós temos a intenção de construir a sede administrativa do clube. Aí você pode perguntar, mas com que dinheiro? Podemos trazer, por exemplo, um banco que financie a construção e que alugue o espaço de baixo para ser a sua agência bancária, durante um tempo suficiente para que esse recurso seja pago. Enquanto isso, o clube usaria o resto do prédio. Pode ser feito um edifício-garagem, um prédio empresarial, em que parte dele ser explorada por terceiros e a outra a sede do clube. Temos que ter criatividade para ir buscar esses recursos. Acho que o Santa Cruz tem muita gente capaz de pensar isso. Torcedor Coral – No caso de Recife ser escolhida como cenário para 2014, quais são as chances reais do Arruda ser um desses palcos? Fred Arruda – Essa decisão é política. A gente vai ter que trabalhar para isso. Hoje, nenhum dos três estádio reúnem condições para tanto. Estamos muito longe de preencher os requisitos que a Fifa exige. Eu acho até que é mais fácil derrubar o estádio e fazer outro, do que arrumar os três estádios. Então, é uma decisão política, a gente tem que costurar e eu acredito que a CBF e a Federação Pernambucana de Futebol serão hábeis arrumando formas de beneficiar os três clubes, independente de onde vá haver jogos. Por exemplo, num estádio teria jogos e nos outros dois, se faria centro de treinamento, para as seleções. É importante pensarmos no ponto de vista do país, no maior número de beneficiados possíveis com um processo desses. Evidente que o Santa Cruz tem o maior estádio do Estado, um dos maiores estádios particulares do mundo e essas questões todas a gente vai usar como argumento, para tentar trazer os jogos para cá. Torcedor Coral – O recurso para se conseguir reformar um estádio tem um lastro muito grande. Você falou agora a pouco na possibilidade de se construir um novo estádio. Esta possibilidade é real? Fred Arruda – Veja, o Arruda é um dos maiores estádios particulares do mundo, um dos maiores do Brasil e o maior de Pernambuco. Para jogos do campeonato brasileiro e até mesmo de uma libertadores, ele atende mais que bem. Agora, se pensarmos numa copa do mundo, nós estamos muito longe. Estádio como o do Benfica, de Wembley, o do Boca Juniors vai passar por isso também, foram derrubados e feitos outros. Então, se for preciso fazer isso para ter jogo da copa do mundo, nós vamos buscar as parcerias que viabilizem isso. O importante é dar o conforto definido pela Fifa ao torcedor do Santa Cruz e aos torcedores que virão para Recife ver os jogos da copa do mundo. Existem empresas que tradicionalmente patrocinam copas do mundo e a gente iria buscar essas parcerias, mostrando a força da torcida do Santa Cruz. O importante é não fazer um projeto para 2014, mas até 2014. Buscar alguém que queira patrocinar o Santa Cruz a partir deste ano, olhando para o futuro que é a copa do mundo. Perspectivas e sonhos Torcedor Coral – Como tornar possível o sonho da torcida coral em ser campeão brasileiro? Quanto tempo seria preciso para alcançar esse objetivo? Fred Arruda – Eu cresci entendendo que o Santa Cruz era maior do que o Atlético paranaense. Eu vi, em 1995, quando a gente perdeu aquele jogo para o Central, em Caruaru, e ficou de fora da segunda divisão e o Atlético paranaense subir para a primeira e, em menos de 10 anos, ser campeão brasileiro e disputar uma libertadores. O Santa Cruz e sua torcida são muito fortes. É óbvio que a gente não vai conseguir isso em dois anos, mas eu acho que, de seis a oito anos, é um ótimo prazo para a gente ter um time em condições de ganhar um campeonato brasileiro. Torcedor Coral – Como você vê o futuro do Santa Cruz, nessa mudança de cenário, nessa nova onda tricolor que surgiu depois da eleição, com os torcedores retornando ao clube? Fred Arruda – Temos que ter noção do seguinte: a grande marca desta administração, nos próximos dois anos, tem que ser deixar o clube arrumado, do ponto de vista do modelo de gestão, transparente e modernizada. Agora, por outro lado, não podemos esquecer do curtíssimo prazo, pois o clube vive do torcedor e o torcedor é emoção. A gente precisa de bons resultados dentro do campo. O Santa Cruz montou um time para esse campeonato pernambucano acima das expectativas de qualquer torcedor, dentro da situação financeira que se encontra. Acho que a torcida esperava um time menos experiente, com muito mais jovens, mas conseguimos mesclar jogadores jovens que estavam na casa com jogadores experientes, com um bom perfil de segunda divisão. Acho que vamos entrar no campeonato pernambucano muito competitivos e se conseguirmos os resultados que tivemos em 2005, eu acho que nós vamos ter um futuro muito promissor. Até porque, precisamos aprender com os erros do passado e não podemos permitir que 2008 seja igual a 2006, nem de longe. Torcedor Coral – Já que você falou em time, como foi fazer um time sem condições financeiras, sem dinheiro em caixa? Fred Arruda – Primeiro, algumas parcerias foram feitas. O pessoal da diretoria de futebol pode falar mais sobre isso. Edinho tem uma gestão absolutamente descentralizada. Ele acompanha tudo, mas a gestão é descentralizada. Temos hoje quatro diretores de futebol com a maior competência, uma coordenação com Charles Muniz e Flávio na supervisão, todo mundo muito alinhado. Eles podem falar melhor o que foi feito, mas é importante a torcida do Santa Cruz saber que boa parte dessas contratações foram feitas confiando na resposta do torcedor. Edinho sempre disse que podia cobrar dele, mas que ele também iria cobrar o retorno da torcida. A torcida precisa chegar junto, precisa se associar, é preciso que a gente mantenha o quadro do Santa Cruz, no mínimo, de 10 a 15 mil sócios. Menos do que isso não dá para fazer o clube ser viável e a melhor forma do torcedor contribuir é se associando e comparecendo aos jogos. Ela precisa dar esse retorno, para que a gente cumpra o compromisso de ter os pagamentos em dia e um time competitivo. Torcedor Coral – O Santa Cruz também se transformará em clube-empresa? Fred Arruda – Eu acho que a gente não está em momento de discutir isso. Um clube-empresa passa por captar investidores e investidor só investe em empresa, e eu tenho uma boa experiência neste tipo de assunto, que tenha um modelo de gestão eficiente e transparente. A gente precisa ter resultados, transparência, governança e um modelo de gestão leve. Precisamos primeiro consertar isso, para depois a gente ver se será clube-empresa ou não. O São Paulo não é clube-empresa e é um belo modelo de gestão. O importante é ter um modelo de gestão transparente, que dê resultado dentro de campo e que garanta tranqüilidade para quem trabalha pelo clube, que são os funcionários. Encerramento Torcedor Coral – Para encerrar, que mensagem você deixa para a torcida coral? Fred Arruda – Que continue confiando, que não falte aos jogos do Santa Cruz, que compareça e se associe. Hoje mesmo, quem tem internet em casa ou tem mecanismos de acessá-la no trabalho ou nas lanhouses espalhadas pelos bairros tem facilidade para se associar ao clube. Se associe pela internet, se associe aqui no clube, volte a freqüentar a sede, estamos com as portas abertas. Seja otimista, agora ajude. Eu acho que para cobrar, temos que dar alguma coisa em troca. É importante a torcida cobrar, mas também é importante que ela chegue junto. O clube será transparente, como foi prometido, na verdade, já está sendo transparente. A torcida tem uma paixão enorme, é só relembrar aquele jogo contra a Portuguesa, que é uma coisa que emociona qualquer torcedor. Então, é um pedido que faço para que volte a freqüentar o clube, que volte a ter confiança em quem está à frente dos destinos do clube, que se associe e não deixa de comparecer aos jogos. Se a gente conseguir manter uma média de 10 mil torcedores nos jogos intermediários e 40 mil nos clássicos, com mais 10 a 15 mil sócios em dia, nós vamos ter uma tranqüilidade para gerir o clube. Isso depende fundamentalmente da torcida. Saudações tricolores, Dimas Lins










ótima entrevista!!
cada vez mais animado com o futuro do Santa!!!
SCFC!!!!
Realmente, Fred é muito bom. Gera confiança e respeito.
Ainda tenho receio da campanha de sócios. Enquanto o pagamento for no Arruda, por causa dos bloqueios, a coisa não engrenará. Há de se resolver isso com a máxima urgência!
Só discordo de uma coisa: nosso estatuto é nossa constituição. Dada a sua importância, ela devia ser votada por todos os sócios. O problema é organizativo, porque votará muita gente? Ora, democracia é organização. Além do mais, o sócio iria votar no(s) modelo(s) de estatuto(s) aprovado(s) pelo conselho deliberativo, e não participar diretamente (apenas indiretamente, através de propostas) da discussão e da escolha do(s) estatuto(s)para a votação. De todo modo, é um avanço a ampliação do conselho deliberativo.
Valeu pela entrevista. Além do Glauber Rocha do Santinha, agora você é o nosso Chateaubriand!
Eh isso ai, estes planos pra 2014 ainda sao muito obscuros… Mas tambem, pudera. Muita coisa pra resolver de uma vez, e obviamente a prioridade agora eh o pernambucano.
e isso ai tudo pelo santa um dia vamos conseguir levar o santa a 1 divisao vamos se associar e é isso ai esse e meu apelo aos torcedores do santa cruz tri,tricolor tri tri tritritritricolor
O colosso do arruda deve ser a sede da copa 2014, do Estado de Pernambuco.