
Paulo vai casar. Olho para o céu e procuro sinais de um milagre. Qualquer coisa. Mudança climática fazendo a temperatura em Recife cair abaixo de zero, o sertão virando mar – como o nosso Santinha – ou bolas de fogo cruzando o espaço sideral e anunciando o fim dos tempos. Infelizmente, da minha janela não vejo nada.
Ligo a TV na esperança de encontrar uma notícia reveladora. Mensagens cifradas em forma de boas-aventuranças. Penso na paz entre judeus e palestinos ou mesmo no fim da miséria e da fome em todo o planeta, mas não há indícios sustentáveis. Talvez eu tenha, por força da convivência com as religiões, esperado sempre por milagres grandiosos demais. Um tolo assim não veria que um pequeno sinal já era o bastante. Acontecimentos formidáveis são milagres mesmo em tamanho P. Bastaria, por exemplo, que o amor de um cão por seu dono o tivesse salvado da solidão. Eis a prova contudente de um milagre. Mas a TV não mostra nada disso. Judeus e palestinos continuam em conflito e a crise econômica leva o caos ao redor do planeta.
Homem de pouca fé, fiz o que todo jornalista esportivo faz. Especulei. Sordidamente especulei. E espalhei boatos. Disse aos quatro cantos que o pai da moça, um rubro-negro de carteirinha, prometera mudar de lado e acrescentaria o branco entre suas cores, caso Paulinho se decidisse a casar. Os mais céticos não acreditaram que ele beijaria a bandeira e o escudo corais no meio da multidão em plena praça principal da cidade de Limoeiro. Acrescentei, com boa dose de cinismo, que ele choraria de emoção ao perceber que se entregara a um amor verdadeiro. Um amor que só um torcedor coral é capaz de sentir. Porém, veio o arrependimento e desisti de tanta sordidez. Afinal, sou tricolor e prezo pela verdade, nada mais que a verdade. E, em nome da verdade, achei melhor me enveredar pelo emblemático caminho da apuração dos fatos.
Quem conhece Paulinho sabe bem porque falo em milagres. Solteiro convicto, caso raro, homem autêntico, parece que ele finalmente sucumbiu aos encantos de Ana, sua bela noiva. Perguntei-lhe a razão da mudança de direção, o motivo da ruptura de convicções tão fortemente arraigadas. Envolto em mistérios, Paulo não respondeu. Deu apenas um sorriso enigmático, como a Monalisa.
Cavucando o passado, lembrei que meses atrás, quando o diminutivo levou o Santa à beira da extinção, como se fosse um dinossauro, Paulo prometeu se casar no retorno do clube à Série A. Ana, pelas péssimas perspectivas, achou que era tempo demais. Talvez o clube se acabasse. Afinal, chegou tão perto! Paulo manteve-se irredutível. Entretanto, toda mulher sabe o caminho que leva ao coração de um homem. E o caminho percorrido por Ana, por mais prosaico que parecesse, mostrou da forma mais reveladora o amor de Paulo, tanto por ela quanto pelo Santa Cruz.
Conta-se que no dia 18 deste mês Paulinho recebeu da noiva um presente com DVD e artigos que lembravam o aniversário de 25 anos do supercampeonato de 1983. Surpreendido de forma tão contundente, ele teria pedido a namorada em casamento ali mesmo, naquela hora cercado de profundas emoções. Já em casa, Paulo escreveria o artigo Édson Bonifácio Gomes, 25 anos atrás sobre o grande título do Santinha.
Entendi finalmente que o milagre não era o casamento de Paulo. Este era apenas um sinal, um traço de luz rasgando o céu e apontando o caminho da redenção, pois o milagre estava em outra parte: na retomada do Santa Cruz em direção a glória.
Com seu casamento, Paulo nos ensina que milagres são reais e Ana, que os sonhos são possíveis. Nossa esperança ressurgiu com esta nova gestão para vencer o medo. Já fomos capazes de sair do fundo do poço. É chegada a hora de, quem sabe, viajar por mares nunca dantes navegados.
E é assim, com o coração cheio de esperança, que acredito mais do que nunca no Santa Cruz em 2009. Sim, milagres são reais. Paulinho já nos deu o primeiro sinal.
Agora, nos dedos do casal repousa a aliança coral.
Dedicado a Paulo Aguiar, estimado amigo e cronista do Torcedor Coral.









Milagre, milagre! Sinal de bons tempos, sem dúvida!
Inclusive, Josias, o de Paula, já se convidou para ser padrinho do casório. Cabra oportunista da moléstia!
Segundo meu amigo Josias, os milagres estão acontecendo desde que o Messias assumiu o Mais Querido !!!
Dimas, sua crônica está ótima! Foi a melhor do ano !
))
Estou me inspirando em nosso amigo Artur que em breve estará comemorando as bodas de prata… chegaremos lá
Um feliz 2009 a todos os santacruzenses!!!
Aos amigs(as) Corais: que o milagre aconteça na vida de cada um.
Será que permanecer vivo após uma gestão tão diminutiva, mas de tão grande estrago já não foi um milagre?
FELIZ 2009.
Para quem observa o cotidiano dos amigos, trataria esse enlaçamento de Paulo e Ana menos como um milagre, ou como uma redenção, e sim mais como uma rendição! Rendeu-se o homem ao abismal mistério da mulher. Mulher que leva o homem em sua caminho de dores e delícias, que o conduz nessa trilha fatal. E essa mulher, no caso de Paulo, só poderia ser Aninha.
Parabéns aos noivos! E que tenham novos tricolorezinhos!
“Dimas”,
A melhor maneira de sairmos do fundo do poço é deixarmos de ‘cavar’ o próprio buraco! Tive a grande sensação que o mais importante da VIDA é as DERROTAS, pois com elas surge uma força interior e uma expectativa avassaladora de VENCERMOS!
Hoje visito o Arruda e encontro pessoas lá sorrindo, alegres, é um entra-e-sai frenético de torcedores afim de presenciar as reformas no Estádio, que é algo imprecionante! Tudo está sendo reparado com todo cuidado e competência, lá não vemos nenhum indíco de ‘maquiagem’ e sim um verdadeiro trabalho para deixar o Colosso novinho em folha !!!!
Parabéns pelo texto e o AMOR CONSTRÓI !!!!
>>> VIVA SANTINHA !!!
* impressionante
Valeu André tricolor virtual. Valeu Geó… estou percebendo que o “inscritosempedra” está voltando….
E viva o Santinha….
O Mais Querido!!!
Abraços!!
Depois de um bom recesso….
Parabén Paulo & Ana. Felicidades.
“Parabéns”. Preciso de um teclado novo.
Maravilhoso o texto!!Parabéns!!!