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Quadro: Ignácio da Nega |
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Dimas Lins
Tudo pronto para o São João. A mala já estava feita e era só levá-la ao carro. O destino, Serra Negra, em Bezerros. Na bagagem, alguns irmãos tricolores e Manequinha, cronista aqui do blog. Além, é claro, das respectivas esposas e namoradas e da sogra de Maneca, para ficar de olho no lance. Enquanto o casamento não sai, a marcação é sobre pressão e de dar inveja a zaga coral.
Na saída, uma preocupação martelava a cabeça: onde assistir ao jogo do Santa? Murilo, o irmão ameaçado pela família de ser rebaixado de torcedor para simpatizante, por conta das seguidas ausências nos jogos do Santa Cruz no Arruda (ele só não foi rebaixado ainda, porque apresenta todo santo mês o comprovante de pagamento da mensalidade de sócio), chegaria na quinta-feira à noite e, por certo, descobriria um local.
Conferi os CDs de forró, calibrei os pneus e enchi o tanque. Tudo checado. Finalmente era hora de partir. Como não sou inglês, como o Lord Léo, saí de Recife, já na sexta, com um atraso regulamentar de 2 horas. Ou seja, dentro dos planos. Quem já marcou algum compromisso comigo, sabe do que estou falando.
No caminho, estrada movimentada, mas tranqüila. Em Bezerros, me preparava para subir nove quilômetros de serra. Felizmente, nenhum carro à vista. “Talvez por conta da hora”, pensei. Lá em cima, um clima frio e o povo do lugar já informava que a temperatura iria girar em torno de 10 graus. Era hora de usar algumas roupas que não viam a luz do sol há algum tempo. Algumas delas, por certo, me pediriam emprestados os óculos escuros.
Já na casa, Murilo repassava os informes. Naquela sexta não haveria forró (taí a explicação para a falta de movimento de carros), só a partir do sábado. E não era só isso. A água do chuveiro não esquentava, o celular não pegava e não havia onde assistir ao jogo do salve, salve, Santa Cruz! Corri logo para a mala para conferir o rádio. Percebi que o havia esquecido em Recife. Putz! Eu aceitaria, de bom grado, tomar banho só na volta do feriadão e conviver com a inutilidade do celular, mas ficar sem acompanhar o jogo do Santa seria um golpe duro. Só não amaldiçoei os céus, com medo que caísse um toró. Aí seria, literalmente, a gota d’água. Restava esperar Maneca e Felipe subirem à serra. Maneca não trouxe o rádio, mas Felipe não passou batido. O cara é mais secão pelo Santa do que eu.
Não havendo nada a fazer, fizemos um churrasco. Perto das oito, Felipe tentava sintonizar alguma rádio, qualquer uma. A única possível foi a Clube. A gente até pensou em boicotar, por causa do mala sem alça, mas, mais importante era o Santa.
Maneca, moço prendado e formado em forno e fogão, assumiu a churrasqueira. O frio tomava assento à mesa na mesma hora em que iniciávamos os preparativos. Para combinar com o clima, uma cerveja gelada, porque esse negócio de rejeitar cerveja é coisa de barbie e suzie.
Pouco antes de começar o jogo, pânico geral. O carvão estava acabando. Choveram explicações científicas dando conta que, no frio, o material sólido de origem vegetal que principalmente consiste em carbono com pequeno percentual de hidrogênio, compostos orgânicos complexos e materiais inorgânicos, se consome mais rapidamente. Na iminência de mais uma desgraça, saí, debaixo de uma névoa, para comprar mais carvão. Não tinha. Na última venda e no desespero, apelei para a caridade do vendedor. Ele disse que só tinha carvão para consumo próprio. Insisti e lembrei-me de Léo quando, na choradeira, disse-lhe que era tricolor e que minha alma era forjada pelo sofrimento. Não sei se foi o apelo ou os quinze paus que ofereci pelo produto que fez o sujeito mudar de idéia. Cheguei em casa como um herói e, como não sou besta, avisei que estava isento de cuidar do churrasco. Afinal, trouxera carvão suficiente até para o inverno do ano que vem.
Carne vai e carne vem, gol do Paulista. Emputecimento geral e muita cerveja goela abaixo para ajudar a digerir, não a carne que essa descia fácil, mas, o placar do jogo. Felipe, já puto, desligou o rádio. Passaram na minha tela mental os resultados dos jogos anteriores. Ficamos, então, o primeiro tempo alternando entre ondas hertzianas e ondas nenhuma. Quarenta e sete do primeiro tempo e vem outro golpe. Segundo gol do Paulista. Desânimo geral. Empolgação mesmo só pelo porco que Manequinha preparava com empenho há algumas horas.
No segundo tempo, junto com a carne de porco, veio a reação tricolor. Tomei emprestado o rádio e ouvi o lance que resultou no pênalti a favor do Santinha. Primeiro gol coral. Dei sorte. Era a hora de reagir. No decorrer da partida, o Santa era todo pressão. No rádio, uma voz dizia que o time coral não saía de cima. Maneca, ansioso, trocava a churrasqueira pelo rádio. Era um revezamento quatro por cem, onde Felipe assumiria a condução das carnes. Da garganta de Maneca saiu a notícia do empate coral. Comemoração e mais cerveja. Mas ficou só naquilo.
Lembrei-me então das palavras do locutor e pensei na falta de prazer que o time vem nos dando. Pois o Santinha, ultimamente, pode até não sair de cima, mas trepar que é bom, não trepa.
Certamente pelo rádio não dá para avaliar o time, pois em verdade vos digo que, em noventa por cento dos casos, dizem as estatísticas, baseadas em dado concreto algum, nada acontece em campo tal como o locutor e o comentarista descrevem. Basta você acompanhar um jogo no estádio, com o rádio ligado, para comprovar o que eu digo. E, na Clube então, o negócio fica pior. Por isso, não emito opinião sobre o jogo, nem boa, nem ruim. Muito pelo contrário.
Para amortizar o sofrimento do feriadão, ficou, como saldo do São João, muita farra, churrasco, um frio de lascar no pé do cipa e o forró pé de serra de primeira grandeza de Petrúcio Amorim e Fim de Feira. Desci a serra no início desta tarde e deixei para trás Manequinha e meus irmãos, todos alcoólatras inveterados. No caminho de volta, já com forró até o talo, ouvia a música elegante de Vanessa da Mata.
Vem, que eu sei que você tem vontade
Que eu sei que você tem saudade de mim
Antes que haja enfermidade
Que eu não me recupere mais
A lembrança do Santa foi imediata e eu já me preparava para mudar de música, quando Vanessa cantou o verso desligue nossos celulares. Me dei conta que o danado ainda estava desligado e que já era hora de me conectar novamente ao mundo.
Ah, para concluir, informo que, por livre e espontânea pressão, fui obrigado a tomar uma ducha fria todos os dias em que estive em Serra Negra. Como se não bastasse a ducha da sexta-feira dada pelo Santa Cruz.










Foi muito bom mesmo Dimas. O melhor foi o preço. Eita blog endinheirado da gota !!!
Acho o cúmulo Manequinha aparecer se amostrando todo por causa da proteção descarada do Editor-Mor. E eu aqui com a salário cortado pela metade… É pura provocação.
Uma pergunta logística pra quem vem de Jampa: vai chover?
http://br.weather.com/weather/local/BRXX0195?x=0&y=0
Esta Noite Pancadas Mín: 24°C
Vento: Do South Southeast a 19 km/h
Possibilidade de precip.: 60 %
Umidade média: 88 %
Manequinha se deu bem no feriado, hein!?
Dimas,
Você foi totalmente “BLUES”, ao choramingar pra comprar Carvão na chuva(ops!), utilizando a alegação de que era Tricolor. Sensacional!
Acordei hoje com uma baita inflamação na garganta… Mas vou fazer de tudo para ir ao jogo…
Espero que pare de chover, porque senão a renda vai ser por demais prejudicada…
Vamos Santa!!!
Léo, melhoras… mas, tenha certeza que se não chover antes, na hora do jogo vai chover.
Jogo do santa sempre tem chuva !!!
Avante Santa !!!
Vcs sabiam que a maior invencibilidade da história do brasileirão é do Santa?
Foram 27 jogos sem perder no campeonato de 78. O Santa só veio perder nas quartas, pro inter. Nesses dois jogos contra o inter, foram as únicas duas derrotas do Santa naquele campeonato.
Essa é uma marca espetacular e que deveria ser mais explorada. Como a de que o Santa possui uma das maiores invencibilidades no Brasil, em campeonatos em geral, com 40 e muitos jogos, se não me engano.
A campanha do Santa, em 78, tá aqui:
http://paginas.terra.com.br/esporte/rsssfbrasil/tables/br1978.htm
Tem um errinho, no jogo do volta, contra o Inter, marca a vitória do Santa por 2×1, quando foi o Inter que ganhou de 2×1, no Arruda.
E não deixem de entrar no mais novo blog
http://www.idolosdosanta.blogspot.com
Balanço de 8 rodadas:
11 pontos – a 3 da zona de classificação. Caso vencesse o Fortaleza, estaria em terceiro. Isso jogando 6 partidas sem nosso melhor e mais importante jogador que é Marcelo Ramos. Não importa se a gente acha que o time jogou mal e venceu, jogou bem e não venceu, é caseiro etc. O fato é que por muito pouco, mesmo com Charles, Alan etc, não estamos na zona de classificação.
O que quero provar simplesmente é que, apesar de tudo, temos condições de chegar lá. É ter um pouquinho de sorte e o apoio da torcida.
Vamos animar!!!!!!
Dimas,
Cade meu comentário com algumas fotos e um vídeo de comemoração do segundo gol tricolor em Jundiaí?
Fabiano Pinheiro,
Você é otimista em excesso… Mas como em 1999 subimos com aquele time terrível… Pq isso não pode se repetir, né? ehehee
[]´s
SANTA CRUZ CAMPEÃO SÉRIE B 2007!!!!!!!!