
93 anos. Comemoração. Baile de Carnaval. Folia. Esta foi a tônica do dia de ontem para toda a nação tricolor. Entretanto, o gosto de cabo de guarda-chuva e a cabeça inchada no dia seguinte não tem a ver com a ressaca da grande festa de comemoração do aniversário do Santa Cruz. A grande ressaca vem mesmo do presente de grego que o time deu hoje a sua torcida, quando o Mais Querido foi humilhado pelo Vera Cruz, em Vitória de Santo Antão, por 3 a 0. Isso mesmo, três a zero. Isso mesmo, o Vera Cruz. Isso mesmo, aquele time que, na rodada anterior, apanhou de 5 a 1 da coisa ruinzinha.
Desta vez, a derrota humilhante não pode ser ancorada na falta de preparo físico ou de entrosamento. A esta altura do campeonato, essa desculpa não é mais tolerada pelo torcedor. E com razão. Estamos chegando ao fim do primeiro turno com uma das piores campanhas em estaduais dos últimos tempos. Dentro de campo, o time insiste em seguir na direção contrária ao trabalho da diretoria e pode afetar negativamente o apoio do torcedor na árdua missão de reconstrução do clube.
Exceto no gol e no ataque, o time mostra deficiência em todos os setores. Na lateral direita, chega a dar tristeza. Para quem esteve acostumado a ver as grandes apresentações de Osmar, contentar-se com os fracos Luís Paulo e Paulo Ricardo, é de lascar. Como dizia minha mãe, dou um no outro e não quero torna. Mesmo não sendo tão crônica quanto a direita, a lateral esquerda também não vem bem. Badé mostrou vontade em alguns jogos e só. A zaga também é um capítulo à parte, que começa com um enigma: o que Alex Pinho está fazendo nesse time? Em sua última passagem pelo clube, o zagueiro foi duramente criticado pela torcida; e, agora, em sua segunda passagem, o nível de insatisfação do torcedor é ainda maior. Nem Adriano, apontado pela torcida como um dos jogadores que se salvaram da campanha medíocre do ano passado, vem produzindo boas partidas. No meio-campo, a permanência de Rodriguinho não se justifica. O jogador não conseguiu fazer boas partidas nem mesmo nos jogos contra o Ypiranga e o Náutico, quando a equipe mostrou evolução. Cadu, apesar de dar melhor cadência ao meio, ainda não conseguiu atender à necessidade do time na armação das jogadas.
Tudo isto, deixa o torcedor preocupado. Com que futebol o Santa Cruz irá enfrentar a coisa? Com aquele jogado contra o Náutico ou o apresentado hoje contra o Vera Cruz? Que intervenção precisa ser feita para preparar o time para o segundo turno e, principalmente, para a Série B?
É preciso paciência. Não há como esquecer a situação em que a diretoria atual encontrou o clube. O próprio elenco contava com treze jogadores e, entre eles, apenas três profissionais, sendo o restante oriundo dos juniores. Infelizmente, como disse Edinho em recente entrevista à Coralnet, o Santa não é o Barcelona, que pode trazer quem quiser. Algumas apostas têm de ser feitas e, aqueles jogadores que não derem certo, terão que sair para dar espaço a outros. Porém, alguns jogadores, desde já, não demonstram qualquer condição de vestir a camisa tricolor. Eis, então, que surge um problema: a dispensa de jogadores que mal acabaram de chegar tem impacto direto no aumento da dívida do clube.
Por enquanto, há que se separar o bom trabalho da diretoria dos resultados em campo. Entretanto, paciência tem limites e, caso o torcedor não perceba indícios de correção de rumo dentro de campo, mais cedo ou mais tarde, fatalmente, sua insatisfação baterá à porta do Presidente e poderá atingir o trabalho de reconstrução do clube com a redução do número de sócios.
O momento é difícil e comissão técnica e diretoria, mais do que nunca, precisam trabalhar em sintonia, pois a motivação do torcedor pode trazê-lo de volta ao clube ou leva-lo embora.
Saudações tricolores,
Dimas Lins









Só não concordo com a crítica ao Adriano.
Ele tem jogado bem… Agora ele não pode fazer nada sozinho…
Abraço!!!