
Dimas Lins
O Rei Juan Carlos I da Espanha protagonizou, diante das câmeras, um dos episódio mais marcantes na recente diplomacia mundial, durante a última sessão plenária da XVII Edição da Cúpula Ibero-Americana. Ele fez o que muitos chefes de Estado gostariam de ter feito, mas nunca tiveram coragem.
O episódio ocorreu enquanto o presidente-falastrão Hugo Chávez interrompia sistematicamente o primeiro-ministro espanhol, José Luiz Zapatero, durante o seu discurso. No dia anterior, Chávez já havia chamado de fascista o ex-primeiro ministro da Espanha, José María Aznar. Percebendo que o boquirroto presidente venezuelano continuaria interrompendo o discurso do seu compatriota, o Rei surpreendeu a todos quando se virou para Chávez e disse em alto e bom som: “por que você não se cala?”.
Embora este episódio político envolvendo líderes mundiais esteja muito distante da realidade do Santa Cruz, é praticamente impossível não sentir uma pontinha de inveja do Rei. Não sei vocês, mas bate uma vontade danada de virar-se para o diminutivo e dizer-lhe em alto e bom som: “por que você não se cala?”.
O diminutivo pode ser comparado ao presidente venezuelano quando se trata da sua capacidade em falar o que não deve. Para quem não se lembra, podemos recordar algumas de suas declarações.
- Evaristo de Macedo será o novo técnico do Santa Cruz (declaração feita ao saber o resultado das urnas, nas eleições do clube, dias antes do treinador desmenti-lo, através de entrevista).
- Não vamos fazer caças às bruxas (referindo-se a sua postura em relação à apuração de supostas irregularidades nas gestões anteriores).
- Comigo, Givanildo tem mandato! (durante o campeonato pernambucano, enquanto a equipe já mostrava sinais de como seria a atual temporada).
- Somos a maior potência da série B! (dias antes do início da competição).
- Mauro Fernandes não é técnico, mas parceiro do clube! (depois de mais uma derrota da equipe).
Mas a última declaração do diminutivo é, decididamente, a mais grave e com conseqüências imprevisíveis para o Santa Cruz.
Depois da derrota para o Criciúma, o diminutivo, através de entrevista coletiva à imprensa, deu conhecimento a uma denúncia que iria “estremecer o Brasil”, segundo suas próprias palavras.
A denúncia estaria baseada num dossiê que, segundo as declarações do diminutivo (caso apareça alguma caixa de diálogo, clique no botão cancelar), constaria de número de conta, depósito feito e e-mails. Na última segunda-feira, o diminutivo cumpriu a promessa e apresentou ao presidente da FPF um dossiê onde constam 10 e-mails (ao menos foram estes os documentos divulgados pela Coralnet).
A denúncia do diminutivo pode ser um tiro em seu próprio pé e outro no coração do Santa Cruz. Perguntado por um radialista se ele havia feito algum depósito, o diminutivo respondeu afirmativamente e completou dizendo que não teve retorno, porque depositou pouco (clique no link para ouvir sua declaração no blog Acerto de Contas). É verdade também que o diminutivo afirmou em outra oportunidade que fez o depósito sob orientação do Ministério Público. Cabe ao MP confirmar a sua declaração. O que se tem por hora é que as palavras do presidente coral deixam algumas dúvidas no ar.
Tenho por prática não fazer julgamentos precipitados, mas não posso deixar de observar algumas curiosidades e fazer algumas perguntas:
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Por que o presidente do Santa Cruz não acionou a Polícia Federal, durante o período de extorsão, para apurar, através de escutas telefônicas e outros meios, a identidade dos responsáveis pela suposta máfia do apito?
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O Ministério Público acompanhou de perto as ações do presidente quando sugeriu o depósito na conta do suposto extorsor?
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De fato, o MP realmente sugeriu o depósito?
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O presidente não percebeu que o domínio do e-mail do remetente era hotmail.com e, por isso, não considerou possível que outra pessoa se passasse por um membro da comissão de arbitragem?
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Neste caso, o que o presidente fez para se certificar que o interlocutor era o verdadeiro membro da comissão?
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O presidente não notou que as mensagens de e-mail continham erros graves de português e que esses erros poderiam ser incompatíveis com alguém que ocupa um cargo atribuído ao suposto interlocutor (em entrevista à Rádio Jornal, o Sr. Paulo Jorge Alves fazia uso de linguagem culta e português correto)?
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Por que só oferecer denúncia depois de confirmado o rebaixamento do Santa Cruz à série C?
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Se o Santa Cruz não tivesse sido rebaixado, o presidente, de fato, faria a denúncia?
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O presidente deu conhecimento a sua diretoria que estava sofrendo tentativa de extorsão e compartilhou com eles a decisão de oferecer a denúncia?
Provavelmente só teremos respostas para todas ou a maioria das perguntas depois de uma investigação séria do Ministério Público e da Polícia Federal. Por enquanto, entendo que tem muita coisa mal explicada, inclusive o depósito feito pelo presidente. Isto obviamente não o incrimina, mas põe em dúvida sua ação, daí a necessidade de esclarecimentos.
Dependendo dos rumos que a investigação tomar, o presidente pode estar em maus lençóis e pode prejudicar o Santa Cruz mais do que já prejudicou.
Por princípio e por cidadania, coloco a ética acima de tudo, inclusive das paixões clubísticas. Que a denúncia seja apurada e os responsáveis punidos. Não temos o direito de transigir quando a questão é ética. Sempre é hora de passar este país a limpo.
Como tricolor, estou acostumado às falas intempestivas do diminutivo. Mas posso dizer que desta vez ele me surpreendeu. O diminutivo calado é um poeta. Um poeta menor, com todo o respeito aos poetas.









Excelente texto como todos que são publicados aqui no Blog.
Parabéns!
Na minha modesta, porém sincera opinião, o Sr. Presidente caiu no “conto do vigário” está tentando desviar o foco da sua desastrosa administração (se é que podemos dizer que ele adminstra mesmo o clube).
Como disse o companheiro no seu belo texto: “… o que o presidente fez para se certificar que o interlocutor era o verdadeiro membro da comissão?”
Ainda parodiando o companheiro no seu texto:
“O presidente não notou que as mensagens de e-mail continham erros graves de português e que esses erros poderiam ser incompatíveis com alguém que ocupa um cargo atribuído ao suposto interlocutor?”
O suposto interloucutor é policial federal aposentado e Bacharel em direito.
O que também me chama a atenção e me deixa totalmente intrigado e indagando: Será que esse ser que se diz presidente consultou alguém da diretoria ou alguém do conselho do clube a respeito da susposta extorção ou fez tudo sozinho como o de costume?
Por que cargas d’água ninguém do conselho deliberativo se manifesta contra ou a favor das atitudes centralizadoras desse cidadão e deixa-o fazer e desfazer no clube?
Será que estão todos conformados pela atual situação do clube?
Cadê os conselheiros, os diretores e o c… a quatro que não se pronunciam?
Será que estão realmente preocupados com o que está acontecendo como nós estamos?
Alguém fale alguma coisa pelo AMOR DE DEUS!
Como diria um amigo meu da inferno: “esse tio é um comédia”.
Depois dessa cômica aparição nacional, o diminutivo nunca mais será o mesmo. Bom pra nós.
Caro Dimas,
Que BLZ de texto, parabéns mesmo …
Tive o prazer de conhecer um dos Diretores Presidente da empresa que trabalho, e pensem no apredizado que tivemos com sua passagem a nossa filial. E uma das coisas que mais gostei, em tudo o que ele nos disse nos dias que ficou conosco foi a seguinte:
…”Hoje tenho tudo, porque APRENDI A OUVIR MAIS as pessoas …”
E é necessário ter dignidade para ASSUMIR OS ERROS … E um pedido de DESCULPAS tb não faz mal a ninguém …
A DECÊNCIA tem sido uma qualidade difícil de se encontrar nas pessoas … Precisamos ser MAIS RESPEITADOS !!
ABRAÇOS A TODOS!
*APRENDIZADO
Parabéns caro Dimas, seu texto traduz também o meu sentimento.
Porém não se trata de extorsão, e sim, de estelionato. Não quero ficar corrigindo pontos específicos, mas temos que detalhar tudo para que as pessoas entendam qual tipo penal estamos investigando.
A extorsão ocorre quando há uma ameaça de mal grave, o que não é o caso.
Outro ponto é que a Polícia Federal não tem obrigação de atuar no caso, pois, em tese, não há no caso apresentado interresse da união, salvo se se tratar de quadrilha com atuação interestadual que exija repressão uniforme, mesmo assim, com aval do ministro da Justiça.
Forte abraço.
Saudações
Completando o texto anterior:
“A conduta típica (núcleo do tipo) do art.158 (Extorsão) do CP é constranger a vítima, ou seja, obrigá-la, forçá-la, coagi-la, mediante grave ameaça ou violência, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa, com intuito de obter para si (o agente) ou para outrem indevida vantagem econômica.
Conforme nos ensina Mirabete:
“Como em outros delitos, é necessário que a ameaça seja grave, hábil para intimidar a vítima, de acordo com suas condições pessoais, embora, por vezes, esta possa opor resistência” (MIRABETE, Julio Fabrini, Código penal interpretado, Atlas, pág 1.165 e seguintes).”
Contundente, o texto. Sem sectarismo, até frio na análise. Que as noves perguntas inspirem os conselheiros que querem questionar os desmandos do presidente. São um bom guia lógico e moral.
Perfeito Dimas.
Como sempre, na mosca Dimas!
Cala a boca Diminutivo!
Dirceu,
Falha minha quanto a tipificação do crime. Me baseei nas palavras do diminutivo, que é delegado de polícia. Achei, por isso, que ao menos neste aspecto ele estava certo na tipificação. Parece que nem isso. Mais um motivo para ele ficar em silêncio.
Quanto à Polícia Federal, acho que ela tem tudo a ver com o caso, pois supostamente é um crime que rompe as fronteiras do Estado, já que o suposto interlocutor seria membro da comissão de arbitragem da CBF e tem domicílio no Rio de Janeiro.
Valeu pelos esclarecimentos.
Saudações corais,
Dimas Lins
O Santa Cruz não tem quem o dirija, nosso clube está entregue nas mãos de um rubro-negro Carlos Alberto Oliveira. Estamos perdidos.
Cada vez que o diminutivo fala o Santa Cruz se afunda cada vez mais
ele está a serviço de alguem para prejudicar o mais querido o que
mais me irrita é seu jeito gozador, brincalhão sempre falha com trocadilhos com piadinhas sempre sorridente dai a minha convicção
que ele está feliz e terá ainda um ano para acabar com o resto
não podemos permitir temos que reagir.
só uma pergunta um presidente processado pode continuar no cargo.
Um abraço a todos e Dimas parabéns pelo texto.
Sou contra Renúncia! Edinho tem que permanecer e temos que pressioná-lo buscando sempre espaço nas decisões do Santa Cruz, buscando decisões mais compartilhadas. Sonhar com isso não é menos que sonhar que ele venha a pedir licença por 3 meses.
Tenho certeza que Edinho é tricolor e quer o melhor para o Santa Cruz. Não é problema de má-fé, mas de incompetência e um estilo ultrapassado e personalista.
Quando as críticas começaram em 2007, Edinho foi cada vez mais centralizando as decisões do futebol, pois é prepotente e achava que resolveria tudo sozinho. Como é vaidoso, vai querer resolver novamente esse ano para tentar resgatar um pouco da sua imagem. Não deveria ser assim, mas isso tem um lado bom e, embora ele jamais vá admitir, no final das contas ele acaba aceitando algumas sugestões lançadas aqui nesse e no blogdosantinha, como é o caso da contratação da empresa de Ricardo Rocha e de um diretor remunerado.
Quanto ao dossiê, é cedo pra saber no que vai dar. Mesmo que as provas apresentadas pareçam frágeis, vejo a movimentação de ministério Público e Polícia Federal no sentido de investigar o caso, e não dá pra prever onde isso vai parar, pois não será nenhum absurdo que realmente se encontre alguma máfia de arbitragens, mesmo que não da forma como o presidente colocou.
Ademais, não temo qualquer punição para o clube ou para Edinho, pois o mesmo é o responsável pela apresentação das denúncias e isso por si só já seria atenuante em relação a qualquer punição, independente de ter havido orientação ou não MPPE.
Temos um novo estatuto aprovado, um presidente que quer acertar, mesmo que de forma equivocada, um bando de urubú querendo uma brecha pra enterrar de vez o clube e a chance de no final de 2008 eleger uma chapa que realmente se identifique com as aspirações da torcida tricolor, e não uma que era a possível para derrubar a ditadura de 25 anos.
Vejam que no Brasil, saímos da ditadura para aguentar Sarney por algum tempo…
É minha humilde opinião, como sempre coloco aqui, sem medo de me expressar, nem intenção de ser o dono da verdade. Na verdade, é com esse processo dialético que a gente cresçe. E eu tenho uma tendência de ir contra a correteza, pois sempre que todo mundo vai seguindo prum mesmo lado, eu desconfio.
Mas o Santa Cruz também me tira do sério, e eu me perco às vezes numa agressividade besta e improdutiva.
Mas logo volto ao normal e espero sempre contribuir para um debate livre e aberto.
Edinho é tricolor?
Concordo com um aspecto da fala de Fabiano, o qual se refere a possibilidade do Santa ser punido pelo envio do dossiê. Também acho que não seremos penalizados. A denúncia, inclusive, está sendo feita pela FPF, e não pelo clube.
Até com relação a Edinho penso que ele terá como se livrar, pois não acusou em público ninguém diretamente. Falou mais ou menos assim: “Olha aqui, tenho estas provas, não sei quem é culpado e quem não é; mas tudo deve ser investigado…”. O que pode complicar ele é o depósito; pode complicar ele e o Santa. Neste caso, a denúncia de Edinho é contra ele mesmo e contra o Santinha. Urge que o conselho chame o feito à ordem. Basta de querer ser o dono do clube. Se quiser, há de ser forçado a sair, sim!
Volto a repetir, o sr. dr. delegado foi enrolado por estelionatarios, on
de já se viu, o cara pedindo ajuda nas passagens!. Volto a insistir no
meu ponto de vista sobre esse presidente, é prepotente,centralizador,
teimoso e burro, como está provando este fato.
Saudações Corais.
A cruz da sociedade tricolor
Por Irapuan Emerenciano
A sociedade tem reclamos confessáveis e inconfessáveis, próprios do conjunto humano. Destaco os confessáveis, aqueles do cotidiano, resultantes do sofrimento individual ou coletivo com alcance indistinto e permanente. Os inconfessáveis, por sua vez, são os que se escondem no íntimo, ingênuos ou cúpidos, sensatos ou não, extraordinários, pessoais. Vez ou outra, eles assomam à realidade pela força incontrolável do entusiasmo ou do desastre, e, assim, resgatados, somam-se a tantos outros, de tantos outros matizes, tornando-se aparentes, factíveis, confessáveis, ordinários, públicos.
Entre os inconfessáveis estão os sentimentos da paixão e do amor, mistos de percepção íntima ou de indução exterior. As exteriorizações do sentimento, por sua vez, podem ser positivas, negativas ou neutras, segundo critérios comezinhos e superficiais. Assim, quando uma sociedade sente a necessidade de agir, se não o faz, padece. Cuida-se, nestas linhas, das exteriorizações positivas. O conjunto social, segmentado, representa em pequena escala o acervo das atividades humanas a que chamam de cultura. Diz-se, portanto, que o País começa na aldeia; em verdade, se inicia no íntimo de cada ser humano, mediante educação condizente.
Acode-se, ao tema, um fato notório, no qual essa segmentada parte da sociedade, contida em um bairro populoso do Recife, resolveu agir. O bairro: Graças; as pessoas: quaisquer que delas sentissem essa necessidade de se manifestar, positivamente, e o quisessem, movidas por um senso comum de atitude positiva; o fato notório: o descontrole institucional, que descambou para constrangimentos e agressões cotidianas na vida dos moradores, resultantes do excessivo número de bares que existiam na área a infernizar a vida dos circunstantes.
Após atitudes positivas dos moradores desse bairro, como a criação da Associação dos Moradores das Graças e ações efetivas, as questões atacadas, de frente, com empenho e inteligência, surtiram o efeito desejado, com alterações no trânsito local, policiamento ostensivo, fiscalização dos órgãos públicos federais, estaduais e municipais, fechamento de bares e controle social. Depois, o êxito, que não foi de um, mas de todos, à frente, diga-se, de logo, por dever de justiça, o cidadão João Braga, tricolor renitente.
A sociedade, representada por esse pequeno segmento dela, organizou-se, adotou posturas e atitudes positivas, agiu. Tenha-se, agora, comparativamente, guardadas as devidas proporções, outro tipo de sociedade, na qual se manifestam sentimentos variados: o clube, seus sócios e torcedores. E, mais, tenha-se, então, aquele que padece: o Santa Cruz, como padeceram os seus co-irmãos sociais e rivais esportivos de cores e ilusões: o Sport e o Náutico, em época não tão remota.
De um lado, se observa o esforço de parte dessa sociedade humana, representada por esses clubes sociais e desportivos, que munidos da tessitura das ações positivas alcançaram uma condição, que se não é, de todo, satisfatória, quando menos, dignifica as atitudes do segmento social dessas agremiações. De outro lado, se denota o esgarçamento do pavilhão tricolor em lamentações e desencantos.
Pois bem, a sociedade que naquela agremiação é representada padece. E, assim, está porque não se organizou, não estimulou novas lideranças, e, ao contrário, afastou-as; não estabeleceu planos a partir de suas reconhecidas fraquezas, não estipulou gerência inteligente, não renovou seus quadros pensantes e diretivos, não adotou posturas e atitudes eficazes, em suma: não se organizou para o enfrentamento das vicissitudes naturais do conjunto social. Se algo foi feito, fê-lo mal. E, nesse diapasão, enquanto uns conquistam, outros são conquistados.
Nesse contexto, consabido e vexatório, a crítica ao insucesso do saudoso tricolor de antanho, entretanto, tem sido exercida com a virulência do desconhecimento, que só a ignóbil intolerância produz. Vê o aficionado, apenas, o que os olhos permitem, o que o coração agüenta, mas não vê o que a mente precisa. Portanto, olham e nada vêem, porque somente observam uma parte do campo de jogo. Uma sociedade se fortifica a partir de suas fraquezas e derrotas, mediante necessária autocrítica. No entanto, isto somente, ocorre quando ela alcança a maturidade dos verdadeiros questionamentos, dos indispensáveis projetos e ações com a participação de seus incontáveis e insatisfeitos participantes.
Sabe-se que no meio profissional desportivo de Pernambuco, assim como o é, no meio político, privilegia-se mais o indivíduo que a instituição, o clube, o conjunto social. A diretoria dessas agremiações desportivas, nada profissionais, por mais bem intencionadas que sejam não podem ser deixadas sem a fiscalização e os meios de retratação condizentes ao colegiado em que se fundam, porque sucumbirão, todos; pessoas e clube. Alguns diretores, não raras vezes, compram passes de jogadores e o exploram como extensão dos seus negócios, avalizam títulos extrajudiciais, mais em benefício próprio que dos clubes, reduzindo-lhes o patrimônio – como o antigo colosso de alegria, obtido com lágrimas e sacrifícios – e a reles garantia trabalhista, impagável.
A tudo, assiste impassível, um contingente enorme de tricolores vencidos e, somente, capazes de reclamar, mas de pouco fazer. Uns, nem sequer pagam suas obrigações sociais, e, cômodos, são os primeiros que gritam das gerais como se torcessem pela derrota, inexorável, que abate e entristece; não se organizam, não colaboram, não mantêm suas obrigações com o clube, em dia, mas gostam de fazer festa, a festa da torcida que maravilha e encanta o futebol brasileiro.
Quantas coisas, no futebol, há por trás dessa alegria! Quantas coisas precisa haver para continuar alegre essa mania nacional! São esses anônimos, os que fazem a grande massa tricolor, que formam uma grande torcida, mas não fazem uma grande sociedade. Dela, nem sequer, participam, como deveria, uma décima parte, se muito; e, nem sequer, acodem o clube, pagando suas obrigações sociais, ou seja, devem e reclamam. Tanto mais devem quanto mais reclamam.
Soma-se a cada derrota tricolor, maior e irrecuperáveis prejuízos com o afastamento daqueles, que compõem o seu quadro social, descrentes e desmotivados, estes, sim, a grande perda, pois que foram presentes, quando o clube padecia, embora não tivessem adotado a postura indispensável ao soerguimento do clube, quando foi preciso.
Faz-se necessário a essas observações, que se adote o exemplo dos moradores do bairro das Graças, onde foi testemunha e dele participou, como secretário, daqueles momentos este escriba: pois bem, este torcedor retorna ao clube, exatamente, nesse momento de agrura, como simples sócio contribuinte, de há muito afastado por opção passageira e necessária; volta a usar a camisa listrada e sair por aí, sem a alegria de antes, mas orgulhoso da paixão simples que lhe devota; volta a pensar no clube não somente, como torcedor, mas como partícipe dele, a quem devem ser presentes os que têm vergonha e esperança, em honra à história e à paixão humanas.
Finaliza-se a presente conclamação em que cada segmento social só será sacrificado se não resistir, se não participar, se não se fizer existir. Algo, como um determinado comandante de navio que em meio a uma forte tempestade, jogou um marinheiro chorão ao mar, para espanto geral, para içá-lo, logo depois e vê-lo calado e participante, e, sobretudo, sabedor que naquela tempestade o único lugar seguro era justamente o barco de que não cuidava.
Irapuan Emerenciano é ex-mascote tricolor, ex-diretor jurídico do Santa Cruz e ex-presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de Pernambuco (TJD-PE).
saiu no JCoisa de hoje.
Postei para comentários.
Parece que conseguiu o objetivo. Desviou a atenção da tragédia que ele produziu com uma “denúncia” hilária. Destino dessa papelada no MP: arquivamento por falta de indícios minimamente consistentes. Ele sabe que o néscio não tem amparo do Direito. É a história do cara que comprou a lua e foi reclamar em juízo o estelionato. Não tem amparo, mas não tem condenação e fica o dito pelo não dito e nós todos com cara de palhaço. E o homem mais “sabido” do mundo permanece. Agora, se demonstrada uma montagem fajuta por parte do denunciante, cabe-nos repudiá-la. Chega de enxovalhar a imagem do Santa Cruz. Se não o impedimento, que seja uma voto público de repúdio por parte do Conselho para que se acabe de vez com essas pilhérias com a instituição.
EM TEMPO: Espero que dessas presepadas não resulte punição para o Santa Cruz. Já estamos sendo punidos demais com os factóides de um ego doentio. E vem mais por aí: agora seremos o Capibaribe B, depois de SAci e Kuki caindo aos pedaços, vem aí Rodolfo, Breno e Almir Sergipe.
Sinceramente, estou com vontade de sumir e virar um especialista em beisebol. Alguém aí entende de beisebol?! Meu reino pelo beisebol!
Artur,
Beisebol não, mas já tenho alguma experência com Futebol Americano…
Lorde Leo, onde a gente compra aquelas armaduras? Parece que tem uma loja lá no cais do Apolo. O problema é que acho que não resistirei a um jogo. Serei trucidado rápido…
Caro Artur,
Trucidados nós já estamos com o Santinha…
Dimas, excelente texto, acho que a construção lógica e jurídica do mesmo, nos leva uma atitude urgente como torcedores do SANTA CRUZ, como poderiamos tirar o diminutivo da presidência do nosso clube?. A minha idéia ,e de outros torcedores que tenho conversado, é deixar o diminutivo isolado e refém de suas próprias merdas ilegais ,nos levaria a não pedir a sua renúncia, porque a renuncia levaria o vice ter que convocar novas eleições e agente correria o risco de ter os ratos de volta,pois implicaria, a licença levaria a ascensão de Fred Arruda como presidente, um cara mais arejado, a reunir todas as instâncias do clube, mas, quando digo todas quero dizer todas mesmo, blogs,torcidas organizadas,associações, ex-dirigentes etc. etc., para uma reunião em que estabeleceriamos um direção colegiada. sugiro como sugestão o domingo pela manhã apos o jogo do Coritiba em um lugar combimnado com todos ou o domingo seguinte. um abraço e saudações tricolores.
em tempo, belíssimo ,sensível ,lírico texto da emília postado no blogdosantinha,vide. beijos e felicidade EMÍLIA> fred.
Milton, você esqueceu do cracaço de bola, Luciano Totó!
Fred,
Infelizmente, se o presidente renunciar o vice não assume. Pelo estatuto do clube, ele será obrigado a realizar eleições num prazo de 8 dias, se não me engano.
Saudações corais,
Dimas Lins
dimas, falei de licença como ele fêz quando era vice Romerito.
um abraço, saudações tricolores.
Havendo a renúncia as eleições se dariam com o voto dos conselheiros. Com o atual grupo de conselheiros não há chance nenhuma para os que participaram da última gestão voltarem. Uma parte do conselho é composta de beneméritos e outra de conselheiros eleitos. Alguns beneméritos já entendem que passou da hora de renovação de quadros e dos 65 eleitos em dezembro passado tem muita gente boa no meio: Gerrá, Gileno, Fabiano, Coronel, Gerino, Beto Miranda, Inácio, Abrahão, Insatisfeito… De memória já citei 9. Se houver eleição, podemos lançar candidato, ou nos compor com o nome que vier dos beneméritos. Não haverá retrocesso. Acho, portanto, que não devemos temer a renúncia. Pelo contrário, o que eu temo é a continuidade nessas condições.