
Escrevo estas linhas, aqui e agora, com o coração plangente de saudade de um tempo em que me contentava apenas em assistir aos jogos do Santinha na arquibancada, sem me preocupar com o resto.
Naquela época, eu era jovem demais para gastar a minha paciência com explicações sobre a queda de rendimento da equipe, por causa de atrasos no pagamento dos salários dos jogadores. Também não colava a falta de entrosamento como justificativa para um futebol sem viço, porque era indefensável um jogador sem qualidade técnica. Além disso, não me interessava se a FPF pertencia a um dono só ou se quem sentava na cadeira da presidência do Santa Cruz era um homem honrado ou apenas o canalha da vez.
Do mesmo modo, eram irrelevantes os erros de arbitragem ou as reações extemporâneas do nosso treinador, pois o time não perdia o controle facilmente. Acontecesse o que acontecesse, tínhamos a obrigação de ganhar de equipes sem expressão no cenário nacional.
Igualmente, com o rádio no pé do ouvido, escutava entusiasmado a narração do jogo e, no dia seguinte, ainda acompanhava a resenha esportiva sem dar importância à falta de isenção alheia.
Antigamente, torcer era mais simples.
Os tempos agora são outros. Notícias, encontradas ou desencontradas, sobre atrasos de salários tiram o meu sono, assim como as questões de diretoria mal resolvidas que se tornam públicas. Vivo sob o domínio do medo de uma conspiração envolvendo a mídia esportiva, a FPF, o Clube dos 13, a coisa e seres de outros planetas.
Penso sem parar nas implicações de um esquema de fraude na venda de ingressos a cambistas e na inoperância de um segurança denunciados por um tricolor na seção de comentários desse mesmo blog.
Não me canso de me indignar com a nossa desorganização e com o tratamento dispensado aos tricolores, que sofrem para pagar a mensalidade de sócios, comprar seus ingressos e entrar no estádio. E ainda há quem ache que o problema está naqueles que chegam em cima da hora, como se o brasileiro não agisse assim para tudo o que faz na vida.
Até a crise mundial, estampada diariamente no noticiário econômico, tira a minha paz, pois, num mundo ridiculamente globalizado, onde a esculhambação do sistema financeiro de um país afeta todos os outros, o Santinha sofre com a falta temporária de investidores por causa da explosão da bolha imobiliária americana, mesmo com alguém do calibre de FBC à frente do clube.
Apesar da blindagem – até bem intencionada, admito, mas admito também que de boas intenções o inferno está cheio – que muitos tentam fazer à comissão técnica e à atual gestão, talvez pelo medo que a crítica possa assustar um político vivido como FBC, falta perspectiva a um time que até pouco tempo caminhava bem e lastro às nossas finanças, que, se não forem bem cuidada, aos pouco voltarão para a sombra.
Não bastasse tudo isso, os tricolores nos tornamos mal-humorados, pois, para quem apenas quer torcer, sair da arquibancada para se envolver com a política de bastidores é o fim da picada.
A verdade é uma só: quanto mais próximo do clube nos tornamos, tanto mais a vida fica chata.
E vez por outra bate aquela vontade de fechar os olhos, fazer vista grossa, fingir que tudo está bem e voltar para arquibancada apenas para torcer. Eu ficaria lá para sempre… Ou até o time jogar mal mais uma vez.
Então eu pensaria novamente no meia que não veio, na alta do dólar, na conspiração com os extraterrestres até chegar à conclusão que luz demais também cega.









A crítica é sempre bem vinda.Mais o chato é o desespero, o destempero e a impaciência.
Falo de mim em particular, mas o clube não me desespera. Me desespera muito mais o desespero dos tricolores. Eita aperreio arretado.
Futebol é, antes de tudo, diversão! Vamos nos divertir!!!!!
Mais, nada; é mas.
Com a chegada da nova diretoria a torcida viveu um período de EUFORIA. Agora vive um momento de DESILUSÃO.
Em breve passará a encontrar na REALIDADE o caminho para a redenção.
Dimas, o final de teu texto aponta para um dado importante do presente. A proximidade ao clube pode cegar alguns, torná-los sem visão e sem crítica. Há um ditado chinês que sentencia:
“O lugar mais escuro é sempre debaixo da luz”.
Dimas pô, junta teu texto, com o de sama, e vcs vão nos levar a uma depressão..r.s.rs.rs….
Os dois textos do dia de hoje, digo, o seu e o de Sama no blog do santinha, são de tremer as bases do torcedor-torcedor, do esporte-futebol, falando em conspiraçoes etc…etc…etc…
Lembro-me da época que eu era um simples torcedor, as discussões resumiam-se a juiz roubou ou não o time é isso ou aqui. Hoje é clube dos 13, patrocinador, imprensa paga, conspirações contra isso ou aquilo, tudo é contra o santa cruz, somos vítimas de tudo e de todos,….
Desde a impolgação das quintas santas, aonde tivemos contato com todos os problemas no nosso SANTA CRUZ, no qual detectamos que nosso representante, para as guerras do futebol estavam falidos,…energia no diesel…etc…etc..
pera falta de tempo…mais qvou terminar ainda esse meu post..r.s.r.sr.s.r.sr.s…
Realmente está dificil, espero que no jogo de hoje não tenhamos sofrimento e resolvemos a fatura logo no primeiro tempo.
Cidadãos Corais,
Não podemos jamais pensar que por ser uma gestão com credibilidade e o nosso clube está passando por um processo de reestruturação não podemos fazer críticas, pois, como disse Dimas, se isso acontecer acabaremos cegos pela luz. A crítica serve também para medir o quanto estamos acertando, logo, se não criticamos leva-se a crer que tudo está perfeito e não está, por tanto o exercício da critica também é uma maneira de contribuir com um trabalho do qual somos participes e acreditamos.
Saudações Corais
Isso é que é o gostoso do futebol: assistir os jogos, xingar todo mundo quando o time perde, beber todas pra esquecer; ou tirar onda do adversário quando este perde, e beber todas pra comemorar.
Todo o resto é muito chato. Ainda bem que tem quem perca o sono pensando nesse resto. Eu não perco mais nem um minuto de cochilo.
Tô na fase do xingamento puro e simples e compensador. Só volto a perder o sono e a me preocupar quando o Santinha voltar para a elite.
Certamente, não sou a torcedora exemplar. Sou torcedora da geral (por sorte).
Eita “Dimas” ,
Pensar que o único ‘lazer’ e ‘diversão’ que tenho hoje em dia é o Santinha, e ainda assim quando posso estar presente, pois está sendo raro … O chato pra mim é ficar longe do Arruda!
Abraços a Todos!
Belo texto.
“quanto mais proximo do clube, mas a vida fica chata.”
frase perfeita.
Em 2008, nesta altura do campeonato pernambucano, estávamos em uma situação bem pior. Pensávamos que era impossível piorar. Piorou. E como piorou.
No segundo semestre de 2008 naufragamos.
Para chegarmos a terra firme precisaríamos nadar alguma coisa como do Recife até a Austrália.
Pensávamos que não havia solução. Que não tinha como melhorar. Melhorou. E como melhorou.
Nós brasileiros precisamos acabar com a cultura do não.
Vejam como estávamos. Observem como estamos.
Acredito que devemos ter motivos para elogiar. Devemos ter paciência. Estamos melhorando.
O jogo de hoje me deixou otimista. Não que o Santa tenha feito uma grande partida; não o fez. Jogou mal, mas teve a raça que faltou nos dois jogos anteriores.
Me deixou otmista também as entradas de Tamandaré e, principalmente Alexandre Oliveira que deu outra vida ao meio campo coral.
E valeu, é claro, o resultado.
“O chato pra mim é ficar longe do Arruda!”
Pra mim também, Andrezinho! Embora tenha muito chato nas sociais.
Caramba, Dimas.. esse texto me levou a uma época em que eu morava na casa do meu avô e, como tinha que dormir cedo sem puder ouvir os jogos do Santinha, acordava cedinho e ficava esperando avidamente o Jornal do Commercio chegar para eu ler credulamente tudo sobre o jogo da noite passada..
Hoje eu tento passar o mais longe possível dessa porcaria de JC e, quando a leitura é inevitável, já estou carregado com aquele espírito de “que porra esses putos vão inventar hoje para tumultuar o ambiente no Arruda?”
Infelizmente, acho que Nick Hornby tem razão em dizer que “o estado natural do torcedor de futebol é de amarga decepção, pouco importa qual seja o placar”.
De fato, antigamente torcer era mais simples.
“sem poder”, bem-entendido..
Gostei da frase do Fabiano “o jogo de hoje me deixou otimista” … detalhe foi o trecho “o jogo de hoje”.
Dimas, ótimo texto. Real. Quanto mais próximo do clube, descobre-se que a realidade não é tão bonita assim. Mas, dias melhores virão. Com certeza!
Olha, o “centralzinho”, nosso provável adversário na série D (ou será o Porto), passou da primeira fase da Copa do Brasil, pelo segundo ano consecutivo. Pegará o Vasco.
Abre o olho, Santinha. No confronto direto perdemos do Central.
Abraços!!!
Achei o time no jogo de ontem com muito mais disposição do que nos jogos passados, a disposição que perdemos na derrota para o americano. Acho que algumas boas apresentações do time atrapalhou sua própria trajetória, o time começou a achar que era melhor do que realmente é. Ontem não teve conversa não, apesar de alguns vacilos ainda. Gostei da postura da defesa, bola pro mato que o jogo é de campeonato, que transmitiu o espírito do time ontem, que é de brigar o tempo todo, e esse Daniel Horst é um bom zagueiro.
Este texto lembra-me a participação de alguns torcedores abnegados que no ano 2000 paricipou de um projeto chamado Muda Santa Cruz e que agregou pessoas como Gerrá, Ivan Patriota, Márcio Borges, Flávio Lins, Paulo Aguiar, Carlos Edward, Valter Azevedo, Alessandra Lins, Raquel Alves, Isaac Seabra, entre outros.
Naquela época alguns de nós entrou no Conselho Deliberativo e coube a mim junto com Raquel Alves e Isaac Seabra promover uma auditoria no clube que me deu oportunidade de constatar como o Santa Cruz era mal administrado e ineficiente, ou seja, uma instituição que pelo modelo de gestão estava fadado ao fracasso como o tempo tratou de comprovar.
Foi um tempo de descoberta e de rompimento com aquela posição passiva de torcedor de arquibancada (no meu caso torcedor das sociais).
A desilução foi tão grande que me afastei do clube e das sociais, mas faço questão de registrar que nunca deixei de acompanhar o Santa Cruz e nem de ser sócio em dia.
Hoje, como Dimas, sinto falta do tempo em que torcer era só ir aos jogos, comemorar as vitórias e acompanhar o noticiário esportivo.
Temo que esse tempo não volte mais e, apesar de não ser mais aquele torcedor ingênuo, pois o futebol há muito transformou-se num negócio lucrativo para uns e num jogo de interesses para outros, meu coração continua e continuará para sempre tricolor, o que me faz, de vez em quando, esqueçer um pouco as mazelas pelo qual passa o nosso clube na esperança de que um dia o Santa Cruz volte a dar alegria a sua imensa, ingênua, fiel e apaixonda torcida.
Murilo Lins
DIAS MELHOREM VIRÃO! ENQUANTO ISSO VAMOS TOMAR SUCO DE MARACUJÁ KKKKKKKKK SANTA SEMPRE!!
Ontem mais uma vez o futebol pobre deu espaço ao pobre futebol.
Me identifiquei com o texto no que tange a questão de nos tornarmos mal humorados e paranóicos com a teoria da conspiração, embora isso não seja teoria e sim a realidade da conspiração se fossemos mais competentes minimizaríamos os estragos.
É Fábio, vc tem razao. Você e muitos outros. Nao sei se existe tal conspiraçao, talvez sim, talvez seja paranóia. O problema é que a gente ajuda a essa danada (ou conspiraçao, ou paranóia).
A única coisa (coisa?! Ora, vá tomar no cú, coisa!) que eu nao quero, é perder o bom humor. Se for virar torcedor mal humorado, prefiro ser torcedor de golfe.
Dimas, seu texto é atemporal. Acho que infelizmente atemporal.
Aloísio,
Concordo com seu pensamento, porém, a maioria dos torcedores pouco esclarecidos, não torcem para o “CLUBE”, torcem sim para o “TIME” !!!!
Fabiano,
Você é um cara ‘arretado’ mesmo, ès puro otimismo, positivismo … Reza por mim meu amigo, pois o Santa nunca vai estar sozinho, pois estarás lá com sua alegria e seus ‘fogos’, mesmo em tempos difíceis!
Abraços meu amigo!
“Quanto mais próximo do clube nos tornamos, tanto mais a vida fica chata.”
Esta é para mim uma frase antológica.Meu pai me disse algo parecido na Final de 1989, quando o Santa perdeu para a Barbie.
Saí daquela partida com uma tristeza tão profunda, que do campo até em casa não dei uma palavra sequer.
Era só lamentação, querendo voltar no tempo, para que Sérgio China, cobrasse novamente aquele maldito penalti, que o maldito Mauri pegou.
Passei a noite e o dia seguinte com uma amargura cravejante, daquela que doi até na alma.
Eis que chega a noite, e meu primo me chama para irmos ver um jogo de futebol de salão, na quadra do extinto Banorte Clube.
Lé chegando, encontro o autor material de minha profunda tristeza, o Sr.Sérgio China, completamente desprovido de qualquer vergonha, tristeza, mágoa, compaixão, dor , sei lá,numa euforia, que confundia com anarquia;Esbanjando uma felicidade agressiva, como se quizesse me punir pela dor que estava sentindo.
Che gando em casa, comentando o acontecido com meu pai, ele me disse,
-Meu filho, quer continuar gostando de Futebol, é da arquibancada pra casa.