Crise? Que crise?

Quadro Serigraph de Bernard Hoves

ritual.jpg

Por Jediael Costa Araújo – São Vicente, São Paulo
 
No passado, esses babados eram resolvidos em um terreiro que tinha na usina, lá pras bandas da Avenida Norte. Era lá que tudo se resolvia.
 
O Santa, no primeiro turno do campeonato daquele ano, não acertava uma. Perdeu para o saudoso América da Estrada do Arraial, Ferroviário, Asas, perdeu todos os clássicos, e só ganhou do Íbis que entrou com nove homens.
 
Em quanto a preliminar rolava lá no campo, o folclórico presidente do Íbis, Ozir Ramos, dentro do vestiário, era o próprio desespero em pessoa, vendo se aproximar a hora do time  entrar em campo para o jogo principal. Andava de um lado pra outro na esperança que mais alguns atletas chegassem, vendo que poderia perder por "WO". O homem entrou em parafuso total e decidiu colocar três caras que eram reservas dos reservas dos aspirantes, mas estavam ali só para puxar o saco, se oferecendo para carregar os materiais, ajudar na limpeza e quebrar o galho como massagistas. Ozir não teve dúvida, olhou para os caras e disse para que eles mudassem de roupa, porque eles iriam jogar. Só assim completava os nove homens que a regra pede, claro! Foi uma goleada homérica, mas não valeu porque era o pobre Íbis.
 
O presidente do Santa Cruz, vendo a situação se deteriorando, chamou um de seus diretores e lhe disse: amigo, estamos fudidos, a torcida está impaciente e temos de fazer alguma coisa, se não o pessoal nos tira daqui a pedradas. O diretor disse “estou pronto meu presidente, já sei o que o senhor quer e hoje mesmo irei lá falar com a minha madrinha”. O homem era fazendeiro e, anos atrás, já havia até penhorado uma de suas fazendas para pagar dívidas do clube. Seu amor pelo Santinha era uma coisa desmedida, visceral. As suas entranhas eram tricolores. Fazia qualquer negócio para ver o Santa nas cabeças. Que grande figura!
 
Após a reunião, ajeitou com esmero o terno de linho branco, pegou o seu chapéu de massa cinza "marca Prada" e se despediu do presidente. Quando já se retirava falou: “meu presidente pode ficar tranqüilo que as coisas vão melhorar totalmente. Pode apostar!”.
 
Quando saiu da sede, o seu fiel motorista já estava a postos em seu reluzente Citroen preto e ao entrar no carro falou: “toca para a Usina que hoje eu vou fazer uma visita para a minha madrinha”.
 
Ao chegar ao templo pensou que não seria atendido, pois estavam estacionadas duas camionetes. Quando ele entrou, se deparou com o pessoal do Náutico e do Sport, que estavam levando oferendas. Levaram de tudo, camisas, chuteiras para serem benzidas, tinha até leão feito de barro, e timbu de cera. Quando a velha botou o timbu no altar, o bicho derreteu todo como se estivesse desmunhecando, pois não agüentou o calor das velas.
 
Quando ela viu o diretor tricolor chegar, mandou que os outros voltassem outro dia. Os caras saíram putos. Ela o mandou sentar e só lhe falou uma coisa: “Doutor não precisa falar nada, que eu já sei de tudo”. E na mesma hora começaram os trabalhos.
 
E daí pra frente foi só alegria! A madrinha desta nossa figura era mesmo uma Santa.
 
Por isso eu digo, calma pessoal! O Santa Cruz é tão poderoso que essas crises são só para enganar os falsos tricolores. Os tricolores de ocasião.

2 Comentários

  1. Muito bom, muito bom mesmo! Parabéns! “Seu amor pelo Santinha era uma coisa desmedida, visceral. As suas entranhas eram tricolores” – fantástico!

  2. Manoel Valença
    2

    Isso. E me da o endereço da madrinha que vou lá agora mesmo !!!

    Vamos sair da crise sim. Lembrar da Barbie o ano passado, fudida no Pernambucano e subiu. E temos mais time e mais torcida que aqueles bambis

Regras de moderação do Torcedor Coral
O Torcedor Coral não se responsabiliza pelas opiniões de seus leitores, mas se reserva ao direitor de excluir, sem aviso prévio, os comentários que:
1. Façam acusações sem provas;
2. Configurem qualquer tipo de crime, de acordo com as leis do país;
3. Contenham ofensas pessoais a quem quer que seja, mesmo que o ofendido seja reconhecidamente um canalha;
4. Defendam ou enalteçam o LEF, pois nós somos liberais, mas nem tanto assim;
5. Utilizem e-mails falsos ou inexistentes;
6. Tenham características de chat ou bate-papo;
7. Copiem textos publicados em outros espaços virtuais, ao invés de publicarem os links das matérias originais.
8. Publiquem sistematicamente os mesmos comentários, repetições de ideias ou opiniões;
9. Publiquem comentários com prevalência em caixa alta, que é o mesmo que gritar na internet;
10. Manifestem intolerância à liberdade de opinião;
11. Tenham características de perseguição a outros leitores;
12. Manifestem, implícita ou explicitamente, mensagens eleitorais, tanto de candidatos a cargos no clube, quanto de partidos políticos;
13. Contenham mensagens abusivas, desagradáveis, ostensivas, cansativas e que não se utilizem de bom senso.

Algumas palavras estão programadas para cair automaticamente na moderação de modo a facilitar o cumprimento das regras. Assim, seu comentário será liberado o mais rápido possível, se for constatado que não houve violação.

O sistema anti-spam do Torcedor Coral, utilizado para evitar malwares ou vírus, ocasionalmente poderá reter indevidamente um comentário legítimo. Também poderão ser retidos indevidamente os comentários que contenham dois ou mais links, pois são através deles que ocorrem ataques ao blog. Tão logo esses casos sejam identificados, os comentários serão liberados.

Lembre-se, o trabalho no Torcedor Coral é realizado de forma voluntária por cada um dos editores, cronistas, moderadores e colaboradores, já que todos atuam profissionalmente em outras áreas. Dessa forma, tenha paciência, caso seu comentário não seja liberado imediatamente.

Para comentar regularmente, o autor deve ter um comentário aprovado anteriormente no Torcedor Coral.

Os casos omissos serão definidos pelos editores do blog.

Responder

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *