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Foto: Anízio Silva |
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Dimas Lins
O Torcedor Coral me trouxe a grande oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas que vivem e respiram o Santa Cruz. André Coutinho é uma dessas pessoas. O tempo ajudou a estreitar nossos laços de amizade nas idas e vindas ao Arruda, nas conversas descontraídas nos dias de jogos ou nos encontros semanais da Quinta Santa.
André Coutinho é um desses tricolores apaixonados que não medem esforços para apoiar e incentivar seu clube do coração. Assinado assim por seu nome verdadeiro, Coutinho poderia passar despercebido pelos blogueiros de plantão do Torcedor Coral e do Blog do Santinha. Porém, basta assumir sua identidade cibernética de André Tricolor Virtual para emergir o reconhecimento e o carisma de um grande tricolor e um grande amigo.
Com seu inseparável boné e jeitão de menino, é difícil dizer à primeira vista que André é casado e já é pai. Mas o jeitão é apenas o modo como se traduz uma pessoa de bem com a vida, que traz consigo decência, dignidade, além do amor da família e o respeito e companheirismo dos amigos.
É através de André, marido carinhoso e pai zeloso, que o Torcedor Coral homenageia todos os pais tricolores, filhos de uma mesma nação de três cores. Deixo com vocês, a beleza poética do texto de André, um tricolor de verdade.
André Tricolor Virtual
Como é difícil definir a paixão que existe no coração de um torcedor de futebol e imaginemos como deve ser mais difícil ainda para nós tricolores corais, pois estamos vindo de um ano muito difícil, mas parece que nossa paixão aumenta em momentos tão delicados.
Tive momentos de dificuldades financeiras. Na época, estava há sete meses desempregado, quando recebi então uma proposta de emprego para ir pro interior. Eu, casado e com uma filhinha tricolor para cuidar, tinha que aproveitar essa oportunidade, mas pensei direitinho: não poderia ficar longe do Arruda! Cedi ao convite e graças a Deus, no mês seguinte, consegui um emprego, o que me deixou aliviado e contente, pois não agüentaria ouvir os jogos pelo rádio. A minha desculpa foi a família, não poderia ficar longe de mainha. Não dava mesmo e minha esposa logo descontou: “Eu sei que você quer ficar por causa do Santinha…”. E ela estava certa.
Logo depois, pensei em como ajudar o Santinha um pouco mais, de maneira mais efetiva, e veio a vontade de me associar, pois ainda não era sócio. Foi um momento de muita satisfação ter a carteirinha do Santinha, era uma felicidade maior do que a recusa do Hiper! E eu tinha a consciência que não estava como sócio para ter status, mas sim, pela maneira mais honesta de poder ajudar. Pago o valor mínimo, mas me sinto muito honrado por isso, pois nunca atraso e percebo o quanto está sendo importante minha colaboração.
E eis que surgem os encontros semanais da Quinta Santa, aí eu disse para mim mesmo: “tenho que ir, não posso faltar!”. E assim deixava o trabalho às 17h45min a caminho do Arruda, indo caminhando do Espinheiro até o Colosso, a passos largos para não me atrasar, pensando sempre em nossa recuperação no campeonato, no sucesso que será a Arena Coral e como me sinto feliz em respirar o Santa Cruz! E não é por não ter o que fazer, ou mesmo por não existir algo mais importante na vida, mas sim pela simplicidade de sermos tricolores corais, por fazer parte de uma torcida apaixonada e que acima de tudo entende as dificuldades da vida, os descaminhos da bola.
Voltamos então à badalada Sexta Santa (na época), na primeira vez que fui, me veio à satisfação de conhecer alguns blogueiros, gente de primeira qualidade, de uma decência admirável, som ao vivo, gente boa nos servindo. As horas passando e o alarme toca: “tenho que voltar para casa!”. O engraçado é chegar em casa e a mulher vindo ao nosso encontro: “meu filho isso é hora de chegar?”. E o pior, aquele cheirinho de cerveja na boca denunciando a farra. E quando digo: “Amor, tava no Santinha”, ela emenda com um “e teve jogo hoje?”. Respondo que é nossa confraternização semanal, e aí fica a dúvida no ar, a esposa começa a desconfiar, “esse homem tá me traindo…”. E eu, como sou sensível, fico pensando: “Puxa, sexta-feira, chego em casa a essa hora, com bafo de cana… Meu casamento deve está ameaçado”. Mas eis que chego a conclusão que de fato sou amante do Santinha! E minha amada esposa entende minha paixão pelo Mais Querido, me liberando para a reunião dos próximos dias que agora pelo menos ocorre às quintas! O melhor da história é que consegui levá-la para os jogos no Arruda. O pior é quando tem jogo do Santa transmitido pela TV e eu digo que vou ao Telão Coral! Ela não perdoa, mas sempre digo que é por uma boa causa!
Mas confesso que passei por poucas e boas no jogo contra o Ceará, uma terça-feira, fim de mês, pouco dinheiro. Mas todos os caminhos nos levavam ao Arruda e comigo não seria diferente. Saí do trabalho com um amigo e fomos a sua casa para que eu pudesse filar o rango. Pegamos o pai dele e fomos correndo pro Colosso, compramos nossos ingressos e ficamos na expectativa de presenciarmos uma vitória do Santinha, que seria fundamental para sairmos da situação incomoda que é a zona do rebaixamento! Casa cheia, que coisa linda o Arruda, mas a vitória não veio. Pior foi o futebol apresentado, todos tristes, muito tristes mesmo.
Saí do Arruda chorando, chorando de verdade, não conseguia entender o que estava acontecendo com o Mais Querido! Segui abatido pela Avenida Beberibe em direção à Encruzilhada, para apanhar o velho Rio Doce, na intenção de voltar para Olinda, encontrar minha família, minha esposa e filha e principalmente para encontrar uma resposta para tantos desencontros no futebol do Santa Cruz Futebol Clube!
Não bastasse ter saído triste pra caramba do jogo, encontro no caminho muito tumulto entre os torcedores, correria, gritaria, a polícia intervindo e fazendo o bacorejo nos anarquistas. E eu não parava de pensar no jogo… Chego, em fim, à parada e mais tumulto, poucos policiais para intervir e tome confusão, uns caras entrando pelas janelas dos ônibus, tiro disparado pela polícia, era um inferno coral, e eu ali escondido atrás de um fiteiro aguardando a chegada do ônibus. E ele chegou e com ele mais tumulto para entrar, já que houvera uma demora mais do que o normal. E teve mais gente entrando pela janela, pela porta de trás, e quando entrei, achei que estava salvo… O busão tava lotadíssimo, não dava mais nem pra uma mosca. Aí a gente tem que aturar sovaqueira, peido, e ainda as intempéries do futebol do Santinha…
E já na parada seguinte, uma multidão esperando o ônibus atravessou a rua para forçar o motorista a parar, mas ele seguiu. Foi aí que um tricolor gritou ao meu lado: “se abaixem!”. E veio uma pedra atirada atingindo um dos vidros do ônibus, e com os vidros nos atingindo no interior, com um torcedor ferido no rosto, quase na altura de seus olhos. E veio sangue e mais tristeza pelo nosso Santinha, porque ficava imaginando minha família me esperando em casa, achando que eu estava me divertindo. Os passageiros-terroristas ainda derrubaram um transeunte que voltava para casa de bicicleta. O motorista ameaçou parar na delegacia do Varadouro, porém foi ameaçado por outros torcedores, caso parasse o coletivo.
Finalmente cheguei em casa, a minha camisa cheia de estilhaço de vidro, eu bastante desolado, cansado, mas aliviado de estar na minha casa. E nem poderia contar a meus parentes o que acontecera, a fim de poupá-los de mais preocupações.
E com isso vou conseguindo com muita felicidade e paixão manter meus dois casamentos: um com minha esposa e o outro com o Santinha!
Um grande abraço, meu querido Dimas, e obrigado pela oportunidade!










Isso sim é a história de um lindo caso de amor. Parabéns ao André, nesse dia dos pais. Eu também sou pai… E tricolor!
Quantas histórias estão guardadas nas figuras que frequentam esses blogs? São essas histórias e sentimentos que constroem um clube, mas do que cimento.
Geralmente eu apareço no bar da piscina no dia do jogo, mas estou devendo minha presença na quinta santa. Espero ir finalemente na próxima quinta e conhecer o André Tricolor Virtual, além de outros blogueiros da melhor qualidade.
E vamos ao treino de despedida para dar incentivo ao time.
Esse jogo com o Coritiba é muito difícil, mas se a gente ganha, ninguém mais nos segura.
Vamos lá! Vamos mobilizar!!!!
Rapaiz, com certeza absoluta foram aqueles marginais da toic que meteram pedra no onibus. E ainda tem gente que defende esses felas.
Fico muito feliz de ter meu texto publicado aqui no Torcedor Coral, tive a imensa felicidade de conhecer TORCEDORES, que como eu tem PAIXÃO pelo SANTINHA. “Dimas” um grande abraço, de coração mesmo, a festa da sexta passada foi INESQUECÍVEL, assim como será minha amizade com TODOS VCS !!!!
“Anízio” que foto LINDA !!!! Abraços meu querido !!!! Tô muito emocionado mesmo …
Grande André! Uma bonita e emocionante história de amor ao Santinha.
Fabiano, quando é o último coletivo antes da viagem para Curitiba? Se for na quinta eu já aproveito e fico direto no bar da piscina.
UM ABRAÇO RETUMBANTE NO ANDRÉ TV. OS PAIS TRICOLORES ESTÃO BEM REPRESENTADOS NESSA FIGURA SÍMBOLO DO AMOR AO SANTA CRUZ.
claro André Virtual já o conheço do blogdosantinha.
texto massa. adorei. que volta ao lar…! lembrou a noite que meu irmão Flávio sofreu um sequestro relâmpago ao sair de um clássico santa x sport, foi uma agonia só. graças a “santinha” deu tudo certo, voltou sã e salvo.
é cada uma que a gente passa…já pensei várias vezes em deixar de ir ao campo, mas, pra ver o santinha jogar…mesmo que o placar não seja dos mais favoráveis… não abro mão. desculpe, abro sim. pela minha filhinha.
inté!
Bicho, esse Dimas é de uma sensibilidade fora do comum, este cabra chamado “André Tricolor Virtual”, um dos caras que menos falta o quinta, sexta santa, ou qualquer evento tricolor. Uma pessoa de um espirito limpo, um lutador, organizado, otimista, companheiro, com certeza um tricolor de ouro…!!…Se não é olhar desse Dimas, uma historia dessa poderia passar despercebida por nós que estamos tão perto dele….Parabéns André vc merece isso e muito mais…!!
saudações corais do arruda…!!!
André,
Tive a felicidade de conhecê-lo nesta última 5ª feira-Santa, lá no bar da piscina. Você é uma figura maravilhosa que realmente muito nos honras com sua TRICOLORIDADE SANTACRUZENSE.
É realmente difícil explicar à patroa em se fazer presente ao estádio quando se tem o jogo transmitido, em casa. Já passei por essa experiência quando residia em Brasília/DF nos anos 80 e fui assisti um jogo contra o Vasco no Maraca (RJ) e que seria transmitido pra Capital Federal.
Mas, tudo pelo NOSSO Santinha é válido! Como te disse só torço por 5 times no mundo: o fraldinha, o dente de leite, o juvenil, o aspirante e o profissional do SANTA CRUZ FC.
Pra te ser sincero, ÀS VEZES, nem pela Seeção Brasileira eu torço. Só a SELESANTA! Que me importa que me digam que sou XIITA ou TALIBÃ.
AINDA ACREDITO!
Francis,
Finalmente você deu o ar de sua graça aqui no Torcedor Coral. É um enorme prazer ler seu comentário e agora você está convocado para estar conosco sempre que puder.
Saudações corais,
Dimas Lins
Grande André!!!
Grande cara e de longas datas, né?
Jogamos juntos Futsal pelo Dom Bosco – -Olinda nos início dos anos 90 onde tinham grandes craques… Bons tempos…
Grande Abraço Coral!!!
Rodrigo Falcão
Obrigado a todos, e um grande abraço !!!!!!