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Dimas Lins
Do ponto de vista lógico, torcer beira o irracional. Ser torcedor de futebol é algo paradoxal, pois é, ao mesmo tempo, mágico e patético. Mágico, porque a paixão que ele sente pelo seu clube é encantadora, extraordinária e maravilhosa. Patético, porque, analisando friamente, beira à tolice a volatilidade do comportamento do torcedor numa partida de futebol, cujo humor pode variar de zero a cem em frações de segundo, por causa do desempenho de onze jogadores em campo. O pateticismo é ainda maior se considerarmos que o objetivo desses jogadores é colocar uma bola, objeto esférico de couro cheio de ar comprimido, no fundo da baliza adversária, retângulo de 2,44 metros de altura por 7,32 metros de largura, em número de vezes maior que os jogadores do outro time. E, tudo isso, com exceção do goleiro, sem usar as mãos e braços. Esse esporte de regras simples é capaz de gerar rivalidades históricas e, em algumas situações mais extremadas, confronto entre torcidas.
Por definição, torcer é desejar a vitória de um grupo desportivo, gesticulando, gritando e incentivando. Qual é o sentido disso, afinal? Sejamos, por um momento, racionais. Olhando de fora, não parece uma coisa sem pé nem cabeça? Não seria uma tremenda falta do que fazer, passar um jogo inteiro correndo o risco de um enfarto, por causa de um time de futebol? Afinal, seja qual for o resultado do jogo, a sua vida não seguirá em frente do mesmo jeito? Não é estranho saber que por trás de toda essa coisa irracional existe uma indústria que movimenta bilhões de dólares por ano? Não é esquisito que todo o planeta pare, de quatro em quatro anos, para assistir um copa do mundo? Aliás, não é estranho perceber que nem mesmo as Nações Unidas conseguem agregar tantos países com culturas tão diversas em torno de algo em comum e com objetivos teoricamente mais nobres, quanto à FIFA?
A resposta a todas essas perguntas não se dá, obviamente pela razão. É a emoção, essa paixão sem limites, que dita a regra do jogo. É esse movimento impetuoso da alma, para o bem ou para o mal, que conduz o comportamento do torcedor, que o empurra a favor de um clube e o coloca em oposição a outros. Esse amor desenfreado estabelece uma relação entre o torcedor e seu clube mais estável do que muitos casamentos ou relações familiares. Esse vínculo é praticamente indissolúvel. No sentido lato, este é o relacionamento mais fiel do homem, se não do ser humano, pelo menos da criatura do sexo masculino.
O amor e a fidelidade são tão fortes que uma partida decisiva pode levar esse eterno apaixonado, muitas vezes, a um estado de pré-loucura. Tanto melhor, quando se tem o júbilo como catarse.
Catarse como a de um torcedor que, na minha presença, engoliu pedaços de jornal e arremessou seu rádio contra o chão, durante o jogo do Santa Cruz contra o Volta Redonda, em 1998, pela segunda divisão do campeonato brasileiro, quando O Mais Querido esteve à beira da terceirona. O mesmo torcedor que, durante a partida, esculhambava o time e o técnico, fazia declarações de amor ao clube, ao assistir a inusitada volta olímpica após o fim da partida. Catarse como o choro de meu irmão Murilo, após o gol de empate do Santa contra a portuguesa, em 2005, no jogo final e decisivo do campeonato brasileiro da Série B. Até mesmo catarse como a minha que, em 1999, após o segundo gol do Santa contra o Goiás no Arruda, no quadrangular decisivo, foi seguro pelo amigo e tricolor Beto Gordo, quando quase perdi os sentidos. Catarses como a de milhões de torcedores corais anônimos que sofreram e também vibraram a cada partida do Santa Cruz.
Ao lembrar de todas essas coisas, eu, que apenas tinha a intenção em traçar um paralelo entre a razão e a emoção no futebol, descambo agora para o sentimentalismo. Já que não sou racional quando o assunto é Santa Cruz, deixo aqui a minha declaração de amor ao clube, através das palavras de Vinícius de Moraes, que inconscientemente deve ter escrito esses versos para O Mais Querido.
Soneto da Fidelidade
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.










Cidadãos Corais!
Essa paixão não é para ser explicada, apenas vivida e contemplada.
Saudações Corais
Parabéns Dimas.
Como disse Mameluco,
Vivida, contemplada e, simplesmente, nunca contida.
Até amanhã contra o Marília
Confio em Charles ele esta se mantendo bem apesar das criticas…
Se o Arruda continuar assim vai ser uma das sedes da copa e barra esse novo estadio pa barbie
SAUDAÇOES TRICOLORES
Dimas e demais amigos (permitam a intimidade) do blog. Porque o Sr. João Braga, que é presidente da Comissão Patrimonial, político e engenheiro civil, não orientou Edinho no episódio da marreta ? Era o mínimo que ele poderia fazer ! Edinho é um cara democrático e, certamente, iria ouví-lo. João, Vamos trabalhar ! Ese cargo não é de enfeite. Já basta a maioria de nossos conselheiros, que o são mais por vaidade ! Desse jeito, até eu seria conselheiro. Mas, me recolho à minha insignificância. 50 membros do conselho, na última reunião, foi de lascar ! Estamos fudidod, em termos de conselheiros. Na sua maioria, é gente despreparada, vaidosa e que tá mais preocupada em ter uma carteirinha de conselheiro, ir para as cadeiras e colocar seus carros no estacionamento do clube. Pelo jeito, para eles, o Santa é só um detalhe. Dimas, um abraço à você e ao pessoal que acessa seu blog. Estarei na sede, mais tarde.
Caros tricolores,
Primeiro peço desculpas por não fazer maiores comentários a respeito do texto (pra variar, excelente, do Dimas).
Mais de 2 horas após o jogo de hoje e nenhum comentário… acho que é sinal da decepção ¨auto-explicativa¨. Desta vez, não se tem juiz para lamentar, não se tem jogador pra elogiar… uma tristeza. Até mesmo o treinador, os jogadores (cláudio,russo e cia) não foram alvo de críticas…
Tive a impressão que, hoje, parte da torcida, como eu, ficou com uma ¨superpulga¨ atrás da orelha. Para mim, ficou claro as limitações de um time formado por um grupo de jogadores que nunca se viram antes, que muitos não sabem sequer o que é uma série A, B ou C, sem um esquema tático sequer, apenas com um misto de vontade + desorganização.
Conclui que somente a torcida fará este time caseiro, limitado, ir adiante… é torcer para relembrar 1999, com a ressalva de que nós tinhamos um treinador que conhecia a nossa ¨base¨. Enfim, eu acho que este time tem tudo para dar errado, mas pode dar certo, se os ventos soprarem muito a nosso vapor; coisas do ¨futebol¨ que não é uma ciência exata, AINDA BEM.
Abraços e vamos tentar relembrar 1999!!!
Eu desisto. Para mim, Santa cruz, só em 2008. Continuarei como sócio em dia ( o que é apenas uma obrigação), torcendo pelo sucesso de Edinho e que o nosso time, pelo menos, se mantenha na série B. Minha saúde pede que eu me afaste um pouco do meu amado tricolor. Tenho filho pra criar e o Santa vai terminar me matando. Dimas, obrigado pelo espaço e um abraço à todos do blog.
Sobre o time, quem desorganizou foi Charles. EDiferrente dele, vi o time razoavelmente bem no primeiro. Meio com medo de ir ao ataque, mas sem sofrer tanto e tendo as melhores chances de gol. No segundo, meu amigo Charles fudeu tudo entrando com Dudu e fazendo o famigerado 3-5-2. E ainda tirou o único centroavante de área pra colocar um meia, quando a gente precisava ir pra cima de um time que tem uma defesa ruim, mas que a gente não quiz agredir.
O time não é tão bom quanto alguns imaginam após as vitórias, nem tão ruim quanto estão pensando agora. É um bom time, com condições de chegar entre os oito. Mas que isso, depende de como a torcida apoie e contribua positivamente para o seu crescimento (além de a gente ter um pouquinho mais de sorte com contusões).