Nunca perca um botão!

jogo-de-botao

Lembro-me, agora, de uma história curiosa e antiga. Por sua antiguidade, não garanto a fidedignidade das informações. Puxo-a da memória, com muito esforço, já que ela, minha memória, está curta. Não reclamo, pois a verdadeira lembrança está no esquecimento — dizia um poeta muito do sofredor e paradoxal. E sou muito esquecido, cá entre nós. Dessa forma, farei uma narrativa um tanto imaginária, digamos assim.

Quando era pequeno, encontrei vários de meus ídolos tricolores. Apertei a mão de muitos, inclusive a do goleiro Gilberto. Era uma enorme, pelo menos da perspectiva de um menino. Achei que era impossível fazer um gol num goleiro de mãos gigantes. Até hoje, considerava Gilberto e Detinho dois grandes goleiros. Não me lembro de nenhum encontro com Detinho, o que é uma pena. Ele mereceria um aperto de mão. Era um goleiro voador e milagreiro, parecendo um pássaro no gol.

Confesso que encontrar um ídolo era uma emoção indescritível. Era como encontrar um herói, uma espécie de semideus dos campos de futebol. Carrego esse apego aos ídolos, permanentemente. Mas prefiro venerar e inventar (todo heroísmo tem sua mitologia, logo, sua invenção) um herói da bola do que um herói do poder. Aliás, não tenho ídolo na política. Fui militante, porém, gato escaldado, percebi o perigo da idolatria no campo político. Aqui, vale a máxima: pobre do povo que precisa de heróis. Mas não vejo esse mote aplicado ao futebol; aqui, o que vale é “pobre do povo que não precisa de heróis no futebol”. Como disse  Drummond: “como pode ser bárbaro um povo que tem como maior abstração de triunfo o grito de gol?”

Lembro de quando encontrei o doutor Sócrates, em Sampa, para uma divertida entrevista. Já não era jovem, por isso me lembro de tudo. Na hora, dei-me conta que estava diante do capitão da maior seleção brasileira que vi jogar na vida: a seleção de 82. Tive a mesma emoção que tivera quando menino. Diante de um ídolo, fica-se regressivo. Além do mais, o Doutor é gente finíssima, muito inteligente e politizado, possuindo uma fina ironia e, o que é fundamental, gosta de uma cervejinha. Acho um contra-senso jogador que não bebe nem um pingo de álcool. Tão contraditório quanto uma mulher que não gosta de beber. Não bebe? Não olho, não toco, passo adiante.

Sim, é uma posição fundamentalista.

Mas fugi do assunto. Lembrei-me de Sócrates e, com isso, lembrei-me de um encontro que tive com um herói tricolor. Neste momento, começa a falhar a memória, pois era muito jovem, tendo entre 12 e 13 anos. Pode ter sido Ramon, Fumanchu ou Betinho… não sei. De fato, não sei… Digamos que seja Betinho, simplesmente para nomear um personagem na história. Assim, meu pai me apresentou a Betinho e, por alguma circunstância, deixou-me sozinho com o jogador. Ele foi extremamente gentil e apertou a minha mão. Fiquei mudo. Não saía uma mísera palavra da minha boca, nem um risível “oi”. E só Deus sabe o tanto de pergunta, de exclamação, de curiosidade, de assunto… tudo lá escondido em algum canto do meu cérebro, e toda minha coragem brincando comigo de 31 alerta! E nada. Só sentia um nó na garganta, uma trava que engolia minhas palavras. Fiquei calado diante dele, olhando, só olhando, feito um abestalhado. Betinho levantou a sobrancelha, talvez surpreso com meu mutismo. E eu continuava silencioso. Inclusive, já estava vermelho de tanto combater a minha mudez.

De repente, apareceram palavras na minha boca, e eu disse:

_Você é meu melhor jogador de botão!
_Como é?! Disse Betinho, meio surpreso.

As palavras, agora, jorravam da minha boca.

_Sim, sim, vc é meu melhor jogador de botão. Já ganhei campeonato por causa de você, por causa dos seus gols. Quiseram comprar você, mas não vendo nem a pau! Uma vez, esconderam você e perdi a final. Briguei com meu colega, dei umas porradas, e recuperei você; aí ganhei novamente um campeonato…
_Sou um jogador de botão?! Disse, já rindo, Betinho.
_Sim, sim, e dos bons. O melhor de todos. E ganhei campeonato, e roubaram você…
_Sei, sei, você já me disse! Interrompeu Betinho.

Fiquei mudo, novamente. Estava diante de Betinho, meu melhor jogador de botão. Ele mexeu no meu cabelo, abaixou-se e falou baixinho no meu ouvido:

_Tenho orgulho de ser teu jogador de botão.

Ele se levantou, deu uma piscadela e se afastou de mim. De longe, parecia que ainda ria. Senti o maior orgulho desse mundo.

Meu pai chegou e perguntou:

_E aí, apertou a mão de Betinho?!
_Ele é meu melhor jogador de botão.
_Como?!
_Sim, sim, ele é meu melhor jogador de botão. Já ganhei campeonato por causa dele, por causa dos seus gols. Quiseram comprar ele, mas não vendo nem a pau! Uma vez, esconderam ele e perdi a final. Briguei com meu colega, dei umas porradas, e recuperei ele; aí ganhei novamente um campeonato…
_Pare, pare, por favor. Você parece uma matraca atômica! Disse meu pai, já conhecedor da minha incrível capacidade de falar feito um moto-contínuo.

Não me importei com a interrupção. Eu sentia o maior orgulho do mundo. Tinha o melhor jogador de botão do planeta!

Pois é…

E a vida continuou, a vida passou, e a saudade de ser menino continua até hoje. Dá para fazer um samba.

Bem, agora, acho que devo saciar a curiosidade de vocês.  Não, não tenho mais o botão, infelizmente. Parei de jogar muito cedo, aos 16 anos. Acho que perdi meu time aos 20 e tanto, numa dessas mudanças que a gente faz na vida. Foi uma perda irreparável, pois perdi parte de minha memória, logo, de minha história. Algumas lembranças precisam continuar a existir, cristalizadas em algum objeto sagrado. E boa parte do meu orgulho de menino estava ali concretizada num jogador de botão… Pena.

Era meu melhor jogador de botão.

Em tempo: essa crônica, vejo agora, foi inspirada de uma história contada por um grande ídolo, um herói de nossa música popular: Chico Buarque.

33 Comentários

  1. Bosquímano
    1

    Perrusi, nao dá pra fazer um Samba, já é um Samba, e dos bons! Chico Buarque assinaria este Samba. Aliás, o próprio já viveu uma situaçao parecida, e quando já nao era tao criança. Foi jogar uma partida com um time de veteranos do Santos e, ao chegar, sua primeira reaçao foi pensar que estava jogando com seus botoes. Meus botoes nunca tiveram nomes fixos, exceto os goleiros.

    Meus grandes ídolos do Santa Cruz sao luis Neto e Birigui. Nao lembro de outros jogadores que ficaram no clube pelo tempo suficiente para se tornarem verdadeiros ídolos. Concordo contigo, os heróis sao peças fundamentais desse negócio chamado futebol. A sua geraçao foi mais feliz que a minha, que foi mais feliz que a atual. Lembra quando a gente se encontrou com Leo Oliveira almoçando, acho que no Shopping Sul? A única coisa que dissemos foi pra ele nao ir pra coisa (coisa?! rora, vá tomar no cú, coisa!), que era melhor ser ídolo no Santinha e tal. Ele foi e nunca mais jogou a bola que tinha jogado no Santa. Perdeu inclusive dois pênaltis na final de Lecheva…

  2. Bosquímano, lembro sim, lembro da história de Chico. Acho que foi vc, inclusive, que me contou. Sabia que a inspiração tinha vindo de algum canto. Colocarei uma referência.

    Faz tempo que jogador do Santinha não merece ser um jogador de botão, infelizmente.

  3. Bosquímano
    3

    Pode ser. O curioso é que essa semana baixei um programa ensaio com o Chico e ele repete essa história. É um barato.

    Ídolos sao fundamentais para a manutençao da mística de qualquer camisa. O Santa Cruz era o Santa Cruz de Betinho, de Aldemar (que foi o melhor marcador de Pelé, confirmado pelo próprio), de Pitota, de Tará, de Biriguí, Luis Neto, Givanildo, Fumanchu e cia. Hoje temos o Santa Cruz da torcida, cada vez mais envelhecida. Temos uma torcida maravilhosa, talvez a torcida mais fiel da história do futebol, mas quando a gente começa a idolatrar apenas a torcida é porque há algo errado, muito errado.

    Precisamos jogar mais botao.

  4. Também tenho minhas lembranças com botão. Meu time era de galalalite, mas os grandes jogadores do bairro – grandes no tamanho e no futebol de botão – só jogavam com botão de chifre. Sim, botão de chifre. Não tinha melhor. Os botões eram guardados em flanelas e lustrados com carnaúba.

    Meu irmão tinha um grande time de futebol de chifre. Dos melhores do bairro. Ele também tinha um campo de futebol de botão, feito de compensado, que era invejado, inclusive por mim. Era o Arruda dos pequenos estádios.

    Sempre que ele saia de casa, eu pegava o campo e seu time de futebol de botão e ia jogar sozinho. Me escondia, pois se ele soubesse, eu estava perdido. Terminava o jogo, lustrava com carnaúba e guardava na capa de flanela. A flanela era costurada com uma casa para cada botão. Eles não se tocavam.

    Certa vez, ele esqueceu algo em casa e me pegou no flagra. Só não levei uma surra, por causa da intervenção da minha mãe. Aliás, ela disse que eu cuidava dos botões melhor do que ele. a partir daí passei a jogar com autorização e ajudava como sparring na preparação para os campeonatos.

    Jogos de botão pela calçada… Eu era feliz e não sabia.

    Saudações corais,

    Dimas Lins

  5. Bosquímano,

    Você acabou de dar um grande mote para uma crônica. Escreve. Faz, se não eu faço. hehehe

    Saudações corais,

    Dimas Lins

  6. Meu time misturava galalite (minha defesa era toda assim; os jogadores eram gigantescos) e, no meio-campo pra frente, só botão de chifre. Era o time do Santinha, claro. O time da década de 70, basicamente. Cheguei a disputar campeonatos oficiais, organizado por Ivan Lima (famoso cronista da rádio), se não me engano.

  7. Bosquímano
    7

    Dimas, tinha pensado nisso… quando ouvia o chico…hahaha

    Meus botoes eram de quenga coco, fabricados artesanalmente por um tio. Era melhor que os de galalite e os de chifre. Pelo menos para mim, um péssimo jogador de botao. Tinha um campinho, nao era grande coisa, aliás, era uma bosta. Se o do teu irmao era o Arruda dos pequenos, o meu era a ilha da fantasia, de tao ruim. Mesmo assim, para mim, era mehor que o maracanã. Meu campo tinha nome, Repúblicas Independentes do Arruda, orgulhosamente mal pintado com tinta guache. Talvez fosse uma premoniçao do arruda (assim mesmo, com minúsculas) do ano passado.

    Os únicos jogadores fixos eram Luis Neto e Biriguí. Jogavam os dois. Eu tinha uma contra-máxima: se craque joga até no gol, goleiro craque joga até na linha. Já tive atacante chamado Django, meio campo chamado Gabriel e zagueiro chamado Gomes. Depois tive Marlon, Rinaldo, Romel, Sérgio China, e por aí vai. As vezes penso que foi bom abandonar o botao. Já imaginou? parral, adilson, val baiano…

  8. Fred Esaú
    8

    Ainda hj tenho meu time de botão, o unico que me restou, o unico que ganhou campeonato, aliás, foi um único campeonato vencido.

    Até agora não sei se eu é que jogava mal ou se os botões que eu escala eram piores do que os dos adversários. Lembro de ter perdido finais e jogos decisivos homéricos para jogadores que sempre venciam os campeonatos.

    Curiosamente esse único campeonato vencido por mim foi jogado com botões todos iguais, esses de celulose que se vendiam em lojas especializadas do ramo. Que durante um tempo eram os oficiais da Confederação Brasileira de Futebol de Mesa.

    Este talvez tenha sido o unico campeonato disputado nesses moldes, geralmente os botões da turma lá na rua eram de celulose, popular tampa de relógio.

    A escalação desse time lembro até hoje: Solito, Zé Maria, Gomes, Amaral e Wladimir; Biro-biro, Sócrates e Zenon; Ataliba, Casagrande e Eduardo.

  9. J. Antonio
    9

    Bosquímano meu time também era de quenga de coco só que era feitos por mim mesmo apesar de ficar com os dedos esfolados de tanto ralar as quengas já que não tinha dinheiro para comprar botões.
    aconteceu um fato curioso um colega cujo time eram todos de chifre perdeu um jogo para mim e com raiva jogou contra a parede um botão o mesmo ficou sem um pedaço perguntei se ele não queria mais o botão como ele disse que não consertei ralando no cimento e dei o nome de Ramón e com
    esse nome o botão se transformou no maior artilheiro do meu time.
    Outro fato aconteceu quando no meu primeiro emprego entre 76 e 77 na Rua do Hospicio mais precisamente no escritório de Jaime Fotografias falecido recentemente sempre chegava cedo e esperava a hora de abrir o escritório sentado no bar copa 70 em frente ao Teatro do Parque e duas ou três vezes na semana passava vindo da Rua da Imperatriz para a Rua 7 de Setembro com destino para o edf. do mesmo nome o cabelo de fogo isso mesmo Nunes sempre com uma calça jeans boca de cino e seu incomparavel cabelo um dia não me contive o comprimentei apertando sua mão e conversamos por uns 5 minutos e ainda ganhei um autografo na revista que eu estava na mão por sinal uma revista que falava apenas do santa cruz tempos depois vim a saber que ele ia para uma loja no edf. 7 de Setembro pertencente a alguem ligado a diretoria do Santa Cruz.
    bons tempos aqueles que o jogador ficava no clube por um bom periodo e criava uma identidade com o torcedor Nunes jogou no Santa Cruz de 75 a 80.

    Artur Perrusi boas recordações voltei aos bons tempos

    um abraço

  10. André Tricolor Virtual
    10

    Artur,

    Eita tempo bom, se jogar pelada na rua já era uma diversão, imagine um super campeonato de botão, e meu time era feito de ‘jogadores desconhecidos’, tinha um que era chamado ‘lataria’, pois era uma peça que ficava fixado na grade de um antigo ventilador arno, não sei se vcs se lembram! Pois era um sucesso jogar com aquele jogador de lata, tinha um chute forte e tinha um estilo moderno para a época!

    Abraços meu amigo!

  11. É, Artur, há muito tempo não aparece jogador digno de ser escalado num time de botão. Nenhum craque e, principalmente, alguém que tenha identidade com o clube.

    Um mal que assola não só o Santa, mas, todo o futebol brasileiro, incapaz de segurar até mesmo jovens promessas e tendo que se contentar com as sobras.

    Participar do futebol brasileiro, na qualidade de torcedor, virou uma verdadeira peregrinação, exigindo fé inabalável, perseverança e uma razoável capacidade de abstração, para levar a sério o que se vê dentro de campo.

    Vamos ao estádio por gostar de futebol, claro. Mas, principalmente, por amor ao clube de coração. Por isso, meus campeonatos são o Pernambucano e a série D (maldito diminutivo).

    Não há como acompanhar qualquer jogo no Brasil descompromissadamente, apenas pela qualidade, como em outros tempos. Salvo raríssimas exceções, a qualidade é sofrível.

    O melhor está do outro lado do atlântico, e os dirigentes babacas, metidos a espertinhos, não se dão conta de que o nível está cada vez mais baixo e podem estar matando, gradualmente, a galinha dos ovos de ouro.

    Não é saudosismo, coisa (que coisa?! Ora, vá tomar no ** coisa) à qual não sou chegado. É constatação; e uma ponta de inveja de ingleses, espanhóis, alemães…….

  12. Meus times de botão foram mambembes – quase todos. Família numerosa, pouca grana, morando no interior; então, era tudo improvisado.

    Acho que só tive um time de botão organizado, e depois dos 12 ou 13 anos perdi o interesse, talvez por que fui um verdadeiro perna-de-pau “botonístico”.

    Em compensação, nos nomes escalados não tinha pra ninguém. Uma das escalações: Gilberto, Gena, Antonino, Paulo Ricardo, Botinha, Erb, Luciano, Givanildo, Walmir, Ramon e Fernando Santana (O time do penta).

    Dependendo do tipo de botão, costumava recortar o rosto de figurinhas dos álbuns vendidos na época e colar nos dito cujos.

  13. Claudemir Pereira
    13

    Cidadãos Corais,

    Falar de futebol de botão é pra mim uma alegria só, aprendi a confeccionar os meus com meu pai, uma grande pessoa. Ele fazia botão de quenga de coco, acrílico e mica, aliás, meu grande time foi todo feito de mica, que tirávamos das janelas dos ônibus elétricos desativados no pátio da CTU em Santo Amaro (o que corri dos vigias não ta escrito). Esse time era formado por uma mescla das equipes do SANTINHA dos anos de 1970, então, já sabem ele tinha grandes jogadores, e digo formado porque colávamos as caras dos jogadores, recortadas das revistas e dos álbuns de figurinhas, entre as duas faces da mica, era simplesmente magnífico. Todos meus times eu guardava dentro da flanela, aprendi a fazer isso com o pessoal que tinha botões de chifre, comprado em Itamaracá e fabricado pelos detentos, esse pessoal tinha grana e compravam botões caríssimos, mas não jogavam nada.
    Sim! Meu grande jogador de botão era Nunes, vendi para um carioca torcedor do framerda quando Nunes se transferiu pra lá, nessa época eu já morava em Maceió.

    Saudações Corais

  14. reci da silva santos
    14

    Com todo o respeito, duvido que seu botão seja melhor que o meu Mazinho – o botão – feito de mica e todo branco. Era meu Deus de Marfim, com o qual conquistei o mundo dos campeonatos de botão. Quer dizer, o mundo era a encruzilhada, torreão e adjacências, mais o que importa é que este botão provocou precoces “enfartes” de ira, de humilhação, entre outros, em vários garotos e marmanjos. Tenho também comigo, inseparável que somos, o Ramon, feito de chifre e comprado por uma ninharia na sertãzinha. Com este só vi o paraguaio, um botão sacana, feito de chifre, creio que de corno barbiento. O dono dele era um barbye e nossas partidas viravam atração local. Desculpe, a sinceridade, mais não posso deixar que maculem a posição hegemônica do Mazinho.

  15. Hehe… Vc tem sorte, grande Reci, que perdi Betinho, senão te chamava para um desafio. Comprei-o na Sertâzinha, lugar de todo jogador de botão que se preze. Passava o dia inteiro lá testando botões e negociando preço.

    Mas reconheço que o nome de teu jogador é um belo nome; um Deus de Ébano transformado em um Deus de Marfim. Belo, belo. Ah, se Mazinho tivesse jogado aquela semifinal contra o Cruzeiro…

  16. tiago maranhao
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    “Faz tempo que jogador do Santinha não merece ser um jogador de botão, infelizmente.”

    Faz muito tempo mesmo… Do meu time, recordo — pela vergonha que isso me causa hoje — que o meio de campo tinha Malhado e Pessanha (ah, a infância e as suas doces ilusões..). No ataque, Sérgio China, o maior artilheiro da Rua da Harmonia, dotada do (provavelmente) quarto maior estádio particular de futebol-de-botão do mundo, confeccionado por meu tio-avô.

    Aliás, tenho severas dificuldades em assimilar o fato de aquele meu botão laranja com o miolo tricolor hoje é técnico do C. N. Capibaribe.

  17. Já que estamos de futebol de botão, ou melhor, futebol de mesa, como é denominado oficialmente, o Santa é bi-campeão do pernambucano interclubes.

    A equipe coral é coordenada por Akiles Custódio, a quem conheço pessoalmente (gente fina).

    Ele postou por aqui algumas vezes.

  18. Fábio Belmino
    18

    Segundo fontes para-oficiais o bode rouco era consultor para obras públicas da construtora Camargo Correia.

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  19. Fábio Belmino
    19

    *Camargo Corrêa

  20. Fabiano Pinheiro
    20

    Tinha um time campeão de futebol de botão. Tive jogadores feitos de quenga de coco, acrílico, mica, galalite, chifre e de plástico, que eu mesmo produzia derretendo embalagens de desodorante, água sanitária etc. As transações de jogadores no nosso bairro eram feitas com o dinheiro criado a partir de embalagens de cigarro. Dependendo da marca do cigarro, o valor era maior. Mistral valia muito, já continental sem filtro era merreca. Vivia nos lixões atrás de plástico e embalagem de cigarro, de pés no chão. Pense nu moleque comedor de oiti e coração de nego…
    mas não sou tão saudosista assim. Como bom otimista, me lembro de Luis Carlos, Luizinho Vieira, Marquinhos Catarina e Marcelo Ramos. Não há como negar que MR9 é ídolo.
    Mas o tempo passa e a gente vai ficando velho, vai ficando chato, encolhendo a língua e esticando o papo.

  21. Victor Montenegro
    21

    Uma nostalgia que não me vem ao caso, pois apenas tenho 19 anos. Minhas maiores lembranças de glória são as assessões à série a (que em 99, ainda chamava-se primeira divisão) e uns, míseros, dois campeonatos pernambucanos. Hoje em dia, empurram Carlinhos Barbie, Rosembrick e Marcelo Ramos como ídolos e isso me dói o cérebro, pois sei que nem de longe esses senhores chegarão aos pés do que foi um Fumanchu e um Ramón para o Santa Cruz.

  22. Esta quem morava no bairro do Hipódromo na década de 70/80,provavelmente se lembre.
    O Radialista Jomar Austragésilo (Que fazia o programa Mistério do Além), já bem senhor na época, organizava um Super Campeonato de Botão, Com regulamento de fazer inveja A FPF e CBF.O Campeonato durava três , quatro meses, Eram uns 40 times.
    Uma grande farra;Particapava gente de todas as idades jogavam meninos, rapazes, senhores. Movimentava o bairro todo, tinha um primo meu que vinha de Camaragibe participar com sua Alemanha de Beckembauer, Muller, e Sepp Mayer.
    A coisa era tão séria, que houve até Sequestro de Botão.
    Numa das semi- finais o pessoal sequestrou o craque Dadá Maravilha , do Internacional de Chico Carvalheira, e pediram resgate. Uma época inesquecível, Pena que os Play station tomou o lugar do Botão.

  23. Perfeito, Victor.

    Não é nostalgia,saudosismo, é história.

    Artur e alguns dos que comentaram – eu, inclusive – deram um tom saudosista aos seus escritos. Mas, é algo pessoal, ligado ao sentimento de quem viveu uma determinada época.

    Isso não impede uma leitura objetiva, uma abordagem puramente histórica/jornalística que simplesmente constate a ausência de craques/ídolos no Santa (os jogadores dignos de integrar um time de botão ou um álbum de figurinhas)desde o final dos anos 80.

    Atletas que criem uma identidade com o clube, não só pela qualidade do futebol, mas, pela longevidade de sua permanência no mesmo e a garra na defesa de nossas cores.

    Dos que você mencionou,realmente, nenhum preenche todos os requisitos necessários para integrar a galeria dos grandes ídolos do Santa.

  24. Luizinho Vieira jogava muito, mas não estava no mesmo nível de outros que foram mencionados aqui. Luis Carlos, M.Catarina e Marcelo Ramos, menos ainda.

    No caso específico de M. Catarina, nem craque e, muito menos, ídolo. Uma boa passagem de menos de um ano pelo Santa. E só.

    M. Ramos é um excelente profissional e com uma primeira passagem semelhante à de M. Catarina. Saiu na metade da segundona, voltou em 2009 e, somando os dois períodos ultrapassou um ano de clube. Mas, com a perspectiva de zarpar para algum clube que esteja acima do nosso.

    Ídolo? Apenas circunstancial. Não dá para figurar na galeria dos grandes. É aquela história do “só tem tu……”

  25. ehehehe! Insatisfeito vai pegar no meu pé por causa do nº do post.

  26. insatisfeito
    26

    eu não, vc se denunciou, troféu Marcelo bebeltrão para ducaldo, uma cabeça de cobra jogando botão!

  27. Fabiano Pinheiro
    27

    Rapaz, insatisfeito fica quietinho só esperando… É o fiscal de post 24, pense num trauma! KKKKKK

  28. Fabiano Pinheiro
    28

    E tem mais, o volante do meu time de botão vai se chamar Alexandre Oliveira. Vou me empolgar e ninguém me segura!
    Xô, baixo astral!

  29. André Tricolor Virtual
    29

    Ducaldo,

    Antigos Tricolores Corais, sempre lembram que muitos craques que vinham para o Santa, era devido a grande festividade e receptividade de sua IMENSA TORCIDA, isso naquela época, criava um sentimento de orgulho de se jogar no SANTA CRUZ, pois muita gente quer ser craque em um clube que se valoriza o profissional!

    Abraços !!!

  30. Fred Esaú
    30

    Foi impressão minha ou aquilo que causou a torção no tornozelo de Durval era um caranguejo verde passeando pela várzea da ilha do chié? hehehehehe

    É impressionante como ficaram murchos após o jogo, só por causa de um simples empate, mesmo com toda vantagem que eles ainda têm. Ainda digo mais, além da mafiada, eles estavam com muita sorte. Essa maré de sorte acabou ontem. Frango do Magrão, milhares de gols perdidos, os roubos não deram o triunfo pra eles.

    Se ganharmos dos alvi-rosas no domingo, vamos ganhar esse turno.

  31. reci da silva santos
    31

    Mistérios do além era para lascar. Quantas partidas de botão foram paralisadas para que ouvíssemos o programa. Depois, tudo mundo meio que se cagando de medo, embora ninguém assumisse, resolvia voltar para casa, alegando o adiantado da hora. Neste momento, até o vento balançando as folhas dava um cagaço na espinha. Hoje, meu medo é da defesa do time. Imagine que lá já jogou um tal de Paranhos, aquele que quebrava os adversários sem faltas e ainda rolava a bola certinha para frente.

  32. Robson/Pi
    32

    Quando um botão se destacava, se dizia que “pegou no ponto”! Um dia o Santinha vai achar o ponto novamente.

  33. sebastiao sergio pontes de mendonça
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    Eu sou tricolor deste dos 9 anos de idade e tenho dois time de butao do santa cruz e aqui em bezerros-pe a maior torcida e a do santa cruz e obg.

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