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Notas sobre o jogo e um fato cabuloso

Autor: Artur Perrusi | 9 de setembro de 2007 | 12:23h | Artigos | 23 comentários

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Marília pediu e não se arrependeu!

Artur Perrusi

Joãozinho, decano da família Lins, estava calmo e calado. Interpretei tal fato como um sinal dos deuses. Todo mundo sabe que Joãozinho é uma matraca atômica, mais ainda num jogo do Mais Querido. E ele estava lá tomando seu uísque paraguaio numa boa, olhando placidamente o jogo. Isso só significava uma coisa: sentia firmeza no Santinha e gostava do jogo. Nem mesmo o fato de Dimas ter trocado o Santinha pela bela João Pessoa e estar, naquela hora, assistindo  a "Orfeu", uma peça musical, abalava Joãozinho.

–Dimas está tocando lira lá em Jampa — provoquei.
– Depois daquele balé russo, Dimas não é mais o mesmo…  Falou  Joãozinho de uma forma serena .

Ele estava calmo, e eu estava uma pilha. Logo, no início, percebi que estávamos diante do melhor time da série B (pelo menos, até agora). O jogo estava completamente aberto, com ataques constantes de cada lado. Era a melhor partida da série B. Mas os ataques do Marília deixavam-me nervoso e apreensivo. Tinha um buraco no nosso meio-campo, ali mais ou menos próximo da grande área. E tinha uma avenida Max na lateral — nitidamente, o manto sagrado causava coceiras terríveis no garoto.

Na minha opinião, era um problema de posicionamento: os nossos três volantes não jogavam de forma compacta. Quando o adversário tinha a bola, Romeu assumia sua posição de terceiro zagueiro, distanciando-se dos nossos volantes, que jogavam em linha e afastados da zaga — inclusive, com isso, a cobertura das laterais  ficou comprometida. O efeito desse posicionamento era o buraco na marcação, deixando os meias e os atacantes do Marília mano a mano  com a nossa zaga. O problema acontecia também quando tínhamos a bola: Romeu continuava como terceiro zagueiro, não avançava, e Paraíba e Amaral, jogando em linha, batiam cabeça na armação das jogadas. Tal situação perdurou até os 30 minutos quando melhoraram consideravelmente nossa marcação e a articulação das jogadas .

O Santinha voltou, depois do intervalo, na mesma pegada do final do primeiro tempo. A conversa no vestuário, tudo indica, foi boa — no mínimo, manteve o bom posicionamento. Aqui, "cometerei" uma justiça… Farei um elogio a… Bem… er… não tenho críticas contra… Carai, tá difícil de escrever o nome!  

(Pausa: faço uma série de massagens nos dedos, até mesmo uns gargarejos,  e volto à crônica).

Retomando: pela primeira vez, não faço críticas a… Engasgo — uma série de engasgos. O teclado fica nublado, meus dedos doem, fico tonto com a dança das teclas.  Respiro fundo e, enfim, sai o nome: não tenho críticas a M-a-u-r-o F-e-r-n-a-n-d-e-s! Cruzes, como foi difícil escrever seu nome! Mas o teclado começa a fumegar e os dedos a latejar. Penso no grande Fabiano Pinheiro, o maior otimista de todo o sempre do Santinha. A ducha de otimismo esfria as teclas, porém, os dedos continuam a doer. Penso em Dani, a musa tricolor, nossa futura presidente. Aaah, agora sim, mexo os dedos e só sinto alegria. Consigo até escrever várias vezes o maldito nome:

Mauro Fernandes!
Mauro Fernandes!
Mauro Fernandes!
Mauro Fernandes!

E, de fato, o cabra não cometeu erro algum no jogo. Não substituiria Max, mas essa observação não é uma discordância, pois sua saída não foi um erro. Inclusive, o intuito foi claramente de preservar o garoto. Explico minha posição: Max não apoiava, pois errava os passes — tudo bem, concordo com isso. Mas o problema da marcação na lateral esquerda não era dele e sim da falta de cobertura de suas subidas — a culpa era do mau posicionamento dos nossos volantes, principalmente de Romeu. Ora, nos últimos 15 minutos do primeiro tempo, corrigiu-se o posicionamento, e a cobertura nas laterais começou a funcionar. Russo entrou já com a marcação acertada, mas não acrescentou nada no apoio ao ataque. Enfim, daria uma chance ao garoto. Com a marcação corrigida, quem sabe o guri   não ficasse mais tranquilo para apoiar com eficácia.

Outra observação: Nildo destoou no jogo. Foi disparado o pior jogador na partida. Por quê? Faço uma hipótese: seu posicionamento está errado. Ele não pode ser o responsável pela armação do time. Os responsáveis dessa tarefa deveriam ser  Paraíba e Amaral. Nildo não tem fôlego, nem tem as características de armador. Ele é meia-atacante, flutuando e jogando um pouco atrás dos atacantes. Nessa posição de ponta-de-lança, pode fazer o que sabe: tabelar e dar seus preciosos passes ao ataque. Com três volantes, a armação deve ser dividida entre o segundo e o terceiro volante; o meia não deve assumir a armação, pois terá que recuar para buscar a bola, distanciando-se do ataque  e isolando os atacantes — além do mais, marcou o cabra, acabou a armação de jogadas!

Um empate com o São Caetano mostra o caminho; uma vitória ratifica a ascensão do time.

Fato cabuloso:

Depois do jogo, a família Lins (Joãozinho e Felipe), Cel. Peçonha e eu fomos comer um coração de boi num bar na famosíssima Rua 48. É um ritual que se tornou tradição. Simbolicamente, o coração de boi é o coração de nossos adversários. Somos antropófagos metafóricos! Come-se o coração, ficamos quites com os deuses do futebol e ainda enfraquecemos os adversários.

Estávamos em pleno ritual, quando um garçom disse-nos que Hugo estava no bar com um empresário português, o mesmo que vendera Piauí ao Atlético-PR! Bateu aquela preocupação na mesa. Fui lá ver com meus próprios olhos que ainda hão de ser comidos pelos vermes. E, com efeito, lá estava Hugo com seus parentes (provavelmente, o pai), junto com um cara estranho, todos sentados numa mesa. Não resisti e fui apertar a mão da nossa promessa. Ele deu um belo sorriso pela homenagem. Disse-lhe que a torcida o admirava muito e esperava que jogasse ainda  muito tempo  com nosso manto sagrado. O cara estranho fulminou-me com um olhar cosa nostra. Era uma figura, de fato, curiosa. Barba por fazer, meio gordo e careca, parecia um apostador de briga de galo. Sinceramente, não gostei.

Voltei à mesa, preocupado. Cel. Peçonha mandou um torpedo a Fred Arruda e Joãozinho tentou falar com Edinho. Queríamos não só avisá-los da notícia, mas também confirmar se todas as suspeitas eram verdadeiras.  Pois, caso seja verdade a informação de que aquele cara é um empresário português querendo tirar Hugo do Santinha, acho essa situação um absurdo. Primeiro, Hugo deveria estar numa mesa de um restaurante cinco estrelas, negociando com um empresário do Milan; segundo, deveria sair  a peso de ouro; terceiro, alguém do Santinha deveria estar presente ou, no mínimo, informado da negociação.

Assim como a Petrobrás, Hugo é nosso! Vale muito e não uma merreca! Jairo foi vendido por 270 mil — tudo bem, aceito o argumento de que, naquele momento, não tínhamos escolha; Piauí por 400 (Jairo, na minha opinião, tem mais futuro do que Piauí — e não ganhamos nada com essa transação); e Hugo? Nossa promessa vale muita grana, podem ter certeza.

Espero que essa estória seja esclarecida. Espero que a informação do garçom seja uma perua. Espero que o dito "empresário português" seja apenas um amigo da família de Hugo. Caso seja verdade, espero que a diretoria faça o que fez com Marcelo Ramos: blindar Hugo. Só sai por uma fortuna!

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23 comentários

  1. Fabiano Pinheiro
    9/09/2007 | 13:29h
    1

    Grande Artur
    Vocês deveriam comer os ovos dos adversários, e antes das partidas. Duvido eles jogarem alguma coisa. KKKKKK
    Quanto a Max, me desculpem a crueldade, mas o cara é ruim que dói. Já digo isso desde o ano passado quando ele chegou a jogar a série A. Depois ele chegou a ser titular no Pernambucano, quando disse ser Fabiano (também, com um nome desse) muito melhor na minha humilde opinião. Não foi problema de posicionamento que fez a bola queimar nos pés do menino. É personalidade mesmo. O menino treme.
    Tem jogador que a gente vê de cara que tem futuro. Mesmo quando erra muito. Aí vale a pena insistir um pouco. Mas esse não é o caso, infelizmente, de Max.

    Responder
  2. Fabiano Pinheiro
    9/09/2007 | 13:32h
    2

    Aproveito esse espaço para iniciar uma campanha visando conseguir fundos necessários à compra de fogos e, se o dinheiro der, de apitos. A prioridade são os fogos.
    Como colaborar? Existem duas opções:
    1. Depósito em c/c junto ao banco Real, agência 1001, conta corrente 9104469-5 em nome de Fabiano Pinheiro Gomes – CPF 708428684-53. Enviar um email em seguida para fgomes.36@gmail.com para a identificação do depósito.
    2. levar na Quinta Santa ou deixar com Lulinha (falarei com ele amanhã sobre isso). Deverá ter uma lista para ser assinada.
    Toda quinta feira prestarei conta dos depósitos relacionando os nomes e valores contribuidos lá na Quinta Santa. Também postarei aqui e no blog do Santinha a prestação de contas.
    Peço a vocês tricolores que, além de contribuirem, façam cotas paralelas com seus amigos tricolores. Façam também uma listinha e deixem com Lulinha.
    Os fogos não vão ganhar as partidas, mas considerando o equilíbrio da série B, qualquer ajuda pode ser decisiva.
    Já esqueci o rebaixamento. Agora só penso na série A.

    Sobre fogos e apitos
    O apitaço foi fundamental pra subida tricolor em 1999.
    Em 2005, sem quase nenhum apoio, consegui levar apitos no primeiro quadrangular da série B. No segundo, já sem verba quase nenhuma, apelei e fui pedir ajuda a diretoria. Rouberito disse que os apitos davam azar e se negou a qualquer ajuda.
    Sem apitos, o Santa quase se lasca contra o Grêmio.
    Me lasquei e banquei quase sozinho os apitos pros jogos contra as Barbies e contra a Portuguesa. Vencemos todos e subimos à série A.
    No ano seguinte, depois de ver o Santa detoná-los com os apitos, a diretoria da Barbie resolveu comprar apitos todos os jogos. Com essa força, se tornaram quase imbatíveis na sua La Bonequeira e subiram à série A.
    É fácil entender isso. É só lembrar a importância do mando de campo no futebol de uma maneira geral. Não é por acaso. Os gritos da torcida podem fazer tremer os adversários mas, principalmente, jogam uma carga de adrenalina no time local que tende a sair mais pro jogo e jogar com mais raça.
    O apito vem só contribuir para aumentar o barulho e amplificar não só o som mais a pressão sobre o adversário e a favor do time da casa. Quem não lembra do barulho ensurdecedor no jogo contra o São Caetano em 1999? Foi emocionante!
    Os fogos também contribuem e muito para esse espetáculo da torcida. O barulho que se faz na entrada dos times em campo permite até aos mais tímidos gritar sem parecer ridículo. A partir daí, a torcida fica mais solta e passa a cantar e a apoiar mais o time. Além disso, aquele barulho entra nos ouvidos dos jogadores como uma injeção de ânimo, uma descarga de adrenalina. Espanta energia negativa e cria uma rede de energias positivas entre os torcedores locais.
    O benefício supera em muito os custos, mas nossos dirigentes ainda não se deram conta disso.
    Duas girandolas, que fazem um barulho danando, sai por R$ 300,00 incluindo toda a mão de obra para detoná-las.
    10 mil apitos, que é uma quantidade mínima para um jogo de grande público, sai em torno de R$ 400,00. Ou seja, com R$ 700,00 podemos decidir uma partida.
    E só faltam 7 jogos em casa.
    Vamos lá! Vamos ajudar!!
    Banco Real
    AG 1001
    C/C 9104469-5
    Fabiano Pinheiro Gomes
    CPF 708428684-53
    email: fgomes.36@gmail.com
    ou pessoalmente na Quinta Santa!

    Responder
  3. ducaldo
    9/09/2007 | 14:12h
    3

    Artur, nada a acrescentar a respeito do jogo, muito bem retratado nas suas palavras.

    Quanto à negociação dos jogadores, algumas observações:

    O Santa negociou por R$ 270.000,00 apenas 50% dos direitos federativos de Jairo e ainda é detentor de 20% deles. Os outros 30% já pertenciam ao “empresário” quando o atleta chegou ao Arruda. É baixo? É. Mas era isso ou o empresário depositar a multa rescisória na federação e levar o jogador do mesmo jeito. E a multa pura e limpa seria uma quantia menor ainda.

    Muito provavelmente os direitos de Hugo devem estar fatiados da mesma maneira, pois ele chegou ao Arruda vindo de Sergipe e já com empresário agregado.

    Não dá para blindar Hugo por que o que conta é a multa rescisória que consta no contrato assinado entre ele e o clube. Só se alguém se dispuser a colaborar com clube e cobrir a proposta, como foi o caso de M. Ramos, que além de tudo não estava interessado em sair ( a ajuda veio, veja só, da FPF).

    É público e notório que Hugo andou criando clima e forçando a barra para sair, além de ter ligações com o pessoal da diretoria anterior (consta que há participação nos direitos federativos), o que levou à burrice de mantê-lo longe do time por um bom período, mesmo quando precisávamos de um zagueiro de qualidade.

    O correto é o que foi feito depois, escalando-o como titular, o que leva à sua valorização e fazendo com que o clube possa ganhar mais em uma possível negociação, mesmo que “certas pessoas” também lucrem com isso.

    Quanto aos valores, qual é o clube que pagará milhões, mesmo que ele valha, por um jogador que atua na segunda divisão em um time que há bem pouco estava na zona de rebaixamento? É bem pouco provável que isso aconteça. Especialmente, por que já existe um valormais baixo previamente estabelecido, embora sujeito a negociação: o da multa rescisória.

    O valor da multa de M. Ramos, salário mais alto do time, era mais ou menos R$ 300.000,00. A multa de Hugo provelmente deve ser mais baixa do que isso. Resta negociar para obter uma quantia maior e convencer o jogador de que é melhor para ele do que sair com a primeira proposta que aparecer.

    Alguns irão cobrar do clube o estabelecimento de um valor alto para a multa rescisória, com fazem Inter, Cruzeiro, Grêmio, S. Paulo. Mas cabe um adendo, esse clubes não correm o risco de atrasar salários por mais de dois meses, nem estavam na situação em que estava o Santinha em dezembro de 2006, quando foi assinado o contrato de profissionalização de Hugo, Jairo e Leandro,em caráter de urgência, ou sairiam do clube de graça.

    Mais de dois meses de salários ou, simplesmente recolhimento de FGTS, dão direito à rescisão unilateral do contrato por parte do atleta, segundo a Lei Pelé. Quem pagaria a multa de milhões + salários atrasados + contribuições num caso desses? E nós sabemos que a situação do Santa ainda é muito instável, com praticamente todos os recursos sendo direcionados para o futebol, e mesmo assim, só não perdemos o nosso artilheiro por que ele não quis sair e recebemos ajuda da (argh!) FPF.

    O que nos tem sustentado é o “todos com a nota” ,que tem data certa para acabar. Se com ele não dá para pagar salários mais altos e fixar multas mais altas, como será sem essa mãozinha do Governo? Bilheteria não sustenta mais clube nenhum.

    Note, também, que não se trata de um clube que veio procurar Jairo ou Hugo. Os empresários (a grande praga) saem rodando e oferecendo os jogadores por que só assim ganham dinheiro, e não interessa se vai ou não ser bom para o atleta. Os dois chegaram ao Santa do mesmo modo, meio que uma barriga de aluguel.

    Jairo não foi negociado com o Palmeiras. Fora os nossos 20%, seus direitos pertencem a empresários que o colocaram no Palmeiras para ganhar visibilidade. E que grande visibilidade, pois ele está jogando a copa FPF pelo Palmeiras B.

    Thiago Almeida e Leandro são jogadores com um bom potencial (não tanto quanto Hugo ou jairo), mas foram formados dentro do clube, fizeram a “escadinha” , são pernambucanos e, provavelmente, não têm empresário. Veio alguém procurar por eles? E olhe que Leandro até jogou pela seleção Pernambucana.

    REsumindo: Se Hugo quiser sair e alguém pagar a multa rescisória, ele sai. Resta ao clube tentar negociar um valor maior pela parte dos direitos da qual é detentor e mais nada.

    Responder
  4. Robson/Piauí
    9/09/2007 | 15:42h
    4

    Comer o coração do adversário, é isso aí, os Maias e os Astecas faziam isso sempre. Sobre as revelações, tenho uma sugestão, tem um atacante na tuna luso, Felipe Mamão, é craque. Seria interessante um olheiro do Santinha pra ver esse cara.

    Responder
  5. Artur
    9/09/2007 | 16:15h
    5

    Ducaldo,

    você tem razão como sempre, e, nesse caso, infelizmente. Será impossível blindar Hugo. É uma pena. Mas temos que mudar essa situação. E isso tem que ser urgente.

    Agora, se aquele cara é um empresário… cruzes!

    Ainda escreverei sobre esse tema: não há mais patrocinadores como a Parmalat e quejandos. Há patrocínios pequenos, tipo camisa, setores do clube, etc e tal. Mas, olhando os clubes brasileiros, o sustento sai de uma divisão de base forte, logo, da venda de revelações e dos sócios — vide o Internacional. É o nosso caminho; por isso, acho importante ajudar financeiramente a campanha pela reforma da concentração dos juniores, bem como a necessidade de uma campanha profissional para sócios.

    Responder
  6. André Tricolor Virtual
    9/09/2007 | 17:19h
    6

    “Artur”, parabéns pelo texto, quem não assistiu a partida, e leu esse texto, certamente se “transportou” ao Arruda naquele 7 de Setembro! Grande abraço para vc, ao “Ducaldo”, “Fabiano Pinheiro” e “Robson Piauí”

    >> VIVA SANTINHA !!!!

    Responder
  7. ducaldo
    9/09/2007 | 18:26h
    7

    Pois é Artur, infelizmente.

    Há outra coisa que, complementarmente, está ferrando todos os clubes brasileiros,e os do nordeste em especial: A falta de um calendário definido para as transferências.

    Na Europa nenhum jogador se transfere fora dos períodos permitidos (janelas), que ocorrem nos meses de agosto e janeiro. Aqui o jogador pode sair a qualque tempo, mesmo com as competições em andamento.

    Nossos clubes não têm proteção nenhuma, pois mesmo quando não podem levar imediatamente, os clubes europeus compram e levam depois ou colocam o jogador para jogar em times B até poderem contar efetivamente com eles.

    O resultado é que criou-se um ciclo de predação e nós somos presas dos times do exterior (todas as divisões europeias, ásia, etc.) e das equipes da série A.

    É um absurdo o fato dos clubes da primeira divisão poderem levar nossos jogadores quando bem querem e entendem. Faltam 14 rodadas para acabar tanto a primeirona quanto a segundona, mesmo assim ainda há clubes à caça dos nossos poucos atletas de destaque.

    Até mesmo a regra de não poder se transferir dentro da mesma competição, após participar de seis jogos, é ridícula. O correto seria nada de negociações enquanto as competições estiverem em andamento e não essa verdadeira feira que vem acontecendo.

    Claro que há o outro lado da questão, pois quem não tem um bom planejamento (nosso caso) e contrata mal, pode se ajeitar no decorrer da competição. Mas sempre com o risco de perder tudo mais na frente pelas razões que já mencionei anteriormente. Um calendário bem definido obrigaria os departamentos de futebol da vida a pensar melhor antes de contratar e a investir nas divisões de base.

    As divisões de base têm sido a grande saída dos clubes que estão em melhor situação no futebol brasileiro, e conosco não poderia ser diferente. Resta saber quando voltaremos a fazer jogadores inteiramente no clube, seguindo a escadinha (infantil, juvenil, juniores, profissional) e sem a intermediação das “harpias”, digo, empresários.

    No Arruda há um mistério que merece investigação. Nosso futsal, que não nada em dinheiro, vem ganhando tudo em todas as categorias, com exceção da adulta, na qual chegou a uma final depois de muitos anos. Por que o trabalho no futebol de campo não obtem os mesmos resultados? Será que não há nada a ser “copiado”?

    Vamos aguardar o desenrolar do caso Hugo. Tentar avisar a diretoria foi uma boa iniciativa pois, no caso de Piauí, o assédio foi feito sem que o nosso clube tivesse conhecimento, o que não é correto, mesmo ele pertencendo ao Porto e não ao Santa Cruz.

    Responder
  8. ducaldo
    9/09/2007 | 18:28h
    8

    Grande André! Um abraço para você também, e quinta a gente se encontra no bar da piscina.

    Responder
  9. Roberto Gomes
    9/09/2007 | 20:16h
    9

    Nós não podemos ficar de braços cruzados vendo todas essas revelações serem negociadas e servindo de barriga de aluguel para esses clubes e empresários ganharem dinheiro as nossas custas. Não é possível que não se possa fazer nada. Além de Hugo, tem o caso de Carlinhos Paraiba, será que também não podemos fazer nada? Segurar esse atleta também deveria ser uma prioridade. A cada partida ele se valoriza mais. Sei das dificuldades financeiras, da prioridade de nos mantermos na serie B, de sairmos da zona de rebaixamento, mas já é hora da diretoria pensar em alguma fórmula de segurar esses jogadores, assim como fizeram com Marcelo Ramos. Será que não existe nenhum empresário tricolor que queira investir, adquirindo os direitos federativos, pagando as multas contratuais e fazendo novo contrato com esses atletas? O ideal era manter a espinha dorsal desse time, ou seja Gotardi, Hugo, Amaral, Carlinhos Paraiba, e Marcelo Ramos para 2008. Botar todas as fichas nesses atletas. Fazer uma parceria, ou uma programação financeira dos recursos, investindo nesses jogadores, até como um principio de planejamento para o próximo ano. Partiríamos de uma base. Com a palavra Edinho e toda a sua diretoria. A minha parte eu faço, que é pagando antecipadamente todas as mensalidades e comparecendo aos jogos. Que ele encontre uma saída pensando grande.

    Responder
  10. José Edson/ S.B. do Campo
    9/09/2007 | 21:18h
    10

    Parabens Artur, por explanar tão bem o jogo com o Marília. Com relação ao fato Hugo,analisando com o coração( paixão), você está correto, mas, ducaldo tambem está correto, porque analisou racionalmente. Infelizmente nossos dirigentes não entenderam ainda a lei Pelé.
    Saudações corais.

    Responder
  11. Geraldo Tricolor da Iputinga
    10/09/2007 | 8:20h
    11

    Acho que as opiniões colocadas acima estão repletas de razões. Entretanto, no caso específico de Hugo o clube tem obrigação de trabalhar, pedir, fazer campanha, o que for, para se for o caso, reformular o contrato do jogador e colocar uma multa rescisória que compense adequadamente o Santa Cruz. Essa de aceitar porque é assim mesmo não dá prá engolir. E Paraíba, o que farão com ele também?
    Para melhorar a arrecadação:
    O que estão fazendo para angariar novos sócios? O clube vai viver eternamente de anistia de dívidas, penalizando sempre quem nunca deixou de contribuir?
    O processo educativo de sempre liberar ingressos gratuitos e/ou baratos demais vai continuar? Quando o todos com a nota sair, vão pedir ingressos de R$ 3,00 para todo o estádio. O estádio comporta divisões com ingressos mais baratos para as camadas de menor poder aquisitivo, e preços mais justos para quem pode pagar. Afinal, é ou não é futebol profissional? Queremos ou não integrar a primeira divisão?
    Prá concluir:
    Quando os dirigentes do futebol brasileiro criarão coragem para se rebelarem contra o famigerado Clube dos 13? A bagunça e beneficiamento a alguns é tamanha, que o jogo entre Flamengo x Vasco do primeiro turno será realizado depois do jogo programado para o segundo turno. Simplesmente absurdo.

    Responder
  12. Manequinha
    10/09/2007 | 8:49h
    12

    Pessoal,

    A constante presença de empresários no Arruda não é uma praga recente. O pior de tudo isso é que esses empresários encontram guarita na diretoria, que propositalmente, atrasam recolhimentos de FGTS para que os jogadores ganhem seu passe e possam assim ser mais facilmente negociados.

    Depois de ver o que aconteceu com Bebeto, Valney, Jamesson, Jairo, Valença, Maurício Pantera, Ricardinho é impossível não imaginar que o mesmo não acontecerá com Hugo.

    Perdemos jogadores por puro amadorismo. Parece que um jogador quando contratado pelo Santa vem fazer um favor de jogar aqui. São contratos sem multa rescisória ou com pequenas multas, cláusulas que beiram o ridículo. Vejam a coisa, perdeu um tal de Victor Hugo, que só jogou 3 joguinhos e mesmo assim botou 400 pau no bolso.
    Perdemos Marquinhos Catarina e o que ganhamos ?

    Bem, Acredito pelo menos num empate na Sexta e, Artur, parabéns pelo texto

    Responder
  13. Torcedor Coral
    10/09/2007 | 9:07h
    13

    Amigos,

    Retornei ontem de João Pessoa, onde fui passar o feriadão, mas a preguiça foi muita e, por isso, só tive coragem de ler o texto e os comentários. Curti a vitória coral como turistão, daqueles que vai aos pontos frequentados por imigrantes com curtíssimo prazo de validade para voltar.

    Fui ao bar do Golfinho, na praia do Jacaré, aproveitar o pôr-do-sol ao som do Bolero de Ravel e não o fiz pressionado por minha esposa. Fi-lo, porque qui-lo!

    Acompanhei o jogo através dos torpedos enviados por Artur para o meu celular. Aliás, Artur está descobrindo um nicho de mercado: comentarista esportivo de celular! O serviço do nosso editor é caro, mas vale a pena, embora, confesso, seja mais tenso do que assistir ao jogo no Arruda. Mas, na impossibilidade de ir ao Estádio, é melhor contar com um serviço de primeira e imparcial. Ou melhor, parcialíssimo! Sem açúcar, mas com afeto.

    Esse negócio de Hugo é de lascar! Tomara que a diretoria esteja prevenida ou tente mudar seu contrato. Somos campeões em perder jogadores para os outros times. Está mais do que na hora de mudar essa sina.

    Quanto a história de Orfeu, é pura fantasia da cabeça de Paulo Aguiar, Artur e companhia. Eu nem sabia que teria o balé na cidade. Droga! Ninguém me avisou!!!

    Saudações corais,

    Dimas Lins

    Responder
  14. ducaldo
    10/09/2007 | 11:12h
    14

    Manoel, Marquinhos Catarina foi colocado no Santa Cruz por Juan Figger e, segundo o próprio presidente, nós não tínhamos nada a receber (ou a cobrar) pela sua transferência. Na verdade nós servimos apenas para projetar o jogador, caso idêntico ao de Piauí, cujos direitos perteciam ao Porto, embora ambos tenham sido muito úteis ao time.

    No caso de Piauí tivemos a compensação de receber um jogador para substituí-lo (Arlindo), nas mesmíssimas condições. Ou melhor, em condições piores, pois ele já pertence ao Atletico Paranaense também. Logo, assim que for necessário, o Atlético manda buscar.

    Outra pergunta que se faz é por que o Santa não contratou vários jogadores que despontaram no Porto. A causa está aí: tem que chegar com dinheiro vivo nas mãos, e para contratar (na base da aposta) 3 ou 4 do nível de Piauí seriam necessários quase dois milhões de reais, coisa que não temos.

    AS multas poderiam ser mais altas mas, como eu expliquei no post anterior, em caso de mais de dois meses de atraso de salário ou recolhimento do FGTS, coisa muito comum no nosso clube, o atleta pode rescindir unilateralmente o contrato na justiça. Como o nosso clube pagaria a multa milionária?

    Clubes como S. Paulo, Grêmio, Inter, Cruzeiro, etc., podem fixar multas altas pois dificilmente correm o risco de qualquer atraso. Infelizmente não estamos, ainda, enquadrados neste caso.

    Bebeto, Jamesson e Valença não foram negociados. Nós perdemos os direitos em razão dos salários atrasados. Já Walney tentou rescindir o contrato e se transferiu ilegalmente para o flamengo, mas como o Santa Cruz ganhou na justiça, ele passou um semestre sem poder jogar, pois o nem o clube o quis de volta, nem ele queria retornar.
    Não sei se houve alguma compensação financeira na época.

    Só para dar uma idéia: Josué, jogador de seleção, que atuava pelo líder do campeonato, campeão de libertadores, mundial, brasileiro, etc., saiu por seis milhões de reais. Quem pagaria uma fortuna por um jogador recém-promovido, que atua na segunda divisão e por um clube que até bem poouco tempo estava na zona do rebaixamento?

    Para nós Hugo já é realidade, considerando o nível do que temos no time, mas para quem vem buscar é uma aposta. Dos jogadores mencionados (Bebeto, Walney, Jamesson, Valença, Ricardinho, Maurício Pantera) qual se transformou em craque ou pelo menos fez uma boa carreira na primeira divisão? Nenhum. Bebeto e Walney,, depois de rodarem por alguns clubes do Brasil foram parar na segundona de Portugal; Jamesson foi para a Cabense; Valença, infelizmente está com a carreira sendo corrída por uma contusão crônica; Maurício acabou no Ríver do Piauí e Ricardinho não se firmou em lugar nenhum (ignoro o paradeiro).

    Acrescente a esta lista os nomes de Cléber, Otacílio, Marcelinho (volante que foi para a segundona de Portugal) e….. Rovérsio. Este último jogou duas temporadas na segundona de Portugal e se transferiu para a Grécia. Como a atual diretoria descobriu que houve irregularidade na transferência, entrou na justiça e o processo está rolando.

    Quantos deles valem milhões hoje? Na nossa situação atual, com nomes como Josemar, Aldo, Marcelo, Dudu, eles seriam chamados de craques, mas em campeonatos e times de nível mais alto nenhum deles conseguiu nada relevante. Por isso ninguém se disporá a pagar milhões por qualquer jogador formado aqui, a não ser em casos excepcionais.

    Vale salientar que o mesmo ocorre, em proporções diferentes,com os clubes do Sul-maravilha quando vendem jogadores para o exterior. Kaká saiu por U$ 8.000.000,00, hoje já recebeu propostas de 120.000.000,00 de euros. O São Paulo poderia cobrar isto na época?

    Só quando sairmos da situação em que estamos, e não estou falando simplesmente de acesso à série A, é que poderemos sustentar jogadores. Infelizmente estamos afundados nela há 20 anos e, acho eu, não sairemos tão cedo.

    Uma coisa pode ajudar: investir na base. Precisamos formar jogadores sem a intermediação de empresários (Jairo e hugo chegaram ao Santa com parte direitos já comprometidos), volta a fazer a escadinha:escolinha, infantil, juvenil, juniores e profissional. Nos anos setenta era assim.

    Responder
  15. Artur
    10/09/2007 | 11:38h
    15

    O que mais odeio em Ducaldo é sua coerência (hehe…). Ainda o pego em pleno surto histérico. Aí vamos ver o que é bom pra tosse!

    Responder
  16. Fabiano Pinheiro
    10/09/2007 | 15:50h
    16

    Ducaldo, tu és foda! Pense num cara sensato e bem informado!

    Responder
  17. Geraldo Tricolor da Iputinga
    10/09/2007 | 17:01h
    17

    Meus amigos, o gol 400 do nosso artilheiro está prestes a acontecer. Caso não venha no jogo contra o São Caetano, poderá vir no Arruda. Fogos devem ser preparados para êsse momento. O clube deve aproveitar para inclusive aumentar o número de sócios. É mais um fato positivo a fazer parte da história do nosso Santa Cruz.

    Responder
  18. Allan Robert
    10/09/2007 | 17:03h
    18

    Marco de Natal-RN,

    Vejo aulguns postes seus por aqui, por isso te pergunto:

    Sabes algum lugar em Ponta Negra que eu poderei assistir ao jogo do mais querido contra o São Caetano?

    Irei amanhã para Natal e volto somente dia 22/09, no dia do jogo contra o Paulista no Arruda(chegarei às 13hs, se não atrasar o vôo).

    Ficarei no Quality e trabalhando interna para a inauguração da loja do Extra Ponta Negra na próxima semana.

    * meu e-mail: allan.robert@grupopaodeacucar.com.br

    Abraços

    Responder
  19. Marcelo Araújo
    10/09/2007 | 17:33h
    19

    Hoje no nosso programa Santa Cruz de Corpo e Alma teremos a presença do Zagueiro Hugo.
    http://www.radiocapibaribe.com.br
    1240 Am
    Fones : 34442562
    34442544
    E-mail : santacruzdecorpoealma@radiocapibaribe.com.br.
    20 horas.

    Responder
  20. Gerrá
    10/09/2007 | 17:57h
    20

    pois é ducaldo!!! na nossa euforia as vezes achamos que alguns de nossos jogadores são craques, quando na verdade não são. eu por exemplo, acho que o santa cruz é o melhor time do mundo.

    Responder
  21. ducaldo
    10/09/2007 | 18:06h
    21

    Artur, só não me venha com aqueles apetrechos dos tempos de clínica.

    Fabiano, eu ainda estou fuçando em busca informações mais precisas, e já descobri que existe um projeto de lei em discussão com o objetivo de proteger os clubes “formadores dos atletas”:

    “projetoClubes formadores
    Proteger os clubes formadores de atletas também é algo a ser discutido nas propostas de modificação da Lei Pelé. Pela lei, hoje o clube que formou o jogador tem preferência na primeira contratação, mas não há sanção caso o jogador não queira permanecer. O PL 5186/05 prevê que, em caso de ausência da possibilidade de negociação, uma indenização deve ser paga pelo clube que contratar o jogador. Condição que, se aprovada, valerá apenas para clubes brasileiros.”

    Responder
  22. Paulo Aguiar
    10/09/2007 | 18:50h
    22

    Informações adicionais:

    - No cofre do Santa Cruz, referente a venda de Jairo, entrou R$ 200 mil (na verdade, um pouco menos).
    - O passe de Hugo pertence ao tricolor Plácido Caluete.
    - O passe de Carlinhos Paraíba não é nosso (informação a confirmar).

    Abraços!!!

    Responder
  23. ducaldo
    10/09/2007 | 19:59h
    23

    Paulo, não sei exatamente o valor, ou valores, envolvidos na negociação do direitos federativos de Jairo, se 200 ou 270.000,00.

    As informações quanto aos percentuais foram dadas pelo próprio presidente do clube: O santa negociou 50% e ainda detém 20% dos direitos. Os outros 30% já eram do empresário.

    Se os direitos federativos de Hugo são do empresário, o que pode ser verdade, então ele foi colocado no Santa Cruz apenas para se projetar, casos de Piauí, cujos direitos pertenciam ao Porto, e Marquinhos Catarina, que é jogador de Juan Figger. A diferença em relação a Catarina e Piauí é que, nesse caso, o Santa teria direito de receber pelo menos a multa rescisória, pois ele veio para o clube como amador e fez seu primeiro contrato com o nosso clube.

    Talvez isso explique o fato dele não ter sido aproveitado durante um bom tempo.

    Fato similar aconteceu no S. Paulo com o talentoso atacante Thiago, que surgiu como grande promessa e foi progressivamente afastado do time. O motivo? pertence a….Juan Figger. Depois foi negociado com uma equipe do Qatar em fevereiro de 2007 e o São paulo recebeu 20% sobre a negociação, cujos valores não foram revelados. Esse valor corresponde, provavelmente, à multa rescisória do contrato celebrado entre o jogador e o clube paulista e que se estenderia ainda por mais um ano e meio.

    Em todo caso, o que eu sabia, ou achava que sabia, é que o caso de Hugo seria semelhante ao de Jairo: direitos fatiados entre empresário e clube. Desconheço os percentuais.

    No caso de Carlinhos Paraíba não há nem o que pensar. Ele já era profissional quando foi contratado pelo Santa. Sendo assim, o que o prende ao clube é o contrato, que pode ser rescindido a qualquer tempo, desde que o clube receba a multa rescisória nos termos previstos na Lei Pelé. É o mesmo caso de todos os outros atletas contratados (M. Ramos, Nildo, Amaral, etc.) e de qualquer atleta profissional que não esteja no seu primeiro contrato.

    Responder

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