
Existe competição no futebol brasileiro?
Sem maiores delongas, responderei à la Caetano: sim, não, mas sim, mas não… nem isso! Fiquei pensando nesse assunto, vendo a festa do Vasco, quando de sua subida à primeira divisão. Olhava a festa dos paraibanos com a vitória do clube de Eurico Miranda, esse fundador da Máfia dos 13. Olhava e pensava sobre a ironia da traição futebolística, essa deslealdade no campo dos valores e do orgulho regional, tão ostentada pelos nossos vizinhos: torcer por clubes cujos torcedores da gema são do estado da federação, e que têm a mania de xingar os nordestinos de… paraíba. É curioso, né?…
Voltando ao clube da colina: não nego o mérito de seu desempenho — mas foi justo? Ou, colocando de uma forma diferente: a competição esportiva, na segunda divisão, é justa, isto é, as oportunidades são iguais, ou ainda, o ponto de partida, no campeonato, é o mesmo para todos os participantes? Claro que não. O Vasco, afinal, é da Máfia dos 13, o cartel que domina o futebol brasileiro. Inclusive, podemos ampliar a pergunta: a competição esportiva é justa no futebol brasileiro? Claro que não, afinal, existem, além do truste referido acima, a CBF, a Rede Globo, as federações esportivas, os tribunais desportivos, a corrupção de árbitros, e por aí vai.
Mas, mesmo sem tais sacanagens, como supor uma competição esportiva justa, num espaço futebolístico regrado completamente pelo poder econômico? E, sendo negativa a resposta, ou seja, a competição não é justa, pode-se perguntar se há alguma competição no futebol brasileiro. Eu respondo que sim: há competição no nosso futebol. É uma muito bem conhecida por todo brasileiro, principalmente daqueles provenientes dos setores populares de nosso país. É uma competição baseada na desigualdade, no jeitinho e na manutenção do status quo. É um tipo de disputa alicerçada na chamada “ilusão meritocrática”: pensa-se que todos são iguais, que todos têm a mesma oportunidade, mas se descobre que, atrás do discurso igualitário, do discurso baseado no mérito, esconde-se uma abissal desigualdade. O futebol brasileiro, mutatis mutandis, parece o vestibular: quem é negro e pobre entra na competição de uma forma completamente desigual.
Pois bem, como existir uma competição justa num país campeão da desigualdade social? Ora, o futebol não é um espaço neutro e à parte da realidade social brasileira; na verdade, ele reproduz muito das mazelas da nossa histórica desigualdade. O que estou defendendo, assim, é que o futebol brasileiro reproduz o típico jeito de competir à la brasileira: está lá embaixo da hierarquia, pois fique no fim da fila! Vemos vários exemplos dessa situação. Querem um? É só pensar na dificuldade que foi em eliminar a virada de mesa, essa personificação do nosso jeitinho no futebol. A virada de mesa era um aviso bem claro: a competição tem limites: não se pode destronar a hierarquia existente entre grandes e pequenos clubes. Era uma forma de mostrar a ojeriza pela competição justa e idônea. Era uma forma de dizer que alguns são mais iguais do que outros.
A virada de mesa acabou — pelo menos, por enquanto.
Tal fato significou uma democratização da competição?
Nem tanto.
A virada de mesa foi substituída pelo que chamo de “falso rebaixamento”. O poder que a impunha foi substituído por um poder bem maior: o poder econômico. Antigamente, havia virada, mas existia uma tradição no futebol brasileiro. Mesmo existindo uma hierarquia, havia um respeito pelos diversos clubes grandes de todo o Brasil. O poder econômico (ou a forma como vem se estruturando o mercado capitalista no futebol brasileiro, para ser mais claro) vem eliminando não só a tradição, mas, consequentemente, todos os clubes grandes que estavam inscritos de forma subalterna na hierarquia do futebol nacional. Tudo que era sólido tomou na jaca! Com esse pega-pra-capar econômico na competição esportiva, estamos assistindo à extinção acelerada do futebol nordestino. Não temos mais tradição, apenas passado. Nossa memória é um mero consolo para a nossa esperança. Inclusive, estamos num ponto que ninguém irá lamentar nossa extinção, dado o surgimento maciço dos chamados torcedores de televisão, fanáticos pelos clubes do sudeste. Não só isso: serão lamentos ignorados pela grande mídia, completamente “nacionalizada”. A Rede Globo é um exemplo – é um exemplo de uma “integração nacional” que reproduz a desigualdade regional, através de um discurso midiático que oculta, justamente, o que a faz todo-poderosa: a desigualdade no mercado da mídia. Tal situação é visível na mídia esportiva: jornalismo “local” é a narrativa do cotidiano dos clubes do sudeste.
Não causa surpresa, assim, que os “clubes grandes” tenham transformado a série B num spa, num descanso, numa temporada para regenerar as forças. Menos surpresa, ainda, é perceber o desespero dos clubes subalternos e subservientes da Máfia dos 13, tipo a Coisa e o Bahia, que se iludem pensando que resolverão seus problemas esportivos adotando condutas “mafiosas”. Ledo engano. Patético. A hierarquia do futebol brasileiro está pouco se lixando do destino de seus vassalos. Os “clubes grandes” seguem uma regra bem conhecida na história brasileira: os inferiores podem ser substituídos a qualquer momento – sempre! O “exército de reserva” de nosso futebol é inesgotável.
Por isso, acho uma pena que um político como FBC seja tão despolitizado em relação ao futebol nacional. Não mexe um pauzinho para combater a desigualdade no nosso futebol; nem localmente, sendo extremamente passivo diante dos desmandos da FPF, muito menos, nacionalmente. O que custa, politicamente falando, fazer articulações políticas e esportivas com os clubes nordestinos e do norte, principalmente com os moribundos? Sim, o que custa? Por que não fazer o óbvio e o mais fácil?
Se queremos sobreviver, precisamos urgentemente da união dos ex-clubes grandes em atividade. Precisamos acabar com os desmandos locais. Precisamos enfrentar as sacanagens nacionais. Precisamos de uma Liga Nordestina — de um nordestão! Tal necessidade não é de ver para crer, tá na cara!
Pessoalmente, acho essa tarefa urgente, urgentíssima! Chegamos ao fundo do poço. Perdemos anéis, dedos, corpo, dignidade, alma, o escambau. Estamos entre a vida e a extinção. Simples assim.
Em suma, podemos parodiar um vellho manifesto:
Clubes de todo o norte-nordeste, uni-vos! Não temos nada a perder, a não ser os nossos grilhões!









Lá vou eu ficar deprimido novamente..!!! Perrusi, pô..!!!
Tava conseguindo me alienar novamente, tudo certinho…!!!…
Bom, mas vamos lá, se realmente alguem conseguir levar com seriedade a frente um projeto envolvendo os excluidos do senário futebolistico mafioso dos 13 + rede globo + bandeirantes, acho que uma rede record, poderia ser uma parceira…pois acredito que o ibope de um campeonato nordestino + norte + excluidos seria fantastico..etc..e.tc..etc….
´Saudações tricolores do arruda…!
Francis, um tricolor nunca desiste. Fica deprimido, mas toma logo uma cerveja. O problema é que a situação está tão braba que todo tricolor tem um pouco de álcool no coração.
Confesso que a cerveja está saindo pelas minhas orelhas.
Caro Artur,
Ainda ontem, ao fim da falsa reunião do conselho deliberativo, me pus a pensar num norte e nordeste, mas me perguntei. Quem terá a coragem de abrir mão da competição nacional (viciada) por um N/NE? Que apoio político terá uma ação dessas? Como viabilizá-la financeiramente? Respondi eu mesmo essas perguntas. Só quando os presidentes da maioria dos clubes enxergarem, sem miopia, o andar do projeto do clube dos 13. Então, faz-se imperioso que uma nova geração de dirigentes, sem vícios, assuma os clubes. Lamentavelmente, FBC, apesar de nunca antes ter participado, não tem o menor perfil de quem queira romper com o atual modelo.
Saudações Corais
cenário…..!!!..kkkkk
Pois é arthur…tem que ser na cerveja…e na esperteza tricolor, pois, neste fundo do poço ainda temos força pra zonar com os coisa e as barbies…!!
Grande abraço,
Fui.
É. Temos nossa culpa, mas também há a culpa dos outros. Todos os clubes do Brasil tem seus maus gestores, mas a TV banca a esculhambação. Nós, não. Não temos esse direito. Não bastasse os maus gestores ainda temos que extrair leite de pedra. E quando extraimos o leite é para outro mamar.
Saudações corais,
Dimas Lins
Fora do assunto, apenas para estourar a bomba: nosso novo treinador é Lori Sandri.
Seremos campeões pernambucanos – e isso é importante. No mais, é ano que vem jogar a série C junto a coisa e barbies…
se a bomba for essa, é um bom treinador, experiente, penso que no nível de Givanildo, um patamar abaixo de Geninho. E um grande professor para Dado Cavalcanti. Temos chances sim de título pernambucano com ele. Carpegiani é superior, mas os petrodólares o chamaram e qualquer um daqui não seria doido de não ir com uma proposta daquelas dos camelos…
Saudações Santacruzenses.
No pavilhão da Bienal estava a Arena Coral.
Devemos fazer como o Palmeiras que está construindo sua Arena independente de Copa do Mundo!
Lori Sandy & Junior, tem o mesmo defeito de Ciro Bambi, e Clodovil. Mija acocorado.
Tinha três nomes na mesa apresentados pelo Lef e o seu super amigo Raimirinda Nevesjatobá. Eram Lori Sandy, Evair e Zé Teodoro.
O Voto de minerva e decisivo foi o de Sideney Magal, motivo: Era o mais barato.
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Fica Dado Dollabella.
Interessante que o jcoisa tá dando em primeira página a arena do Nauticu
Insatisfeito, também vi essa noticia não estou entendendo mais nada por acaso não era o nautico que ia administrar o elefante.
O govenador não estava sabendo disso? e agora gastar uma fortuna para apenas 6 jogos, e depois da copa quem vai jogar no elefante.
Saiu o novo técnico tricolor… Lori Sandri. O camarada estava no Maritmo de Portugal, deixando o clube portugues na quinta colocação no campeonato nacional. Se o campeonato portugues terminasse hoje o Maritimo estaria classificado para a Liga da UEFA.
Acessem:
http://blogdomequinha.blogspot.com
O Blog do América do Recife.
Postei a maior virada do futebol brasileiro, realizada pelo Santra Cruz contra o América.
Abraço e força Santa… teu lugar é na Primeira!
Adivinha pra quem fica a administração do Elefante? Cajá cajá cajá caju, a turma do ixporti….
O campeonato do Nordeste seria a redenção para os nossos clubes, será que é tão difícil enxergar isso?
Seríamos campeões de público, mesmo comparando com o campeonato da quadrilha dos 13, o problema é justamente esse: seria um sucesso e o status quo seria detonado, mas é precisamente isso que os cães não querem.
Brilhante artigo Perrusi, apesar da obviedade e notoriedade das soluções propostas.
É isso mesmo Carlos, a solução é óbvia. Quando o óbvio vira uma impossibilidade, algo de pobre existe no reino da Dinamarca. Fazer uma revolução no Santinha é o cúmulo da obviedade. Nossos dirigentes detestam o óbvio, o truísmo, a banalidade, o prosaico, o simples, o evidente…
Realmente inexplicável a não efetivação do Nordestão no calendário. enquanto isso o SPORTV transmite os jogos do América na segunda divisão do RJ. e o São Caetano tem patrocínio de R$800mil/mês da Cônsul. qual será o retorno comercial disso?
O texto só não é completamente perfeito por conta do desnecessário tema do primeiro parágrafo, a velha ladainha do “torcer pra time de fora em vez de valorizar o que é seu”. No mais, perfeito.
A questão, hoje, é econômica. Igualdade nunca vai haver, mas a atual disparidade financeira é absurda. Em vez de reclamar de juíz ladrão nos microfones das rádios, os mandatários dos clubes e federações nordestinos deveriam sim se unir, tentar reverter esse quadro.
No mínimo exigindo uma revisão na divisão das cotas de TV e no máximo propondo um campeonato “nacional” do Nordeste. Fico imaginando, uma vaga na pré-Libertadores para um possível campeão de Nordestão seria mais que qualquer clube nordestino alcançou nos últimos 15 anos ou alcançará nos próximos 15.
Porém, infelizmente, com o material humano que temos à frente da organização do nosso futebol, fica impossível pensar em algo do tipo. Imagina o Bode Rouco tratando de tais assuntos, com toda a sua lucidez? Lastimável.
Parabéns Artur, pelo vigoroso e bem acabado texto/desabafo.
É de lascar mesmo toda esta pantomima midiática que se diz justa e, no fundo (no raso tbém), é só e somente só uma grande lavagem cerebral em defesa de seus interesses.
A grande máquina sugadora de mentes, o jogo sujo das pequenas trapaças que, no todo acabam por decidir tudo e, finalmente, o discurso hipócrito legalista. Pois é, temos que fazer um sistema forte, só para continuar com a bandalheira…
Tem umas horas que isso cansa demais.
Sem duvida um dos melhores textos esportivios que já li. Parabéns! Mas é bem certo que do jeito que a coisa anda, amigo, nada vai mudar. Acompanhar campeonato GLOBO brasileiro é dificil hoje em dia, o que eles querem é ganhar dinheiro cada vez mais, vendem flamengo e corinthias aqui pro NE e somos obrigados a assitir isso. Com a violencia nos estadios fica dificil lervamos nossos filhos pro grande jogos no mundão, então eles ficam em casa assistindo a rede BOBO e o que acontece? Começam a torcer pelos “imbativeis” times do sul/sudeste. Acho que a ideia do NORDESTÃO é otima, mas pouco provavel, pois não venderia tanto quanto times do sul. É uma pena que estamos perdendo nossa identidade. Mais uma vez, parabéns pelo texto.
“COM O SANTA, ONDE O SANTA ESTIVER! O MEU AMOR POR TI NÃO TEM DIVISÃO E SIM MUTIPLICAÇÃO”