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Home » Artigos » Estamos de luto, branco e vermelho

Estamos de luto, branco e vermelho

Autor: Dimas Lins | 27 de setembro de 2007 | 21:57h | Artigos | 6 comentários

Robertinho do Empório
Robertinho do Empório

Empório Sertanejo em dia de festa tricolor
Empório Sertanejo em dia de festa tricolor
Foto: Anizio Silva

Texto publicado originalmente no Blog do Santinha

Faleceu na noite de ontem (25/09) Roberto Novaes Ferraz, proprietário do bar Empório Sertanejo e grande tricolor. Estamos preparando alguns artigos em sua homenagem; quem tiver alguma foto de Robertinho, por favor envie para o email blogdosantinha@gmail.com

* * * * * * *

De luto, branco e vermelho!

por Nunes, pseudônimo de um repórter esportivo de um jornal diário da capital pernambucana

Era 26 de novembro de 2005. Por imposição da profissão, havia sido privado da festa com mais de 60 mil convidados no Arruda. Cheguei por lá umas duas horas depois do jogo com a Portuguesa e, apesar da multidão nas ruas e na sede, não encontrei ninguém conhecido pra tomar uma e festejar o acesso à primeirona.

Parti para o reduto onde poderia tirar o atraso e iniciar a comemoração. Cheguei no Empório Sertanejo e dei de cara com Robertinho ajudando os garçons a recolher as mesas da calçada, sem um cliente na casa. "Ué, o que houve?". Precavido em virtude do desastre lá dos Aflitos, Roberto temia que houvesse algum tipo de confronto dos caras conosco e resolveu fechar o Empório.

Argumentei que o Empório era a nossa casa, que a nossa comemoração não tinha a ver com a dor de ninguém e que uma carrada de tricolores estava pra chegar para uma justíssima festa. O coração do sertanejo amoleceu feito queijo manteiga: "Manéu, bota as mesas pra fora de novo". Meia hora depois o Empório parecia a sede do Arruda, a Rua da Hora, a Beberibe.

Lembrei desta história ontem à noite, minutos depois de saber que Robertinho tinha partido pra outra. É duro perder anfitrião arretado como ele, gente da melhor espécie. Coração do tamanho de um boi. Um desfalque grande para a família, os amigos, pra nóis que fica.

Mas não sejamos egoístas. Roberto parte pra outra missão que não nos cabe discutir. Em breve, um novo Empório será inaugurado. Nele, Chico Science, Capiba e Jackson do Pandeiro poderão se sentar numa mesa e batucar o hino do Santinha, acompanhados de uma cerveja mofada e uma galinha cabidela, enquanto esperam começar mais um jogo do Mais Querido.

Agora, Roberto, cá entre nós, quando os grandões daí de cima chegarem pra um aperitivo no final do expediente, serve aquela tripinha de porco no capricho, aquele bode guisado no ponto, com farofinha de cuscuz. Quando os caras estiverem pra lá do além, promete um pendura pra eles em troca de uma interferência a favor do nosso Santa, a coisa (ops!!!), como você sabe, num tá boa.

Por aqui, Robertinho, seguiremos fazendo a nossa parte. Agora, de luto, branco e vermelho.

* * * * * * * *

 

O luto da Sanfona

Por Gerrá da Zabumba, em nome da Sanfona Coral

A Sanfona Coral nasceu numa mesa suja de bar. E hoje o bar está triste. A Sanfona querendo chorar. Quem conhece o Empório, está com olhos marejados. O boêmio do Empório está meio desnorteado. Mais perdido do que bebo sem bar.

Estampado na faixa da Sanfona está: Empório Sertanejo – Robertinho.

Assim como ele pediu, quando resolveu "patrocinar" a faixa da Sanfona Coral. Foi lá no Empório a última grande farra da Sanfona Coral.

Lá no Empório, tomamos todas, falamos de tudo e de todos. Carnaval, política, amores, futebol, música, trabalho e outros tantos temas. Lá é nosso ponto de encontro. Lá no Empório, já fui até 7 da manhã, bebendo e jogando conversa fora. Naquele bar já fiz grandes amizades. Já consolidei muitas amizades.

Roberto Ferraz, o Robertinho do Empório Sertanejo, conselheiro do Santa Cruz, faleceu tragicamente. Assim de repente.

Soube hoje. Cedo da manhã. Estava eu e a família vendo o noticiário local. Silenciamos. É interessante a falta de palavras diante das fatalidades.

Tricolor apaixonado, boêmio, e amante do forró, Robertinho do Empório, ou melhor, dos Empórios, sempre estava lá, no bar e nos jogos do Santa Cruz. As cadeiras cativas eram o seu lugar preferido. Nas primeiras fileiras. Na direção da linha do círculo central do gramado.

Peço licença à dor do luto, porque hoje quero beber o defunto. Assim como bebi na morte de Chico Science. Assim como fazem no interior.

Hoje queremos tocar um forró, beber uma cerveja e comer um bode guisado. Tenho certeza que ele vai ficar satisfeito.

Escrevendo aqui, leio o texto de Nunes. Eita, meu velho, que vontade de comer um queijo acebolado. Foi no Empório que me apresentaram a este delicioso tira-gosto. Sim, no Empório não tem petisco. Tem tira-gosto. Tem também cerveja gelada e copo americano. Tem música boa. Robertinho tinha bom gosto.

Hoje o toque da sanfona, o tilingado do triângulo e a batida da zabumba é pra Robertinho. Hoje a lapada é uma pra nós, outra pra ele. E que sábado a vitória contra o Ituano seja para Robertinho e todo o povão.

* * * * * * * *

Menos alegria no mundo

por Inácio França

No longínquo ano de 2001, pouco depois do Santa enfiar dois gols na coisa e acabar matematicamente com as chances de um hexa rubro-negro, cheguei ao Empório com uma bandeira vermelha-e-preta que tinha encontrado numa sarjeta na frente do Arruda. A idéia era queimar a bandeira no bar, mas a famigerada estava imunda e molhada, imune ao fogo dos isqueiros. Apelamos para a única autoridade constituída presente, o dono do bar: “como é que a gente seca essa porra?”. Tricolor e florestano, Robertinho nunca foi homem de desistir diante de um obstaculozinho qualquer. Minutos depois, volta ele do primeiro andar do bar com um secador de cabelos na mão. Comemoramos como se fosse gol e secamos a bandeira até ela ficar no ponto de virar cinzas.

Estou triste Robertinho, mas só me recordo do seu bom humor e de sua alegria em episódios como esse ou da sua insistência para que batesse na porta da casa de sua mãe, em Floresta, e pedisse para comer um rubacão preparado por ela, numa de minhas muitas viagens a sua terra nos tempos de repórter do DP.

Robertinho, que idéia besta essa de morrer!

DimasLins

6 comentários

  1. Artur
    28/09/2007 | 2:02h
    1

    Estranha a morte. Não, não é estranha, é o tempo todo, sempre presente, mas ainda nesse Brasil de mortes inconsequentes – como se a morte fosse consequente! Nunca fui ao Empório, não conheci Robertinho, mas o lamento de sua morte é tão vivo, que é impossível não morrer um pouco.

    A morte não entra em esquema algum. Não há explicação. Ela entra, interrompe a tua conversa, no meio mesmo da frase, e diz: “acabou”!, e fecha a porta.

    A morte é uma trapaça. Diz que acabou, mas nunca acaba: sobra a memória. Ela é uma tapa de luva no rosto da morte. E é isso que está-se fazendo: mantendo a memória, o testemunho, a lembrança, a saudade. A morte que se dane!

    Em tua homenagem, Robertinho, a memória continuará. Sempre viva!

    Responder
  2. ducaldo
    28/09/2007 | 2:03h
    2

    Lamentável a morte de Roberto e emocionantes os textos de Nunes, Gerrá e Inácio.

    Dimas, como dei de cara com o tema “morte” em todos os blogs, à exceção dos Perrusi, deixei um comentário/depoimento no estradar. Atrasado, é claro, mas eu precisava escrever sobre.

    Responder
  3. ducaldo
    28/09/2007 | 2:08h
    3

    É isso Artur. Coincidentemente, meu comentário no estradar é mais ou menos por aí. As lembranças e a saudade derrotam a trapaça.

    Responder
  4. Fabiano Pinheiro
    28/09/2007 | 11:22h
    4

    Quem quiser acompanhar a prestação de contas da campanha dos fogos e apitos, inclusive com os recibos escaneados, é só acessar: http://www.fotolog.com/fabianopinheiro2
    Um abraço!

    Responder
  5. José Edson/ S.B. do Campo
    28/09/2007 | 22:10h
    5

    Por estar longe de Pernambuco a 33 longos anos, não conheci este
    jovem guerreiro tricolor, mas, pelo que escreveram sobre ele , rendo
    minha homenagem, a ele, Roberto, e meus sentimentos a sua família
    e a grande família coral pela perda de um grande tricolor.
    Amanhã em Itu farei 1 minuto de silencio “in memoriam” dele. Mais
    um motivo e obrigação para o Santa ganhar do Ituano, o outro é que
    eles são burronegros.
    Com pesar, saudações corais.

    Responder
  6. Robson/Pi
    29/09/2007 | 18:15h
    6

    A última vez que fui a Recife me levaram ao Empório. A vitória de hoje é dedicada a memória de Roberto.

    Responder

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