Nota do autor:
Através de um amigo conselheiro, recebi um pedido da mesa diretora do Conselho Deliberativo do Santa Cruz para retirar a minuta do estatuto do blog. Embora eu também seja conselheiro do clube, o pedido da mesa veio por via indireta, não sei porque razão.
A idéia da publicação era tão somente ampliar a discussão, já que a participação dos conselheiros é ínfima. Infelizmente, a mesa diretora não viu assim. Da mesma forma, também não vi razão, dentre as apresentadas, para que o estatuto não pudesse ser publicado. Costumo comparar o Conselho Deliberativo do clube ao Poder Legislativo. E embora o Congresso Nacional não seja exatamente um parâmetro de conduta, qualquer projeto de lei está acessível aos cidadãos, através do site do Senado Federal. Paradoxalmente, a minuta do nosso estatuto, não.
De antemão – ou a esta altura, de pós-mão – Deixo claro que não tive a intenção de gerar desconfortos, mas de possibilitar, como disse antes, a ampliação do debate, que entendo, na condição atual, prejudicada, tanto pelo prazo, quanto pela participação dos conselheiros.
Isto posto, por respeito aos meus pares, decidi retirar o estatuto do blog. Ainda assim, deixo claro a minha discordância dos argumentos apresentados.
Depois de um longo e tenebroso inverno, o Conselho Deliberativo do Santa Cruz retomou suas atividades. O período sem reuniões durou um trimestre inteiro, tempo demais para quem deve cuidar das questões políticas e institucionais do clube.
Mesmo assim, o cenário não mudou. Participaram da última reunião do dia 30 de março apenas 16 valorosos conselheiros dos atuais 250 (75 são beneméritos). Em razão disso, sugeri a Roberto Arraes, presidente do órgão deliberativo, alguma ação da mesa de forma a estimular a presença dos conselheiros nas próximas reuniões. Arraes disse que lamenta o baixo índice de participação, mas asseverou que não há maior estímulo do que a própria discussão da reforma do estatuto. Se, mesmo assim, o assunto não desperta o interesse da maioria, não lhe cabe nenhuma ação nesse sentido, ainda mais, porque o estatuto deve ser aprovado em Assembléia Geral dos sócios, o que, em tese, minimiza a gravidade da situação.
Concordo parcialmente com Arraes. De fato, nada deveria justificar o desinteresse alarmante dos conselheiros nas discussões da reforma do estatuto. Entretanto, embora a aprovação seja feita pela Assembléia Geral, é o conselho que vai determinar o que deve ou não constar na minuta final, pois, provavelmente, o estatuto será aprovado ou reprovado integralmente pelos sócios, já que é inviável a sua discussão ponto a ponto. Assim, o novo estatuto, que deveria ser amplamente debatido, corre o risco de ser discutido apenas por meia dúzia de gatos pingados. Não obstante, acredito que uma das atribuições do presidente do conselho é a articulação política e, neste campo, cabe a ele diligenciar esforços para manter um quorum mínimo nas reuniões. Do contrário, a mesa diretora presidirá um plenário cada vez mais vazio.
Nesse sentido, há algumas soluções simples que podem ser postas em práticas. Por que não convocar, por exemplo, o conselho através do site oficial do clube ou mesmo em entrevistas em jornais ou intervenções em programas de rádios? A mídia também pode ser utilizada em nosso favor, sem nenhum custo. Outro exemplo simples foi adotado por Bartolomeu Bueno, ex-presidente do conselho, que renunciou por força de determinação do Conselho Nacional de Justiça. Sempre que saía uma convocação, Bueno contatava por telefone todos – ou boa parte – dos conselheiros. Esta simples ação contribuiu para que a média de participantes girasse em torno de sessenta conselheiros, bem acima da média atual. É claro que não podemos atribuir essa média apenas à ação de Bueno, afinal, em todo início de gestão, há uma maior participação dos conselheiros. Historicamente, com o passar do tempo, essa participação vai minguando. Ainda assim, Bueno passou um bom tempo, mesmo fora da presidência, usando o mesmo expediente e, nesse período, a média de participantes continuou bem maior do que a atual.
Também nunca é demais lembrar que a maior parte do conselho foi formada por indicação direta ou indireta de FBC, que impôs a maioria no órgão deliberativo como condição à sua candidatura, em nome da governabilidade. Paradoxalmente, são raros os conselheiros ligados à gestão que participam das reuniões do Deliberativo. Uma ação mais efetiva de FBC – ou mesmo de Arraes, que é seu aliado de primeira hora – poderia tentar resgatar essas ovelhas desgarradas. Enfim, lavar as mãos não é o melhor remédio.
Mas voltando para a questão principal, eis que saiu a primeira minuta do estatuto, que está sendo construído com o auxílio de um consultor. Entre outras coisas, houve a preocupação básica em adequá-lo a lei Pelé e ao Código Civil. Fora das questões jurídicas, o estatuto traz algumas novidades, como a extinção dos sócios beneméritos, a retirada do direito de voto aos sócios-atletas e a criação de um Conselho de Gestão formado pelo número mínimo de 7 e máximo de 15 conselheiros. O objetivo deste conselho é atuar junto ao Executivo na administração do clube. Entre as suas atividades ainda existem algumas aberrações, como o poder para criar, modificar e extinguir departamentos do clube ou aprovar a contratação de atletas profissionais. Como conselheiro, entendo que essas atribuições devem ser exclusivas do Executivo e, no caso da contratação de atletas, podem engessar o Departamento de Futebol, inviabilizando a formação de um time competitivo. No futebol, o tempo é precioso para se montar ou reforçar um elenco.
Ainda assim, a minuta é um ponto de partida valioso para a redação final. Roberto Arraes pretende aprovar o novo estatuto antes da Copa do Mundo – da África do Sul, é claro. Para tanto, o prazo final para sugestões termina no próximo dia 13, bastante apertado para um conselho que passou desnecessariamente um trimestre inteiro sem trabalhar.
Como conselheiro, tomo a iniciativa de publicar a minuta do estatuto e abrir a possibilidade de sugestão para os leitores do Torcedor Coral. Também me proponho a apresentar no conselho as propostas que nos forem encaminhadas até o próximo dia 11. Faço apenas a ressalva que farei uma triagem das sugestões para não congestionar a discussão no conselho, pois o tempo urge.
Os interessados podem enviar as sugestões para o e-mail do blog, acessando o menu Fale Conosco ou clicando aqui. As sugestões devem indicar o artigo, inciso ou alínea a ser alterado e conter a nova redação.
Aos tricolores que desejam participar de maneira mais efetiva, mãos à obra!










Um mecanismo simples, mas bem eficiente, é o e-mail dos conselheiros; faz-se uma convocação oficial, mas também envia-se uma mensagem informal, pessoal, articulando os companheiros conselheiros, principalmente os mais próximos e mais conhecidos.
Deveria haver alguém com essa incumbência (não sei se o próprio Roberto Arraes, ou alguém com um conhecimento pessoal maior junto aos conselheiros);
Infelizmente o tempo é curto, mas se desse pra elaborar uma espécie de fóum de discussão aque no blog, paralelo às postagens rotineiras, talvez houvesse mais propostas. Não entendo muito de internet ou informática, mas talvez seja possível.
De qualquer forma, a locomotiva se mexeu. Vejamos quem vai embarcar nesse momento de boa vontade com os destinos institucionais do clube.
Gomes,
O único meio de convocação do conselho é através do -mail. A questão não é a informação, mas o estímulo. Proponho alguma forma de sensibilizar os conselheiros que estão afastados. Esse é o ponto.
Quanto à discussão nos comentários do blog, ficará difícil organizar as sugestões. Em todo o caso, como conselheiro, fiz a minha parte e abrir a discussão com os tricolores interessados. Talvez esse papel devesse ser feito pelo próprio clube através do site oficial.
Saudações corais,
Dimas Lins
Até o dia 13 de abril? Depois de tanto tempo sem reuniões, tão pouco tempo de discussão. O tempo é fundamental para um debate mais propositivo. Sei não.
Ok, Dimas, sei como é; na verdade, também disponibilizamos o Estatuto registrado do Clube, no blog do Forum Permanente de Debates, e as sugestões não fluíram como esperávamos.
Acho que passa um pouco pela nossa cultura, também. aí a dificuldade de encontrar o que você procura: uma forma de estimular a participação.
Um Abraço.
Antes de falar sobre o estatuto, que farei em outro e-mail após uma leitura mais apurada, gostaria de esclarecer algumas dúvidas.
1. Quantos conselheiros estão em dias com suas mensalidades?
2. Quantos estão realmente dispostos a acompanhar e participar das funções de conselheiro?
3. Quantos só aparecem no clube em dia de grandes jogos, querendo estacionar seu carro dentro do clube e colocar várias pessoas para dentro do estádio sem pagar ingresso?
4. Quantos conselheiros só querem se utilizar do título como forma de status?
Enfim vários são os questionamentos neste sentido, onde há o abandono por parte dos conselheiros na hora que o nosso clube mais precisa deles.
Faço estes questionamentos, pois acredito que conselheiro deveria ser aquele que paga sua mensalidade religiosamente em dia, compra seu ingresso, comparece a todas as reuniões, quer ver o clube no topo e para ser, qurendo ser, um conselheiro de verdade existem vários (inclusive eu), pena que não são indicados pelos politicos que ainda rondam nosso clube.
Deixo aqui o meu protesto como forma de que nas próximas eleições verdadeiros conselheiros possam fazer parte da história política do clube, e que possa ser levado essa questão na proxíma reunião, onde aquele que não tem as intenções acima citadas deixem o orgulho de lado e possibilitem aqueles que de fato querem ajudar a trabalhar pelo futoro do nosso grandioso SANTA CRUZ FUTEBOL CLUBE.
Até o dia 13 de abril? – Então, o presidente do Conselho julga que esse prazo é suficiente?.
O Conselho Deliberativo é realmente algo muito complexo…. que merece vários capítulos…
abraços
Caro Antônio Machado,
Tópico 1:
Dos 250 conselheiros, 75 são beneméritos e, portanto, isentos de pagamento. Ainda assim, salvo engano, dois deles pagam a mensalidade do conselho. Dos 175 restantes, paradoxalmente, 105 – também salvo engano – estão em dia. Assim, um total de 107 estão pagando a mensalidade do conselho religiosamente em dia. Isso ocorre, para mim, por uma razão simples: o conselho dispõe de um funcionário que vai atrás para receber a mensalidade. Ele vai buscar o pagamento no trabalho, na casa ou onde quer que o conselheiro esteja.
Tópico 2:
É possível manter uma média de presença bem maior que a atual. Como disse no texto, cerca de 60 conselheiros compareciam nas reuniões. Parte – ou quem sabe todos eles – podem ser resgatados. Do mesmo jeito que ocorre na questão do pagamento, por que não colocar um funcionário para ligar para os conselheiros do clube avisando da reunião? Muita gente se sensibiliza com isso. Mas há sempre a questão da funcionalidade. Se o negócio não anda, o desinteresse é maior. Além do mais, há aqueles que só aparecem para tentar atrair algum dividendo político.
Tópico 3:
Sinceramente não sei. Sempre que vou aos jogos, fico nas sociais. Raramente vou para as cadeiras e passo longe da tribuna de honra. Portanto, não sei dizer.
Tópico 4:
Difícil dizer. Mas a gente sabe que muita gente só está lá por causa disso.
Saudações corais,
Dimas Lins
Meu pai é benemerito. Moro com ele e até pouco tempo atrás recebiamos notificações do clube via postal.
Ultimamente isso não tem ocorrido.
Antonio Machado, sou conselheiro e vou tentar ajudá-lo nas suas dúvidas.
1. O numero de conselheiros em dia gira em torno de 100.
2. Sendo bem otimista, acho que hoje temos uns 30 conselheiros que realmente querem participar da discussão política do clube, lembro que fui o 16º a entrar naquela reunião de 30/03, algo desestimulante, ficamos quase em círculo debatendo um assunto de suma importância.
3.Todos os outros conselheiros ou quase todos.Espero que nosso presidente Roberto Arraes tenha a oportunidade de ler este apropriado texto e consiga colher bons ensinamentos, não só para ele como para toda sua equipe.
Já tive a curiosidade de passar 30 minutos próximo ao guichê dos ingressos destinados aos conselheiros e o que você fala é a mais pura verdade, um monte de gente que só quer status. E sem falar na confusão na hora do estacionamento reservado para os conselheiros.Espero que o nosso presidente do Conselho Deliberativo tenha a oportunidade de ler o apropriado texto e consiga colher os diversos alertas e ensinamentos para um desempenho a altura de um bom articulador.Lembro que,para um bom articulador, se faz necessário tempo e dedicação.
Dimas,
aproveitando o comentário de Antonio Machado, sugiro um texto, ou talvez um manual para conselheiro, ou seleção para o cargo de conselheiro,ou você tem perfil para ser conselheiro? no qual provocasse interesse na participação de uma futura chapa para conselheiro.Com a maioria desses nomes atuais, teremos sempre um corpo de conselheiros inativos, prejudicando o verdadeiro papel do congresso tricolor.
DIMAS,
Já mandei por e_mail minhas sugestões. Concordo com o que disse o GILENO: seria interessante uma seleção para o cargo. Entretanto, a tal da vaidade é algo indissociável pra algumas pessoas e, por essa mesma razão que sou favorável à criação da categoria de CONSELHEIRO CONTRIBUINTE (sem direito a voto). Mas, isto é papo pra outra ocasião.
Agora, não confundir vaidade com comodidade: sou um conselheiro que, embora esteja SEMPRE presentes a reuniões, ADIMPLENTE não só com o Conselho, mas com o quadro associativo e com as cadeiras cativas que possuo, opto SEMPRE em assistir os jogos na Tribuna pela facilidade óbvia de compra de ingressos, acesso (elevador) e conforto de acomodação com banheiros higiênicos. Mas, não sei se continuarei na próxima gestão: acho que será hora de oportunizar os mais novos.
É por essas e outras coisas(VTNC) que eu acho que deveria ser reservada uma área nas cadeiras cativas (das 6 mil só 1,2 mil estão adimplentes), prum sócio VIP, com mensalidade mínima de 70 paus, com acesso gratuito aos jogos e até vans pra ir buscá-los em dias de jogos. Por que não INOVAR? O Clube comporta essa faixa de torcedor também. As barbies têm sócios nessa faixa pra frequentar aquela pocilga.
É o que penso.
SAUDASANTA.
Não quero fazer apologia ao derrespeito e à soberba pois isso é negócio de burro-negro mas digo uma coisa(VTNC): posso até perder esse jogo de hj mas que tá me cheirando a uma balaiada de gols (apesar da ausência do Léo) lá isso tá! Tou sentindo esse “clima”.
É o que penso.
SAUDASANTA
Se o Santa Cruz jogar como jogou as duas contra o Bostafogo só temo o Santástico, o resto, a gente come tudo no toco!
Fiquei surpreso quando recebi por e-mail a minuta do estatuto referindo-se a uma reunião que eu nem sequer fui comunicado, pois frequentemente vou às reuniões do Conselho.
Acho que a gestão do Dr. Arraes à frente do Conselho tem sido muito negativa, pois várias reuniões aconteceram sem a sua presença e a impressão que dá é que a condução se dá sem o mínimo comprometimento. Talvez fosse melhor, caso não tenha interesse, que ele saísse da presidência e deixasse essa reforma, para o próximo conselho.
Acho que estava cansado ou teclei algo errado, pois alertei nosso presidente por duas vezes e não tinha observado.
Arnildo, quando respondi para o Antonio Machado que sendo bem otimista temos uns 30 conselheiros que realmente querem participar, seu nome faz parte desta minha lista, você tem mais que participar de outras gestões dentro do Conselho, pois pessoas que levam a sério um mandato são poucas, não pense que se encontram pessoas com perfil, disponibilidade e dedicação para exercer um mandato de conselheiro.É uma pena passarmos 3 meses sem reunião.
Que demonstração triste do óbvio estado de engessamento institucional por que passa nosso amado clube!
Que não se estimule a ida dos conselheiros. Que estes, por sua vez, tratem tão nobre função apenas como trampolim social. Que os prazos não estejam adequados à importância do pleito. Que as mensalidades não estejam rigorosamente em dia, como é de se esperar de quem deve dar o exemplo.
Que tudo isto esteja acontecendo é “engolível”, como parte de um processo complexo e que exige realmente tempo pessoal e esforço intelectual..
Mas, mandar retirar de circulação pública a minuta do estatuto tão debilmente discutido é atitude digna mesmo dos velhos e nem tão aposentados coronéis políticos.
Estou envergonhado com esta atitude incompreensivelmente antidemocrática, este exemplo de malaquiagem política vinda de um conselho que chegou, quando chegou, com uma proposta verbalmente inovadora e carregando em seu bojo os ventos da esperança renovada em tempos que se diziam melhores, diferentes mesmo.
Pura balela!
Querem é o mesmo de sempre..
cadê a minuta???