
Durante os anos que acompanho o Mais Querido, poucos foram os títulos comemorados. Mas a escassez de títulos não tira o brilho dos mesmos. Tal fato parece ser uma máxima do Santa Cruz, afinal, um Clube que, há muito, não sabe o que é planejamento não poderia conviver com uma freqüência de títulos. Mas, quando os títulos aparecem, são tão suados e cheios de fatos marcantes de superação.
Quem nunca escutou falar da vitória de 7 x 5 sobre o América? – Não pela vitória em si, muito menos pelo placar um tanto quando incomum, mas pela forma que se deu. Uma virada espetacular, depois de estar perdendo por 5 x 1, quando faltavam apenas 15 minutos para o jogo se encerrar. Isto mesmo, seis gols em quinze minutos!
Quem não ouviu falar das nossas vitórias de 0 x 0 e 1 x 1 no bi-campeonato de 86/87 na Ilha? – Vitórias sim senhor! Pelas circunstâncias dos jogos, foi uma goleada!
Quem não se lembra de 1993?– Novamente, uma vitória suada, no último minuto de jogo, com um jogador a menos – logo o artilheiro do time.
Quem não escutou falar do zagueiro-centroavante Rau? Aquele que fez o gol no final do jogo contra o Volta Redonda, livrando-nos do rebaixamento, com o Arruda lotado!?
Todas estas vitórias foram “na bola”, quando já não mais se acreditava que elas seriam possíveis… todas foram um sonho, se não fossem real.
Pois não é que ontem eu li uma reportagem que me causou tremenda indignação. Embora não tenha sido contra o Santa Cruz, eu me senti como alguém quisesse mostrar para mim que os “sonhos” no futebol não têm mais o direito de acontecer.
Pois bem, o jogo foi válido pelo Campeonato Maranhense. O Moto Club, tradicional clube daquele Estado, foi rebaixado para a segunda divisão neste ano. De imediato, já foi disputar a segunda divisão (no mesmo ano que caiu) visando sua volta à primeira divisão do Campeonato do ano seguinte (2010). Na disputa pelo acesso estavam Moto Club e Viana, já que uma vaga estava preenchida (detalhe: o Campeonato tinha, ao todo, 4 clubes). Tanto o Viana quanto o Moto Club tinham o mesmo número de pontos, com o segundo levando vantagem no saldo de gols (tinha dois a mais). Os jogos decisivos (Viana x Chapadinha, e, Moto Club x Santa Quitéria) foram marcados para o mesmo dia/horário.
Bem, os jogos de desenrolavam normalmente, até que, aos 30 minutos do segundo tempo chegou a notícia, para os jogadores do Viana, de que o Moto Club goleava o Santa Quitéria, graças a três pênaltis marcados nos últimos dez minutos de jogo. (Neste momento o jogo do Viana x Chapadinha estava 2 x 0, para o Viana).
Pois bem, o time do Viana danou-se a fazer gol. Ao todo foram nove gols nos nove minutos finais do jogo e a classificação assegurada para a primeira divisão. Algo que deixaria qualquer torcedor extasiado de tanta emoção!
Deixaria, mas não deixou….
Pois, pelas imagens do jogo, dos gols da partida, o sonho estava mais para uma ilusão do que realidade. Nada do que foi mostrado pelas imagens poderia ter ocorrido em um campo de futebol, com jogadores “profissionais”, disputando um campeonato profissional, com torcedores (sim, torcedores) assistindo e torcendo pelos seus times. Se é que ocorreu mesmo…
Jogos como estes, campeonatos como estes, podem acabar maculando vitórias históricas, “inacreditáveis”. Campeonatos mal feitos, como acostumamos a ver em Pernambuco, também impedem que momentos históricos aconteçam…
Será que o futebol chegou num nível tão “comercial” que não mais veremos as “grandes” e “impossíveis” vitórias? Que iremos a um estádio já sabendo o time que vai ganhar? Que o Campeonato Brasileiro não terá novamente um “Coritiba x Bangu” disputando um título da primeira divisão?
Sinceramente, é melhor acreditar que isto ainda é possível… nem que seja um sonho…
É melhor acreditar que o time do Viana foi capaz de vencer de 11 x 0, e louvar a atuação dos jogadores-artilheiros em campo.
Afinal, se isso não for verdade, vou começar a achar que não foi à toa que perdemos o hexacampeonato em 1974… que tivemos um presidente como o “diminutivo”… que caímos de divisão seguidas vezes… que não conseguimos reformar um Estatuto dentro do nosso próprio Clube…
Nota da redação 1:
Durante boa parte da semana passada, o Torcedor Coral apresentou problemas no seu funcionamento e apareceu, para a maioria dos leitores, como se não ocorresse qualquer atualização dos artigos.
O problema ocorreu no cache do gerenciador de conteúdo que teve que ser reinstalado. Ainda assim, não vale a pena dar maiores explicações, pois se trata de questões mais técnicas que envolvem os códigos da web. Para os nossos leitores, basta saber que tudo está resolvido.
Nota da redação 2:
Um de nossos editores foi procurado por um conselheiro do clube, que quis prestar um esclarecimento. Embora a última convocação tenha, de fato, se dado a pretexto de um encontro solene para comemoração de um ano do Conselho Deliberativo e do Executivo, na prática, a reunião serviu para uma auto-crítica sobre o andamento dos trabalhos.
Os conselheiros têm consciência da necessidade de reforma do estatuto. Ainda que não seja possível sua aprovação ainda este ano, é papel do conselho exigir garantias para a publicação da lista dos sócios dentro dos prazos previstos, a fim de tornar transparente as eleições do próximo ano.









Texto muito bom e oportuno,
Tenho acompanhado poucas conquistas no Arruda também, e o sonho muitas vezes tem nos alimentado, mas, o próprio SANTA CRUZ está encarregado de alimentar nossas esperanças e sei, que mais cedo ou mais tarde estaremos comemorando algum título! Se o próximo ano existir uma proposta de um time forte e competitivo, está mais que na hora de nos planejarmos de forma eficiente para disputar, por exemplo uma Copa do Brasil …
Abraços a Todos,
>>> VIVA SANTINHA !!!!
Como provar que todo aquele passado de glórias, tão acalentado ultimamente, não é um produto de uma enorme ilusão coletiva? Os tricolores sonharam com um passado glorioso que não existiu. Nós desejamos tanto a glória que, diante da falta absoluta de títulos, começamos a delirar e a inventar “passados”. Convenhamos, a memória é algo frágil, tão frágil que pode ser modificada, inclusive como forma de proteção.
Pensando nessa lógica, descobri que inventei, juntamente com todos os tricolores, toda a década de 70. Ramon, por exemplo, é uma entidade onírica. Nunca existiu. Aquele senhor que se diz Ramon é um tricolor que virou, literalmente, o sonho. É um bom exemplo, mas de difícil generalização. Tentei virar Givanildo, e não consegui, já que já existe outro senhor que teima em dizer que é Giva, essa outra entidade onírica. Não se pode transformar um sonho em várias realidades. É uma pena essa lei geral dos Sonhos.
Mas o fato de todos os tricolores sonharem o mesmo sonho não é um sinal de realidade? Não, o mesmo sonho acontece porque temos uma condição onírica em comum: somos tricolores. Inclusive, atualmente, todos sonhamos um pesadelo. O que importa, nesse momento, é mudar de registro, pegar a pílula azul, e sonhar um sonho bom.
Recomendo tb novos travesseiros. Tem um que dizem que é da Nasa que é uma beleza. E nada de pensar a realidade, porque ela não existe. O negócio é não ter pesadelos, só isso.
Bem, sendo coerente, vou dormir, agora, e sonhar com o ano de 1975. Até o próximo ronco
Dimas, tanto a virada contra o América quanto a perda do hexa em 1974, têm histórias, ou estórias.
Assisti parte do jogo (?) de ontem pela TV Nova. Não prestei muita atenção mas observei que Jailson e Léo se destacaram. O que me questiono é se o objetivo maior é utilizar esta inútil Copa Pernambuco como laboratório ou, se o “título” é prioridade. Gilberto, após a engraçada falha do goleiro do Vitória, fez o gol d empate e tirou a camisa, como se tivesse feito o gol mais importante do ano para ele e para o Santa Cruz. Jogadores da qualidade (?!) de Gilberto Matuto e Marcos Mendes, por decreto de FHC, deveriam ser proibidos de usar o Manto Sagrado Coral. Se possível, inclui Gonçalves também.
Foi horroroso mesmo e eu espero que o fato seja punido exemplarmente para que coisas cabeludas como esta fiquem pelo menos um pouco mais afastadas deste mar de sujeiras chamado futebol.
Para que dirigentes e demais envolvidos pensem duas vezes antes de fazer como, por exemplo, o que foi feito no campeonato pernambucano do corrente ano…
“É melhor acreditar que o time do Viana foi capaz de vencer de 11 x 0, e louvar a atuação dos jogadores-artilheiros em campo. Afinal, se isso não for verdade, vou começar a achar que não foi à toa que perdemos o hexacampeonato em 1974… que tivemos um presidente como o “diminutivo”… que caímos de divisão seguidas vezes… que não conseguimos reformar um Estatuto dentro do nosso próprio Clube…”.
Caro Paulo Aguiar, dentre estes fatos estranhos eu ainda incluiria a afirmação de José Nivaldo Júnior, que se diz torcedor coral, que alega, publicamente, que não existe lugar para o Santa Cruz Futebol Clube cenário do futebol de Pernambuco. Este e os outros fatos, infelizmente, são verdades do Santa Cruz que eu, também, não consigo explicar.
“Dudu Ramos”
De fato, não estou acompanhando o SANTA CRUZ na Copa PE, e acredito que a mesma sirva apenas para revelar algum jogador para o time principal, e manter o clube em atividades, apenas isso! Se estamos, na ocasião, ‘defendendo’ o BI, é culpa dos seguidos rebaixamentos a qual fomos ‘vítimas’… e imaginar que esse time pode ser o A ou B do Santa, é apenas uma constatação do quanto o fundo do poço é cada vez mais fundo !!!!