Constelação

Constelação

  O dia da final do campeonato, assim como no ano passado, transformou-se para mim no segundo melhor dia das mães que já vivi. Os filhos que moram em outras localidades da cidade chegaram um pouco mais cedo, pois tinham decidido, mesmo com minha opinião contrária, ir ao jogo na Ilha do Retiro. Não adiantou argumentar que aquilo ali era uma arapuca, uma armadilha, uma ameaça à vida. Aline era a mais enxerida, dizia e falava que tinha que passar por esta experiência, pois nunca vira o Santa ganhar um campeonato na casa de festejos, portanto, não podia perder desta vez. Rami ficou muito animado com a ideia “perigosa” e fez milhares de promessas sobre proteger irmã da gang da Jovem. A filha mais nova, mais sensata, nem pensou duas vezes para descartar este programa de risco. Ficamos em casa eu, Toy, Lara e Max (meu cachorrão) que insiste sempre em comemorar os gols do mais querido aos pulos dentro da sala. Concluímos que, afinal, não tínhamos mais tanta perna assim para correr. Eu já correra o bastante junto com minha nora grávida, dentro da sede do Santa Cruz, quando a Jovem e os cavalos da polícia invadiram aquele recinto privado e vieram para cima de nós. Para compensar a incerteza, resolvi tomar uma carraspana. Afinal, quem sabe, talvez um pouco fora de mim aguentaria mais firmemente a descarga de cortisol que costuma me assaltar nos jogos do tricolor pernambucano. Parece que deu certo e desta vez eu nem precisei sofrer, como sempre acontecia. Lá estava meu time do coração, de branco, como gladiadores dentro de uma arena de leões, sem medo algum, com altivez, confiança e determinação. Cada qual queria mostrar a si mesmo e ao Sergio Guedes que no Arruda valia a máxima dos três mosqueteiros que proclamavam: “um por todos e todos por um”, além de tudo, “juntos e misturados”. Foi com este espírito que a equipe jogou. Um passe do maestro Raul chegou com precisão aos pés de Flávio Recife e, como se ele tivesse lido e colocado em prática os conselhos de Perrusi, postados no Blog do Torcedor Coral, desta vez ele não deu o segundo drible – chutou para o gol. Desmantelou o juízo dos rivais, desestabilizou a arrogância deles e Cicinho, mais que depressa, tratou de ficar na trajetória da bola para se atingido e, desta forma, sair de campo sem ter...

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Vale o quanto pesa (1)

Vale o quanto pesa (1)

Para desenvolver o tema proposto pelo título seria necessário definir o que entendemos por peso. “Matematicamente, ele pode ser descrito como o produto entre massa e a aceleração da gravidade local”. (UOL). Moralmente, diz-se do caráter de uma pessoa; socialmente, refere-se ao seu valor dentro da comunidade em que se insere; popularmente, tem a ver com a coerência entre o que se diz e o que se faz e assim por diante… Neste escrito tecerei algumas considerações sobre parte do elenco do Santa Cruz e noutra oportunidade completarei os comentários envolvendo a outra parte. Tentarei estabelecer uma relação entre o peso da camisa do Santa e o valor de quem a veste. Reconhecendo que todos nós temos um eu íntimo (que não mostramos), um eu social (que alguns conhecem) e um eu público (visível para todos), tentarei me referir ao “eu” públicol de alguns atletas corais, começando pelo goleiro. TIAGO CARDOSO. Simples, dedicado, afável, paciente, sempre receptivo à torcida ou às crianças que, com admiração, às vezes tocam-lhes as mãos. Um gigante em bolas difíceis, unanimidade entre os torcedores. Quando pegar seu primeiro pênalti terá seu nome gravado no grande livro do coração santacruzense para sempre. EVERTON SENA. Olhar firme, disciplinado, confiável, simples e direto. Implacável na marcação; no confronto um a um dificilmente perde a disputa. Polivalente como nenhum outro, só não faz parar a chuva, o restante ele faz. Assim como aconteceu com Ricardo Rocha, que de zagueiro transformou-se em lateral direito, em 1983 e depois foi parar na seleção, você também, Sena, está fadado ao sucesso. Pela pessoa determinada que parece ser, estaria sendo enaltecido em prosa e verso caso pertencesse a algum clube com um bom departamento de marketing, mas não deve sentir falta disto. Sucesso é melhor que fama, esta é passageira. WILLIANS. Parece com a história do milho que virou pipoca, no melhor dos sentidos. Com a confiança do seu treinador ele se transformou em três e, às vezes, joga por três mesmo (dois zagueiros e um atacante). Agigantou-se na zaga e está fazendo uma grande diferença no sistema defensivo coral, parabéns; que seu brilho esteja sempre presente no campo todas as vezes em que defender o Santa. FLÁVIO RECIFE. Por causa de dele eu remei e continuo remando contra a maré da opinião de muitos dos meus pares que, em grande parte, percebem muito mais o que lhe falta, enquanto eu procuro...

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O despreparo da Polícia e do Santa Cruz

O despreparo da Polícia e do Santa Cruz

  Relato de Santana Moura, ontem, na Sede do Santa Cruz FC Estávamos no térreo do sede, ao redor da charanga, todo mundo cantando, numa paz, numa alegria. De repente no portão lateral que dá acesso ao bar, uma invasão absolutamente inapropriada. Era a torcida JOVEM DO SPORT que entrou no recinto com seu grito de guerra e batendo em todo mundo aleatoriamente, sem razão, sem sentido. Foi um corre corre infeliz. Minha nora grávida e eu tentávamos nos esconder atrás de algum pilar, enquanto alguns poucos torcedores enfrentavam os bandidos. De repente, nada mais absurdo do que a cavalaria entrar naquele recinto e os policiais correrem atrás de nós, torcedores comuns. Aí o pânico foi maior, pois aquele local jamais deveria ter sido invadido por cavalos e policiais despreparados que ao invés de prender os meliante foram pra cima de torcedores comuns.Membros da inferno coral não estavam por perto, se estivessem teria sido uma carnificina, pois eles não admitiriam tamanha aberração. Agora, a pergunta, de quem é a culpa? 1) A presidência do Santa Cruz que insiste em dar uma de boazinha para equipes visitantes, que ficam em lugares privilegiados, enquanto os sócios e demais torcedores ficam na dureza do cimento. Eles entraram ali´porque iam para as cadeiras. ESTÁ ERRADO. APRENDEU PRESIDENTE? 2) POLICIAIS DESPREPARADOS QUE ao invés de prender os invasores tentaram atropelar, com cavalos, mulheres, crianças e grávidas que estavam dentro de sua casa. 3) A segurança do Santa Cruz que, algum tempo atrás, bateu em torcedores corais, não conseguiu perceber que a torcida do Internacional na verdade era a torcida do SPORT. Depois ficam pedindo paz nos estádios; como se pode ter paz com bandidos invadindo sua casa e você tendo que se defender como pode? Onde estava o juizado do torcedor? Porque os bandidos não foram presos? Não foi a torcida do Santa quem provocou, não foi. Eu vi e não gostei do que vi. Leia mais sobre sobre essa fatídica noite de terror e despreparo no blog Acerto de Contas e no Loucos Pelo Santa...

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Atitude é tudo!

Atitude é tudo!

Pensei em pegar o gancho de Dimas Lins e continuar falando de justiça e injustiça no futebol, mas discorrer sobre este tema, no âmbito deste esporte, seria o mesmo que arrazoar sobre o imponderável.  Nesse domínio, qualquer resultado não pode ser considerado surpresa. Observem o que aconteceu com o Ypiranga na sua primeira partida decisiva contra o Sport. A “Máquina de Costura” foi literalmente abandonada por seus dirigentes à beira da estrada, quando estava pronta para produzir sua melhor peça e, assim, adentrar no glamoroso salão da final do campeonato. Situação muito clara para quem conhece as sinuosidades dos bastidores futebolísticos, condição previsível, quando o adversário é o de sempre. O outro exemplo a que vou me reportar para demonstrar o dinamismo do futebol é o embate ocorrido entre o prestigioso Barcelona e o não menos poderoso Bayern de Munique, que aplicou uma sonora goleada no time espanhol, demonstrando que fama não assusta, camisa não espanta, pressão não assombra e estrela sozinha não faz verão. O que vale mesmo é a tomada de decisão coletiva para conduzir as ações, mantendo a concentração nos objetivos. Isto se chama atitude. Do lado de cá do Atlântico torço para que o Santa Cruz se transforme, cada vez mais, no time de atitude que temos testemunhado. Convém dar poucos ouvidos aos comentários capciosos de parte da mídia; à instigação de rivalidade que termina por incentivar a violência dentro e fora de campo; ao poder daquele que tem como decidir quem fica e quem sai, apenas mostrando um pedaço de papel amarelo ou vermelho. Nenhum destes obstáculos pode ser considerado intransponível se o grupo se fechar em torno de si, para conquistar o que merece. É assim que eu imagino o nosso Santinha diante do Náutico. Altivo, garboso, simples e humilde. Sem grito de olé, por um lado, sem bumbum na parede por outro. Focado, atento, guerreiro. A atitude que o técnico Marcelo Martellote tem demonstrado, ao expor a equipe e o esquema com os quais vai jogar, sem rodeios, sem brincadeira de esconde-esconde nem subterfúgios tem fortalecido os atletas. Isto é louvável. É como ratificar sua confiança nos jogadores, acreditar que os mesmos se garantem e são capazes de resolver a parada dentro de campo, independentemente, das bordoadas que os adversários sempre aplicam, sob a vista grossa de alguns árbitros. Isso levanta a autoestima, faz o grupo acreditar no possível e deixar de...

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Jogo limpo ou sujo?

Jogo limpo ou sujo?

De início tinha pensado em falar sobre fair play, no bom português, jogo limpo, conceito que deveria nortear todo e qualquer esporte, inclusive o futebol. Mas, são tantas as reflexões que tenho feito, ultimamente, que nem sei se conseguirei me manter coerente com o tema que escolhi e muito menos imagino se os nossos amigos blogueiros teriam interesse em ler coisas deste tipo, mas, enfim, liberdade é o nome das atividades que exercemos num Blog de Opinião! Então vamos ao tema. Em tese, o que seria jogo limpo? Dentre muitas outras definições, poder-se-ia considerá-lo como sendo a atitude desportiva que visa, sobretudo, o respeito próprio e o respeito ao outro, no âmbito das regras para a prática esportiva escolhida, tendo como norteadores princípios éticos universais como a justiça. Tal é sua importância para o esporte praticado que, para o atleta, o conceito não deveria ser apenas um comportamento, mas uma maneira de pensar. Deveríamos oportunizar a aprendizagem da ética desde a base. Ribeiro e Puga (2004) referem que o desporto pode ser considerado como “uma atividade que, quando exercida de maneira leal, permite ao indivíduo conhecer-se melhor, exprimir-se e realizar-se; desenvolver-se plenamente, adquirir uma arte e demonstrar as suas capacidades”. Em outras palavras, levaria a expressar exatamente aquilo que construiu; o que treinou; o que aprendeu sem usar de subterfúgios, drogas, subornos, corrupção ou outras coisas que depõem contra a ética humana – o jogo limpo. Mas…, é isto mesmo que vemos nas diversas práticas desportivas? E no futebol? Falemos de jogo limpo no futebol, nosso esporte mais popular, por onde transitam crianças, jovens e adultos e que deveria nos trazer muitas lições de vida, superação, cooperação e tantos outros valores cuja lista não seria possível discorrer, aqui, neste curto espaço de expressão. Ao contrário do que deveria ser – o esporte da maioria – tem sido a maior vítima do jogo sujo. Ano após ano, vem sendo vilipendiado, esculachado por alguns dirigentes, treinadores, jogadores, árbitros, certos setores da imprensa e um grande número de torcedores também. A lógica do capitalismo tomou conta definitivamente deste esporte. O futebol se transformou muito rapidamente num jogo de interesses pessoais, comerciais, políticos, midiáticos, numa tendência alienada e alienante, da qual nos recusamos a participar. Por isto nos indignamos quando sabemos histórias de lugares comprados dentro de uma equipe, até na seleção canarinha; injuriamo-nos quando vemos certos árbitros rasgando as regras do jogo,...

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