De tudo, um pouco do nada

De tudo, um pouco do nada

Escalada para escrever a resenha pós jogo, Santa Cruz 1 X Payssandu 2, tive que ficar de castigo até o final da partida, testemunhando a queda do gigante. Afinal, cronista que se presa não foge da raia, oops, da panela de concreto do estádio. Foi um dia torto. Ao assistir à partida eu me debatia entre vestir a roupagem de torcedora ou utilizar o olhar de analista da Psicologia

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Usain Bolt e o Santa Cruz

Usain Bolt e o Santa Cruz

Perdoem-me os aficionados se começo esta conversa falando do atletismo - o pai de todos os esportes - e não do futebol, o mais injusto dentre eles...

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Identidade e identificação

Identidade e identificação

É comum ouvirmos de aficionados do futebol expressões inapropriadas quando atribuem mais ou menos personalidade a atletas e times. Todas as pessoas têm personalidade (conjunto de traços ou características) e tal conceito não pode ser mensurado em maior ou menor grau. O que às vezes não se tem claro dentro cabeça é a identidade, ou seja, a consciência de si, com suas possibilidades e limites. A identidade faz o ser humano se tornar singular no universo. É a identidade que diferencia uns dos outros, porque ela é construída exatamente em contraposição ao outro. Exemplo: quando digo eu sou eu, você é você, sei exatamente o que nos diferencia ou aproxima; cada um do seu jeito, ao seu modo.  Assim como as pessoas tem suas identidades, times também têm a sua marca, seu modo de ser e agir. A identidade da instituição Santa Cruz, historicamente, tem sido o modo contínuo de lutar, angariando força que leva ao alcance dos objetivos, ultrapassando barreiras e obstáculos, com marchas e contramarchas, porém, com sucesso ao final. Milhares de equipes que já representaram esta instituição fracassaram ou tiveram sucesso, dependendo da sua identificação, ou não, com o clube. A identificação, portanto, se traduz em alinhamento, convergência de ações, pensamentos semelhantes, por vezes, juntos e misturados a caminhar na mesma direção. Melhor explicando: as equipes santacruzenses que foram vencedoras, em suas épocas, tiveram a seu favor um conjunto de circunstâncias que as ajudaram a criar sua própria identidade, alinhadas à identidade do clube. Assim, times aguerridos, batalhadores, com jogadores unidos, cooperativos e integrados entre si e com os torcedores foram aqueles que obtiveram mais sucesso, em todos os aspectos. Não são poucos os jogadores do Santa Cruz que já estiveram na Seleção Brasileira, com grande brilho. Outros se projetaram no cenário nacional e internacional, alguns aqui permaneceram arraigados ao povo e ao lugar que os acolheu com carinho, no qual construíram suas famílias. No entanto, quando a torcida coral olha para o campo e vê um time amarelado, lento, desarticulado, sem sentido de equipe, sem objetividade, tem dificuldade de se identificar com ele, ou seja, fica dificuldade de se ver nele, então, abre-se um abismo entre as quatro linhas e as arquibancadas. Contudo, ao menor sinal de reação, luta e obstinação os olhos apaixonados brilham, as mágoas desaparecem e a esperança de vencer volta. Todavia, isto não deve ser uma iniciativa pontual ou extemporânea, precisa...

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Para grafitar o Arruda

Para grafitar o Arruda

História que conto agora se passou assim: fomos para o Arruda a fim de nos tornarmos testemunhas vivas da volta de Grafite às hostes corais. Estacionamentos das ruas circunvizinhas lotados, o povão vestido em perto, branco e encarnado caminhando em passos apressados. Fogos no ar. Teria chegado o prometido? Pensamos. Talvez só o anúncio, a chamada para apressar o trânsito intransitável. Não dava para andar rápido, a coluna não ajudava, mas Toy estava impaciente, ansioso. Pegava no meu braço como se quisesse me levar nas costas. Eu disse: calma, já estamos aqui, um ou dois minutos não fazem diferença. Gente, muita gente se encaminhando para o Estádio José do Rego Maciel e lá, que alegria, o povo sendo recebido com música, daquelas que mexe com o coração, como as de Nando Cordel. Outras cobras corais das artes musicais desfilavam pelo pequeno palco, que tinha um som aquém da acústica do local, mas dava pra quebrar um galho. Valeu muito pela intenção. Burburinho, conversas paralelas, esperanças nos olhos, comentários, exultação. Eu gosto de olhar estas coisas. Pareciam crianças à espera do Papai Noel. E não é que apareceu um helicóptero! De início pensamos que era para filmar a turma na maior euforia. Ledo engano era Grafite dentro da aeronave preste a aportar no gramado do Arrudão. Ao longe, sua figura esguia vestida num paletó preto de calça coronha não dava para confundir. O mais alto de todos. Na negritude de sua pele os dentes alvos se destacavam na tarde cálida de sol escondido, escancarados de ponta a ponta do rosto. Estava feliz “de volta para o aconchego”. Num lampejo lembrei-me do Grafite, ainda jovenzinho, que conheci em 2001, na fracassada campanha da série A. Sempre cabisbaixo após as derrotas, quieto no seu canto, contrastando com a descontração e alegria de muitos atletas para quem o Santa Cruz não representava, absolutamente, nada. Não foi fácil para aquele menino a mudança de vida e a entrada no mundo do futebol e, mesmo quando pessoa no andar de cima na hierarquia dos que comandavam os atletas o detratava, ele perseverava. Era resiliente e, talvez, por isto, deu a volta por cima, galgou novos caminhos, alcançou a seleção brasileira e depois de anos longe da terra natal voltou ao clube que o acolheu de início e que o projetou no mundo futebolístico. Grafite sabe que daqui emitirá o brilho de sua estrela e a...

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Qual é a vibe da torcida coral?

Qual é a vibe da torcida coral?

É fato que nada no clube das três cores acontece sem dores ou pesares, não deveria ser assim, mas é. A atual campanha no brasileiro que o diga. A torcida, por outro lado, ao longo desta caminhada, vinha sendo a placa mais regular desta estrada em construção. Na chuva ou no sol, na D ou na A, onde quer que o Santa tenha estado, a torcida esteve junto. Todo o tempo. Contudo, nota-se, nos últimos tempos, certo desgaste, melhor dizendo, fadiga dos torcedores. De tanto esticar o elástico da paciência, ele se encontra por um fio de cabelo de sapo. Daí os xingamentos, as vaias, as incompreensões. Pior, a intolerância. O futebol, como se sabe, é um esporte que anda na contramão da lógica. Nele, mais que nos outros, sempre aparecem indivíduos cujos objetivos pessoais ultrapassam os objetivos coletivos e, obtusamente, não entendem que o sucesso do Clube é o caminho mais seguro para que todos saiam ganhando. No caso do tricolor do Arruda, nota-se, por vezes, que os desejos vorazes e a soberba de uns poucos insistem em corroer a instituição Santa Cruz por dentro, feito cupim. É preciso um lastro de madeira mais forte para resistir aos ataques subterrâneos. O lastro mais forte foi, tem sido e sempre será a torcida coral. Por este motivo não se pode recuar, medrar, retroceder diante das adversidades; é necessário perseverar na crença de que o dia de amanhã será melhor do que o hoje, senão se cai na onda da “síndrome do peru”, onde se morre de véspera. É preciso garantir a sobrevivência do “Mais Querido”, mesmo quando tudo conspira contra. A cada nova gestão…, nova equipe…, nova comissão técnica, espera-se que apareçam pessoas capazes de sintonizar com os anseios dos torcedores santacruzenses. Não se pretende que moram de amor pelos fãs, mas que respeitem o maior patrocinador do clube. Que sejam profissionais e recebam seus ordenados em dia, mas demonstrando ética e consideração por quem, por ora, paga a maior parte da conta. Assim, quem sabe, os que ficam no plano do cimento duro das arquibancadas, talvez, possam se sentir mais confiantes em continuar patrocinando o objeto de amor mais sublime – a equipe coral – cuja comissão técnica e jogadores, por certo, não conseguem compreender a dimensão deste amor, algo tão subjetivo e singular, para cada um dos torcedores, tão importante quanto o ar que respiram. Algo tão...

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