Oportunidade Perdida

Nossa mania: perder bondes e bondinhos da História… Os amigos podem ficar tranqüilos que eu não vou falar sobre volantes. Vontade não falta, mas eu não aguento mais ouvir essa palavra!  Quero falar de uma situação na qual o Santa Cruz Futebol Clube tem se tornado especialista: Perder Oportunidades. Não me refiro as oportunidades perdidas dentro de campo, pelos pés e cabeças descalibrados dos nossos atletas. Estou falando daquela oportunidade, daquele momento em que tudo parece conspirar a favor do clube e na hora H… Decepção. Passamos por isso diversas vezes nos últimos anos. Nas Subidas à primeira divisão, na posse do último Presidente e, por último, contra o Central. Tínhamos uma onda tricolor no sábado. Uma onda de Otimismo e entusiasmo como há muito tempo não se via pelas bandas do Arruda. 50.000 tricolores marchando rumo ao estádio. 50.000 consumidores. 50.000 potenciais sócios do clube. É preciso mostrar ao elenco e comissão técnica que oportunidades como essas não podem ser desperdiçadas! Muitas vezes você só tem uma chance de empolgar. Uma chance de reaquecer uma chama que andava adormecida, apagada. Você pode estar achando que eu estou dramatizando em cima de um único resultado, que no final nem foi tão ruim assim (pelas circunstâncias da partida). Talvez até esteja. Mas quem estava no estádio viu quantas pessoas foram embora depois do segundo gol da equipe patativa. E aí eu me pergunto: Quantas das 45.000 pessoas que estavam no estádio não voltam para a próxima partida?  Quantas pessoas esperavam que o Santa iria decolar e empolgá-las e saíram emputecidas com um time fraco e um treinador perdido? Muitos? Poucos? Digo sem medo de errar que, para um clube na situação do Santa Cruz, qualquer torcedor longe do estádio é um prejuízo incalculável. Podemos repetir o público do último sábado? Sem dúvida! Iremos recuperar a esperança nos torcedores, trazendo-os cada vez mais para perto do clube? Não sei. Isso vai depender da capacidade do clube de enxergar as oportunidades e agarrá-las com unhas e dentes para não deixá-las passarem. Por questão de...

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Feito em casa

Nosso treinador tem reclamado aos quatro ventos a ausência de um finalizador no nosso elenco. Brada que precisamos de um homem de referência para aumentar a nossa competitividade. Todo time que se preza tem que ter aquele finalizador por excelência, aquele matador que quando domine a bola na área, a torcida adversária já comece a chorar. Eu até concordo com ele em certo ponto. Mas… Todos sabem a situação em que se encontra o clube. Então a minha pergunta: Onde encontrar um jogador com tais predicados sem ter que despejar um caminhão de dinheiro por ele? Difícil, não? Quem tem esse tipo de jogador não quer abrir mão, senão por uma fortuna. São jogadores que valem muito, pelo seu faro de gol. A dificuldade é tão grande, que mesmo jogadores já com a idade avançada, como é o caso de Marcelo Ramos, permanecem com o mercado aberto e são disputados por vários clubes. Pensemos então nas qualidades/características que são necessárias para um jogador desse tipo prosperar. E aí não estou me referindo aos fundamentos básicos do esporte. É claro que o jogador tem que saber dominar a bola, chutar bem… Mas pra ser um “Matador” precisa ter habilidade acima da média? É óbvio que, se um jogador tiver uma habilidade acima da média e ainda souber fazer gols, vai ser um fenômeno, certo? Vejo duas qualidades necessárias para que um jogador se torne um artilheiro, e peço licença para citá-las: Saber se Posicionar e Tranquilidade. Ele nem sempre vai precisar ser rápido. Nem sempre vai precisar de uma habilidade acima da média. Mas se ele estiver bem posicionado e tiver tranqüilidade na hora da finalização… Já era! Sabendo da dificuldade de conseguir artilheiros no mercado da bola, por que o clube não se compromete em formar jogadores com essas características? É preciso algum milagre pra isso? Ou seria necessário apenas o comprometimento de todos os envolvidos com o clube? Deixem-me levantar uma questão: será coincidência o clube ter revelado excelentes zagueiros nos últimos anos? Pensem na fase que vivemos e pensem quais os setores do time foram mais exigidos. Que tal? Deixamos de agir como um clube grande, de vocação ofensiva, pra brigar por empates, comemorar vitórias cada vez mais raras e termos nossas defesas bombardeadas. Não à toa zagueiros e goleiros fazem seus nomes no Arruda. Um bom posicionamento não é uma qualidade inata. É algo que se...

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Todos ao profissionalismo!

Arte sobre foto: Dimas Lins Todos vocês já devem estar cansados de escutar que no Futebol dos dias de hoje não existe mais espaço para amadorismo. Todos precisam ser profissionais já que o Futebol se tornou um negócio que gira enormes quantias de dinheiro todos os anos. É em nome desse profissionalismo que jogadores fazem questão de não ter nenhum vínculo afetivo com clubes. São profissionais, e como tais, não podem desperdiçar oportunidades nas suas curtas carreiras. Jovens vislumbram as oportunidades de se transferirem para clubes cada vez maiores e mesmo veteranos já bastante rodados e com um bom “pé-de-meia” preferem arriscar-se por uma proposta mais “interessante” ao invés de permanecerem em clubes em que são ídolos, onde poderiam ter um final de carreira por cima. Conhecem alguma história parecida com essa? Em nome desse profissionalismo, jogadores que um dia fazem gestos obscenos para a torcida rival, no outro, fazem juras de amor a mesma torcida, antes objeto de fúria. Isso sim! Profissionalismo! E os “professores”? Ah! Esses são um capítulo a parte! São profissionais preparados para gerir um elenco de “profissionais” trabalhando psicologicamente e emocionalmente os seus pupilos para grandes conquistas! E para tamanha jornada, ele precisa estar acompanhado de outros “profissionais” de sua inteira confiança. Por esse motivo (e não por outros…) aonde quer que ele vá, leva auxiliar, preparador físico, preparador de goleiros… E eventualmente, algum jogador profissional que já conhece a sua “metodologia de trabalho”. Tudo para facilitar o trabalho dos professores… Mas já não bastava apenas os jogadores e treinadores serem profissionais. Precisávamos de mais! Então começaram a aparecer os diretores profissionais. Gente que deve ter estudado para tal, se preparado em centros acadêmicos da mais alta estirpe, com o objetivo de gerir toda essa grana que circunda o planeta bola. Gente apta a montar a melhor equipe de “profissionais” com os menores recursos disponíveis. E eu não vou nem entrar no mérito de empresários e agentes de jogadores e da imprensa, que lucra cobrindo os clubes (através de seus patrocinadores) e fala o que quer e quando quer a respeito deles. É muito profissional para pouco futebol. Mas eu tenho uma proposta! Não podemos ficar fora dessa onda! Tornemo-nos então torcedores profissionais! Sim! Se tudo o que envolve o futebol é encoberto pela áurea do profissionalismo, porque não os torcedores? Afinal, sempre somos chamados e acusados de passionais e irracionais. Nossa paixão é...

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De olho na base

Sempre fui um entusiasta defensor da valorização do trabalho feito nas divisões de base como o principal caminho para tirar o nosso Santa da situação em que se encontra. Revelar é preciso, para que possamos montar times fortes, conquistar títulos e sanear as contas do clube. Sim. Tudo isso é possível com um trabalho bem feito na base. Quem acompanha o Torcedor Coral a mais tempo, sabe que eu já apontei alguns exemplos de clubes europeus que fazem um trabalho excepcional na busca e renovação de talentos (como o Sevilha da Espanha). Dessa vez, o olhar é para os maiores clubes do país e de como eles tratam as suas divisões de base. Obviamente, não existe um único modelo, mas ao se observar as diferentes metodologias um fato se destaca: não existe mais espaço para amadorismo. Na busca por novos talentos, os jovens são submetidos a testes físicos, técnicos e psicológicos. Em alguns casos, é até considerado o histórico familiar. O início de todo esse trabalho ainda tem no olheiro a sua figura principal. A forma de o clube lidar com esses profissionais é que tem apresentado novidades. O Grêmio, por exemplo, tem um programa de licenciamento para Olheiros. Ao invés de receber salários, o profissional recebe um percentual em caso de venda do jogador. Esse percentual varia conforme a idade em que o atleta é levado ao clube. O site do Grêmio conta com informações de todos os seus olheiros (foto, telefone celular e área de atuação). O Vitória da Bahia possui seis olheiros contratados, com carteira assinada, que passam o ano viajando e procurando jovens de 10 anos em diante. Hoje, 96 atletas moram em alojamentos dos clubes. Isso gera um gasto de cerca de R$ 200 mil por mês. O Internacional-RS tem um sistema mais complexo, com testes sazonais em diversas regiões do país e um departamento exclusivo de avaliação técnica. Os garotos pré-selecionados participam de uma bateria de exames de quatro dias, o que dá mais tempo do garoto mostrar o seu talento e capacidade. O Santos resolveu apostar em uma franquia de escolinhas (Projeto Meninos da Vila). Hoje são 13 unidades espalhadas pelo país e quando algum jovem se destaca é enviado a Santos para um período de testes. O Palmeiras possui o Green Talent, programa que organiza todo o departamento de base do clube, a partir do trabalho de olheiros. São seis profissionais...

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Se a moda pega

Montagem: Dimas Lins Aconteceu na República Tcheca no primeiro semestre do corrente ano. A Diretoria do Mladá Boleslav se revoltou depois da derrota do time para o lanterna da competição (SIAD Most) por 2 a 1. E resolveram tomar algumas atitudes: A primeira foi multar o elenco em 35% dos seus vencimentos. Até aí, nenhuma grande novidade (pelo fato da multa em si, porque multar um elenco todo, eu nunca vi por aqui em Terra Brasilis). A novidade maior foi o que foi feito com o dinheiro arrecadado com a multa. Como você, leitor do Torcedor Coral, é um leitor diferenciado e informado, sabe que na Europa predominam a venda de Carnês de Ingresso para toda a temporada. Com isso, o clube consegue antecipar renda, prever a demanda de público em determinada partida e até estabelecer um programa especial com o torcedor, oferecendo vantagens e tendo um histórico de cada torcedor, já que ele tem um cadastro e sua entrada (sempre numerada) fica registrada. Isso dá margem a um relacionamento estreito, e é um prato cheio para um bom departamento de Marketing (mas isso é pra um outro artigo). Após a vexatória derrota para o lanterna, a Diretoria resolveu recompensar a torcida! Como assim a torcida? Mas não é a torcida quem tem que ajudar e apoiar o time? Não é a torcida quem deve sustentar o clube financeiramente? Todos esses questionamentos devem estar passando agora pela sua cabeça, prezado leitor. A relação Clube/Torcida tem que ser uma relação de reciprocidade, e não uma relação Sanguessuga. A diretoria do Clube Tcheco resolveu que todos os torcedores que estavam no estádio na derrota para o lanterna, ganhariam um ingresso gratuito para o próximo jogo. Surreal? Tem mais! Nas 2 partidas seguintes fora de casa, os torcedores tiveram transporte e ingressos custeados pela multa dos atletas. Loucura? Alguns podem achar. Eu prefiro acreditar que é um cuidado gigantesco com o maior patrimônio que um clube pode ter: seus torcedores. É importante  um clube cuidar do seu estádio? Claro que é. É Fundamental o clube montar bons times, contratar bons jogadores? Sem dúvida. Mas para quem o clube cuida do estádio e contrata jogadores? Se tudo é para a torcida, porque não tratá-la de melhor forma? Porque não tentar uma relação de ganha-ganha, onde o Santa possui torcedores fiéis, que comparecem e vivem o dia-a-dia do clube e em contra partida, são...

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