O lado escuro da nossa força

Quando a história começou a vazar, confesso, não acreditei. Parecia algo escalafobético demais, mais que teoria da conspiração. Em verdade, me senti em uma nova Matrix. Porém, já não era apenas um nem dois jornalistas que diziam; conhecidos com acesso privilegiado à informações ratificavam. E a notícia estourou como uma bomba. Após a constatação absoluta do fato, pus-me a refletir. Concretamente tudo foi muito estranho! Estávamos na Série B, com algum elenco e tínhamos o Arruda. De repente, num piscar de olhos, série D e o Colosso interditado. Depois de alguns meses da catastrófica queda na era diminutiva, um jogo importantíssimo da seleção brasileira e a reorganização administrativa do Santa… Tudo agora começava a fazer sentido. No entanto uma pergunta me obsedava: quem foi o responsável por tal acordo? E será que o mesmo foi benéfico – ou será – para nós no futuro? Uma dado é certo: nossa relação com a CBF melhorou e melhorará. Teremos ainda a oportunidade de bradar aos quatro ventos que somos os campeões de tudo (nada de Internacional…) até o nosso centenário. Mas quem fez o acordo? Sabe-se que o dr. Ricardo Teixeira chegou-se sorrateiro e propôs: “Preciso criar uma quarta divisão aqui no país. Todos os grandes países do futebol já a possuem. Só que no começo ela será deficitária e eu preciso de um time de massa, com a maior torcida do Norte/Nordeste, um clube forte, com nome nacional para eu poder legitimar a nova série…”. Esse time escolhido, claro, foi o glorioso Santa Cruz! E devido a todas as nossas qualidades fomos parar na quarta divisão. Que acontecimento mais contraditório! Um paradoxo infinito! Justamente por sermos o clube de maior potencial fora do eixo Rio-São Paulo fomos os escolhidos para viabilizar a famigerada série D! O futebol, sabemos todos, muitas vezes é decidido fora das quatro linhas. Mas sinceramente não julgava que as negociações chegassem a esse ponto. Quando tive consciência de todo o ocorrido me pareceu que o destino foi injusto conosco. Talvez fosse melhor se a nossa torcida não fosse tão gigantesca. Melhor seria que essa mesma torcida não fosse tão fiel. Seria melhor que, ao invés de um estádio, tivéssemos um campinho qualquer, como os nossos adversários aqui no estado. Acaso o nome Santa Cruz não fosse tão forte no âmbito nacional. Talvez não houvesse acordo. Por que toda a nossa força e pujança viraram contra nós?...

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A terrível entressafra

Esta distância que vivenciamos da equipe e dos jogos do Santinha é de lascar! É uma expectativa sem fim. E mais, todo o sofrimento, toda a espera desaguará na… triste e pífia série D. Oh! Édson Nogueira, de onde vieste, para que viste, que praga fizemos que te merecemos? Nesse vai-não-vai pululam teorias, esperanças lúdicas e vaticínios macabros. Oscilamos entre o otimismo utópico e o pessimismo catastrófico. Será que Sérgio China dará certo? Será que o time é competitivo? Será que se fortalecerá no mata-mata? São questões que vêm sendo respondidas de modo apaixonado, como convém a todo bom tricolor. Estou, certamente, entre os otimistas. Acho que acertamos na contratação do técnico e de alguns jogadores que se destacaram no pernambucano. Uma boa base foi mantida – a defesa está praticamente intocada.  Teremos tempo suficiente para ajustarmos os ponteiros, pois as mudanças na comissão técnica foram feitas com muita antecedência. Enfim, embora saibamos que não será como nadar em piscina de criança, também não há nada que indique que teremos de atravessar um Canal do Boqueirão. Mas, cadê os nossos jogadores em ação? Cadê a rede balançando após o chute de nosso centroavante? Saudades do Arruda em festa! Condenar um clube de massas como o Santa a passar dois meses sem jogar é tortura digna de Guantánamo. Ainda bem que teremos, ao menos, alguns amistosos. Os primeiros terão de ser longe do Arruda, por força dos preparativos do jogo da seleção brasileira. Mas eles virão. Daí surge uma vontade imensa de saber todos os detalhes sobre o andamento dos projetos do tricolor. Sem jogos para discutir, a atenção volta-se inteira para a gestão. Quando será o anúncio oficial da construção do nosso Centro de Treinamento? Como anda a adesão para o nosso fantástico Santa Fidelidade? A imprensa, evidentemente, não ajuda. Dia desses resolvi escutar as resenhas esportivas. Escutei o noticiário do Mais Querido nas duas principais emissoras de rádio de nossa gloriosa capital. Qual a minha surpresa e desacerto a ouvir em uma delas que o Santa havia perdido os direitos federativos de Márcio Barros, por falta de pagamento do FGTS e não assinatura de sua carteira profissional; sintonizo na segunda e… escuto: “A direção tricolor e Márcio Barros entraram em acordo e o mesmo vai sair do Santa de forma amigável…”. Desisti. Fiquei mais desinformado do que estava antes de ouvir. Na “rede”, o sítio oficial é de...

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Os desafios e o gol de placa

A agenda da discussão do Santa nos últimos dias passa pelo debate quanto ao planejamento no futebol e as dificuldades financeiras. Para muitos tricolores a saída de alguns atletas do elenco, somadas às partidas de Capella de Bittencourt, gerou forte apreensão. Será que iremos começar do zero novamente? Que planejamento é esse que muda a cada campeonato? Por que contratar Sérgio China como técnico, sendo tão inexperiente? China é uma aposta, e agora é hora para apostas? Essas questões povoam as mentes e as conversas de nossa torcida. Gostaria de propor algumas reflexões sobre elas. Sobre jogadores – Talvez minha opinião seja minoritária entre a torcida. Com pouco recurso em caixa, acho que estamos fazendo o mais acertado. Precisamos ter um grupo de atletas comprometidos, que queiram e necessitem construir sua carreira e reputação profissional. Em tese, o perfil desse “novo” elenco me agrada mais que aquele que jogou o pernambucano. Neto Maranhão, Fabinho Vitória, Juninho, Aleandro são jogadores jovens, os quais já mostraram boas qualidades. São “apostas”, sem dúvida. Mas o são na mesma medida em que foram Gobatto, Willian e outros. E possuem uma vantagem: têm vontade de jogar no Santa e aparecer para o futebol. Outro ponto: ficou uma boa base do time montado por Bittencourt. Parral, Tamandaré, Gustavo, Sandro, Leandro Camilo, Alexandre Oliveira é uma boa espinha dorsal! E, por fim, mas não menos importante, os garotos que vieram dos juniores. Tenho muita esperança e expectativa em Thomas Anderson, Gilberto, Yuri, Miler e Tiago Henrique. São nosso patrimônio e acho que merecem chances na equipe. Sobre o treinador – Antes de tudo, não sou daqueles que não enxergam qualquer valor em Márcio Bittencourt. A maioria dos tricolores reconhece o seu trabalho. Organizou minimamente um time, em muito pouco tempo. Porém, nossa campanha no estadual não foi assim… digamos, inquestionável. Levamos lapada de Porto, Central e não conseguimos vencer o Acadêmica de Vitória de Santo Antão. Não vencemos nenhum clássico e chegamos longe, mas muito longe mesmo do campeão. Márcio também demonstrou uma instabilidade emocional preocupante no jogo contra o Americano, sendo um dos grandes responsáveis por nossa eliminação precoce na Copa do Brasil. Ou seja, não é o pior dos técnicos, mas não é nada de excepcional… Já Sérgio China é, como dizem muitos, uma “aposta”. Essa afirmação, só ela, já merece uma crônica à parte. O que em futebol, como um jogo que é...

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Um patrimônio de jogadores

Quero começar dizendo o seguinte: concordo com FBC no que se refere à avaliação de nosso desempenho no Pernambucano: “Não ficamos satisfeitos com o desempenho no Pernambucano, ficamos em terceiro, 17 pontos atrás do Sport, dez do Náutico. O Santa Cruz é um clube grande, tem obrigação de ser campeão, de voltar à Série A”, disse, para em seguida continuar: “Estamos longe do ideal e por isso precisamos mexer no time, não entendo por que alguns jogadores não gostaram. É normal fazer uma avaliação para decidir pela manutenção de alguns e pela saída de outros”, disse (Coralnet). Nossa campanha foi fraca e sou daqueles que acham que o padrão de comparação não pode ser os últimos campeonatos, quando chegamos em sétimo, oitavo, sei lá. Nosso referencial deve ser nossa história e essa diz que temos de brigar por títulos. Sempre. Por isso ainda, seguindo a lógica do raciocínio, sou a favor das mudanças no elenco. Mais: não admito que jogadores do nível que temos fiquem “botando banca”. Acho absurda a discussão difundida pela imprensa sobre a propriedade ou impropriedade da atitude do presidente, quando o mesmo chamou parte do elenco para uma conversa. E daí? O clube chama quem ele quiser. Quem não foi chamado, aguarde sua vez. E se não interessar ao clube, adeus. Tem o direito de receber o que lhe é devido e só. Acho covarde e inaceitável, por exemplo, o ato de Marcelo Ramos que, após rescindir e acertar com o Ipatinga, saiu dizendo-se chateado com “aquele dia” e colocando a torcida contra FBC. Hoje, já são quatro jogadores que foram embora: Marcelo Ramos, Wagner, Zuba e Thiago Matias. Para mim aconteceu o melhor. O único dentre eles que merece algum destaque é Ramos. Mas é velho demais para se investir muito nele, sobretudo em nossa condição atual. Quanto aos outros, Zuba e Wagner são fracos e Matias é mediano. Os dois primeiros, era obrigação nossa demitir. O último é facilmente substituível. Pelo que acabei de dizer sobre Ramos, desvio para o que de fato quero argumentar. O Santa precisa urgentemente entender que patrimônio não se restringe apenas a concreto, gramado, cadeiras, refletores, etc. Parte fundamental do patrimônio de um clube de futebol é a “posse” de jogadores. Temos de começar a ter nosso elenco. A forma de conseguir isso é revelando jogadores e atletas ainda desconhecidos. Some-se uma política criteriosa de multas rescisórias. E,...

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Mais uma vitória

Pintura: Suplício por alívio (Munch) Vencemos mais uma, ontem. Mantém-se a chama e a fé de que podemos ainda conquistar o segundo turno. Mas para que tal conquista aconteça, julgo que fica a expectativa quanto aos reforços a serem contratados ainda para o Estadual. Ao longo de nossa história já vencemos mais de um campeonato sem possuir o melhor time, e às vezes até com um time ruim. Mas não convém ser amigo de milagres. Por mais que alguns considerem que não podemos assistir à racionalidade no futebol, cumpre insistir que o Íbis jamais ganhou um troféu de campeão. A atual diretoria conserva sua enorme coerência e, profissionalmente, trata de reforçar a equipe. Para soerguer o clube temos de ser ganhadores e para isso temos de qualificar mais o plantel. Já chegaram Marcos Tamandaré, Alexandre, Fagner e especula-se sobre mais um zagueiro e um meia. Está certíssima a gestão de futebol! Insistir que o time não é fraco e está pronto para decisões importantes (decisões que no atual contexto põe em jogo a forma pela qual sobreviverá o Santa) seria ter uma visão equivocada; a avaliação, no meu entender, está correta. E continuo a acreditar no trabalho de Márcio Bittencourt e Ruas Capella. Do jogo de ontem poucos pontos merecem destaque. Começamos arrasadores, poderíamos ter feito, sem exagero, três gols antes de quinze minutos. Depois cedemos muito espaço para o Porto, para desespero de nosso treinador. Com o segundo gol e meio de campo bem congestionado, matamos o jogo. A partida de Pedro Henrique foi mais uma vez medíocre. Não pode ser titular no Santa Cruz. Elder, acaso não melhore e muito, poderia reforçar o Náutico ou o Sport. Uma nulidade abissal! Gostaria de ter visto mais em ação o Daniel Horst, cuja cabeleira me faria inveja quando tinha meus 14 anos. Precisamos desesperadamente de um meia. E precisamos desesperadamente de Marcelo Ramos! Enquanto ele não se recondiciona, ao menos tenhamos de volta Gobatto e Roger. No mais é torcer bastante contra o Central, próximo jogo. Lá em Caruaru o troço promete ser difícil. E esperar a volta dos titulares e a chegada e regularização dos reforços. Comenta-se que o meia contratado é um tal de Xuxa. Confesso: nunca o vi mais gordo. Mais pondero que seja melhor que Willian e Elder. Vamos lá. Quarta-feira é outra batalha. Melhoremos, pois com esse time, como diria o personagem da burlesca...

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