Theófilo e a mulher do rubro-negro – Final

Theófilo e a mulher do rubro-negro – Final

Leitura indicada para maiores de 18 anos. Valquiria colocou uma música de Roberto Carlos no som do carro, “Falando sério”. – Eu sou fã de Roberto Carlos. – ela disse. – Eu também, Valquiria. Tenho um mp3 com várias músicas do Rei. – Jura? – Juro! – Ah, eu quero ver. – Amanhã eu levo. – Eu quero ver hoje. – disse Valquíria pegando na perna do tricolor. Foram direto para o apartamento de Theófilo. De um lado, um misto de ansiedade e nervosismo. Do outro lado o “ô, ô, ô, ô! mulher de rubro-negro…”. Era a cabeça de Theófilo naquele momento. Desceram do carro e subiram as escadas até o terceiro andar. Theófilo estava confuso, não sabia se Valquiria queria apenas ouvir o mp3 de Roberto ou se estava disposta a chifrar Agnaldo. Cada gesto dela, cada palavra, cada suspiro, o deixava louco. Aquela bunda, suas pernas, sua boca, seus peitos, era tudo o que ele queria. Entraram no apê. Valquiria pediu para ir ao banheiro. – Fique à vontade. Segunda porta à direita. – ele disse. Colocou o mp3 de Roberto Carlos. “Vou cavalgar por toda noite, por uma estrada colorida…” e esperou Valquíria voltar do banheiro. Valquiria adorou. – Essa música é perfeita. – ela disse. – Quer beber alguma coisa? – Hummm!!! Quero. Você tem cerveja? Ele tinha, mas disse que não tinha. Queria vê-la tomando algo mais forte. Ofereceu uísque ou vodka. – Quero vodka. Tem fanta?” – Fanta não. Tem tanjal. – Pode ser. Deixou Valquiria ouvindo música e foi buscar a bebida. Aproveitou e foi ao seu quarto. Toda mulher pede para conhecer o apartamento. Deu uma arrumada rápida e espalhou algumas cuecas pelo ambiente. Voltou para sala. Preparou a dose de vodka com tanjal. A música que rolava era “debaixo dos caracóis, dos seus cabelos, …”. – Não! Eu não acredito. Você tem Gilliard? – ela disse quando viu o cd da coleção Pérolas. – Eu quero ouvir essa música! – disse ela apontando para última faixa. “Pouco a pouco, foi que eu pude perceber, que gostar é diferente de querer…”. Valquiria virou o resto da dose de vodka e disse: “quero dançar!”. Na sua frente, no seu apartamento, a mulher de um rubro-negro o convida para dançar. Somente os dois. Tomando vodka com tanjal. Ouvindo Gilliard. Theófilo lembrou do falecido pai. Ele agarrou Valquiria e dançaram ao som de “…aquela...

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Theófilo e a mulher do rubro-negro – Capítulo I

Theófilo e a mulher do rubro-negro – Capítulo I

Leitura indicada para maiores de 18 anos. Aos sete anos de idade, Theófilo começou a freqüentar o José do Rego Maciel. O primeiro jogo foi contra o time da ilha do retiro. Uma época onde ainda se vendia cerveja dentro do estádio e o uso do cinto de segurança não era obrigatório. Naquela primeira partida, onde Theófilo debutava no cimento do mundão do Arruda, um grito de guerra ficou marcado no seu juízo: “ô, ô, ô, ô! mulher de rubro-negro só fode com tricolor! Ô, ô! Ô, ô!” Meio atabacado ainda, o pequeno Theófilo não entendia direito do que se tratava. Não compreendia o significado do verbo foder (ou fuder?!), mas voltou pra casa cantarolando a musiquinha. Foi crescendo e indo ao estádio. Nos jogos contra o time da leoa, a linda música o alegrava. O velho pai se orgulhava de ver o garoto curtindo a tiração de onda. Certa vez, a torcida começou a entoar a melodia. Theófilo pegou no pinto e ficou mostrando para torcida do chié. Ganhou um cachorro-quente e um guaraná de um amigo do seu pai. Com uns catorze anos de idade, depois de uma vitória sobre a leoa, gol de Luis Carlos, o garoto está ali no meio da massa coral puxando o “mulher de rubro-negro, só fode com tricolor”. Naquele dia, ele chegou em casa e tocou uma punheta gemendo a melodia maravilhosa. Matou Aurídes, a Audinha. Audinha era gostosíssima. Negra, coxuda e uns peitos tipo cuscuz. Era casada com um motorista de ônibus e vizinha de Theófilo. Por muito tempo, esse era o seu costume. O Santa Cruz dava uma lapada na leoa, ele matava Audinha na punheta. Trepar com a mulher de um rubro-negro virou sua fantasia e seu desejo. O tempo passou. Theófilo foi trabalhar no departamento pessoal de um famosa loja do Recife. Conheceu Valquiria. Telefonista, loirinha, baixinha, cabelo na cintura. Peituda e dona de uma bunda linda. Numa festa de confraternização ele descobriu que ela era casada com um burro-negro. Era ele ver Valquiria e a música surgia ao seu ouvido. “ô, ô, ô, ô! mulher de rubro-negro só fode com tricolor! Ô, ô! Ô, ô!” Bate-papo pelo menseger, lanche no final do expediente, troca de e-mails e piadinhas sacanas. Passaram a almoçar juntos. Em pouco o nobre Theófilo estava pegando carona com Valquíria. Numa dessas caronas, ela estava encantadora. Com um vestido acima do joelho. Naquele dia,...

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Beijos, futebol e abraços

Beijos, futebol e abraços

Nota da Redação: Leitura indicada para maiores de 18 anos. Conheci Gerrá na época da gestão de Jonas Alvarenga. Naquele tempo, a gente o chamava de Geraldo, pois faltava intimidade. Gerrá foi um dos famosos conselheiros denorex, junto com Murilo, meu irmão, que tentaram botar alguma ordem na casa. Quase conseguiram, mas o Santa é o Santa, um clube onde se costuma dar murros em ponta de faca. O tempo passou, Gerrá começou a escrever para o Blog do Santinha e eu criei o Torcedor Coral, o que contribuiu para uma maior aproximação. Porém, foi como conselheiros do clube na gestão de Fernando Bezerra Coelho que nossa amizade se fortaleceu. Fazíamos parte do chamado Núcleo Duro do conselho, pois defendíamos os interesses dos clube, não dos gestores, e não tínhamos medo de apontar os erros da gestão na tribuna. Por conta disso, passamos a ser mal vistos por alguns integrantes da diretoria, mais precisamente entre o chamado Grupo de SUAPE. Na imobilidade do conselho em reformar o estatuto, Gerrá, eu e mais alguns conselheiros, indignados com a inércia da mesa diretiva, elaboramos uma nova minuta, mas o presidente do Conselho Deliberativo preferiu engavetar o projeto. Mas isto já é outra história. Vez por outra, Gerrá visitava nossa redação para tomar umas garapas e a gente pedia uma palhinha. O zabumbeiro dizia que era difícil escrever para um blog, o que dizer de dois. Com o fim do Blog do Santinha, liguei para Gerrá e o convidei para ser nosso cronista. Prometi salários em dia – em Merreca, a moeda oficial do blog – e liberdade de expressão. O zabumbeiro topou e mandou, de saída, um texto erótico só para saber se esse negócio de liberdade de expressão era à vera. Era, sim. O texto abaixo é a prova disso. Boas-vindas ao zabumbeiro tricolor! Dimas Lins Faz tempo que Dimas e cia. falam para eu escrever algo no Torcedor Coral. Bem antes do Blog do Santinha sair do ar, a turma  que faz o TC vez por outra abria as portas da redação e me convidava pra tomar uma cerveja. Entre copos e cervejas, alguém dizia, “ei porra, escreve um texto aí”. Na verdade, tenho me dedicado a aprofundar um estudo sobre a combinação de sexo e futebol. Venho colhendo dados, fazendo entrevistas, etc. Não é aquele papo antigo discutindo se trepar antes da partida faz bem. O que quero...

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As previsões de Pai Kuzé

 Gerrá da Zabumba, publicação simultânea com o Blog do Santinha O babalorixá Pai Kuzé de Oxum é tricolor desde novinho. Ele costuma dizer que mesmo em outras vidas, já torcia pelo Santa Cruz. Descobri a existência de Pai Kuzé de Oxum através de minha amiga Nádia, freqüentadora do terreiro do babalorixá. Nádia fez a gentileza de me levar para conversar e ver as previsões do Pai Kuzé, que apesar de ser apaixonado pelo Santinha, não gosta de fazer trabalhos para ajudar o mais querido. Segundo ele, não é correto trabalhar em causa própria, “os orixás não gostam”, afirmou. Ele disse que todo final de ano joga seus búzios para ver o futuro do Santa Cruz. “Meu querido, fiquei doente quando os búzios me disseram que o meu Santa ia cair para terceira divisão e não pude fazer nada”, confessou o babalorixá coral. Entre uns goles de uma aguardente temperada com ervas e de umas boas baforadas, ele jogou os búzios e fez suas previsões. De cara eu quis saber sobre o Pernambucano 2008. Pai Kuzé fechou os olhos, tomou uma lapada, prendeu a respiração e jogou os búzios. “Meu querido, o Santa Cruz vai fazer uma campanha melhor do que no ano de 2007. Vejo o tempo um pouco nublado no começo do Estadual, mas depois das festas de momo, o sol começa a brilhar lá pras bandas do Arruda. Alguém vai se machucar. O Santa poderá ganhar um clássico”, disse Pai Kuzé, mostrando muita certeza nas previsões. Suando muito, o babalorixá deu um gemido forte e jogou de novo os búzios. Deu um grito fino: “Copa do Brasillll!!!!”, suspirou e disse: “hummm! Querido! Aí não é fácil. Não é fáciiilllll!!! O Santa parece que carrega um peso quando vai jogar a Copa do Brasil. É um carrego grande. Mas, talvez este ano, ele chegue um pouco mais adiante do que na última versão desta Copa”, disse ele bastante convicto. Meu amigos, quando falei de Série C, Pai Kuzé virou de vez um quartinho da temperada, falou umas palavras que não entendi, segurou a testa, fechou os olhos e jogou as conchas. O babalorixá botou pra suar e eu pra gelar. “E aí?”, eu perguntei. Ele fez um movimento circular na cabeça e previu, “apesar da falta de experiência em terceira divisão o Santa Cruz pode chegar à fase final. Meu querido, o começo vai ser atrapalhado e muito...

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