Precisamos mostrar futebol

Precisamos mostrar futebol

No ano de 94 do século passado, em virtude do triunfo brasileiro no mundial de futebol, uma boa discussão veio à tona. O cerne da questão era o fato do Brasil ter apresentado um futebol sofrível, feio, maltrapilho, mas que se consagrou campeão. Nas esquinas, nos bares e nos mais diferentes locais, ortodoxos e heterodoxos, travaram fervorosos diálogos sobre esse modelo de futebol, onde o mais importante é a vitória, independente de como ela é conseguida. A seleção de Telê e a seleção de Parreira eram os pilares principais do assunto discorrido, onde uma servia de contraponto a outra. Mas o que isto tem a ver com o Santa Cruz? Praticamente, nada! Exceto o cego por completo, todo mundo viu e ouviu o futebol vergonhoso apresentado pelo time do Santa Cruz Futebol Clube no jogo do último domingo. Coletivamente a equipe foi uma catástrofe e a torcida saiu do Arruda com um gosto amargo na boca. Isto é fato consumado e palpável. Assim como é fato consumado a importância da última vitória. Num resumo barato, jogamos feio, mas ganhamos. Numa comparação grosseira, alguém poderia sugerir que fizemos igual à seleção brasileira de 1994. É equívoco pensar deste modo. Cabe explicar, que na copa do mundo de 94, o Brasil apresentou um esquema de jogo sem muita beleza plástica, mas de uma estética coerente e bem elaborada. Na verdade aquela seleção tinha um esquema de jogo feio, o que é essencialmente diferente de se apresentar um futebol feio (é bom se aprender a diferenciar esquema de futebol, de futebol apresentado). Parreira foi para o mundial munido de um esquema que valorizou muito mais o cuidado com a retaguarda do que o ataque. Por sua vez, se olharmos para Avenida Beberibe, vemos que o treinador Zé Teodoro não consegue implantar um modelo tático na equipe. É fácil observar que não há nenhuma variação estética no time. Os jogadores apenas são escalados, na maioria das vezes de maneira equivocada, e não produzem praticamente nada dentro do gramado, a não ser a vontade de disputar a jogada e vencer a partida. É como se o técnico estivesse apenas entregando as camisas. O discurso de que jogamos pelo resultado é um blefe que funciona mais ou menos assim: nós plantamos esta justificativa que o calor emocional da torcida vai defender com unhas e dentes nossa desculpa. Outro blefe é dizer que o futebol hoje...

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Por dentro e por fora

Por dentro e por fora

Tive a grata sorte de acompanhar de perto a última apresentação do Santa Cruz Futebol Clube. Em virtude de compromissos profissionais, Belo Jardim foi passagem obrigatória para o nosso veículo institucional. Assisti ao jogo “in loco” e, mesmo assim, fiz questão de ver a reprise da partida, para dirimir dúvidas, aguçar o olhar e acurar a opinião. Torna-se repetitivo discorrer que o ambiente do Estádio Mendonção, pertencente ao Sesc daquela cidade, não é propício para um embate de futebol profissional. Com as devidas vênias, o campo do Sesc é lugar para jogos amadores e peladas festivas. Pude verificar de forma analítica que o time do Santa Cruz, dada as condições de jogo, publicitou um visível nível de melhora. O design arquitetado para o ataque começou a mostrar formas agudas e compactas. Mesmo naquele lamaçal e no aperto que as dimensões do terreno proporcionaram, o setor ofensivo esteve mais arrumado e deu sinais de melhora com a entrada de Kiros, visto que o seu biótipo naturalmente o faz um ponto de referência dentro da ora citada localidade, o ataque. Outrossim, cabe lembrar o seu potencial nas bolas alçadas na área. Com a entrada de um lateral-direito de carreira, este fator será automaticamente potencializado, nossa agressividade se elevará e, conseqüentemente, minimizaremos a falta de gols. Um ponto que ainda precisa ser melhorado é o defensivo. A vulnerabilidade da nossa defesa é notória. Mesmo não sendo este fato deveras preocupante, é salutar que não esqueçamos que já estamos com um saldo negativo de três gols contra. Apesar de todos eles terem sido tomados em jogos fora de casa, basta fazer uma rápida análise das jogadas que chegaremos à seguinte conclusão: a maneira pela qual fomos atacados está acima dos limites desejáveis para quem almeja conquistar um dos primeiros lugares da competição.  Entretanto, exceto por algum tipo de trauma, não há motivo algum para o desespero. De formas que não faz nenhum sentido a agonia expressada por alguns torcedores, no que se refere ao futebol apresentado. Ademais, tal comportamento por parte da torcida, poderá causar transtornos irreversíveis no desempenho da equipe dentro do campo, proporcionando prejuízos significativos para o nosso lado. Faz-se necessário ressaltar que tal afobamento é legítimo. Futebol é acima de tudo paixão. A paixão limita o olhar. Delimitando o futebol apenas ao interior das quatro linhas, comungo da plena certeza que atingiremos o objetivo desejado. De forma prática, se vencermos...

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É preciso calma. É necessário atropelar!

É preciso calma. É necessário atropelar!

A experiência nos diz que a Série D não é tão fácil como muitos imaginam. O fato de ter se consagrado vencedor máximo do campeonato pernambucano Coca-Cola deste ano não garante ao Santa Cruz atestado de classificação para terceira divisão do campeonato brasileiro de futebol. Mas muitos pensam que sim, inclusive alguns jogadores do atual elenco. Por outro lado, o resultado do confronto contra o Gurani Esporte Clube, o Guaraju, por mais que nos transporte para um sentimento de impotência, não pode ser considerado e visto de forma atabalhoada. Alguns torcedores já deixam transparecer o que podemos chamar de afobação e, em virtude deste distúrbio, começam a pregar aos quatro cantos uma exagerada preocupação, dando sugestões estapafúrdias. A torcida no seu imaginário inconsciente, ao invés de ajudar, acaba atrapalhando e colaborando para que se antecipe a pressa, pondo em risco o trabalho feito ao longo dos últimos seis meses. Defronte a esta situação, cabe à diretoria e comissão técnica usar os devidos mecanismos para impermeabilizar o grupo, a fim de que o mesmo não seja atingido pelos excessos exteriores, principalmente os que vem da imprensa, pois esta capta a opinião do torcedor e a propaga pelas ondas da comunicação, tornando uma opinião como verdade absoluta. Dito isto, passemos a uma opinião sobre o futebol apresentado pelo Tricolor do Arruda nas duas primeiras rodadas. Tenho sempre explicitado que o Santa Cruz é um dos favoritos. Isto é palpável. Mas para afirmar de forma prática o seu favoritismo é necessário entrar em campo sem respeitar o adversário e sem sandálias de saltos altos como vem acontecendo. Ao observar in loco estes dois primeiros jogos, ficou anotado que nossa equipe entra desligada, sem vontade de maltratar o time inimigo. Entra na base do “ganho quando quiser”. No futebol isto é um forte fator para minimizar o estado de medo do opositor. Esta situação aguça de maneira indiretamente proporcional ao tempo, um deslocamento de algo que está ao nosso favor para um ponto de interseção neutra, favorecendo assim, e sempre, os que estão no seu momento inferior. De forma contrária, quando o superior não demora a procurar liquidar o adversário, sendo este menor, o favoritismo tende a movimentar-se para o infinito, aumentando ainda mais a distância entre as equipes e fazendo com que a superioridade e inferioridade atinjam seu ponto máximo. Apesar das nossas carências serem claras, não há como acreditar que neste...

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A hora é de cair na real

A hora é de cair na real

Há tempos venho explicitando que o Santa Cruz precisa ter como ingredientes principais para a disputa da série D, a vontade e a humildade. Com o advento da globalização e a irrestrita democratização na circulação de informações, os grandes desníveis no futebol foram minimizados. Basta mirar a nossa seleção brasileira e, com um olhar mais ao horizonte, observar o selecionado argentino, que veremos o novo status quo do futebol profissional. O ambiente atual exibe um cenário de equilíbrio entre os mais diversos tipos de equipes. Ao aterrissarmos na quarta divisão do futebol brasileiro, nos deparamos com um território até então desconhecido, povoado por jogadores de nomes exóticos e clubes decadentes. Isto nos fez acreditar que o Santa Cruz teria uma boa dose de facilidade e nossa paixão maculou o movimento real. O movimento real mostrou que não se triunfa apenas com os requisitos da tradição e do nome. Muito menos, o fato de a equipe ter no seu quadro jogadores mais tarimbados, não garante que a bola entrará na rede do adversário. Vivemos esta situação nas competições anteriores, e poderemos nos deparar com o mesmo quadro na disputa que está prestes a vingar. O último amistoso deu o seu alerta e uma sensação de déjà vecu. Os mais desavisados e alguns ignorantes poderão avaliar o jogo contra os reservas do Salgueiro como uma partida inconseqüente e desnecessária. Discordo de forma aguda e respeitosa com este tipo de avaliamento. O principal eixo desse amistoso foi enfatizar para o grupo que defenderá o Santa Cruz na disputa da série D que é preciso empenho além do limite, extrapolar a seriedade e o respeito ao adversário, e por fim, estar ciente de forma positiva sobre os possíveis percalços a serem ultrapassados. Por outro lado, tenho visto o treinador deixar claro que o esquema tático a ser apresentado é o 4-4-2, podendo dentro da partida, esta formação variar para o 3-5-2, onde provavelmente o jogador Jeovânio cumprirá o papel de terceiro zagueiro. Isto posto, faço ênfase para a seguinte observação: o técnico sinaliza que não precisaremos fazer marcação homem a homem, uma vez que a formatação utilizada nas finais do campeonato foi de certa forma deletada. Este fato nos leva a outra ponderação: aparentemente existe um menosprezo inconsciente que naturalmente levará a uma macro autoconfiança. Estes dois fatores somados de forma absoluta poderão produzir um aumento significativo na probabilidade de resultados negativos. É...

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É necessário algo mais

É necessário algo mais

Apesar do Santa Cruz não ter se afastado do seu habitat natural, devemos considerar este período que se localiza entre o final do pernambucano e o início da Série D do campeonato brasileiro como uma pré-temporada, onde os amistosos fazem parte das ferramentas utilizadas para aprimorar as questões táticas, técnicas, físicas e psicológicas, além de servir para testar de novos materiais humanos. Após a observação de alguns treinos e dos três amistosos, dá para concluir que estamos no caminho certo. A comissão técnica preza pela força da harmonia e da compactuação. Um fato que está claro é a propensão do treinador Zé Teodoro em efetivar Dutra na lateral-esquerda e utilizar o jovem Renatinho como uma das opções para o meio-campo, no intuito de ocupar a lacuna que até hoje não foi preenchida de forma eficiente pelo jogador Natan e por Têti. Ambos parecem ser jogadores de vidro. Fica-me a evidência que Zé Teodoro está testando o baixinho Renatinho na meia-esquerda. Isto posto, não me resta dúvida que se Renatinho não corresponder a expectativa do nosso técnico, ele será levado ao banco de reservas. Fato que vejo com bons olhos, pois ganharemos um bom reforço nos suplentes, deixaremos nosso lado esquerdo mais consistente e o conjunto titular ganhará o elemento experiência. Concretizando-se esta ação, não devemos nos deixar levar pela emoção. É preciso saber separar o carinho por um atleta da real necessidade de um time. No que concerne a capacidade técnica, sem dúvida alguma, somos a equipe que figura entre os melhores. Basta fazer uma fotografia do time titular que teremos esta confirmação. No gol, estamos servidos de um arqueiro que teria vaga na maioria dos times que atuam neste país tropical, o Brasil. Na zaga, o defensor Leandro Souza é jogador de série B, sem maiores aperreios ou maquiagem. O experiente Dutra, apesar da idade um pouco avançada, seria titular em vários clubes de divisões mais gabaritadas do que a nossa. Jeovânio, Memo, Wesley e Thiago Cunha são atletas com nível para jogar, no mínimo, em plena segunda divisão do brasileiro. Quiçá, até na primeira. Isto nos leva a peremptoriamente afirmar que temos a melhor espinha dorsal da Série D. Contudo, no futebol não é só o nome e/ou qualidade técnica que encaminha alguém para o ápice. É preciso algo além da fama para se obter êxito no esporte do pé na bola. Qualidade técnica, esquema tático eficiente...

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