Não devemos temer

Não devemos temer

No mundo do futebol é comum vermos cronistas e torcedores falando e defendendo o que não sabem. Vale salientar que em um ambiente de quase infinitas variáveis e enorme subjetividade é natural que os que estão envolvidos nele, formulem suas opiniões e teses, e as defendam de maneira rasa, sem fundamentos concretos e, por muitas vezes, baseados no nada. Preste a alcançar a saída da quarta divisão do futebol brasileiro, o Santa Cruz é falado aos quatro cantos da mídia e da cidade. Há os folclóricos que acreditam no sobrenatural e pregam em seus discursos uma frenagem da confiança e euforia daqueles que pensam de maneira real e positiva. Nesta seara, é salutar afirmar que o habitat do futebol nos propicia surpresas, porém nada é por acaso ou por força do abstrato. As variáveis sorte, azar, energia positiva e negativa, pessimismo e otimismo são apenas especiarias que servem para aguçar o sabor do molho futebolístico. Ninguém de sã consciência pode defender que um resultado final foi fruto de coisas do além. Por outro lado, temos os vários técnicos e especialistas em futebol, que mais parecem que fizeram cursos por correspondências enviadas pelos Correios. Nos seus delírios, estes se apegam a combinação de números para explicar esquemas táticos, baseados na repetição do que ouvem, assim como fazem os “Amazona Aestiva”. Bem como, na formulação e especulação de teses esdrúxulas sobre condições técnicas, físicas e psicológicas dos atletas. Mas passemos a um aprofundamento maior a respeito da partida do próximo domingo contra a equipe do Treze de Campina Grande. Em primeiro lugar, falemos da pré-produção. A dinâmica proposta por Zé Teodoro desde o início desta competição tem como alicerce espaços de folgas entre um jogo e outro. Isto se dá por puro objetivo de se preservar o setor de musculatura, para assim minimizar os riscos iminentes de rupturas, contraturas e estiramentos. É precipitado afirmar que alguns poucos maus resultados se deram por falta de treinamento. O fator preponderante foi a falta de técnica, uma vez que o bom jogador não se atreve a jogar um campeonato medíocre como é esta Série D. Outro fato a ser comentado é o esquema tático utilizado. O treinador optou pela variação do 3-5-2 e o 4-4-2. Dentro da sua concepção de modelo retraído, nas ocasiões decisivas, o 3-5-2 prevaleceu. Ao que observamos, há indicações claras que o Santa Cruz iniciará domingo dentro deste esquema, mas...

Leia Mais

O ritmo e a aceleração

O ritmo e a aceleração

Existe uma diferença fundamental entre ritmo e velocidade. O ritmo é o que podemos chamar de pulsação e a velocidade é o andamento empregado numa partida. Alguns treinadores optam por um andamento mais lento e consequentemente, neste caso, o ritmo diminui. Este recurso é usado quando se quer diminuir o ímpeto do adversário e, normalmente, quando se tem a vantagem da construção do resultado. A equipe do Santa Cruz demonstra que atingiu o ápice do domínio do ritmo e da velocidade. Isto se dá pelo fato do treinador ter utilizado toda a primeira fase deste campeonato para consolidar o equilíbrio entre ambas as partes, o ritmo e a velocidade. Passamos pelo primeiro mata-mata de forma confortável. Na primeira partida Zé Teodoro usou o esquema 4-4-2 e cometeu dois equívocos que foram fundamentais para comprometer nossa força e poder de ataque: a improvisação de Memo na lateral-direita e a utilização do atacante Fernando Gaúcho. Estes dois jogadores foram peças fundamentais para da diminuição da velocidade da equipe. O resultado deste erro foi o pífio placar contra a A.A. Coruripe, um time que joga um futebol pra lá de esquisito. Na segunda partida, o jogo da volta, o técnico do Santa Cruz optou pelo esquema 3-5-2, buscando repetir algumas atuações do semestre anterior, principalmente aquela contra o São Paulo. O time se defendeu com eficiência e eficácia, mas foi deficitário no ataque e nos contra-ataques. Ficou público e notório a falta de capacidade na articulação entre a defesa e o ataque, pois não havia no time um jogador que tivesse a capacidade de cuidar da transposição da pelota entre o sistema defensivo e o corpo atacador. De maneira que, nos comportamos de forma destrutiva, tanto no aspecto da dignidade como no que se refere ao futebol apresentado. Mas nos classificamos e pegaremos o Treze Futebol Clube, o Galo da Borborema. O primeiro jogo é lá e o segundo é cá, obviamente. Afirmo peremptoriamente que a equipe representante da cidade de Campina Grande foi o que de melhor poderia ter sido para nos enfrentar. É um time que gosta de atacar e, mirado na sua campanha até o presente momento, acham que tem um amplo poder de artilharia, usando por diversas vezes a soberba dentro das quatro linhas. Junto a isto, eles até agora não se defrontaram com equipes possuidoras de um bom sistema defensivo e sua defesa é fraca. Daí, nossas...

Leia Mais

Temos que aceitar o contrário

Temos que aceitar o contrário

Alguns seres são acometidos por um bloqueio que os impede de aceitar novas opiniões a respeito de algum assunto. Isto se evidencia naqueles que fizeram um alto grau de  investimento nas suas convicções, provocando desta forma, o bloqueio acima citado. No futebol, este fato se torna mais evidente, devido às circunstâncias nas quais estão envolvidas as variáveis fundamentais para a afetividade entre a figura que torce e o objeto admirado. Ao se apoderar de uma opinião, o indivíduo acredita de maneira plena que está provido de certeza e do que é certo. E assim, é inconscientemente levado a se proclamar superior aos demais. De forma que, se ele aceitar a fala contrária ao que defende, estará admitindo sua inferioridade, ferindo com uma faca pontiaguda a sua auto-estima. E neste tatame se estabelece a luta dos pensamentos contrários. É balizado por este alicerce que devemos entender a dificuldade da auto-critica e o motivo pelo qual boa parte dos dirigentes, treinadores e torcedores não são capazes de mudar rotas e alterar planos. O Santa Cruz entra agora numa das principais fases da Série D do futebol nacional. Não cansa ressaltar que se passarmos deste mata-mata, teremos apenas mais uma fase de ida e volta para adquirirmos nosso passaporte para terceira divisão brasileira. No último jogo, nosso time se mostrou mais solto e comprometido, mas pecou nas finalizações. Outro fator negativo evidenciado foi o setor defensivo, local que estamos precisando minimizar o nível de vulnerabilidade. Dito isto, faz necessário à diretoria e à comissão técnica avaliar os pontos negativos, procurando não se apegar a convicções e falsas certezas, para desta forma poder buscar diminuir os pontos fracos. Por sua vez, a torcida precisa exercer seu poder de exigência, se abstendo da plena certeza, pois só assim poderá contribuir para chegarmos a novos modelos e formas. O Santa Cruz ao adentrar o gramado no próximo domingo tem a obrigação de mostrar se conseguiu chegar ao objetivo traçado pelo seu comandante, visto que, em tese, estamos na reta final para chegarmos a conquista de uma vaga para ascensão de série. Não há mais tempo para aprimoramentos, nem para experimentações. O que serve deve ser colocado no contexto e o que estiver fora da média estabelecida deverá ser descartado para o setor de sobras. Acabou-se o espaço para tangiversações e novos experimentos. A atualidade é para objetividade e fatores positivos. Numa reflexão sensata, veremos que...

Leia Mais

O caminho é certo

O caminho é certo

No futebol, o esporte da bola no pé, todos os objetivos são mirados em oportunidades futuras. O passado serve apenas como parâmetro para projeção do que está mais a frente. E o presente é rápido e passageiro. É balizado por este alicerce que se deve agir para organizar tecnicamente uma equipe, dando a ela uma boa dinâmica tática e garantindo também, uma boa preparação física e psicológica. Neste cerne, o comandante técnico precisa ter a capacidade para detectar as falhas e saber o momento certo de agir, evitando assim, a precipitação e o atropelo nas tomadas de decisão. Ao que me parece, o treinador Zé Teodoro, vem utilizando está primeira fase do campeonato brasileiro da Série D, em busca de encontrar a formação ideal para enfrentarmos a seqüência seguinte desta quarta divisão, os famosos mata-mata. De forma estratégica, o técnico vem buscando dar ritmo de jogo a alguns atletas, bem como fomentar o entrosamento necessário ao conjunto principal e preparar psicologicamente o grupo para controlar a ansiedade e a pressão que virá nas duas fases seguintes a esta que ainda estamos disputando. Cabe ressaltar que a tabela posta não é favorável ao trabalho exercido, pois deixa lacunas de até quinze dias sem a equipe jogar de forma profissional, comprometendo assim, o bom desempenho técnico-tático, a boa preparação física e a harmonia do conjunto. O maior problema enfrentado neste caso específico, o da insistência com jogadores que ainda não estão rendendo em um nível satisfatório para se atingir uma boa qualidade final é a ansiedade e a falta de conhecimento teórico da torcida, na qual se inclui os colaboradores, conselheiros e corpo diretivo, pois todos são norteados pela sede do consumo por resultados positivos e pelo combustível emoção. Esta agonia, que foge das mãos conscientes do ser humano, caso não haja um bom mecanismo de estancamento por parte de quem está executando o trabalho, pode atrapalhar a qualidade do resultado procurado. Cabe aqui ressaltar que o desenho tático implantado neste modelo de competição não pode ser igual ao do que foi desenvolvido no campeonato estadual deste ano. As situações são extremamente diferentes. No estadual nosso desafio era um, nesta série D a dinâmica é outra. Enfrentamos adversários com qualificações inferiores, que jogam de forma descompromissada, fato este que os tornam imprevisíveis e propensos a nos apresentar surpresas. Na minha ótica, defendo que o importante é buscar primeiro a garantia da...

Leia Mais

Ponta do iceberg

Ponta do iceberg

A torcida do Santa Cruz Futebol Clube anda se perguntando o que houve com o time. Não resta a mínima dúvida que o futebol apresentado pelo grupo que representa o clube da Avenida Beberibe beira ao ridículo e a bizarrice. Somente quem não enxerga futebol com a dosagem certa de racionalidade não é capaz de verificar tal fato. Contudo o que nos interessa é abordar sobre o que provoca a atual falta de futebol, pois a apresentação em campo é apenas a ponta de um iceberg. O esporte da bola no pé pode ser considerado como uma equação matemática ou até mesmo como uma grande cadeia biológica, com seus nichos, habitats, alimentação e reprodução. Daí a dificuldade do seu entendimento por parte dos admiradores e aficionados. De forma peremptória eu vos digo: o Santa Cruz não está no seu limite. A realidade é que quem está conduzindo o maquinário, tanto na labuta burocrática, quanto na operacional, não está conseguindo maximizar a extração do produto final. Seja por falta de combustível, seja por falta de literatura, seja por não conseguir motivar as peças fundamentais da engrenagem. No futebol os fatores que interferem para se atingir uma boa qualidade de produto gerado são demasiadamente infinitos. Desta forma, há de se analisar todo um conjunto de conjecturas, bem como avaliar os alicerces que balizam o treinamento em campo. O calor da emoção faz esquecer fatores que nossa mente trata de guardar em alguns baixos níveis cerebrais, dificultando para os emotivos, a consciência destes fatores. Neste cerne é muito comum a fala ser apenas consequência de uma masturbação cerebral, principalmente quando tratamos de assuntos passionais e complexos, onde o futebol se enquadra por completo. Está notória a ausência do bom futebol no time do Santa Cruz daqui. A começar pela faltas de gols, onde o artilheiro da equipe é um zagueiro que atabalhoadamente consegue colocar a pelota nos fundos do barbante. No mundo, equipe nenhuma é treinada para zagueiros se tornarem artilheiros. Os recursos da utilização da altura dos defensores nas bolas paradas, apenas são usados como uma nova opção de busca do objetivo final. Mas este não é o ato principal da peça. Dito isto, não há time que sobreviva somente com gols de zagueiros e/ou bola parada. Esta falta de tentos é fruto de uma significativa ausência de esquema de jogo, isto é, o treinador apenas entrega as camisas. Resta saber...

Leia Mais
2 de 6123...