Entre o céu e o canal

Entre o céu e o canal

André Tricolor Virtual, leitor e colaborador contumaz O Santa Cruz da Av. Beberibe vive uma crise existencial. Vivemos entre o sorriso amarelo e o desconsolo do insucesso. Aplaudimos o inesperado Bicampeonato Estadual, para depois chorarmos a Beira do Canal do Arruda a nossa desclassificação na distante Marabá. E distante ficou nosso Futebol. Tão distante que não se encontrou mais. O cheirinho do céu deu lugar ao amargo odor da incompetência. A sorte suou e cansou de nos perseguir. E a política infame falou mais forte dentro das Repúblicas Independentes do Arruda e fomos abandonados pela Câmara de Vereadores do Recife. Abandonaram nossos sonhos, nosso principal objetivo no ano. Não ouviram os pedidos da humilde Torcida Coral. Chicão sangrou em campo e o Santa teve uma hemorragia de erros. Todos escorregaram e as desculpas se multiplicaram. O sol foi um vilão freqüente, a chuva molhou a camisa coral dos atletas e a deixaram mais pesada do que de costume. E pesou os gramados da vida, duros e irregulares, como se pensássemos estar em uma Série A. Pesou o tempo de espera e preparo para o início da série C mais fácil de todos os tempos. Nem alguns hotéis sem sauna escaparam das críticas. Tudo tinha que estar muito perfeito. Esqueceram apenas de mostrar raça e comprometimento em campo. E as eleições estão se aproximando, de uma lado o candidato da situação que venceria fácil se conseguisse o Acesso a série B, para fechar com chave de ouro o ano. Do outro, o Sr. Joaquim Bezerra, que pretende profissionalizar o clube, mas ainda não tem a simpatia de todo o eleitorado apto a votar. E quem for eleito terá uma dura missão, nossas necessidades são muitas e devem ser perseguidas, com idéias que consigam consagrar o Clube não só em campo como Administrativamente. Queremos todas as áreas atuando de maneira conjunta e em sintonia com o futebol e a Torcida. Torço muito que no pleito do dia 7 de Dezembro, o grande vencedor seja o Santa Cruz e sua imensa e apaixonada Torcida. Que possamos ver o entorno do Arruda tomados de gente, acompanhando as obras de modernização do Arruda, aplaudindo as jovens revelações da Base sendo inseridos no Grupo profissional e saboreando um churrasquinho na beira do Canal lembrando que a felicidade nos espera e que o céu é  um mero estado de espírito.   Enquete Qual o seu voto...

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futebol não é guerra, é arte

futebol não é guerra, é arte

Darli Alencar, Dermatologista e artista plástico Nasci no meio das cores preta, branca e vermelha, com direito a bandeira pendurada no quarto da maternidade e roupinha do Santa Cruz. Mas sempre achei o jogo de futebol uma tremenda besteira. Enquanto meu irmão ficava jogando time de botão, eu preferia brincar de bonecas. Anos depois, meu mano ia jogar bola, eu ia brincar de médico e paciente, de príncipe e princesa e até de papai e mamãe. “Nada mais bizarro do que ver um bando de homens correndo atrás de uma bola. Isto é absolutamente incompreensível para mim”. Este era meu argumento da adolescência, quando o tema da conversa era o jogo do pé na bola. Mas a terra gira.  “Um passo a frente e você já está em outro lugar”, dizia Chico Science. E nada como a picada de um novo amor para mudar a nossa opinião e nossos conceitos. O mundo girou, completei meus dezoito anos, firmei meu primeiro compromisso de namoro e era 1982. Em todos os cantos da cidade a seleção brasileira era falada em verso e prosa. Eu me joguei sem medo de ser feliz no meio das almofadas, dos sofás, pelo chão e, para surpresa geral da nação, acompanhei de perto aquela copa do mundo. Um time lindo em todos os aspectos. Na plasticidade, na beleza física dos atletas, no charme! O chute de Éder, a postura de Sócrates, o jeito malandro de Júnior, a genialidade de Zico, a sensualidade de Falcão, aquilo tudo me encantou. Dali para frente, meu olhar para o futebol mudou de foco e quando este assunto vem à baila, sempre digo que a seleção de Telê, aquela de 1982, foi meu marco zero. Comecei a gostar de futebol, ali. Apenas um ano depois, em 1983, vi de perto a tão comentada paixão da nossa torcida. Antes disto, eu não conseguia compreender a irracionalidade da minha família quando era dia de jogo do Santa. Papai sempre chamava assim: o Santa! E foi ele quem me deu o privilégio de ir para o jogo final daquele ano. De poder ver in loco um time e uma torcida que transpiram raça e paixão. Comento com meus filhos que aquele foi o maior espetáculo que já assisti na minha vida. Até hoje guardo recortes de jornais da época. Aquela decisão consolidou o meu prazer de ver 22 homens correndo atrás de uma bola,...

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O Santa Cruz e as crianças

O Santa Cruz e as crianças

Santana Moura, tricolor e especialista e psicologia esportiva Nestes tempos de paralisação, de marasmo e espera, bom mesmo é ocupar o tempo rememorando ou divulgando coisas boas. No dia 5 de janeiro o Torcedor Coral publicou um texto onde eu conclamava levar uma criança ao estádio! Pois bem, está renovado o convite. Outro dia vi a foto de Pedrinho, filho de Roberto Douglas, no Facebook em sua primeira estada no Arrudão, foi um batismo de alegria; sábia decisão do pai que tratou de levar seu rebento ao melhor lugar do mundo, para ir se acostumando com o que é bom. Esta semana vi um vídeo da garotinha Isis, que com pouco mais de um aninho já gravou o nome do Santinha no coração. O pai dela é rubro-negro, mas o avô é Santa Cruz, então, a menina muito opiniosa (existe esta palavra?), já escolheu, se decidiu. Assim, quando alguém diz gol, ela diz “Cuiiz!”. O pai rebate dizendo: Santa Cruz, não, é Sport; e ela de biquinho armado diz “É CUIIZ”. Nem falar sabe, mas já está decidida, já tem opinião formada. Ontem, meu marido estava assistindo a natação dos jogos escolares, quando uma criança de braço apontou para o pingente que Toy levava no peito. A mãe do bebê é rubro-negra e o pai é Santa. Advinha quem o menino escolheu? A mãe, então, pegando no pingente perguntou a ele: o que é isso? Sem articular bem as palavras respondeu de pronto: “tricooô!”. Lembro-me como se fosse hoje, em 1999, quando era psicóloga no Santa, trouxe um menino de Surubim para assistir a um jogo no Arruda, foi uma mudança de vida para aquela criança. Ele era um dos mais traquinos da sala da professora Diva, no Centro Educacional de Ensino Infantil, onde eu também trabalhava. Ela não sabia mais o que tentar para conseguir fazer o infante parar, prestar atenção às aulas. Após dar-lhe algumas orientações sobre como abordar a situação comecei a observar a incrível semelhança que ele tinha com Marcelinho, jogador revelado da base, por Givanildo. Não tive dúvida, contrariando a Psicologia Construtivista, adotei o estilo behaviorista e propus: “Luiz se você se comportar bem durante a semana vou levar você ao Recife, para conhecer Marcelinho”. O garoto, tricolor, passou a semana que era um anjo. Felizmente, a mãe dele confiou em mim e eu o trouxe para o Arrudão. Levei-o para junto dos mascotes...

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Frevo, aspirina e Série C

Frevo, aspirina e Série C

André Tricolor Virtual Confesso que preciso me consultar com o amigo Artur Perrusi, não para relatar minha fronemofobia e nem tão pouco tentar entender porque as tartarugas de Intermares são mais lentas que qualquer outra da face da terra. Há um tempo, na escuridão do Arruda, onde o ar cheirava a óleo diesel, tentei entender os desencontros e descasos na Av. Beberibe N° 1285. Era difícil encontrar explicação. Tentei e consegui beber cerveja Frevo gelada com a incrível certeza que poderia entrar em um sono profundo e acordar em algum paraíso Coral. Viajei por lugares terríveis, levantei-me com um hálito horrível, com gases pra dedéu. Não lembrava se o arrumadinho de charque estava estragado. Na farmácia da esquina não encontrei nem sequer uma aspirina. Veio lembranças do tempo dos bregas e bailes funk na Sede Social. E eis que vi o inglês Paul McCartney pisar nas Repúblicas Independentes do Arruda e cantar Let it be, para comemorar antecipadamente o Bicampeonato Estadual. A Seleção passou por lá também, mas já não é tão emocionante quanto O Mais Querido. Era tudo um sonho, ou uma mera realidade, pensei em voltar a pregar os olhos. Não queria que nada desse errado. Procurei mais uma Frevo, mas Ducaldo havia levado todas para sua casa. Pensei na Brahma, e a mesma me remeteu as Caravanas de Dani Tricolor, pelas estradas do Sertão Brasileiro, onde pagávamos muito caro pelas Séries C e D. Recordo bem da viagem a terra do  Padim Ciço. Eram muitos devotos tricolores por lá exercitando a sua fé. Pasmem, o que mais me impressionou não foi a derrota para o esforçado Icasa, nem o futebol bisonho do Ribinha, mas ter visto o ônibus que o Santa chegou a Juazeiro, mais velho do que o da Orquestra Garcia. No coma alcoólico pude desfrutar de um momento afroditiano, onde nosso clube viajava nos noticiários internacionais, ao mesmo tempo em que Nice saia na revista Playboy. Em Campina Grande houve até dilúvio das paixões Corais. Galdino e Chaves estavam juntos de olho na TV Nova. Não queria acordar de jeito nenhum, mas precisava estar de pé, para apoiar e participar de nossa recuperação em campo. Houve desencontros, Zé queria que as vaias fossem mais baixas e direcionadas aos torcedores das sociais. Foi apenas tolice de quem quer vencer sem ser questionado. Sobrou até tapa nas arquibancadas. Acordei justamente na casa dos festejos, fui dado...

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Nem tudo é ouro

Nem tudo é ouro

Heraldo Ferreira, tricolor e produtor cultural Vencer no futebol é mais do que o céu. Para muitos torcedores, ver o time do coração ganhar é melhor do que uma bela trepada, daquelas com sexo oral e beijo grego. E ai de quem ousar falar algo contra o time campeão. Será apedrejado, enforcado e esquartejado em praça pública. Ou enrabado sem dó. A verdade é que fomos campeões aos trancos e barrancos. O título veio pro Arruda, muito mais porque do outro lado existia um adversário fraco comandado por um sujeito esquizofrênico, do que pelo fato de termos uma grande equipe. Cegou de paixão quem não viu a quantidade de lambanças da nossa defesa e do goleiro Thiago Cardoso. Não fossem os deuses do futebol que cuidam de organizar o quesito sorte, teríamos levado uma sonora enfiada e as estruturas haveriam de balançar. Se aquelas bolas tivessem entrado, hoje a confusão era grande e com certeza Zé Pardal iria pegar o beco. Mas… se a mãe de vocês tivessem uma carreira de peitos, não seria uma mulher. Ela era uma porca. Por falar em pegar o beco, o que não falta é peladeiro nesse time campeão que já deveria ter sido mandado embora. Não sei o motivo de tanto pantim pra botar essas desgraças pra fora. Pra começar a brincadeira, os seguintes perronhas já deviam estar longe do Arruda, são eles: – Carlinhos Bala; – Eduardo Arroz; – Jéferson Maranhão; – Geílson; – André Oliveira; – Diogo. Não serei injusto com Maisena e Edér Túlio, pois, não tiveram oportunidade de mostrar se sabem jogar bola. Qualquer torcedor do Santa Cruz, por mais abilolado que seja, sabe que o time carece de pelo menos, um zagueiro, um lateral direito, um lateral esquerdo, um meia-armador e um centroavante, com um detalhe, que venham para brigar por titularidade, pois de figurante e ator coadjuvante o elenco já está cheio. Neste ponto, tenho minhas dúvidas se a dupla dinâmica Zé Pardal e Sandro vão conseguir contratar um lateral-direito(ala, para os mais modernos!) que saiba jogar bola. Faz quase um ano e meio que nós torcedores do Santa esperamos pela chegada de um lateral-direito decente, mas só trazem perna-de-pau. Escuto falar em Paulista e Victor Hugo como novas contratações. Me desculpe o senhor Antônio Luiz Neto, mas só pode ser brincadeira. Eu queria ouvir de Sandro e de Zé Pardal, ou de quem foi responsável...

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