Poder econômico humilhado

Poder econômico humilhado

Jackson Oliveira, tricolor Certas ações dos seres humanos parecem normais nos tempos atuais. Valores pessoais, como a ética, passam ao largo quando muitas pessoas são tomadas por sentimentos como ódio e incompetência. Só dessa forma podemos compreender o assédio dos dirigentes da “coisa” em relação ao nosso técnico. Após humilhações seguidas a única coisa que restou na casa dos festejos foram esses sentimentos nada exemplares. As últimas três finais do pernambucano evidenciaram, inclusive, uma face do Santinha que, confesso, me surpreendeu. Digo isso porque historicamente o Santa Cruz, diferentemente de outros, é guiado pela modéstia e humildade. Mesmo em suas principais glórias não pesa sobre os ombros do tricolor a vitória com humilhação dos adversários. Isso, porém, para surpresa minha e de muitos outros, aconteceu nos últimos três anos. Vejamos: Na primeira final em 2011, como todos diziam, éramos um “time sem divisão”, ou seja, para jogar o brasileiro da quarta divisão ainda teríamos que nos classificar no pernambucano. Pois bem, pelo milagre dos deuses do futebol, com um time arranjado de última hora, chegamos à decisão final do pernambucano contra o “poderoso” Sport, penta campeão e com uma folha de pagamento seis vezes maior do que a do Santa Cruz. E, para complicar ainda mais, tinha a história de um boi que foi prometido a um pai de santo como retribuição pelo, praticamente certo, hexacampeonato. Com nossa humildade, humilhamos os rubro-negros e vencemos o campeonato. Vejam, não é como uma final entre Santos e Corinthians, onde não existe favorito nem sentimentos de superioridade de um contra o outro. Pelo contrário, por mais que haja rivalidade entre as torcidas, o respeito é mútuo nesse embate paulista. No caso de Pernambuco, em 2011, em termos econômicos, era Davi contra Golias e, como na Bíblia, o primeiro humilhou o segundo. Fizemos churrasco de boi! No segundo ano, em 2012, não estávamos mais sem divisão, pois alcançamos uma privilegiada vaga na terceira. Porém, a despeito da tradição do Santinha, as humilhações continuaram. Quis o destino que novamente encontrássemos a “coisa” na final. Ora, novamente o poderio econômico foi colocado em pauta e, certamente, um time que jogaria a primeira divisão do brasileiro jamais perderia para um de terceira, principalmente jogando o último jogo em casa, pelo empate, no dia do seu aniversário e, por coincidência, no dia das mães. Era só festa, com tudo programado nos salões sociais da casa dos festejos...

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1971: o ano que não acabou

1971: o ano que não acabou

L’AA, tricolor Essa é a forma que encontrei para homenagear nosso amado Santa Cruz em um momento tão glorioso. O ano que escolho para refletir o feito é o de 1971, o ano de nosso tri rumo ao penta. No mundo, a Intel lança o seu primeiro microprocessador . Na Síria assume a presidência o Hafez al-Assad, o pai do atual ditador. O Brasil vivia sua ditadura militar. O presidente era Emílio Garrastazú Médici. A coisa pensou seriamente em homenageá-lo dando seu nome a um mega estádio de futebol que seria construído em Joana Bezerra. Em 1971 era presidente do Incra o pernambucano Moura Cavalcanti, depois ministro da Agricultura e, a seguir, governador biônico pela arena de Pernambuco (em 1974).  A coisa concedeu-lhe o título de “leão de ouro”, o primeiro a recebê-lo. Liberdade zero e asfixiante repressão. Nesse ano, no sertão da Bahia, é assassinado, depois de rendido, o guerrilheiro Carlos Lamarca. Desaparecem Stuart Edgar Angel Jones, o filho da estilista Zuzu Angel e o deputado Rubens Paiva, pai do escritor Marcelo Rubens Paiva. A economia cresceu 11,34% (em pleno período do “milagre econômico”), mas a inflação já era bem alta: 19,71%. Na música, escutou-se muito “A tonga da mironga do kabuletê” de Toquinho e Vinícius, “Amada amante”, de Roberto e Erasmo, “Construção”, de Chico Buarque, “Você” de Tim Maia, “Você abusou” de Antônio Carlos e Jocafi. Na tv tivemos como principais novelas, “Cavalo de aço”, “Meu primeiro amor”, todas da Globo. Como era da Globo o apresentador Silvio Santos e seu “Show de calouros”. Eram jurado Pedro de Lara (pernambucano) e a Elke Maravilha (russa). A expressão “fora de série” de Flávio Cavalcanti (domingos 19 horas, na saudosa Rede Tupi) ganhava o Brasil. No cinema nacional, nada que, em minha opinião, mereça muito destaque, a não ser para os aficcionados: “Roberto Carlos a 300 km por hora”, que costuma passar no Canal Brasil hoje em dia. No futebol o campeão nacional foi o atlético mineiro. É o primeiro ano do campeonato brasileiro propriamente dito. O campeão da segunda divisão foi o Vila Nova. Naquele ano não estava previsto o acesso. O Santa Cruz ficou na 15ª posição. Pelé despediu-se da Seleção (precocemente, com 31 anos) em julho de 1971. O Santa Cruz sagrou-se tricampeão após vencer a coisa no dia 21 de julho daquele ano. Como agora, naquele momento só precisávamos de um empate, mas vencemos por...

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Um olho no padre e o outro na missa

Um olho no padre e o outro na missa

Artur Silva, estudante de engenharia elétrica e morador de Campina Grande, mantém um olho no padre e o outro na missa, pois enquanto o Campeonato Pernambucano avança, ele espicha os olhos para a Série C. Daí sua publicação, em uma comunidade do Santa Cruz no Facebook, de sua análise sobre o desempenho das equipes da Série C nos campeonatos estaduais. Por sugestão de Anizio Silva, antigo colaborador do Torcedor Coral, publicamos esse levantamento também em nossa página. Águia de Marabá – Faz fraca campanha no Campeonato Paraense. No primeiro turno, ficou na vice lanterna e assim não foi pras semifinais. No segundo, a equipe ocupa a 6ª colocação entre 8 times. Na última partida, perdeu para o Santa Cruz do Pará por 2×1. Baraúnas – Faz campanha muito fraca no Campeonato Potiguar. Na primeira fase, sem ABC e América, a equipe ficou apenas na 3ª posição. Já na segunda fase, ocupa, atualmente, a lanterna da competição. Na última partida, perdeu para o Santa Cruz-RN por 1×0 e já está numa seqüência de 9 partidas sem vencer e passa por uma crise, tanto que o técnico já deu declarações públicas de que precisa de jogadores. CRB – Faz boa campanha no Campeonato Alagoano, estando ainda invicto na competição. Atualmente, ocupa a primeira colocação. Depois do Nordestão, a equipe acertou com o técnico Ademir Fonseca pro lugar de Heriberto da Cunha e contratou 8 novos jogadores. São eles: O atacante Ualisson Picachu, ex-Nacional de Patos-MG; o zagueiro Thiago Gasparetto, ex-Treze e Ipatinga; o volante Ananias e o meia Tite, ambos ex-Feirense; o goleiro Galatto, ex-Grêmio e América de Natal; o atacante Denílson, que jogou a Série B do ano passado pelo CRB e estava no RedBull Brasil; o zagueiro Marcus Vinícius, também ex-RedBull e o volante Éverton Luiz, ex-Criciúma. Na última partida, venceu o CEO por 6×0 com 5 gols de Schwenk. Cuiabá – Faz campanha regular no Campeonato Mato-grossense. Ocupa apena a 5ª colocação no estadual. O técnico Ary Marques já falou abertamente que a equipe precisa de, ao menos, 6 reforços, mas o presidente disse que só iria contratar após o término dos estaduais. Na última partida, a equipe perdeu pro Mato Grosso por 3×0. As mais recentes contratações da equipe foram os laterais Fabinho, que veio do Operário-PR, e Jackson, que veio do Caxias. Fortaleza – Agora sob o comando de Hélio dos Anjos, a equipe faz boa...

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Rombo trabalhista

Rombo trabalhista

Os números financeiros do Santa Cruz sempre foram cercados de mistérios. Hoje, um desses números foi revelado publicamente (pasmem!) por uma nota publicada no site oficial do Sport e confirmada por Antônio Luiz Neto ao jornalista Cassio Zirpoli, em seu blog. Trata-se da dívida trabalhista do clube, que subiu de 25 milhões, em 2009, para os atuais 40, em 2013. Um aumento que gira em torno de 60% em apenas quatro anos. A dívida, é verdade, não foi contraída pela atual gestão e em sua composição, evidentemente, deve conter processos em andamento. Contudo, a nota revela que, se houve algum esforço para sanear as obrigações do clube, ele certamente foi em vão. Também evidencia, comparativamente com os nossos adversários, a difícil situação do Santa Cruz e sua sombria perspectiva para o futuro. O rombo trabalhista dos grandes clubes pernambucanos Cassio Zirpoli As dívidas trabalhistas, com a possibilidade de execuções sumárias, há anos comprometem as receitas dos clubes do futebol no país, envolvidos num histórico de gestões pouco apegadas aos plenos direitos do trabalhador. Uma hora a conta a chega. Em Pernambuco, o rombo é milionário. Chegou ao ponto de ser necessário costurar um acordo na Justiça do Trabalho. Envolveu alvirrubros, rubro-negros e tricolores. A articulação em 2003 destinou 20% das receitas do trio, desde então, para reduzir as dívidas trabalhistas. Posteriormente, outros acordos foram feitos, parcelando o rombo. Mas pagam uma, surge outra. Pagam uma parcela, deixam de pagar duas. A história segue. Em quatro anos, a dívida trabalhista dos três clubes caiu de R$ 62 milhões para R$ 60,5 milhões, mas longe de uma distribuição uniforme. Em 2009, as dívidas eram as seguintes: Santa Cruz, R$ 25 milhões. Sport, R$ 20 milhões. Náutico, R$ 17 milhões. Em 2013, os dados foram “revelados” em uma nota oficial do Sport. Ainda que os coirmãos tenham sido citados como times “A” e “B”, não é muito difícil elencar as equipes, analisando em cima desses supostos números. Porém, o blog questionou os presidentes de Santa e Náutico sobre as informações. O tricolor Antônio Luiz Neto confirmou o dado divulgado no site leonino, uma vez que havia julgamentos em curso antes de sua gestão. Já o alvirrubro Paulo Wanderley disse que o montante seria “bem menor”, com tempo de pagamento três anos mais curto. Em vez de R$ 18 milhões, como na nota, o balanço mais recente apresenta R$ 300 mil a menos...

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Carta aberta à Diretoria do Santa Cruz

Carta aberta à Diretoria do Santa Cruz

Publicamos com atraso, por falta de disponibilidade de tempo, carta enviada à nossa redação pelo grupo de internautas Por um Santa melhor. O momento é oportuno para reflexões e esta carta contribui para um debate que já está trinta anos atrasado. Carta aberta aos membros da diretoria e instâncias superiores, e à comunidade de torcedores do Santa Cruz Futebol Clube Prezados senhores, é com grande pesar que nos vemos obrigados a enviar esta correspondência. Nós, grupo de torcedores preocupados com a situação do clube que tanto amamos, vimos com absoluta revolta a eliminação do plantel tricolor da Copa do Nordeste, sob condições que poderiam, sob nossa ótica, ser evitadas. Para aumentar nossa indignação, vemos também o início de nossa participação no Campeonato Pernambucano de 2013 e, a médio prazo, na Série C do Campeonato Brasileiro deste mesmo ano, sem as medidas que julgamos necessárias para a correção de curso. Tal situação vem se tornando uma constante desde o final do ano passado, e, em nossa opinião, se continuarmos assim, o Santa Cruz terá um futuro sombrio. Isso, se tivermos um futuro além dos verbetes de enciclopédia. Este é o sinal de alerta que nós, uma parcela significativa de torcedores preocupados e, no caso de muitos de nós, cumpridores de nossos deveres enquanto sócios, estamos dando, não só à diretoria, mas também à massa coral. No entanto, não podemos excluir também uma parcela significativa de nossa torcida que, por falta de condições financeiras (somos um clube de caráter popular, lembrem-se) ou de paciência com a sequência de resultados negativos ou percepção de inépcia por parte dos dirigentes, não são associados ao clube. O Santa Cruz, aliás, transcendeu a condição de clube privado para configurar-se como verdadeira instituição de interesse público, afetando a vida de milhões de pernambucanos ou de apoiadores de outros estados, identificados com nossa história. O Santa é grande demais para falhar. Não podemos permitir que isso ocorra. É especialmente temerária a baixa qualidade técnica de nosso plantel, composta por jogadores de baixo nível e que outrora estiveram em campeonatos, ainda que no exterior, com qualidade inferior a dos estaduais do Nordeste brasileiro. Outros sequer tiveram oportunidades nas pequenas equipes das quais anteriormente faziam parte, que dirá em grandes clubes do cenário nacional e internacional. No entanto, temos de ver com bons olhos a postura que nosso atual técnico adota dentro de campo, uma verdadeira quebra de paradigmas...

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