Esperança, otimismo e fatos — embalou?

Esperança, otimismo e fatos — embalou?

Torcer pelo Santinha não é para amadores. Na partida contra o Bragantino, por exemplo, teve a repetição do modelo de nossa epopeia: jogo fácil, jogo difícil, jogo dramático e, no final, redenção. Típico. Faz parte de nosso caráter.

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Raiva desgraçada

Raiva desgraçada

Era briluz. As lesmolivas touvas roldavam e relviam nos gramilvos. Estavam mimsicais as pintalouvas, e os momirratos davam grilvos. Foge do Jaguadarte, o que não morre! Garra que agarra, bocarra que urra! Foge da ave Felfel, meu filho, e corre do frumioso Babassurra!

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Das circunstâncias

Das circunstâncias

Começo com a conclusão. É mais fácil, mais rápido e tão digestivo como comer coxinha em Boa Viagem, embora defenda que boa alimentação é comer mandioca em Casa Amarela. E ler conclusão não precisa tanta leitura, nesses tempos bicudos da escrita, nos quais os imbecis perdem a modéstia no feicebuque.

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Desesperar, jamais.

Desesperar, jamais.

Mereceu perder. O time foi anulado pelo adversário. Ponto. Sempre será difícil assumir isso. Eu mesmo só o fiz agora, pois, logo depois do jogo, estava tão puto que… bem, deixa pra lá. Quando o adversário domina a partida, gera a sensação de desorganização e de passividade. Parece que o time está entregue e sem raça. E, inconformados, começamos a produzir justificação. Os zerumanos somos máquinas de justificações. E produzimos as piores possíveis; geralmente, culpando o Outro, esse Grande Culpado. Mas acho que a explicação mais prosaica, para a nossa derrota, foi que recebemos um nó tático. Lisca engabelou Martelotte, simples assim. E, com isso, o adversário foi melhor — acontece, como cantava Cartola. “Esquece o Santinha, vê se esquece. Porque tudo no mundo acontece”. E acontece de jogar mal, caros leitores, e acontece de o adversário jogar melhor, mesmo sendo um time nivelado ao nosso. Difícil de engolir? Sem dúvida. Porque dá vontade danada de xingar e culpar jogador, técnico, dirigente, o escambau. (Tá difícil? Ofereço um minuto de xingamento… Podem ficar à vontade. Vamos lá, pessoal. Aqui está o Muro das Lamentações do TC. Isso, isso, a mãe do cara, não se esqueçam da mãe do cara. As mães são bons bodes expiatórios. Freud utilizava tal recurso: xingava a mãe e ficava leve, leve. Ele mesmo desejou a mãe, sentiu-se rejeitado, quis matar o pai, enfim — cabra doido da moléstia, Freud, convenhamos. Pronto, podemos voltar ao assunto, depois dessa ablução — não funcionou? Mande Malafaia procurar o pio-pio dos ímpios) Não creio, assim, que tenha sido algo mais ou menos proposital, do tipo uma reação contra o atraso de salários. No jogo anterior, os salários estavam atrasados, logo, o argumento não é bom. Inicialmente, achei estranho, realmente; depois, achei perfeitamente prosaico o fato de termos perdido um clássico. Jogando mal? Sim, jogando mal, porque o adversário jogou melhor. Achei até que João Paulo tinha forçado o cartão amarelo e construí, na minha titica cerebral, uma série de teorias conspirativas (uma forma de protesto pelo atraso de salários, por exemplo). Culpei a Coisa, inclusive. Em qualquer teoria conspiratória, a Coisa deve aparecer como protagonista, cá entre nós. Agora, suponho que tenha sido apenas burrice. Sim, acho ela, a burrice, argumento fundamental para explicar a vida, o mundo, Dilma e o cartão amarelo de João Paulo. Discordando de Freud, acho até que influencia mais o comportamento humano do que a depravação...

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Conversa no zapzap

Conversa no zapzap

Era uma vez uma conversa. Tudo começou assim… _Assiste ao jogo aonde? _Estou em casa. Artur pensava que Dimas estivesse por aí, nalgum desvario, mas não, estava em casa. _É melancólico. Dois velhos em casa. De fato, era triste. Cada um na sua casa, e o mundo pegando fogo lá fora. _Tá com medo do fascismo? _Quero sair de vermelho. _Tu num tá doido não, rapaz! _Ou de Satanás. _Aí lascou geral. Artur pensou num mundo melhor, cheio de transexuais, com coxinhas podendo sair do armário, sem culpa e sem timidez. _Tá louco?! Cunha te mata. Mas Artur não tinha falado nada; só pensado. Pensar é pecado? Claro, Deus sabe de tudo. Mesmo no banheiro, Ele te vê. Silêncio. Como narrador, forço minha criação, justamente esta narrativa, caros leitores, ao silêncio. Pois tenho medo de pronunciar seu Nome em vão. O medo terrível de que, uma vez pronunciado, as contingências sem limites do jogo linguístico (metáforas, retóricas, etc. e tal) destruam niilisticamente o mistério da transcendência. _Será que Deus dá a opção de não acreditar Nele? Quem disse isso? Eu sou o narrador. Quem disse isso? Silêncio. Tudo bem, esqueçamos a querela agnóstica; mas, como Dimas tinha adivinhado o pensamento de Artur? O cabra pensa em transexuais, coxinhas, Felicianos, Malafaias (vai procurar!), e Dimas sabe de tudo. Como? Um mutante? Um X-Men? Como telepata, será que o Editor-Mor teria um caso com Jean Grey, a espetacular Fênix? Deve ser incrível! Uma paixão que incinera literalmente o coração. Mas… e Wolverine, e Ciclope? Dimas era páreo para esses dois? Sei não, pensou Artur. _Você acha que a cura gay melhoraria o Santa? Impossível, disse o narrador dessa crônica. _Oxe, se sou o narrador, quem narrou agora? Havia, de fato, confusão na autoria da narrativa. Tempos sombrios, pensou o teclado. Retomemos a conversa. _Botei umas cervejas pra gelar, mas ainda não tive coragem de abrir. _Isso é grave. Pior, sou eu, pois nem cerveja comprei. _Só abro uma, se o time me animar. Gastar cerveja à toa não dá… Assistir a time ruim, só bêbado ou drogado, suspirou Dimas. Artur imaginou-se logo no Uruguai, terra do bom e do melhor. Ou em Amsterdam! Sim, na Holanda! No Quartier Rouge! _Ao invés de uma dona da Tailândia, onze pernas de pau! Como Dimas adivinhava o pensamento de Artur? Talvez, porque Artur fosse sumamente previsível. E Dimas tem esse defeito: só diz a verdade....

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