30 jul
Leonardo Jr.
Eu gosto bastante de acompanhar o que acontece no “planeta bola”. Tendências, esquemas táticos, políticas de contratação, tudo isso para saber o que está acontecendo, e quem sabe sugerir algumas coisas interessante, que possam ser úteis e aplicáveis ao nosso Santa.
E um clube em particular me chamou a atenção: O Paris Saint-Germain. Para quem não sabe, o clube (que é um dos maiores da França) passou a última temporada numa crise desgraçada. Envolto em dívidas, lutou contra o rebaixamento na Ligue 1 durante toda a temporada, só conseguindo escapar nas últimas rodadas da degola. Qualquer semelhança é mera coincidência…
Eis o Cenário: O PSG envolto em dívidas, repleto de medalhões no elenco que não estavam rendendo o esperado. O clube como lanterna do campeonato. Qual a primeira coisa a se fazer? Trocar de técnico, é claro (Alguém conhece alguma história parecida por aí?). Mas aí faço uma ressalva. A troca de técnico veio acompanhada de uma mudança de mentalidade. Contrataram um treinador que gostava de trabalhar com jovens talentos. De revelar jogadores. Não bastou apenas trocar um profissional. Foi preciso mudar o foco, admitir que não estava funcionando e tentar outra coisa.
Ele (o treinador) chegou ao clube e adotou logo uma política de choque: colocou a maior estrela do time no banco. No lugar do medalhão (O português Pauleta), colocou um jovem valor. E funcionou. Tanto o jovem se saiu muito bem, como o medalhão voltou a brigar por uma vaga no time, pra onde retornou e marcou gols importantes ajudando o clube a se manter na primeira divisão francesa. Ou seja, além de conseguir manter o clube, ainda mostrou que existiam valores no próprio clube que poderiam ser aproveitados.
Agora o clube está se preparando para a temporada 2007/08. Contratação de medalhões? Nem de longe. O Clube percebeu que a única forma de crescer nos próximos anos seria uma redução drástica nos custos, diferente de anos anteriores, onde o clube gastou o que não tinha para contratar jogadores de nome, mas que dentro de campo contribuíam muito pouco. O Clube parte para contratar jogadores jovens, que se destacaram em outras equipes francesas.
Com essa política, o PSG mata dois coelhos com uma só cajadada. Reduz os valores gastos com contratações, ajudando a enxugar o déficit do clube e tem a perspectiva de lucrar no futuro com a venda desses jovens talentos. Óbvio, não? Dá pra cobrar resultados imediatos de um trabalho como esse? Claro que não. Mas pelo menos, as perspectivas são diferentes. O Clube está trabalhando para reduzir suas dívidas, e não perde o olhar para o futuro.
Estamos num momento de crise, e lê vem mais um caminhão de jogadores. E lá se vai mais um outro tanto. Ficam dívidas e sobram dúvidas. Qual a política que temos para o futebol do clube? O que queremos? Essas duas perguntas deveriam nortear todas as nossas ações, desde a contratação do treinador, como na busca por novos atletas. Se nós mesmos não temos uma política bem definida com relação a isso, como poderemos cobrar ao treinador que dê chance aos jogadores da casa, ou que não indique jogadores em fim de carreira?
Miro Bahia ou João Neto do Central ou Pierre do Porto? Dudu ou Gonçalves do Porto? Cesar Baiano ou Rivelino do Vera Cruz? Se for pra arriscar, ainda prefiro apostar em jogadores jovens, que queiram aparecer e já tenham demosntrado alguma qualidade que não seja ter vencido ou feito algum gol num combalido time do Santa Cruz. Mas até isso é uma questão de política que o clube pretende adotar.
Para quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve. Enquanto não definirmos que rumo queremos tomar, vamos ficar zanzando por aí, contratando e demitindo, sem nenhuma perspectiva.
"A minha primeira paixão é o Santa Cruz, mas a minha primeira obrigação é com o Tribunal de Justiça."
Bartolomeu Bueno, em pronunciamento de renúncia ao cargo de presidente do Conselho Deliberativo, após consulta ao Conselho Nacional de Justiça - CNJ.




22 Comentários para "O Exemplo que vem da França"
Isso. Justo. Falou e disse.
Acho incrível que, depois da Revolução do Arruda, estejamos criticando o óbvio e não analisando o novo. E o modelo do PSG ainda é mais ou menos convencional, embora seja já uma grande mudança para o Santinha. Quem dera fizéssemos isso…
Quando morei na França na década de 90, o PSG tinha suplantado o OM (Olympique de Marseille), afundado numa crise de corrupção. Virou o clube mais rico da França. Teve uma grande fase com Waldo, Ricardo Gomes e Raí. Depois, o dinheiro minguou e o clube perdeu a hegemonia para o mais novo milionário do futebol gaulês: o Lyon, que junta dinheiro (logo, elenco milionário) e formação de base.
Mas meu modelo utópico é o Ajax da Holanda, justamente porque, guardando as proporções, não é um clube rico (o PSV Eindhoven é, por exemplo, rico e financiado pela Philipps — nome do clube: União de Esportes Philips!). Lá existe uma integração entre a base e os profissionais em vários níveis. Um exemplo: a base joga na mesma filosofia de jogo que os profissionais; assim, os garotos não estranham quando são efetivados para o time profissional. Outra: lá tem “carreira”: o jogador vai subindo de degrau em degrau, recebendo valorização e aumento de salário até chegar ao profissional. E os salários têm um teto, não havendo disparidades de renda entre os jogadores. Pelo que entendi, normalmente o time profissional é formado por 60% ou mais de jogadores da base. A economia é enorme e sempre há peças de reposição. Há um problema, porém: a descoberta de talentos não fácil, diferentemente do Brasil.
Boa comparação Leonardo, mas devemos guardar as devidas proporções, a economia parisiense e a recifense. Aproveitando o gancho, como o Leobardo citou, o importante é primeiramente o Santa se equilibrar financeiramente e depois pensar em títulos (alguns tricolores me achariam um louco), não há como formar um bom time sem dinheiro. Nossa diretoria deveria buscar exemplos aqui no Brasil e no exterior, como esses clubes buscam receitas, já se sabe que renda não é mais a fonte principal, na minha opinião, a saída está na captação de novos sócios. Crise não é privilégio do Santa, a cerca de 10 anos o Barcelona estava quebrado e hoje é uma potência. Abraços.
Perfeito Leonardo. No início eu até pensei que os novos dirigentes do clube iriam seguir a fórmula “base+jovens talentos da região+uns veteranos para complementar”. É manjada, nos deu inúmeros títulos nos anos 70 e é adotada, com atualizações, por vários grandes clubes brasileiros.
No entanto, seguimos o caminho oposto àquele que se desenhou no começo. Desprezamos os poucos valores revelados pelo clube, ignoramos alguns jogadores que tiveram desempenho promissor em outros clubes do estado e contratamos sem critério, mandando a qualidade pras cucuias.
Há vários modelos que poderiam ser adaptados à nossa realidade, mas parece que não há quem os enxergue. A situação crítica em que se encontra o nosso time, no momento, até justifica um certo imediatismo das ações. Só não justifica a aparente desorientação e a falta de uma política mínimamente razoável e definida para o departamento de futebol.
Por incrível que pareça, há um exemplo muito bom no departamento amador do clube, onde o futsal vem ganhando tudo, até título internacional, em todas as categorias (só não ganhou a adulta, mas chegou à final depois de muito tempo). E conseguiu isso sem receber 1/5 das atenções dispensadas ao futebol de campo. O que é bom para o futsal não poderia ser bom, também, para o futebol de campo? Cartas para o Arruda.
Ah! Vem aí o Creedence Clearwater. Não a banda, mas um atacante que surgiu no Guarani, passou por vários clubes pequenos (Marília, Brasiliense, Volta Redonda) e sobrou pra nós.
Vamos ver se dá rock mesmo ou é mais um para ser dispensado em um mês.
Oliveira, indicado pelo técnico, mal chegou e já saiu. Foi reprovado no exame médico.
Edmilson,
Concordo com você.Devemos guardar as devidas proporções. Só que o PSG também deve, e deve em Euros. Quando faço a comparação, é em relação a filosofia e a política que eles adotaram. Pode não ser a mais eficiente, mas é uma política. Qual é a nossa? Não temos. Se não temos, como podemos exigir de treinadores e jogadores?
Credence? mais um no caminhao de jogadores que embarca e desembarca no Arruda. Nessa hora tenho que olhar pra casa do vizinho: O Paissandu foi eliminado (lanterna) da terceira.
Gostei do texto, parabéns Leonardo.
Olhe um exemplo ótimo disso que vc escreveu: no final do PE ofereceram ao Santa Cruz o atacante Kelson, de um dos times aí do interior que não me lembro agora. Mas obviamente ele não foi contratado. Foi parar no Criciúma.
Resultado? É um dos melhores atacantes de lá, do líder disparado da série B. E aqui? Bem, aqui foram buscar Miro Bahia em Rondônia…
Mudam as pessoas mas não se muda a mentalidade.
Marco, o Kelson inclusive que já jogou pelo próprio Santa Cruz!
Ele foi artilheiro do Pernambucano pelo Itacuruba e chegou no Santa e não rendeu…
Agora fica a pergunta: Porque não rendeu? Porque contratamos esses jogadores e eles não rendem no Arruda? Será só a camisa que Pesa?
Na minha opinião, quando o clube contrata esses jogadores, deposita neles toda a responsabilidade de darem certo. Eles tem que resolver logo nas primeiras partidas, pois nem a diretoria e nem a torcida tem mais paciência de esperar que um jogador evolua e vá crescendo gradativamente no Clube.
E assim, vocês hão de convir, fica difícil revelar talentos. Todos tem um “tempo de maturação”. Com jogadores de futebol não é diferente. Mas infelizmente a muito tempo tratamos o tempo como nosso inimigo.
A verdade é a seguinte: não tratamos a base como se deve. O São Paulo se mantém no topo desde os Menudos de Cilinho, que, por sinal, é técnico de Base do clube, podendo vender um Kaká sem ter prejuízos com isso. Ao contrário, foi campeão mundial anos depois, em cima do Liverpool. É questão de Planejamento. Temos que fazer um trabalho de São Caetano aqui, senão, caixão e vela preta, rumo à extinção.
Perfeito Leonardo, havia me esquecido que ele até já jogou aqui. É que passa tanta gente que às vezes dá um branco.
Mas sabe por que tem muita gente que não rende? Por falta de paciência e de estrutura também. Tem muita gente que pede “invistam na base”. Aí os caras são colocados para jogar e na primeira bola errada são devidamente queimados. Quem tiver o azar de jogar a primeira partida com o Santa Cruz atacando para o gol do canal e erra a primeira bola é fritado pela parcela corneteira das sociais. É por isso que perdemos grandes valores.
Rivaldo foi queimado, mas hoje é idolatrado. Diziam que ele não jogava nada. E olha onde ele chegou. Esse tipo de coisa tem que acabar no Santa Cruz. Ou isso acaba ou nós acabamos. Um time sem base é um time sem nada.
Confesso que fui um dos corneteiros, embora não tenha sido das sociais e sim das arquibancadas, que chamava entusiasticamente Rivaldo de cai-cai. Tal fato prova meu conhecimento no futebol (hehe…). Depois, descobriu-se, no Mogi_Mirim, que Rivaldo estava com o bucho cheio de vermes, daí sua lentidão…
Uma observação: a torcida pode até queimar jogadores, mas não vamos superestimar a sua capacidade de incineração. O fato é que o departamento de futebol aceita essa queimação e relega o jogador prata da casa ao ostracismo, além de jogá-lo várias vezes na fogueira e não oferecer nenhum apoio, seja profissional, seja psicológico. Pra mim, é essa a questão. Jogador não é e nem deve ser tratado feito gatinha de colo de madame. Se o bibelô não suporta a pressão, coitadinho, temos um profissional na área esportiva que pode ajudar muito (como já repetiu várias vezes o grande Tostão): o psicólogo que atua na área do esporte profissional. Repetindo: a torcida pressiona o jogador; o departamento de futebol é quem o frita, ao não apoiá-lo e ao desprezar o suporte da psicologia na área desportiva.
Desde a base, o jogador prata da casa precisa estar preparado para a pressão da torcida. Há de ter consciência do que representa essa instigante situação de levar uma vaia de uma multidão. Precisa saber que vai enfrentá-la um dia. O departamento de futebol precisa saber sobre o perfil psicológico de cada jogador prata da casa. Os mais fortes, os mais frágeis, os mais competitivos, os menos, e ter um atuação profissional na área, facilitando a adaptação da jovem promessa à sua dura profissão.
Estou na BOLÍVIA e acompanho as notícias do meu time. Tá na hora do ingresso arquibacada e para RS 5,00 REAIS e levar essa torcida a campo tenho certeza que com 50.000 torcedores a raça vai voltar. O SANTA sempre foi um time com grande torcida, basta da condiçoes financeira para ela chegar. Vocês diretores sabem disso, tá na hora de fazer.
Direto dá Bolívia um torcedor TRICOLOR.
Marco,
Voce tocou num ponto super importanteque é a falta de estrutura de nossas divisões de base. A grande prova disso é quando viamos os jogos da Copa São Paulo, parecia Profissionais contra Juvenis, dada a disparidade fisica e tecnica. Já ouvimos relatos de nao termos suplementos alimentares para os profissionais, o que dizer entao dos juniores? Enquanto nao tivermos uma estrutura de medicos, nutricionistas, psicologos, alojamentos adequados, ajuda as familias dos jogadores e etc, nao conseguiremos colher Bons frutos dentro de nosso clube.
estou com voce leonardo, precisamos dar oportunidade a prata da casa, esta politica sempre deu certo em todo grande empreendimento. FErNANDO SILVA LAGO NORTE- BRASILIA-DF
Vamos equilibrar esse time. No ano passado, as inscrições terminaram em outubro e estamos em agosto, podemos, ainda tentar algum de fora. tem vaga para 3 estrangeiros e temos só um e, a princípio, começa na reserva.
HeartIt Through The Grapevine
Banda: Creedence
Bet you’re wondering how I knew ’bout you’re plans to make me blue
With some other guy that you knew before.
Between the two of us guys you know I love you more.
It took me by surprise I must say, when I found out yesterday. Oh I
Heard it through the grapevine not much longer would you be mine.
Oh I heard it through the grapevine, and I’m just about to
lose my mind. Honey, honey yeah.
You know that a man ain’t supposed to cry, but these tears I can’t hold
inside. Losin’ you would end my life you see,cause you mean that much to me.
You could have told me yourself that you found someone else. Instead I
People say believe half of what you see, son, and none of what you hear.
I can’t help bein’ confused if it’s true please tell me dear?
Do you plan to let me go for the other guy that you knew before?
Concordo plenamente com voce leonardo. Sinto que os dirigentes do nosso santinha não pensem dessa forma. Isso é válido não só para a atual gestão, mas as futuras. As nossas melhores perspectivas na qualidade de jogadores jovens oriundos da base já tomaram novo rumo, são os casos de Hugo e Tiago Almeida. Não culpo a atual diretoria pelos erros cometidos nas recentes contratações, pois a diretoria anterior deixou o santinha às lastimas. Edinho vem fazendo esforços no sentido de trazer novas alegrias ao “mais querido”. Essa sua idéia deve ser perpetuada independente do momento em que o santa venha atravessar, Pois só assim seguiremos o caminho das vitórias e, consequentemente, dos títulos.
Leonardo Jr, excelente texto, um dos melhores aqui deste blog, nem tenho muito o que complementar… ah, sim: precisamos de um centro de treinamento!
Tô com Fred Arruda, precisaríamos de um CT para os atletas e uma sede social decente e poliesportiva para nós, sócios, nem que igual à do Clube Alemão, que tem várias coisas - bestinhas - pro sócio fazer. Vamos pensar no Sócio também quando formos fazer nossas instalações.
Um Centro de treinamento é fundamental. Os jogadores não podem ficar treinando no gramado do Arruda. Além do mais, seria uma ótima oportunidade do treinador dos profissionais sempre acompanhar o treinamento das divisões de base(que treinariam em horários mais apropriados).
Léo,
Mais um excelente texto. Aliás, uma das características do nosso Lord cronista é cascavilhar e buscar soluções para o Santa. Um exercício salutar que deveria fazer parte da rotina do nosso clube, tanto dos torcedores, quanto dos nossos dirigentes.
Saudações corais,
Dimas Lins
enter text? test, sorry
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