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Leonardo Jr.

Eu gosto bastante de acompanhar o que acontece no “planeta bola”. Tendências, esquemas táticos, políticas de contratação, tudo isso para saber o que está acontecendo, e quem sabe sugerir algumas coisas interessante, que  possam ser úteis e aplicáveis ao nosso Santa.

E um clube em particular me chamou a atenção: O Paris Saint-Germain. Para quem não sabe, o clube (que é um dos maiores da França) passou a última temporada numa crise desgraçada. Envolto em dívidas, lutou contra o rebaixamento na Ligue 1 durante toda a temporada, só conseguindo escapar nas últimas rodadas da degola. Qualquer semelhança é mera coincidência…

Eis o Cenário: O PSG envolto em dívidas, repleto de medalhões no elenco que não estavam rendendo o esperado. O clube como lanterna do campeonato. Qual a primeira coisa a se fazer? Trocar de técnico, é claro (Alguém conhece alguma história parecida por aí?). Mas aí faço uma ressalva. A troca de técnico veio acompanhada de uma mudança de mentalidade. Contrataram um treinador que gostava de trabalhar com jovens talentos. De revelar jogadores. Não bastou apenas trocar um profissional. Foi preciso mudar o foco, admitir que não estava funcionando e tentar outra coisa.

Ele (o treinador) chegou ao clube e adotou logo uma política de choque: colocou a maior estrela do time no banco. No lugar do medalhão (O português Pauleta), colocou um jovem valor. E funcionou. Tanto o jovem se saiu muito bem, como o medalhão voltou a brigar por uma vaga no time, pra onde retornou e marcou gols importantes ajudando o clube a se manter na primeira divisão francesa. Ou seja, além de conseguir manter o clube, ainda mostrou que existiam valores no próprio clube que poderiam ser aproveitados.

Agora o clube está se preparando para a temporada 2007/08. Contratação de medalhões? Nem de longe. O Clube percebeu que a única forma de crescer nos próximos anos seria uma redução drástica nos custos, diferente de anos anteriores, onde o clube gastou o que não tinha para contratar jogadores de nome, mas que dentro de campo contribuíam muito pouco. O Clube parte para contratar jogadores jovens, que se destacaram em outras equipes francesas.

Com essa política, o PSG mata dois coelhos com uma só cajadada. Reduz os valores gastos com contratações, ajudando a enxugar o déficit do clube e tem a perspectiva de lucrar no futuro com a venda desses jovens talentos. Óbvio, não? Dá pra cobrar resultados imediatos de um trabalho como esse? Claro que não. Mas pelo menos, as perspectivas são diferentes. O Clube está trabalhando para reduzir suas dívidas, e não perde o olhar para o futuro.

Estamos num momento de crise, e lê vem mais um caminhão de jogadores. E lá se vai mais um outro tanto. Ficam dívidas e sobram dúvidas. Qual a política que temos para o futebol do clube? O que queremos? Essas duas perguntas deveriam nortear todas as nossas ações, desde a contratação do treinador, como na busca por novos atletas. Se nós mesmos não temos uma política bem definida com relação a isso, como poderemos cobrar ao treinador que dê chance aos jogadores da casa, ou que não indique jogadores em fim de carreira?

Miro Bahia ou João Neto do Central ou Pierre do Porto? Dudu ou Gonçalves do Porto? Cesar Baiano ou Rivelino do Vera Cruz? Se for pra arriscar, ainda prefiro apostar em jogadores jovens, que queiram aparecer e já tenham demosntrado alguma qualidade que não seja ter vencido ou feito algum gol num combalido time do Santa Cruz. Mas até isso é uma questão de política que o clube pretende adotar.

Para quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve. Enquanto não definirmos que rumo queremos tomar, vamos ficar zanzando por aí, contratando e demitindo, sem nenhuma perspectiva.